Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

Nasce o Partido Coxinha Brasileiro!

Por Miguel do Rosário

25 de novembro de 2013 : 12h55

Apesar do título sarcástico, que sou obrigado a usar por questão de marketing, eu cumprimento com sinceridade os jovens que pretendem fazer política de maneira séria, mesmo que adotando ideias totalmente opostas às minhas. Acho que a democracia se constrói com debate e argumentação. E, sobretudo, mostrando o rosto. Peço aos comentaristas que não sejam ofensivos.

O oposto do black bloc

Ainda em gestação, mas com ambições ousadas, o Partido Novo reúne jovens com pensamento liberal

por Felipe Carneiro | 27 de Novembro de 2013, na Veja Rio.

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Foto de Selmy Yassuda
Igor Blumberg, 25 anos, Ana Luiza Amoêdo, 23, e Andrew Hancock, 28: militância ativa

Há alguns meses, o Leblon foi palco de uma sequência de ruidosos quebra-quebras praticados pelos black blocs, que resultaram em lojas saqueadas e agências bancárias devastadas. Próximo ao apartamento do governador Sérgio Cabral, um acampamento foi montado na Rua Aristides Espínola, onde manifestantes vestidos de preto ocuparam a via pública a pretexto de exigir a renúncia do político. Coincidentemente, nesse mesmo pedaço da cidade, delimitado pelo Jardim de Alah e pela Rua Visconde de Albuquerque, um crescente grupo de jovens se junta em busca de uma alternativa mais construtiva ? e civilizada ? para mudar o rumo da política nacional pelas vias legais. É em um escritório no Leblon que se reúnem os integrantes do Partido Novo, um projeto que tem como cláusula pétrea o empenho de instaurar o ideário liberal nas esferas do Executivo e do Legislativo. “Não aguentava mais ouvir todo mundo reclamando, sem fazer nada”, diz o engenheiro de computação Igor Blumberg, 25 anos. “Como todos os partidos daqui são de esquerda ou de aluguel, o jeito foi criar uma organização a partir do zero.”

Em tese, um partido formado em torno de uma sólida doutrina, que rechace o fisiologismo ou o oportunismo das siglas de aluguel, é, independentemente da inclinação ideológica, uma iniciativa salutar. Essa não é, no entanto, a única particularidade que chama atenção na nova agremiação, gerada num país onde os políticos não gostam de ter seu nome associado ao liberalismo e no qual iniciativas bem-sucedidas nesse sentido, como a privatização das telefônicas, costumam ser demonizadas no debate público. Outro fator de destaque é o engajamento dos jovens pela causa. Apesar de seu principal mentor ser o engenheiro João Dionísio Amoêdo, um executivo de 50 anos que atualmente é conselheiro de um banco e de uma empreiteira, o Partido Novo vem atraindo em larga escala simpatizantes na faixa entre 25 e 35 anos, uma turma que não se sente representada por nenhuma das 39 organizações do quadro brasileiro. “Fico muito entusiasmado quando vejo rostos tão novos nas reuniões. Nosso projeto é de longo prazo, e são eles que vão levar nossas ideias ao poder”, diz Amoêdo.

Nesse longo caminho com o objetivo de ocupar cadeiras em assembleias ou funções-chave no Executivo, a ala mais noviça tem exercido papel fundamental dentro da agremiação. Cabe a ela divulgar a filosofia liberal nas redes sociais, que vêm se mostrando uma poderosa fonte de cooptação de simpatizantes. Eles estão sempre em maioria também nas reuniões semanais realizadas no diretório carioca, provisoriamente instalado em uma sala na Avenida Afrânio de Melo Franco. Outro papel destinado aos jovens integrantes do partido é a organização das palestras mensais, ministradas por economistas adeptos da causa, mas não necessariamente membros do partido, caso de Elena Landau, ligada ao PSDB, e Rodrigo Constantino, presidente do Instituto Liberal. Em determinadas ocasiões, a turma, que está em fase inicial de carreira, cotiza-se para bancar as despesas com o aluguel do espaço e o transporte dos convidados. “Já me interessava pela filosofia do liberalismo quando soube do Partido Novo. Logo procurei me envolver”, diz o financista Andrew Hancock, 28 anos, sempre presente nos encontros.

