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“Ele não pode me prender. Eu sou desembargador”: um retrato da justiça brasileira

Por Redação

22 de maio de 2016 : 13h34

Desembargador joga entulho em terreno e dá voz de prisão a policial

no Paraná Portal

O desembargador Luís César de Paula Espíndola, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), tirou licença do cargo nessa quarta-feira (18) após uma confusão entre ele e moradores da Vila Domitila, entre o bairros Cabral e Ahú, em Curitiba, no último sábado. Por telefone, a assessoria de gabinete informou que a licença por “motivo de saúde na família” é válida por 20 dias.

O magistrado é acusado por moradores da região de ter agredido a dona de casa Ana Paula Bergmann, 43 anos, que reclamava do despejo de entulho em um terreno. Ao ver a agressão, o policial civil afastado Antonio Carlos Poleira sacou uma arma e deu voz de prisão ao desembargador.

Ana Paula afirma que o desembargador ignorou a revolta dos moradores. “Passou aquela caminhonete estranha aqui, com um caminhão de lixo. Eu vi aquilo e estranhei. Ele ia jogar o lixo na frente da casa do policial, um pouco pra frente da minha. O policial disse que ele não podia jogar lixo ali e ele (desembargador) disse ‘eu jogo onde eu quiser’. O vizinho me pediu pra filmar pra ele chamar o meio ambiente. Daí ele veio e me deu um murro. Quando eu estava no chão o assessor dele me puxou e deslocou meu dedinho”, conta.

“‘O senhor está preso’, ele dizia. ‘Eu sou o poder judiciário; vocês, seus favelados, um lixo a mais um a menos’. A gente se sente ameaçado pelo poder judiciário”, relata a moradora.

O advogado Heitor Fabreti Amante, que representa o policial, afirma que a reação de Polera foi imediata ao ver a mulher agredida. “O desembargador – que nessa hora ninguém sabia que era desembargador – deu um soco no rosto da mulher que ela rolou no mato. O marido dela pediu pro filho buscar uma pochete que tinha uma arma. Ele sacou a arma e deu voz de prisão ao desembargador. Aí ele (Espíndola) tirou uma carteira com uma identificação do TJ e disse que o marido dela estava preso”, conta.

Poleira teria pego a chave da caminhonete do desembargador para impedir que ele saísse dele do local. Com a chegada da PM, Espíndola exigiu que o policial civil fosse preso. A PM, então, acionou o Centro de Operações Policiais Especiais da Polícia Civil para encaminhar Antonio Carlos à delegacia. Segundo o advogado, a arma dele é numerada e estava regular. “Arma numerada, regular, com carga para ele”, diz.

Segundo o advogado, o desembargador e um assessor foram à delegacia no próprio carro e o policial foi levado de viatura. “O desembargador foi pelo carro dele. Na delegacia, cheguei logo depois, o desembargador queria que o delegado prendesse o policial por desacato. Depois ficou dizendo que ‘esse delegadinho de bosta vai me criar problema’; xingou todo mundo de lixo, tentou agredir outras pessoas”, afirma o advogado.

O delegado Hormínio de Paula Lima Neto, titular do 5º Distrito Policial, no bairro Bacacheri, instaurou inquérito para apurar o caso. Ninguém foi preso.

Por telefone, a assessoria de gabinete do desembargador não quis passar contato para entrevista e apenas informou que ele estava em licença por 20 dias.

Em um dos vídeos, o desembargador disse que ligou para a Central 156 da Prefeitura de Curitiba solicitando serviço de recolhimento de entulho. Em nota, a prefeitura informou que o Espíndola tem cadastro na Central 156, mas não consta nenhuma chamada recente com os três números de telefone que estão no cadastro. “A orientação para quem precisa fazer o descarte de mais de três carrinhos de resíduos vegetais é que procure uma empresa credenciada pela Prefeitura de Curitiba para a correta destinação dos resíduos,  sendo que o custo é pago pelo responsável pelo entulho. Outra opção é procurar uma das estações de sustentabilidade tipo 2, que recebem resíduos vegetais”, diz em nota.

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31 comentários

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Pedro Pedro

26 de setembro de 2016 às 23h04

Alguma novidade em relação ao caso ou o desembarga voltou ao lixo gabinetário e lá está refestelado como se nada houvesse acontecido? Dá nojo em lesmas.

