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Ainda teremos tempo de deter o caos?

Por Liana Carvalho

30 de julho de 2015 : 16h08

Fascismo Presente e sua Dimensão Psicossocial
Do site Política, Economia e Cultura Leituras e Reflexões
Por Arnóbio Rocha

A luta contra o Fascismo, ontem e hoje, uma obrigação de vida e liberdade.
O Fascismo é, antes de tudo, um estado de espírito (ou de ânimo), ele é, primeiro, emocional, está no inconsciente, ali meio escondido,
sempre ameaçando se revelar, nos denunciar, está presente nas nossas conversas privadas quando falamos de sexualidade, futebol ou religião, ou quando nos acerbamos nas relações conflituosos de uma sociedade cada vez mais paranoica, em especial nas redes sociais em que os baixos instintos prevalecem, em detrimento da lógica e da razão.

O Fascismo se instaura lentamente, ganhando corpo e almas, aos poucos, não é uma coisa imediata, é resultado de um estado de coisas. Mais precisamente, ele explode e se torna força social viva e visível nas crises econômicas, pois essas elevam o nível de frustrações pessoais e as ambições (pessoais ou coletivas) deixam de ser satisfeitas ou ficam distantes de serem atendidas.

A sobrevivência ou a selvageria por ela, vai elevando aos pícaros as nossas mazelas, coletivamente (na sociedade) não se enxerga qualquer saída, o passo natural é crescer nossa revolta e nosso sentimento beligerante se acentua. Wilhelm Reich, médico, psicanalista e cientista social, talvez tenha sido que mais compreendeu a gênese e desenvolvimento da “mente fascista”.

Reich tem uma definição do Fascismo que, segundo ele, é “a expressão da estrutura irracional do caráter do homem médio, cujas necessidades biológicas primárias e cujos impulsos têm sido reprimidos há milênios”. Enquanto nossas satisfações pessoais estão sendo atendidas, o “monstro” vai sendo relevado, escondido ou adormecido.

Leio constantemente nas redes sociais algo como se o fascismo estivesse para ser instalado no Brasil, aqui entendido como regime político ditatorial de extrema-direita. Tenho uma discordância quanto à questão estrutural da instalação, mas, ao mesmo tempo, afirmo que nós já vivemos psicologicamente e socialmente o fascismo, que, por enquanto, não se instaurou como regime político de poder.

As relevantes manifestações de jundo de 2013 foram um ensaio coletivo, uma catarse do que estava por vir , aliás em julho de 2013, ainda no calor das “massas”, publiquei um artigo sobre o tema “A Psicologia de Massas do Fascimo – Ou, o Gigante Acordou”, ali já alertava que “o fenômeno do Fascismo, de como surge e suas principais características, em particular a catarse de massas, de movimento contra tudo e todos, que esconde um profundo reacionarismo político”.

O resultado eleitoral posterior foi desigual e incompleto em relação aos desejos do movimento de junho de 2013, se por um lado conseguiu eleger majoritariamente o pior congresso nacional em décadas. Em outra mão e, contraditoriamente, Dilma Rousseff se reelegeu, houve uma sobrevida do PT, o que parecia impossível diante do que se gestou e do que se colheu no parlamento.

A conta não bate, a leva reacionária não se fez ouvir por completo, então passa a questionar e não aceitar o que saiu das urnas, este é o embate. A contradição se deu na estrutura econômica, incerta, mas o avanço da crise 2.0 no Brasil passou a cobrar a fatura explicitamente, exigindo a ruptura irracional, através de qualquer golpe possível.

Quando o processo de fascistização psicológico e social se torna majoritário e bestial, a comoção fascista justifica e legaliza qualquer ação, ainda que racionalmente seja repudiável, que em sã consciência jamais se tentaria esse caminho, como, por exemplo, o rompimento com a democracia, ainda que ela se apresente como democracia formal.

Esse é o nosso drama, potencializado pelas redes sociais, o embrutecimento parece completo, não se consegue mais qualquer debate honesto e mesmo os mais simples, a radicalização em forma de adjetivos pejorativos, sem base ou consistência, venceu a argumentação substantiva. Avança escandalosamente pela sociedade a ignorância, o “baixo clero” e o desvalor humano, presa fácil nos momentos de crise e torpor.

Ainda segundo, Reich, “O fascismo só pode ser vencido se for enfrentado de modo objetivo e prático, com um conhecimento bem fundamentado dos problemas da vida.” Basta lembrar que a culta e racional sociedade alemã se deixou levar pelo fascismo, as razões de fundo são brilhantemente analisadas por Reich, o que demonstra que não há nada de novo ou inovador na revolta do “Gigante” dos “bem informados”, “plugados”, as questões são bem mais irracionais e perversas, mas é preciso ler o Todo e entender as Partes do problema.

Portanto não adianta vociferar de forma estéril contra queda de governo, fim da democracia, pois o gene do mal já deu cria, a sociedade está muito doente, sem remédio aparente para curá-la. Aqui não se trata de falar que escrevi antes, ou que avisei etc. Isso não vale nada, mas sim saber por qual razão não temos diálogo e repercussão diante da tragédia que ameaça a todos nós.

Ainda teremos tempo de deter o caos?

