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Marcia Tiburi: ‘Autoritarismo virou a regra do nosso modo de pensar’

Por Redação

15 de julho de 2016 : 20h32

Marcia Tiburi – "E Agora?": reflexões contemporâneas sobre o B…

Márcia Tiburi é uma das mais conhecidas escritoras e filósofas brasileiras da atualidade. Foi apresentadora do programa Saia Justa, do Canal GNT, e está no front dos debates sobre gênero, política, ética e sociedade.Seguindo os seus antecessores na série "E Agora?" – reflexões contemporâneas sobre o Brasil em crise, Tiburi faz uma análise dura sobre o momento atual, mas tratando de forma didática temas como “emoções embotadas”, “enlutamento” e “pater potestas”. Vale assistir.

Publicado por Nabil Bonduki em Terça-feira, 12 de julho de 2016

 

Para a filósofa, processo golpista revelou “ausência de reflexão, emoções controladas, manipuladas e embotadas” e o resultado é que “estamos tratando o fato de um jeito pouco sério”

na Rede Brasil Atual

São Paulo – “O Brasil não é mais uma democracia. Vivemos em um estado de exceção”, afirmou a filósofa, escritora e artista plástica Marcia Tiburi. Para a pensadora, o processo golpista que afastou a presidenta Dilma Rousseff (PT) e empossou interinamente seu vice, Michel Temer (PMDB), faz parte de uma conjuntura de separação do indivíduo com o coletivo. “As pessoas ficaram vendidas para uma visão individualista, e a sociedade vive um profundo esquecimento do que significa ser sociedade.”

As palavras duras de Marcia foram divulgadas hoje (13) por meio de vídeo compartilhado pelo vereador paulistano Nabil Bonduki (PT). “Temos ausência de reflexão, emoções controladas, manipuladas e embotadas”, e este panorama, de acordo com a filósofa, surge de um contexto de distorção dos fatos. “As instituições manipulam o poder de uma forma pesada, não só o Judiciário apodrecido ou o Legislativo, mas também a mídia, veículos de comunicação em massa manipulam as pessoas”, disse.

Marcia argumenta que o conhecimento da formação histórica brasileira é importante para entender a gravidade do golpe. “Quem não souber que nossa história envolve escravidão de pessoas, colonização, interesses capitalistas da política financeira internacional (…) talvez não consiga entender o que se passa agora”, afirmou.

O abolicionista Joaquim Nabuco, em sua obra Um Estadista do Império, ajuda a pensar a importância do histórico citado por Marcia. Para ele, o ponto fundamental da nossa história é a escravidão e seus frutos. “O Brasil é uma sociedade não só baseada, como na civilização antiga, sobre a escravidão, e permeada em todas as classes por ela, mas também constituída, na sua maior parte, de secreções daquele vasto aparelho.”

Então, Marcia critica a exclusão da visão de diferença, que moldou a sociedade brasileira, por Temer, que montou uma equipe ministerial uniforme: homens, brancos, ricos e velhos. “Estamos vivendo em um país ultrapassado. Ele (Temer) tirou todos os ministérios que poderiam ter alguma relação com a alteridade, com a diferença e com o estranho. Desses sujeitos novos que estão entrando na política depois dessa era machista.”

Ainda sobre a formação do gabinete do presidente interino, a filósofa disse que “foi um ato de provocação por um lado, mas bem ao estilo coronelista, capitalista e machista. “Porque é tudo muito parecido. Todos esses pertencem ao mesmo campo conceitual e prático. Foi uma demonstração do sentido deste poder que se estabelece. A alteridade é negada, aí vem a repressão, a opressão, um poder anacrônico, pesado, pater potestas, que não combina com a democracia.”

A filósofa finaliza seu pensamento com a reflexão de que o golpe pode significar prejuízos mais severos do que a sociedade espera. “Estamos tratando o fato de um jeito pouco sério. Perdemos nossa democracia e não sei se temos condições de nos enlutar o suficiente para poder chorar por isso, porque o autoritarismo virou a regra do nosso modo de pensar.”

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3 comentários

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Atineli

17 de julho de 2016 às 00h37

Márcia Tiburi está corretíssima, infelizmente. Sinto também as pessoas fazerem comentários inconsequentes, acusatorios, sem base histórica, sem conhecimento da realidade brasileira; nem percebem o perigo da perda dessa democracia tão frágil, mas necessária. Não entendo muitas vezes esse distanciamento e autoritarismo. As pessoas de fato são muito embotadas e não estão acostumadas a reflexão, acham que seguir o Facebook é suficiente para se informar. O senso crítico se resume a saber clicar no like. É de arrepiar.

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Antonio Souto Coutinho

16 de julho de 2016 às 15h57

Infelizmente, a filósofa tem toda razão. Nada a tirar nem por. Alguém disse que a história é como um quadro pintado a óleo: de longe vemos melhor. Acompanho política desde a década de 1950 e hoje vejo com mais detalhes aquilo que, na época, era uma sombra.

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Reinaldo Mechica Miguel

16 de julho de 2016 às 07h46

A gente está perdendo a nossa democracia!!!
FORA TEMER TRAIDOR DO POVO. https://uploads.disquscdn.com/images/69b7028df4c8a3e5f7036261832449aacfbf9e6092dae6b94e4c6dde711d161e.jpg

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