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Estudo avança na edição genética de embriões, mas mosaicismo ainda é obstáculo

0 Comentários🗣️🔥 Em 2018, um pesquisador na China revelou ter usado a técnica CRISPR para criar três crianças geneticamente modificadas, ação condenada por biólogos em todo o mundo. A principal objeção não era apenas a questão ética de editar bebês, mas o fato de a técnica não ser segura e apresentar risco elevado de mutações […]

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Célula embrionária vista em microscópio, ilustrando discussões sobre edição genética. (Foto: newscientist.com)
Célula embrionária vista em microscópio, ilustrando discussões sobre edição genética. (Foto: newscientist.com)

Em 2018, um pesquisador na China revelou ter usado a técnica CRISPR para criar três crianças geneticamente modificadas, ação condenada por biólogos em todo o mundo. A principal objeção não era apenas a questão ética de editar bebês, mas o fato de a técnica não ser segura e apresentar risco elevado de mutações prejudiciais.

Uma equipe nos Estados Unidos utilizou uma forma aprimorada de CRISPR, conhecida como edição de base, para editar embriões saudáveis. Segundo reportagem do site New Scientist, os resultados são promissores, mas um grande obstáculo ainda impede o uso clínico da técnica.

O CRISPR tradicional utiliza uma proteína chamada Cas9, que se acopla a um RNA guia para localizar um ponto específico no genoma e corta as duas fitas do DNA. Quando a célula tenta reparar o dano, frequentemente comete erros, introduzindo pequenas mutações que podem desativar genes ou causar anomalias cromossômicas graves.

Editar embriões, no entanto, é muito diferente de tratar doenças em adultos, onde basta que a edição funcione em uma fração das células para obter efeito terapêutico. Em um embrião humano, a edição genética precisa funcionar perfeitamente, pois aquela única célula dará origem a todas as células do corpo.

Em 2017, uma equipe na China já havia relatado resultados promissores em um pequeno estudo com embriões humanos descartados por clínicas de fertilização in vitro devido a anomalias. Na ocasião, a edição de base realizou a alteração desejada em quase todos os embriões, com muito poucas mudanças indesejadas.

Dieter Egli, pesquisador da Universidade de Columbia em Nova York, liderou um estudo mais amplo com embriões saudáveis de duas células doados por pais voluntários, obtendo resultados similares. A equipe tentou duas alterações distintas: uma foi bem-sucedida em três quartos das células sem efeitos colaterais, enquanto a outra funcionou apenas em metade das células e frequentemente causou mudanças fora do alvo.

Os pesquisadores atribuem a diferença de desempenho ao design dos RNAs guia utilizados e acreditam que, com melhor planejamento, seja possível evitar os efeitos indesejados. O problema mais grave, contudo, é que a edição de base não funcionou em todas as células de cada embrião, gerando o chamado mosaicismo.

Se um embrião mosaico se desenvolver, apenas algumas células do corpo da criança terão a alteração pretendida, e ela ainda poderá manifestar a doença que a edição buscava prevenir. As três crianças geneticamente modificadas que crescem na China podem ser todas mosaicos, e atualmente não há como garantir que um embrião editado esteja livre dessa condição.

Uma possível saída seria editar geneticamente espermatozoides ou óvulos antes da fertilização, eliminando assim o risco de mosaicismo. Uma startup afirmou recentemente ser capaz de gerar espermatozoides em laboratório a partir de células-tronco, o que tornaria viável a edição genética antes da fecundação.

Essa estratégia pode levar ao ponto em que a edição genética segura de crianças se torna tecnicamente possível. Se devemos ou não fazê-lo, no entanto, é uma questão que exigirá amplo debate ético e social antes de qualquer aplicação clínica.

Com informações de NEWSCIENTIST.

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