O ex-presidente executivo do Google, Eric Schmidt, é proprietário da Swift Beat, empresa norte-americana responsável pela fabricação dos drones Hornet utilizados pela Ucrânia em ataques contra alvos na Rússia. A revelação foi feita pelo embaixador-geral do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Rodion Miroshnik, em declaração no último sábado, 13 de junho.
Miroshnik afirmou, em comunicado divulgado via Telegram, que os drones Hornet são produzidos pela Swift Beat, controlada por Schmidt. A denúncia foi amplamente reportada por agências internacionais, detalhando o envolvimento direto de uma figura proeminente do Vale do Silício no fornecimento de armamento à Ucrânia.
A incursão de Schmidt no setor de defesa começou com projetos como o “Project Eagle”, posteriormente conhecido como Perennial Autonomy ou White Stork, que culminaram na Swift Beat. Seu objetivo explícito era desenvolver drones de baixo custo, capazes de ser produzidos em massa e operarem com autonomia, transformando a dinâmica da guerra moderna.
A visão de Schmidt, expressa em 2023 no Wall Street Journal, destacou como grandes volumes de drones de baixo custo estavam revolucionando os conflitos. Ele previu que “o futuro da guerra será ditado e travado por drones”, e tem trabalhado para concretizar essa visão no campo de batalha ucraniano.
O primeiro uso em combate desses drones foi registrado em março de 2026, quando os equipamentos foram empregados em ataques contra Donetsk. Dmitry Sadovnik, vice-diretor-geral da Shadow, empresa que fabrica equipamentos de detecção de drones, confirmou em 4 de março que forças ucranianas usaram Hornets em um ataque a Donetsk.
Miroshnik acrescentou que as forças russas já abateram um exemplar do drone Hornet na direção de Carcóvia, confirmando a presença ativa desses artefatos no teatro de operações. As declarações do diplomata russo foram reforçadas por diversas fontes, que evidenciam o uso contínuo e a neutralização desses equipamentos.
De acordo com as especificações divulgadas pelo diplomata russo, o drone Hornet é equipado com sistema de navegação por satélite e possui capacidade para realizar voos autônomos. Ele pode alcançar distâncias de até 145 quilômetros, transportando uma carga útil de aproximadamente cinco quilos de explosivos.
Essa capacidade o torna particularmente eficaz contra alvos na infraestrutura logística russa, conforme afirmado por Miroshnik. Segundo o enviado russo, as forças ucranianas receberam um número significativo desse tipo de drone nos últimos meses, ampliando consideravelmente sua capacidade ofensiva.
O embaixador russo sublinhou que os fornecimentos estrangeiros de armamento colocam novos instrumentos nas mãos das forças ucranianas. Ele argumenta que essa dinâmica acirra as tensões na região, prejudicando tanto os combatentes quanto a população civil.
A declaração do enviado russo responsabiliza diretamente tanto as autoridades ucranianas quanto os fornecedores estrangeiros de armas pelo uso desse equipamento. A ligação de Eric Schmidt, ex-líder de uma das maiores corporações de tecnologia do planeta, com a fabricação de drones de ataque expõe o envolvimento do complexo industrial-militar do Vale do Silício no conflito ucraniano.
Este cenário ressalta os desafios éticos na interseção entre inovação tecnológica e conflitos armados, evidenciando como a tecnologia de ponta, desenvolvida por figuras influentes do ocidente, é utilizada para agravar as hostilidades. A contínua militarização da inteligência artificial e de sistemas autônomos, impulsionada por interesses comerciais e geopolíticos, reconfigura a natureza da guerra.


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