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Folha de SP faz denúncia – Manifestantes reprimem PMs durante protestos

Por Bajonas Teixeira

07 de setembro de 2016 : 11h05

(Foto: Mídia Ninja)

Por Bajonas Teixeira

Nem sempre os jornalistas usaram teclados para escrever, já houve tempo em usavam penas. Nessa época o ditado “pela pena se conhece o pássaro” fazia sentido e era familiar. A Folha inovou mais uma vez com um upgrade no ditado que agora pode soar assim: pelo cassetete se conhece o editor.

Sob o pretexto de denunciar ódios insuflados por Dilma – “Dilma insufla o ódio nas ruas e vai morar em Ipanema” –, o secretário de Redação da Folha, ele sim metamorfoseado em escriba da PM, quer fazer a apologia da repressão e, de quebra, dar aos policiais uma motivação suplementar (como se precisasse) para que se defendam melhor, da próxima vez, dos manifestantes.

O argumento é simples e cômico: policiais são proletários e negros que, lutando por direitos e portando apenas bombas de gás lacrimogêneo e rifles de tiros de borracha, são duramente reprimidos por uma elite de manifestantes (gente muito bem remunerada) que os oprime e massacra no asfalto. Para se defenderem, as vítimas fardadas, isto é, os proletários armados (eles não tem chefes, superiores, patrões, coronéis, nada) dão tiros, jogam bombas, afinal, é uma questão de vida ou morte.

O estranho, mas isso deve ser só aparência, é que a impressão que se tem, assistindo os vídeos, é de que quem está batendo, agredindo e violando o direito constitucional à livre manifestação é a PM. Mas não, o certo, como nos esclarece o secretário de redação da Folha é o contrário: os manifestantes é que estão violando o sagrado direito da polícia de ferir, prender e lançar bombas a esmo. Vejamos:

“Ninguém se iluda com críticas furiosas da esquerda ao menor sinal de excesso na repressão. A preocupação com a integridade das pessoas —somente das que se chocam com a polícia, nunca das que são vítimas da brutalidade militante — é mero pretexto de uma disputa de poder.”

Que pessoas são vítimas da brutalidade militante? Alguém perdeu um olho arrancado por manifestantes? Ou, ao menos, recebeu pancada, foi violentamente sacudido, sentiu o efeito moral de um cassetete brandido por manifestantes?

Ou será que as vítimas são vitrines de bancos que, por distração, ou excesso de humanismo, o jornalista confunde com pessoas? Nesse caso, é mais fácil compreender que essas pessoas-vitrines tenham sido vítimas dos manifestantes. Por exemplo, a foto escolhida para ilustrar a matéria, em que um sujeito, bailarino profissional ou acrobata, lança uma cadeira (de onde saiu?) contra uma vitrine. Coincidentemente do Bradesco.

 

Foto Avener Prado

Fica difícil decidir se é uma propaganda paga do Bradesco, ou se temos que aceitar que esse enquadramento tão profissional da marca Bradesco foi fruto do acaso. Estranhamente também, o manifestante, num manifestação com 100 mil, aparece sozinho. É o único solista de passeata do qual se tem notícia. Aliás, não, há outro, mas esse está fora do foco, é o fotógrafo, a única testemunha ocular, ao que parece.

Nesse espetáculo raro, ainda outro detalhe chama a atenção: a cadeira, do tipo improvável de se encontrar numa calçada na frente de uma agência bancária (terá o performer trazido de casa?) é lançada de uma distância que, mesmo que o bailarino se esforçasse ao máximo, jamais chegaria a atingir a vitrine, e menos ainda, a quebra-la.

Depois, é engraçada a pose do sujeito que lança um objeto contra a vitrine. Parece por demais ensaiado e coreografado. Não só o enquadramento, mas também a pose, o ângulo e, enfim, tudo, lembra um acaso cuidadosamente preparado. Faltou só coadjuvantes, algo estranho, quando ao lado havia cem mil manifestantes disponíveis. Novamente, estranhas ausências se fazem presentes.

