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Temer prepara “equipe dos juros altos” para tocar política econômica

Por Miguel do Rosário

30 de abril de 2016 : 17h21

Foto: Mídia NINJA

Todos são do mercado financeiro, por André Araújo

Por André Araújo, no GGN

A partir do Plano Real convencionou-se no Brasil que só quem é do mercado financeiro pode dirigir a política econômica. Nos EUA, a economia é dirigida pela Secretaria do Tesouro e pelo Federal Reserve System. O Tesouro já foi ocupado por banqueiros, mas essa não é a regra. Empresários da produção, advogados, políticos são a maioria. No Federal Reserve ninguém é ligado ao mercado financeiro, são professores de economia de alta reputação, ser ou ter sido executivo de banco é geralmente um impedimento embora não seja escrito.

Mais ainda, os membros do Board do Fed são economistas de ESCOLAS DIVERSAS, de propósito, para não pensarem igual, para que haja pontos de vistas diversificados, uma mescla de escolas de pensamento.

Para completar a formulação de política econômica há o Council of Economic Advisors da Casa Branca, um conselho de economistas de visões diferentes para assessorar o Presidente dos EUA. Em todo esse conjunto de pessoas com conhecimento de economia, vir do mercado financeiro é CARIMBO NEGATIVO, pesa contra, evita-se.

A nova equipe que se aponta no governo Temer é um “time dos juros altos” puro sangue. Ninguém remotamente ligado à economia de produção, todos são do “financeiro”. Mau sinal. O simbólico bate bola da CBN com Alexandre Schawartsman e Luis Gustavo Medina, o Teco, acima em podcast,  ocorrido ontem, é revelador e espantoso. A dupla está eufórica com os nomes , são “nossos amigos”, Schwartsman propugna, como sempre faz, mais juros altos, saúda os nomes como magníficos, TODOS da área bancaria.

Não há NEM REMOTAMENTE MENÇÃO AO DESEMPREGO ou à RECESSÃO. O único problema que eles encaram é “entregar a meta de inflação”, a estabilidade monetária absoluta mesmo com 11 milhões de desempregados, tanto faz, esse não é um problema, querem estabilidade monetária e juros altos para que se possa viver sossegadamente de renda de juros mesmo com o Pais em ruínas e a economia parada.

De que adianta a estabilidade monetária para um desempregado?  A pergunta não ocorre à “turma”, porque o desempregado é invisível para eles, não é um dado relevante, o que importa é a “meta de inflação”.

Eles adoram os juros altos porque todos vivem disso, é o arroz e feijão deles, quanto mais recessão mais o dinheiro vale, mais valiosa a liquidez na mão dos fundos de investimento, os ativos ficam baratos porque as empresas estão quebradas e está tudo à venda, quem têm imóveis e precisam vender abaixo do custo, empresas tradicionais podem ser compradas por ofertas baixas, algumas se compram quase de graça, pela divida.

Entregar o comando da economia à financeiros puros é algo que poucos países fazem. O Brasil teve grandes Ministros da Fazenda que não eram ligados a mercado financeiro, como Oswaldo Aranha, Horacio Lafer, Guilherme da Silveira, Delfim Neto, Octavio Bulhões, Ernane Galvas. Dois banqueiros foram pais de crises recessivas, Jose Maria Whitaker e Clemente Mariani. Nos EUA a crise de 1929 teve como padrinho o banqueiro Andrew Mellon, na mesma época no Brasil o banqueiro Jose Maria Whitaker. Banqueiros não se abalam com desemprego e queda na produção, para eles o foco é a estabilidade monetária porque eles têm liquidez e quanto menos inflação, mais a liquidez vale, se poucos tem dinheiro quem tem é rei.

O Brasil precisa desesperadamente relançar a economia na rota do crescimento e a obsessão pela meta de inflação é conflitante com a necessidade de empurrar a economia para frente, processo que exige expansão monetária.

A prioridade é criar emprego e crescimento, não é atingir meta de inflação, mas essa visão não tem lugar na cabeça de financista. Ao contrario, quanto mais recessão melhores negócios aparecem na compra de ativos baratos, o dinheiro líquido vale muito e tudo pode ser adquirido na bacia das alamas, quanto mais desemprego mais fácil para atingir a meta de inflação porque os desempregados não podem comprar nada e a falta de demanda segura os preços.

Essas receitas de prato único estão sendo contestadas em todo o mundo, a tendência é de combater a depressão com juros baixos para estimular a economia, mais uma vez o Brasil está na contramão da humanidade, queremos aprofundar a recessão para que o dinheiro que só meia dúzia terão valha mais do que nunca mesmo à custa da destruição do Pais.

O nome do presidente do BC, Ilan Goldfajn é tão assustador como seu sotaque, vem diretamente da tesouraria do Itaú para o BC, Meirelles já tem seu perfil bem conhecido e dispensa apresentações, os demais nomes acompanham a toada, Mario Mesquita, Eduardo Loyo, é um conjunto de almas de usura que darão extrema unção a uma economia já na UTI.

Nenhum desses nomes é FORMULADOR de política econômica, eles são calculistas de planilhas de derivativos de mercado, de opção de índices, de swaps, jogadas de cambio versus juros, são especialistas de operações financeiras.

A lenda de que os investimentos voltarão uma vez reconstruída a “confiança” é só lenda. Confiança é um fator imponderável e depende de inúmeras circunstancias que não estão sob controle da equipe econômica. Para relançar o crescimento é preciso um MEGA PLANO de investimentos públicos em infraestrutura, os projetos já mapeados no Ministério do Planejamento custam R$1,3 trilhão, será preciso injetar esse recurso na economia, há capacidade ociosa em tudo para absorver sem inflação, mesmo porque o desembolso é espaçado no tempo, não causará inflação e se causar será algo perfeitamente suportável DESDE que haja crescimento e emprego. Como financiar? Emitir moeda.

Política econômica é muito mais que finança, é algo muito maior que política monetária, requer visão política, social, histórica, Keynes se interessava por dez coisas diferentes apenas uma das quais era economia, Schacht era formado em filosofia, Roberto Campos em teologia, Poincaré em matemática pura, grandes formuladores foram grandes políticos.

Está faltando o essencial para essa turma do Teco, algo a mais, uma visão de Brasil e de sua trajetória histórica.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Cláudio Luiz Pessuti Pessuti

30 de abril de 2016 às 19h32

Vão quebrar o país. Vai ser a volta ao FMI.

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    Fabiana

    01 de maio de 2016 às 01h37

    O vice, durante um eventual afastamento para defesa de um presidente, não pode substituir uma equipe de governo. Até onde vi, durante este período, o vice não deixa de ser vice, pois o presidente continua como presidente, a menos que morra ou renuncie.

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