Como o debate político de alto nível virou uma atividade escassa no país, a confusão no plano dos conceitos é frequente. Críticos inflexíveis do Estado intervencionista, os integrantes do Partido Novo muitas vezes são comparados aos anarquistas. Nada mais equivocado, pois há um evidente antagonismo com os black blocs, seja no campo das ideias, seja no modo de agir (veja o quadro). Enquanto o batalhão mascarado prega a extinção da propriedade privada e se diz anticapitalista xiita, eles, ao contrário, acreditam que só a total liberdade para acumular riqueza leva ao desenvolvimento da sociedade. “Defendemos a liberdade, mas com responsabilidade individual”, enfatiza Bernardo Santoro, diretor do Instituto Liberal. “É o oposto dos preceitos anarquistas ou de práticas ditatoriais, outra pecha que tentam colar no liberalismo.”

O próximo passo é obter 170?000 assinaturas para referendar a criação do partido. Elas se somariam às 210?000 fichas de cadastro que estão sendo avaliadas em cartório. Não vai dar tempo para participar da corrida presidencial do ano que vem. No entanto, seus filiados creem que a eleição de 2016 contará com representantes do partido. “Tento contribuir com ideias nas reuniões e já penso em me candidatar a um cargo daqui a três anos”, diz o servidor público Manolo Salazar, 25 anos. Que realmente tenham força para oxigenar a política nacional, desgastada por práticas nocivas e tristes figuras recidivas. Sem corrupção e, por favor, sem violência.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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20 comentários

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Bruno

29 de janeiro de 2015 às 07h57

Vejo Vários aqui que chamam o Novo de Partido Coxinha, Pq então não se juntam ao partido para mostrar aos coxinhas que existem também outros pontos de vista? é Fácil se defender apelidando de coxinha qualquer iniciativa diferente!!!

Vamos manter a Petrobras uma estatal, que faliu nas mãos de políticos, que tem desvios superiores a R$ 80 bilhões.

Aceitem os diferentes movimentos, que buscam apenas o bem estar da população em geral. Muitas vezes os coxinhas fazem mais pelo povo do que quem fica pagando de comunista.

Abraço

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Gilmar

03 de junho de 2014 às 08h42

Um banqueiro querendo ser o salvador da pátria ! Que comédia ! Perguntem a um terceirizado de qualquer banco a maravilha que é trabalhar para essas pessoas tão boas !

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Denise Barbosa

27 de novembro de 2013 às 01h18

Ai, ui!

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TUCA

26 de novembro de 2013 às 13h26

Algum desses aí já pegou um ônibus?…
Me desculpem meus bons garotos, mas me parece que a realidade do Brasil está muito distante da vista de vocês. Não dá para levar a sério.

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    Rafael

    27 de novembro de 2013 às 14h24

    E os vagabundos mascarados que depredam patrimônio público e privado,será que pegam ônibus?

    Responder

walisson

26 de novembro de 2013 às 09h28

Constantino como guru? kkkkkkkkkkkk , lamêntvel!!!!!!!!!!

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walisson

26 de novembro de 2013 às 09h23

Desde quando liberalismo é novo? , os integrantes deste partido tem que colocar como clausula pétrea nunca aceitar financiamento do BNDES para suas empresas e muito menos para as de seus papais.

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Alexandre Salles

26 de novembro de 2013 às 01h15

PCB ? RS

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Luciavera Pereira

25 de novembro de 2013 às 22h23

K…K…K…Jovens com esta cabeça vazia?!! Só podiam ser mesmo papagaios de pirata. rs rs Oh que dó.