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JOHN J.

06 de junho de 2016 às 00h41

JUSTIÇA DO PARANÁ VIROU RENDEZ-VOUS
Parafraseando o chargista Bessinha: .
“AÉCIO E “OS ELEMENTOS DA QUADRILHA TUCANALHA ESTÃO LIVRES, LEVES E SOLTOS E CONTINUAM CORROMPENDO E SENDO CORROMPIDOS, PORQUE SÃO OS ÚNICOS QUE TÊM “MORO PRIVILEGIADO””. http://www.conversaafiada.com.br/politica/a-fraude-da-odebrecht-e-a-turma-do-temer/Moro%20Privilegiado.jpg/@@images/980b4100-27f5-44e6-bf37-5e17922dd8af.jpeg
https://www.youtube.com/watch?v=5IegjgAjoqg

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Pedro Pedro

05 de junho de 2016 às 22h12

Ora, o desembarga passa quase 3 anos só ouvindo e vendo como o desmoronado se dá bem lavando-a-jato só um lado, claro que iria se sentir, pelo menos, príncipe-entulho. E, com certeza, a corregedoria do pr e a do cnj (né, ministreca) nada farão: este país é a vergonha da dita civilização: só dá otoridade bandida.

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Eisenheim

22 de maio de 2016 às 23h54

Algo desnecessário, principalmente vindo de um desembargador.

E do outro lado vê-se um justiceiro da polícia, que vai logo puxando a arma. Só fica homem com a arma em punho e acha que pode prender todo mundo. Acho que esqueceram de avisar a ele que o magistrado tem foro privilegiado.

Já imaginaram se o MM também saca sua arma?

Bem, o vídeo só mostra a versão CONTRA o magistrado. E o que aconteceu antes? Cadê o policial puxando a arma para o magistrado?

Não podemos fazer juízo de valor, assistindo apenas o que é mostrado por uma das partes. Até parece a Globo, quando quer condenar alguém. Parem com isso!

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gilberto

22 de maio de 2016 às 19h42

Definitivamente nossas instituições fracassaram! O CNJ precisa ter clareza de que não há primeira classe a bordo do Titanic. Se os cidadãos perderem a confiança no Judiciário a indesejável desobediência civil será inevitável e daí o caos.

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Almir Silva

22 de maio de 2016 às 18h42

.
A conduta desse “desembargadorzinho” mostra com a maior clareza, a face da arrogância e da prepotência de alguns que envergonham o judiciário. Se for ver direito, ele é o próprio lixo que circula diariamente nos corredores do tribunal.

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Sebastião

22 de maio de 2016 às 16h58

É o maior câncer do Brasil! Consertem a justiça e o resto ficará muito mais fácil de ser consertado. No Brasil, essa gente acredita ser mais que Deus. São raros os exemplos de juízes. Na maioria, em um País desenvolvido, jamais vestiriam a toga reservada aos verdadeiros juízes.

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Octavio Filho

22 de maio de 2016 às 16h19

Se todos os casos de abuso de juízes e promotores fossem divulgados, iria sobrar muito poucos com conduta sabidamente correta. No Rio, o juiz é multado. Não satisfeito, deu uma carteirada na guarda de trânsito. Só porque ela disse que ele não era Deus, ela foi processada e perdeu R$ 5.000,00 no processo. Ela não sabia que ele era um Deus. Há um tempo atrás, um desembargador deu ordem de prisão a uma agente municipal, também no Rio, por ela estar guinchando o seu carro em estacionamento irregular. Uma juíza, que foi morta por policiais no Rio, apesar de sofrer ameaças, teve a segurança retirada por um conhecido desembargador do Rio. Pelas arbitrariedades que estamos assistimos hoje, principalmente em São Paulo, conclui-se que, com os nossos juízes atuais, estamos f….

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Graça Vieira

22 de maio de 2016 às 16h00

Esse é o retrato de uma justiça corrompida e falida. Sem uma profunda reforma no judiciário, inclusive com eleições diretas para o tribunais superiores, não rola! Estaremos sempre nos deparando com essas aberrações. Que cara mais covarde!