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16 comentários

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Hell Back

02 de agosto de 2015 às 12h31

“(…) a sociedade está muito doente, sem remédio aparente para curá-la (…)”.
Os “médicos” não percebem que o remédio que vai curar essa sociedade doente poderá ser pior do que a doença e poderá matar o paciente. Ou será esse o verdadeiro objetivo? Matar o paciente?

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Juca Coelho Barbosa

31 de julho de 2015 às 11h23

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Juca Coelho Barbosa

31 de julho de 2015 às 11h23

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Douglas Burba

31 de julho de 2015 às 10h48

Vai ficar perigoso se o governo cair. Ninguém está pensando no dia seguinte.

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Douglas Burba

31 de julho de 2015 às 10h48

Vai ficar perigoso se o governo cair. Ninguém está pensando no dia seguinte.

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Barreto

30 de julho de 2015 às 23h06

O erro essencial é o materialismo exacerbado da esquerda, assim como o fascínio por um determinismo marxista. Não se conseguiu entender que a sociedade brasileira não pode ser explicada pela metodologia de classes sociais em conflito. O brasileiro associa o ganho material à Deus, ao seu esforço, ao moralismo novelesco que aprendeu da globo; a “nova classe média” nunca agradeceu nem agradecerá o PT pela sua ascensão, pois para ela a sociedade é um fenômeno sobrenatural, hierarquizado, de escolhidos, banidos e apóstatas.

Não é palatável, mas para combater o fascismo e ganhar o coração das massas, há que abandonar os valores liberais de classe média.
Venezuela e Bolívia são sociedades semelhantes nesse sentido; Chávez e Morales não teriam chegado onde chegaram sem saudar publicamente a uma cruz e fazer referências a Jesus e à Bíblia a cada oportunidade.

Até termos um líder esquerdista assumidamente cristão e moralista, a esquerda continuará atrapada no limbo, falando sobre valores que ninguém entende, sobre uma realidade com um refino impalpável que infelizmente o comum não tem abstração para aceder.

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mineiro

30 de julho de 2015 às 19h16

gente o lula , o pt e esse poste de pres. cavou nossa sepultura. foi graças a esse poste de pres que chegamos a essa situaçao. foi culpa dela sim principalmete dela,mas nao so dela do lula e o pt bundao que quis se aliar com a elite e a tal desgraçada governabilidade. foi culpa deles sim e nao tirar o deles da reta, fez tanto pelo brasil e ao mesmo tempo se acovardou diante da elite , e ai o preço que estamos pagando.

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Carlos Dias

30 de julho de 2015 às 18h14

Não concordo com essa afirmações categóricas, tipo “não há saída institucional”, “já vivemos o fascismo”….

Depois d e11 de setembro bem que a agenda fascista à la George Bush teve um fôlego, mas curtíssimo… As passeatas de junho 2013 foram proto-fascistas.. Mas há um longo caminho pra se chegar ao fascismo.. Há semelhanças inegáveis, mas há diferenças não menos gritantes.

Mas achei o alerta muito oportuno. O governo precisa atuar na sua propaganda, os partidos e movimentos populares devem se posicionar inequivocamentes contrarios ao golpismo e às propostas fascistas. O governo precisa falar, mostrar, apontar o dedo quando a coisa extrapola.

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Olga Celi Oliveira

30 de julho de 2015 às 20h40

Grande Verdade! A sociedade está doente! Vivemos um clima de beligerância, de intolerância, de mentiras criadas e semeadas. Chegamos num ponto perigoso onde o Direito Constitucional e os Princípios fundamentais do Direito Penal foram rasgados em nome dessa intolerância incutida no povo pela Mídia e por interessados no caos e no desmanche de nosso ´País e da paz que sempre reinou em nossa sociedade. Que pena. Que Deus nos ilumine para que tenhamos lucidez para não nos perdermos no caos criado e plantado. Paz e luz para todos nós.

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    Farias Furtado

    31 de julho de 2015 às 00h30

    A paz do PT lhe encha de propina! Atém!

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      Carlos Eduardo

      31 de julho de 2015 às 11h56

      Tai, descobrimos o seu grau de ignorância.

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José Carlos Vieira Filho

30 de julho de 2015 às 16h44

O caos que vivemos é decorrente da falência irremediável do nosso sistema político. Lembre-se que o nazismo nasceu da falência política do regime de Weimar.
Não há, infelizmente, saída político institucional para o atoleiro em que estamos.

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Marcos Portela

30 de julho de 2015 às 19h17

Lava Jato CONTRA CORRUPÇÃO ou GOLPE FEDERAL? Como pode uma INSTITUIÇÃO FEDERAL, no estado do Paraná, ATACAR ESTATAIS e EMPRESAS brasileiras, DESEMPREGANDO milhares no país, alegando COMBATE À CORRUPÇÃO, CONTRADIÇÃO de quem usa TARJAS PRETAS para ESCONDER e INVALIDAR PROVAS de CORRUPÇÃO contra PARTIDOS de OPOSIÇÃO como PSDB e DEM, que aliados a GRANDE MÍDIA mais parecem uma ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, INSTALANDO o CAOS no país, usando a política do QUANTO PIOR MELHOR, panelinha que virou PANELAÇO.

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