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Portugal contra a austeridade: Governo conservador está com os dias contados

Por Redação

10 de novembro de 2015 : 14h51

Por Carlos Eduardo, editor-assistente do Cafezinho

Aproveitando o embalo do filme “As Mil e Uma Noites”, do cineasta português Miguel Gomes, que critica os efeitos da crise econômica mundial sobre os mais humildes e a política de austeridade implementada em Portugal pela coligação de centro-direita PSD/CDS, e em exibição na 39a Mostra Internacional de SP, vale acompanhar o que se passa no outro lado do Atlântico com nossos irmãos lusitanos.

A mídia brasileira pouco fala da crise econômica vivida por Portugal, considerada por muitos como a pior de sua história. Dados divulgados este mês pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) — uma espécie de IBGE português — mostra que o país tem hoje a terceira pior taxa de desemprego da Zona do Euro, perdendo apenas para a Grécia e Espanha. Quase metade dos desempregados (47,4%) procura trabalho há mais de dois anos sem sucesso, o segundo pior registo da série história do INE, fundado em 1935.

A política de austeridade defendida pelos conservadores e implementada a partir de 2011 foi tão desastrosa, que mesmo com a vitória da coligação PSD/CDS há pouco mais de um mês, elegendo o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, a direita em Portugal não alcançou maioria no parlamento e deve cair nas próximas horas.

O Partido Socialista fechou nesta segunda-feira (9) acordos com o Partido Comunista, o Bloco de Esquerda e o Partido Ecologista os Verdes, para um governo de coligação pensado para os próximos quatro anos. A união das principais forças políticas de esquerda em Portugal foi considerada histórica e a nova aliança já entregou nesta terça-feira (10) quatro moções de censura separadas, que deverão derrubar o atual governo de centro-direita.

Abaixo segue notícias da AFP e RTP.

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Governo conservador de Portugal está com os dias contados

Por Brigitte Hagemann, para AFP

O novo governo conservador de Pedro Passos Coelho apresentou nesta segunda-feira seu programa ao Parlamento, onde a esquerda tem maioria e está decidida a provocar sua queda para negociar com Bruxelas uma flexibilização das políticas de austeridade.

A coalizão de direita do premiê Passos Coelho está por um fio, após perder a maioria absoluta nas legislativas de 4 de outubro. Após os contatos do fim de semana, o Partido Socialista tem o apoio do Bloco da Esquerda e do Partido Comunista para fazer o Executivo cair e substituí-lo no comando do país com uma coalizão de esquerdas inédita em 40 anos de democracia.

Costa, ex-prefeito de Lisboa, tem a intenção de apresentar uma moção de censura contra o governo na terça-feira, quando terminar o debate sobre o programa.

Caso esta moção prospere, o executivo, promotor de uma política de rigor fiscal muito impopular na legislatura passada, deverá se demitir onze dias depois de sua formação, tornando-se o mais efêmero na história de Portugal.

Diante desta perspectiva, Passos Coelho declarou que a política “irrealista” de um possível governo socialista poderia causar “a ruína de Portugal” e “ameaçar a recuperação das finanças públicas”, durante um debate parlamentar marcado por duras discussões entre direita e esquerda.

O secretário-geral do Partido Comunista, Jeronimo de Sousa, respondeu que a política de austeridade realizada pela direita desde 2011 “destruiu a vida de milhões de portugueses”.

Costa não deixou de repetir que um futuro governo dominado pelos socialistas respeitará as normas europeias, em um país que saiu em maio de 2014 de um plano de resgate financeiro de três anos, vinculado a um amplo pacote de recortes.

No entanto, o Bloco de Esquerda, que pede para renegociar a dívida, e o Partido Comunista, partidário de sair do euro, não dissimulam suas divergências com os socialistas, mais cuidadosos em não confrontar Bruxelas.

A vida de um governo de esquerda em Portugal “não será fácil”, reconheceu no domingo Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, vinculado à coalizão Syriza, no poder na Grécia.

