Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

A seletividade política e o patriotismo equivocado na sociedade brasileira

Por Redação

26 de maio de 2016 : 16h54

Meme que circula em páginas de direita, anti-PT

por Bruno Costa

A expressão “seletividade política” tem sido utilizada para fazer referência ao modo como a justiça ou os agentes públicos tem atuado (de forma favorável ou desfavorável) em relação aos acusados nas operações judiciais em curso.

Mas pretendo tratar da seletividade dos temas que interessam ou não à “casta pura” dos políticos que em nome de um “patriotismo” equivocado pretendem construir um futuro diferente para o país.

Fato inegável (e a redundância da afirmativa faz-se necessária): as maiores potências do mundo são as que mais investem em cultura e educação porque entendem que um povo não existe sem memória.

E para comprovar que a cultura é a memória de um povo, basta pesquisar quais são os países do mundo com a maior quantidade de museus, escolas e instituições dedicadas à arte: Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos…

Em 1.500, os portugueses começaram a chegar ao nosso território para explorá-lo. Os que conseguiam enriquecer voltavam para Portugal e tornavam-se conhecidos por “brasileiros”.

Exatamente 516 anos depois, o Brasil é uma das dez maiores economias do mundo e o conceito de brasileiro foi ressignificado há muito tempo. Meio milênio nos separam daquela realidade, mas ainda existe uma classe preocupada em continuar fazendo o mesmo.

Ontem vi inúmeras pessoas apoiando a instauração da “CPI da Lei Rouanet”, o que me deixou bastante intrigado e reflexivo.

No atual contexto político do Brasil, tendo o presidente interino tentado extinguir o Ministério da Cultura e voltado atrás graças à pressão popular, a instauração dessa CPI se configuraria como perseguição política, verdadeira caça às bruxas, já que foi a classe artística que deu cara às vozes que militaram contra o fim do ministério.

Mas o que mais me impressiona é a pontual vontade política e a seletividade de alguns parlamentares para propor comissões para investigar seus temas preferidos.

Veja bem, a preocupação não é votar os temas urgentes, porque se fosse, a reforma política já teria acontecido.

E a impressão que fica é a de que andam tentando entender porque os empresários preferem investir em cultura a financiar caixa dois de político corrupto. É óbvio que a cultura dá muito mais futuro.

Não vejo tanta vontade para se criar uma comissão que, por exemplo, investigue as doações recebidas pelas “entidades religiosas” nem os financiamento de campanhas.

E você nem se dá conta de que o seu dízimo elegeria políticos nos quais você jamais votaria. E ninguém tem a mínima ideia do tamanho dessa orgia financeira “em nome da fé”. Ou você acha que a bancada religiosa se elege pela força da oração? E isso é muito sério.

O que está em jogo, para além das motivações políticas, é a exposição das mentalidades que estão pretendendo conduzir o país na contramão do mundo, ironicamente, porque nossos ricos e poderosos admiram as superpotências e querem adotar alguns modelos, mas são incapazes de se agarrar aos bons exemplos.

Curiosamente, todos imitamos os franceses. A elite, les maisons et les boutiques (as casas e as lojas); os trabalhadores, os protestos nas ruas pela manutenção de seus direitos.

E lhes impõe a Ordem enquanto fracassam com o Progresso social, político e econômico que nos conduziria certamente à Liberté, Égalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), o oposto do que demonstram pretender.

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13 comentários

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26 de julho de 2017 às 11h48

A Que “nosso” território chegaram os Portugueses?? Nem os Australaloides e Siberianos que já tinham migrado para o continente tinham formado Estado algum e nem possuíam território já que eram nômades. As mentiras e doutrinação enganosa já começam aí. Deveria ter acabado com o MiC e devassado as contas de todos esses vagabundos auto entitulados “artistas”. Chega de mamarem nas tetas dos nossos suados impostos e se locupletarem com verbas públicas.
VIVA BOLSONARO 2018!

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Eder Barbosa de Sousa

27 de maio de 2016 às 08h38

Molica: FHC teve R$ 12 milhões da Lei Rouanet que tucanos querem “investigar”

POR FERNANDO BRITO · 26/05/2016

FHC

Fernando Molica não está mais n’O Dia. Mas continua ótimo repórter em seu blog, publicando as informações que a grande mídia julga que “não vêm ao caso”.

Como a que publicou hoje: Fernando Henrique Cardoso obteve “quase R$ 12 milhões com base na Lei Rouanet, mecanismo de incentivo fiscal que 25 deputados do PSDB querem investigar em uma CPI.”

Ontem, o Diário do Centro do Mundo registrou que no próprio site do PSDB constava uma captação de R$ 5,7 milhões, em 2007, mas o levantamento de Molica, que envolveu período maior, encontrou quase o dobro daquela quantia.