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Cassia Carauta de Albuquerque

25 de novembro de 2013 às 20h29

E…vamos conversar?

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Fernando

25 de novembro de 2013 às 18h23

esses três da foto não tem cara de brasileiro parecem gringos se vestem como os gringos, isso me faz lembrar de um esquema da embaixada dos eua na ucrania, é bem parecido…um partido de liberais, logo um partido que quer ver esse país de volta de joelhos para o governo dos eua…só podia ter surgido no bairro carioca onde mora os membros da elite e classe media alta, que sonham em serem escravos do eua

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José Emilio

25 de novembro de 2013 às 16h28

Tenho pena do servidor público Manolo Salazar. Acho que se meteu no lugar errado.

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Pedro Pereira

25 de novembro de 2013 às 16h13

Esse pessoal da zono sul não se toca… Eles ainda se acham os escolhidos para guiar esse bando de ignorantes que o povo brasileiro.
Tem quase uma missão divina de guiar esse povo bronzeado, já que eles estudaram nas melhores universidades estrangeiras e falam outras línguas.
Oh preguiça desse povo! Vivem num mundo de fantasia no dia a dia e nos jornais, pois não conhecem os problemas reais desse Brasilzão de Meu Deus!

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Joao Vieira

25 de novembro de 2013 às 15h48

A ver se defendem suas idéias sempre dentro da coexistência democrática; se valorizam a democracia pra valer, e não só da boca pra fora.

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Josef Marcio Tavares

25 de novembro de 2013 às 17h01

“nasce” ou é a Ação Integralista que revive com outro nome?

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Maria Alice M Oliveira

25 de novembro de 2013 às 16h55

O tempo dirá a que vieram…..

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Zé Augusto

25 de novembro de 2013 às 14h25

Não sou tão otimista como você, Miguel. Já vi outras reportagens mais antigas sobre este partido e me pareceu mais um empreendimento do que um partido ideológico com ideal público (apesar de que não descarto haver pessoas com ideal público liberal legítimo). Algum tempo atrás um dos líderes queriam conseguir as 500 mil assinaturas através de uma campanha maciça de telemarketing. Também havia nos classificados de emprego de alguns jornais das capitais a contratação de recrutadores.

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André

25 de novembro de 2013 às 14h19

A ideia em si não é ruim, pois, com sinceridade, não é nada trivial transformar pessoas de ideias em pessoas de ação competente, o que na minha opinião é a maior carência das esquerdas brasileiras, elas têm muita dificuldade em dinamizar o estado por dentro, sempre foi mais fácil criticar de fora, no debate político do que criar e desenvolver políticas… nesse ponto, Dilma Roussef é uma grata exceção à regra.
O problema desses neoliberais é o fato de serem coxinhas, ou seja, de não captarem a essência do jogo político brasileiro, ao que tendem a ser massa de manobra de elites históricas (vide colaboradores citados).
A única saída é eles entenderem que o Brasil é um país pobre e desigual, e que a única forma de ter economia verdadeiramente liberal é que ela seja atrelada a políticas de esquerda, uma conexão impensada nas metrópoles (EUA e Europa), mas fundamental no Brasil, em que ser liberal deveria ser sinônimo de Estado livre de nosso patrimonialismo histórico, um estado em que a cultura da corrupção seja a exceção e a competição seja genuína, sem “irmandades”, outro câncer no Brasil.

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Marco Espirito Santo

25 de novembro de 2013 às 15h27

PCB que ironia…..heim!……….rsrsrsrrsr

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Tatiane Pires

25 de novembro de 2013 às 13h13

É fácil vir com todo esse blablablá. Não me enganam, não. Se uma dessas figuras entra no legislativo, por exeplo, por qualquer partido de direita, vai fazer igual ou pior aos seus mentores em termos de roubo do patrimônio público. Direita é direita, não importa o nome sob o qual tente se esconder.

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