“Estaremos expostos a uma pressão enorme de parte de uma Europa dependente na causa da austeridade e dos grandes grupos financeiros internacionais”, advertiu.

A esquerda portuguesa quer relançar a economia aumentando a renda dos portugueses, pondo fim aos recortes nos salários dos funcionários em 2016, descongelando as pensões ou aumentando o salário mínimo de 505 a 530 euros mensais.

Com isto, confia em melhorar a atividade e como consequência as finanças públicas, um âmbito no qual o PS espera rebaixar o déficit público a 2,8% do PIB em 2016. Ao mesmo tempo, os socialistas defendem uma leitura “mais inteligente e flexível” das normas fiscais europeias, que propõem um déficit inferior a 3% e uma dívida pública limitada a 60% do PIB.

O programa de esquerda suscita preocupação no mundo das finanças. “Portugal não deve dar marcha a ré e se tornar a Cuba da Europa”, adverte Fernando Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos.

“Unida em sua oposição ao atual governo, a aliança de esquerda não parece duradoura” devido às divergências entre seus componentes, avaliam analistas do banco alemão Commerzbank.

Este temor dos mercados se traduziu em uma queda da bolsa de Lisboa, que fechou nesta segunda-feira com prejuízo de 4,05% e um aumento da taxa de juros dos bônus portugueses a 10 anos, que subiu para 2,83%, contra 2,68% na véspera.

O presidente conservador, Aníbal Cavaco Silva, se mostrou a princípio muito crítico a união de uma esquerda “incoerente”, que poderia, com suas políticas, provocar “consequências financeiras, econômicas e sociais graves”. No entanto, moderou seu discurso nos últimos dias.

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Esquerda francesa saúda acordo em Portugal

Do RTP Notícias

As principais forças políticas da esquerda em França saudaram hoje o acordo de governação alcançado em Portugal pelo Partido Socialista, Partido Comunista, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista os Verdes, sublinhando a “alternativa à austeridade”.

“Esperamos que a esquerda unida possa encontrar uma alternativa política à austeridade e à política levada a cabo pelas forças conservadoras em Portugal”, disse à Lusa o secretário nacional do PS francês para a área internacional, Maurice Braud, acrescentando que o acordo “é muito positivo porque envia um sinal à Europa da necessidade de políticas que tomem em consideração a vontade do povo”.

Em comunicado de imprensa, os socialistas franceses apelaram ainda a “todos os partidos de esquerda na Europa para apoiarem a formação de um governo de esquerda em Portugal para sair da austeridade e encontrar um desenvolvimento solidário e sustentável”, argumentando que “ao ultrapassar as divisões históricas, as forças de esquerda de Portugal dão o exemplo”.

Também o Partido Comunista Francês (PCF) considerou que o acordo de esquerda em Portugal corresponde às “aspirações crescentes de mudança” na Europa.

“Saudamos a atitude responsável do PCP e do Bloco (de Esquerda) que assumiram posições charneira que permitiram criar condições para uma maioria durável baseada num programa anti-austeridade e felicitamo-nos que o PS tenha excluído a hipótese de se aliar à direita”, declarou à Lusa Anne Sabourin, responsável pelas questões europeias do PCF.

O `Parti de Gauche` (Partido de Esquerda) também considera que o acordo de esquerda em Portugal “poderá indiciar um início de mudança no socialismo europeu”,

Eric Coquerel, coordenador político do partido, disse à Lusa que “o povo votou contra a austeridade e agora é preciso ver se o programa da aliança está ao nível das esperanças populares. Nos últimos anos, os partidos socialistas têm-se adaptado à austeridade em vários países europeus. Agora, é preciso ver se esta aliança constitui, de facto, uma viragem à esquerda”, acrescentou.

Pelo partido ecologista Europe Écologie-Les Verts, o porta-voz Julien Bayou disse à Lusa que o acordo de esquerda em Portugal é “uma excelente notícia” que mostra que “há uma força pro-europeia de esquerda que vai poder começar o braço-de-ferro contra a austeridade”.