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    Octavio Filho

    22 de maio de 2016 às 16h09

    Está certíssima!! E no edital do concurso tem que constar que não é permitido o ingresso de coxinhas e nem trouxinhas na magistratura e nem concorrendo aos tribunais superiores.

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      Graça Vieira

      22 de maio de 2016 às 17h39

      Para desembargador o povo tem que eleger, que mostrem os seus currículos para analisarmos. Fim de cargos vitalícios, fim das listas corporativas. Depois do que temos visto nesse país, não podemos tirar da cabeça que o poder judiciário além de muito corrupto, não tem nenhum controle da sociedade. Os outros dois, executivo e legislativo, passam pelo crivo do povo. Porque eles não?

      Responder

        Eisenheim

        23 de maio de 2016 às 00h09

        Minha cara Graça Vieira, para ser ministro do governo Temer não precisa de currículo. E sim de folha corrida. hahahahaha

        Mas as indicações de Lula/Dilma para o STF foram um desastre.

        Para aprovar uma nova Constituição e outras reformas importantes, precisaríamos de uma Assembléia Nacional Constituinte composta por cidadãos idôneos e eleitos apenas para essa finalidade. Deveriam ser vetados todos os políticos, profissionais ou não.

        Doravante, todos deveriam sujeitar-se à Constituição, e não ficar brincando de ‘emenda’ pra lá e pra cá, como faz a nossa classe política. Eles prometem defender a CF, mas na prática dizem que é impossível governar com ela.

        Sabem quando teremos mudanças significativas? Nunca!

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          Graça Vieira

          23 de maio de 2016 às 02h50

          Caro Eisenheim, Acho que não prestastes muita atenção na conversa. Falávamos de reforma no judiciário, não do desgoverno golpista do TEMERário. Realmente é uma facção criminosa e não um governo. Que Lula teve um dedo podre para escolher os ministros, não questiono. Foram péssimos! Mas nada sabemos dos outros dois indicados, portanto, ficamos sem parâmetros. Quem indica são entidades jurídicas, presidente escolhe um. No mais concordo plenamente, sou uma defensora fervorosa de uma Constituinte Popular.

          Paulo di Paula

          23 de maio de 2016 às 06h09

          Mais desastrosa que a do FHC? Gilmar de lama Mendes? kkkkkkk, é um lambe bolas esse Eisenheim.

          Eisenheim

          23 de maio de 2016 às 10h14

          Ora, Gilmar é um soldado de FHC. Quisera que Lula/Dilma soubesse escolher alguém fiel aos seus ideais.

          Procure saber como é a escolha dos membros da Suprema Corte nos EE UU e fale com argumentos. Não com ofensas. Isso se seu caráter e vocabulário permitirem. hahahaha

          Quem escolheria como ministro do STF alguém que foi reprovado duas vezes no concurso para juiz substituto (juiz de primeiro grau)? LULA fez esse milagre, com Dias Toffoli. Como alguém que não consegue ser magistrado, por méritos próprios, é ministro da Suprema Corte?

          Na composição do STF só tem ministro do sul/sudeste. Exceção: Gilmar, PSDB-MT.

      Eisenheim

      22 de maio de 2016 às 23h59

      Você sabe quantos desembargadores foram indicados por Lula e Dilma?

      Você indicaria para ser ministro do STF um indivíduo que foi reprovado duas vezes para ser juiz de primeiro grau? Nem você, nem eu. Mas Lula indicou Dias Toffoli.

      Responder

maria nadiê Rodrigues

22 de maio de 2016 às 16h00

É o tal estado de exceção em ascensão.
Já vimos que carteirada será mais normal que nunca nesses governos brasileiros, a exemplo do federal.

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Paulo Roberto Àlvares de Souza

22 de maio de 2016 às 15h53

É isso aí. Vão todos os que vivem às nossas custas tornando-se inimputáveis. Bando de canalhas.

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Calebe

22 de maio de 2016 às 15h41

Infelizmente vivemos em um país em que a população mais humilde, a maioria, é considerada de segunda classe, país que o judiciário, além de receber maiores salários, ainda aposenta sob um regime próprio enquanto os cidadãos de segunda pela CLT, quando são afastados mantêm os salários. Na cabeça dessa gente jogar um lixo na porta de quem não pertence a classe dele nåo significa nada. Vivemos um apartheid disfarçado.

