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Fundador do PSDB e líder do governo de FHC na Câmara rechaça impeachment

Por Redação

14 de janeiro de 2016 : 18h26

Fundador do PSDB, líder do governo na Câmara por mais de quatro anos na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves para a Presidência em 2014, o ex-deputado Arnaldo Madeira, 75, diz que não vê razões que justifiquem o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

PSDB ‘não deve mergulhar na ideia do impeachment’, diz fundador da sigla

por Bela Megale, na Folha

Em entrevista à Folha, Madeira criticou a postura dos tucanos na condução processo, afirmando que a legenda ficou “a reboque” do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) Também disse que o Brasil não tem um líder político capaz de tirar o país da crise: “Não há liderança que toque o país, nem no PSDB, e os partidos se tornaram cartórios de registro de candidatura.”

Folha – Por que o sr. é contra o impeachment?
Arnaldo Madeira – O impeachment é uma demanda de uma parcela da sociedade. Um impeachment é algo muito forte, um abalo na estrutura política do país. Eu não vi a sociedade mobilizada pró-impeachment como vi na época do (ex-presidente) Fernando Collor. Mas o cenário é muito instável, pode aparecer de qualquer lado no momento em que a gente menos espera.

Qual deve ser a postura do PSDB nesse processo?
O partido deve acompanhar, não se posicionar contra, mas também não mergulhar na ideia do impeachment. Até agora não houve nenhum fato forte que justificasse a saída de Dilma. O PSDB deveria ir mais devagar. Está com muita sede e paralisou as coisas para ficar em cima do impeachment.

Esse foi o erro do partido em 2015?
O partido ficou um bom tempo a reboque do (presidente da Câmara dos Deputados) Eduardo Cunha (PMDB-RJ), confiando na ação dele e paralisado no debate do impeachment. O papel da sigla seria apontar os erros que o governo vem cometendo e indicar alternativas. Nós não fizemos isso. O que aconteceu foi que o governo perdeu o ano se defendendo do impeachment e a oposição perdeu o ano propondo o impeachment.

Quais coisas o PSDB paralisou?
Por exemplo, esse era o momento discutir o parlamentarismo. Os países de sucesso são parlamentaristas, o único país presidencialista que deu certo é os Estados Unidos. Isso era um tema para o PSDB reforçar o tempo todo, como o PT fez com o fim do financiamento privado. Se tivesse parlamentarismo, afastava-se o primeiro-ministro e acabou a crise. Mas a sigla não fez isso. O PSDB perdeu a oportunidade de defender teses para melhorar a estrutura de governabilidade no país.

Quem é capaz de tirar o Brasil da crise?
Não há liderança política que toque o país. Os partidos não têm lideranças que consigam despertar confiança na sociedade no sentido de “esse cara vai fazer o certo”. Está carente de lideranças políticas em todos os partidos, incluindo o PSDB. Na prática, o Brasil hoje é um país sem partido, são grandes cartórios de registros de candidatura.

Vê dentro do PSDB alguma liderança capaz de ser o que o Fernando Henrique foi?
FHC foi um luxo. Achei que poderia ser o início de mudança na qualidade de gestão. O tempo está mostrando que foi uma exceção.

O PSDB se desfigurou?
Todos partidos se desfiguraram completamente. O PSDB, na origem, tinha grandes lideranças nacionais que estavam no seu comando. Hoje cada líder regional indica seu representante na direção nacional, então o partido fica enfraquecido. Essa desfiguração foi lenta e vem do fato de termos perdido a presidência da república. Nós já não éramos, na época do presidente FHC, um partido que tinha clareza sobre as coisas.

Como avalia a decisão do Congresso de parar os trabalhos no recesso?
O país está mergulhado em uma crise enorme, os investimentos paralisados, e você tem acontecimentos como o impeachment do presidente da câmara e da república em curso. Daí sai todo mundo de férias. Não dá para dize que isso é uma coisa séria.

Na época que estava no Congresso a casa era mais séria?
Não é que não tinha trapaças, problemas, mas o nível era mais elevado, a qualidade do parlamento. Tinha figuras com mais preocupação da preservação das instituições.

Qual deve ser a posição do PSDB num eventual governo de Michel Temer?
Se um governo Temer vier a se configurar, o que está meio difícil, eu sou a favor de montar projetos, mas sou contra participar do governo, ter cargos. O (senador) José Serra hoje é o cara mais qualificado do PSDB, mas divirjo dele nesse ponto.

Qual sua avaliação sobre a presidente Dilma Rousseff?
Quando você vai olhar a história dela, mesmo na época que atuou em grupos clandestinos, não era uma figura de destaque, era uma burocrata da organização. E ela de burocrata do Rio Grande do Sul a burocrata do governo federal virou presidente por causa do Lula.

Como avalia a decisão do STF (Superior Tribunal Federal) de anular a comissão pró-afastamento da presidente eleita na Câmara e dar mais poder ao Senado?
Há uma distorção, o Judiciário está com força desproporcional mediante outros poderes e vem praticando uma interferência indevida. Hoje todo mundo acha normal a politização da justiça e a judicialização das decisões políticas. Virou norma ter um assunto em discussão e o ministro do Supremo se manifesta sobre o que nem deveria falar.

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8 comentários

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Matias Freitas

15 de janeiro de 2016 às 14h08

Esta baderna que o psdb montou apoiando cunha é um cunha apoiando o outro, sem nenhuma proposta factível para o país, como disse o moderado fundador do psdb, agora nestas altura falar em Serra, fica meio complicado..

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Luiz Gonzaga Meziara

15 de janeiro de 2016 às 10h51

Os tucanos estão sobrevoando para outros ninhos,. no final ficarão Aécio, FHC, Cerra. O Alvaro Dias já voou.

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    L@!r M@r+35

    15 de janeiro de 2016 às 09h57

    Cerra?! Como assim?!?! Esse já tá de malas prontas pro PMDB! kkkkk

    Responder

Vera Teixeira Teixeira

14 de janeiro de 2016 às 22h57

Inacreditável… tem coisa aí… não dá pra confiar em tucano. Nunca.

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Maricila Brito Gomes

14 de janeiro de 2016 às 22h53

Graça Brito

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Diana De Castro Teles

14 de janeiro de 2016 às 21h35

Muito sensato!!

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Alê Jonas Monteiro

14 de janeiro de 2016 às 21h26

Taí um cara sensato!

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