25 deputados tucanos assinaram o pedido de investigação e, provavelmente, não sabiam que o “chefe” a usava largamente para financiar as atividades do seu Instituto FHC. Menos ainda que toda esta grana foi captada durante os governos petistas, entre 2005 e 2011.

Com doações que gente muito boa ia, depois, abater no Imposto de Renda. Isto é, deixar de recolher aos cofres públicos. Detalha Molica:

O Itaú foi o que mais colaborou com o IFHC: as doações de diferentes empresas do grupo (entre elas,a Dibens Leasing e a Provar Negócios de Varejo) somaram R$ 3,6 miLhões – todo o valor poderia ser abatido do imposto de renda devido pelo conglomerado.

Outros grandes doadores foram a Ambev (o grupo colaborou com R$ 2,2 milhões) e a VBC Energia (R$ 1,7 milhão).

O Safra Leasing e a Embraer doaram R$ 1 milhão; o grupo financeiro Credit Suisse, R$ 600 mil; a Sabesp, empresa de economia mista ligada ao governo paulista, R$ 500 mil.

Aliás, o cinismo é impressionante, porque, revela Molica, Fernando Henrique foi mais longe. Em 1996, a ainda estatal Telemar, depois privatizada, foi autorizada a doar R$ 225 mil para a a edição do livro ‘Fernando Henrique Cardoso – História da Política Moderna no Brasil’.

Bacana o cinismo, não é?

PS. Arranje tempo para passar no Blog do Molica. vai encontrar bom jornalismo e bom caráter.

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cc

27 de maio de 2016 às 01h21

aderbal responde em 22 pontos
os pré-conceitos contra a lei rouanet

http://www.brasil247.com/pt/colunistas/aderbalfreirefilho/234345/Para-ser-claro-a-respeito-da-Lei-Rouanet.htm

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Couro Duro

26 de maio de 2016 às 22h08

brasileirinhos e as

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Joao Carlos Santos

26 de maio de 2016 às 20h52

Eles andam buscando corruptos, e eles estão debaixo do nariz deles
e não enxergam. Parecem feitos zumbis.

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Marivane

26 de maio de 2016 às 20h18

Não vi uma CPI que tenha dado certo. É só conversa fiada, blá blá. O último blá blá foi a CPI da Petrobras

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    Macau

    26 de maio de 2016 às 22h09

    CPI = Cambada de Pizzaiolos Imbromando.

    Perdoem a adaptação, é licença artística.

    Responder

Apolônio

26 de maio de 2016 às 18h33

O incentivo a cultura, via lei Rouanet, tiveram muitos beneficiados, de todos os espectros e colorações partidárias. Se o PT e demais partidos progressistas tiverem argúcia e vivacidade, demostrar-se -á que muitos artistas, institutos e fundações, receberam verbas de incentivo para seus projetos. Não há nada a temer. Essa lei, nem foi criada pelo PT.

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Fernando Alsandálio

26 de maio de 2016 às 17h32

Para atacar o Ministério da Cultura tiveram de reduzi-lo à Lei Rouanet, como se o Minc fosse tão somente esta lei.

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maria nadiê rodrigues

26 de maio de 2016 às 17h12

A pedido do PDT, de 23, neste 35, Ministro Barroso pede esclarecimentos a Temer sobre essas ações administrativas, pelas fusões de ministérios, exonerações, etc., se ele ainda é um mero presidente interino. De-mo-rou, hein?

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    Maria Thereza G. de Freitas

    26 de maio de 2016 às 17h38

    e vai demorar mais ainda. barroso deu 5 dias de prazo para temer se explicar. só que “o tempo do judiciário é diferente” e esses 5 dias podem levar meses para se concretizar. além disso, não há prazo para julgar o processo/ação. e o barroso já negou um, vindo de um diretório do PT, sobre o mesmo tema. não tenho nenhuma esperança que o stf saia do golpe. desculpe o desânimo, mas às vezes cansa ver esse teatrinho repetido à exaustão

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      Luís CPPrudente

      26 de maio de 2016 às 18h10

      O STF se tornou golpista. Esse prazo dado pelo Barroso, é um prazo para inglês ver (ou seja, para dizer que o STF é isento e que dá direito ao outro lado de questionar um ato).

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      João Luiz Brandão Costa

      26 de maio de 2016 às 19h07

      Barroso, é aquele que eu vi na TV, num evento patrocinado pelo ITAÚ, onde ele estava sentado a sorrir feliz da vida e consigo mesmo, ao lado do Dr.Moro, o da Torre de Londres? Ih cara. Acho que morrrrreeeeeuuuor aí…

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