“Esperamos ser cada vez mais numerosos na Europa a recusar a austeridade que nos é imposta e que faz tão mal ao povo e à construção europeia. François Hollande tinha prometido renegociar o Tratado Europeu e não fez nada. Ontem foi a Grécia, hoje Portugal, amanhã será talvez a Espanha e esperemos que, em breve, seja a França a ter força para travar a austeridade”, concluiu.

 

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10 comentários

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Fabio Tosi

11 de novembro de 2015 às 13h35

Verdadeiramente vc não conhece a esquerda d Portugal, trocaram acordo pelo ministérios! Quem vai governar é a direita com outro partido, PS.

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Flavio Ferr

11 de novembro de 2015 às 12h02

E aí meu amigo Fabio Tosi. Me parece que o povo esclarecido de Portugal busca uma saída “Pela Esquerda”.

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Joseph Nellis

11 de novembro de 2015 às 02h58

Ajuda ai, PAPA !!

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Isaac Bell

11 de novembro de 2015 às 02h44

Terminou para a direita conservadora. Os socialistas se uniram à extrema-esquerda e o atual premiê perdeu a maioria no congresso. Já se desenha um cenário grego.

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Moisés Saldanha

11 de novembro de 2015 às 00h20

Então o país vai cair de vez.

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Daniel Valverde

10 de novembro de 2015 às 22h37

E isso é para curtir?

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Roger Gilmour

10 de novembro de 2015 às 20h52

Já caiu!

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Rosa Nunes

10 de novembro de 2015 às 20h49

Caiu Minha sobrinha que mora lá publicou agora no face

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Gustavo Ribeiro

10 de novembro de 2015 às 17h13

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Marcos Portela

10 de novembro de 2015 às 16h56

O ÚLTIMO CANALHA E O GOLPE QUASE PERFEITO, em 8 (oito) anos do PSDB no PODER, CONSEGUIDOS pelo MENSALÃO TUCANO, que comprou VOTOS de DEPUTADOS para APROVAREM a emenda da REELEIÇÃO no CONGRESSO, tiveram como único PROPÓSITO as PRIVATIZAÇÕES e a CRIAÇÃO de uma ESTRUTURA CORRUPTA unindo a DIREITA REACIONÁRIA, o JUDICIÁRIO e a MÍDIA BRASILEIRA, formando uma legítima QUADRILHA MAÇÔNICA, que com DINHEIRO PÚBLICO movimentam BILHÕES de REAIS com a MISSÃO de se PERPETUAREM no PODER, mesmo não participando dele, como também dar PROTEÇÃO aos CRIMES COMETIDOS por essa QUADRILHA BILIONÁRIA através do JUDICIÁRIO, pelo PAÍS não fizeram NADA, muito menos pelo NORTE e o NORDESTE onde o DESEMPREGO e a FOME se alastravam com a falta de investimentos em infraestrutura nestas REGIÕES, mas como não existe CRIME PERFEITO, precisou que a JUSTIÇA SUÍÇA REVELASSE e DENUNCIASSE CRIMES nacionais e internacionais cometidos pelo Presidente da Câmara dos Deputados, o evangélico CUNHA, protagonista do GOLPE de ESTADO e aliado dos REACIONÁRIOS da DIREITA, que só não foi PRESO como o MARIN, por estar PROTEGIDO pelos COMPARSAS do JUDICIÁRIO BRASILEIRO, que a cada dia estão mais EXPOSTOS, bem diferente do ANONIMATO que tanto pregavam e que tanto beneficiou a MAÇONARIA, como as MÁSCARAS CAÍRAM os ânimos se acirraram, sabendo que nunca mais será como antes, vão partir para o tudo ou nada e PENSAR que tudo foi DESCOBERTO graças a OBSESSÃO do AÉCIO em ser PRESIDENTE, revelando POLÍTICOS GOLPISTAS, CORRUPTOS, ACHACADORES e TRAFICANTES de DROGAS dessa QUADRILHA MAÇÔNICA, que até então eram desconhecidos pela população, CONSIDERANDO que para toda AÇÃO há uma REAÇÃO.

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