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Edson Marcon

22 de maio de 2016 às 15h23

Nada vai acontecer ao DEUS do Paraná
Essa corja se protege e passa por cima das leis.
Porque todos eles tem seus podres.
É uma associação de corruptos encastelada em poderespúblicos

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André Crasoves

22 de maio de 2016 às 15h11

Canalhas dessa laia são o que são porque ainda permitimos isto. Grande parte do judiciário brasileiro tem essa conduta. Coloca-se acima das leis e acima do cidadão a quem serve. É bom que se lembre a esses lacaios empolados que eles são apenas servidores públicos e, como tais, devem se portar com respeito e urbanidade perante o cidadão, que, em síntese, é aquele que paga seus altos salários e arca com as indecentes mordomias do seu cargo. Um sujeito desses, que se permite socar o rosto de uma senhora e, ato contínuo dá o velho e obsceno “carteiraço”, tem de sair erguido, algemado, independente de qual a instituição lhe serve de escudo. Delinquente, covarde e prepotente. Lamentável esse delegado, que não manteve sua prisão em flagrante delito. Essa gente, espalhada como vírus, derrubou uma Presidente da República inatacável e se julga no direito de se referir aos cidadãos como “lixo”, quando o verdadeiro lixo é ele e um saco cheio de seus pares fascistas, como ele. O excesso de poder, aliado à ideia remanescente do Brasil colonial de que esses imbecis são deuses, por vezes, reforça sua conduta abjeta. Em nações onde existe certo equilíbrio e onde pessoas desse tipo respondem efetivamente por seus atos, esse babaca já estaria afastado. Infelizmente, no nosso país, o máximo que lhe pode acontecer é uma aposentadoria compulsória, com todos os penduricalhos indecentes pagos por esse mesmo “lixo” que eles teimam em desrespeitar. Já passou, há muito, da hora de colocar algumas coisas em seu devido lugar, estabelecendo, com responsabilidade, o que é e qual a extensão de prerrogativas dos cargos, assim como colocar limites ao excesso de poder, tanto do judiciário como do ministério público. Não fosse este estado de coisas, muito do que se passou em nosso país recentemente teria sido evitado.

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Deus Lula

22 de maio de 2016 às 14h32

Tem certos tipos que pensam que são “”DEUS”””.

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TioDrakul

22 de maio de 2016 às 14h21

Esse desembargador têm que ser abatido à bala, da mesma forma como se faz com cachorro louco…

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Comedor de coxinha

22 de maio de 2016 às 14h06

Dava um tiro na cara desse babaca. Queria ver ele posar de gostosão sendo um presunto.

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Joao Carlos Santos

22 de maio de 2016 às 14h05

E esse o poder judiciário que temos. Temos que lutar para mudar isso.

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    Octavio Filho

    22 de maio de 2016 às 16h24

    Como mudar? Tente conversar com uma pessoa da classe média sobre isto. Este juiz não jogou lixo na porta de sua casa ou do seu vizinho. Com a sua vizinhança ele quer ficar bem. Quando eles têm algum problema, o juiz quebra o galho. Agora, para o resto da população é o desprezo. Estas pessoas não entenderão por bem. Quando a esquerda voltar ao poder, tem que limpar os tribunais. Ruaaaaa!!!. Este é o caminho.

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      Francisco Junior

      22 de maio de 2016 às 20h05

      Eu penso que temos que botar uma coisa na cabeça: “A classe mérdia que se F$#@A”!!!! Temos que focar em conscientizar o povo, que sempre está alheio a tudo, sempre preocupado em ganhar o pão de cada dia, não se percebe do chicote no lombo. A classe média sempre foi doente, sempre pensou como elite, orgulhosa das migalhas a ela jogadas. Salvo as exceções que confirmam a regra, a classe média é um câncer, que existe apenas para motivar e confortar os pobres, como um alento “possível” de ser atingido, se houvessem apenas ricos e pobres no mundo, os pobres comeriam os ricos vivos.

      Responder

Marivane

22 de maio de 2016 às 14h04

Que justiça nós temos ?? Nenhuma

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Jst

22 de maio de 2016 às 13h50

Covarde, vagabundo e safado. Faz jus ao poder que representa.

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