Emitir opinião é uma coisa. Caluniar e instigar ódios e revanches, isso não se pode aceitar, é péssimo jornalismo. Leia-se:

“A esquerda brasileira, da velha e da nova geração, não sepultou a violência política. Nas derivações subletradas do marxismo de hoje, o culto da revolução —o banho de sangue que abriria caminho para o mundo pacificado— deu lugar ao prazer estético da depredação e do confronto provocado com a polícia.

O comitê central circula os alvos: empresários, imprensa, parlamentares, procuradores e juízes são atingidos dia e noite pela acusação de “golpistas”. As tropas de assalto nas ruas entendem o recado e partem para a ação. Dilma Rousseff pronuncia a fatwa e vai morar em Ipanema.”

Essas mal traçadas linhas de rancor, e, mais ainda, essa mal intencionada apologia da violência contra jovens, muitos menores e mulheres, por tropas treinadas para combate e fartamente armadas, nos envergonha hoje à primeira leitura. É fácil imaginar com que carga de desprezo  serão lidas no futuro.

Agora mesmo, apenas três dias depois, quando ficou claro que 19 jovens presos o foram da forma mais arbitraria, e isso dito pelo juiz que os libertou, o artigo do secretário de redação da Folha já se tornou uma obra prima do jornalismo submisso à serviço do estado policialesco. É o que, em face dessa tentativa de legitimar a brutalidade policial, se deduz do elogio ao juiz, feito pelo advogado criminalista Marcelo Feller, advogado de seis dos jovens detidos:

“Foi uma decisão dura e corajosa. A Polícia não tem o direito de prender ninguém sob pretexto de uma suposta e futura prática criminosa. Isso não é ação de um Estado Democrático de Direito, e sim de um Estado policialesco”.

É bom ter presente que os disparos e as borrachadas desferidas pelo jornalismo policialesco podem ser tão letais contra aquelas dadas pelas forças repressivas. Não é de estranhar que um jornalismo que humaniza vitrines, coisifique as pessoas e as veja como alvo normal de choques repressivos.

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22 comentários

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Puente Llaguno

08 de setembro de 2016 às 01h07

Dilma Matou a Família e foi ao Cinema

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Osmar Gonçalves Pereira

07 de setembro de 2016 às 19h22

“(…) jornalismo submisso à serviço do estado policialesco”. O “jornalismo”, aqui, não está “submisso”. Reflete a voz, ativa, de seus donos. Os mesmos “donos do Estado”. As poucas vozes contrarias dentro do mesmo jornal (Janio, Duvivier, p ex.) conscientes ou inconscientemente, servem de fachada a “pluralidade de opinião”.

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carlos

07 de setembro de 2016 às 18h47

Boicotem o Bradesco e a Folha!

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Rogério Bezerra

07 de setembro de 2016 às 17h53

Transformar o Brasil num “egito tropical ” é o projeto americano que os ricos traidores daqui abraçaram, E para o “serviço” sujo contaram a jostissa, pf, mpf e todos os mi e bilionários da mídia.

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Rob Udyat

07 de setembro de 2016 às 17h38

Quando alguem perde a visão causada pela truculencia da PM e não causa indignação na mídia e um Jornalista fica preocupado com vitrines de Bancos, alguma coisa de podre se deduz dessa triste narrativa!!!

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Carlos Dias

07 de setembro de 2016 às 17h04

Pelo visto as vítimas do arbítrio e da truculência ainda terão de pedir desculpas aos frágeis e pacatos PMs.

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Rachel

07 de setembro de 2016 às 17h03

Ó faz favor de me dizer onde acho o tal comitê central .Vou dia sim dia não para as ruas e nunca, nunca este tal de comitê central me deu aulas de balé para que eu ficasse tão bem na foto. Sem cadeira, não gosto de carregar peso. Mas acho que ficaria demais euzinha bailando na frente do Bradesco numa manifestação. Aulas de dança para todas e todos já. Senão pode avisar para o tal comitê que vou para a rua protestar.
Agora a gente não entende como alguém pode alugar a pena desta maneira. Lastimável…

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Rachel

07 de setembro de 2016 às 16h56

Gente até eu quando brincava com o Photoshop e o Corel fazia melhorzinho….

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Zé do Bêlo

07 de setembro de 2016 às 16h55

é assim que manifestante vira terrorista… vai observando…

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Rachel

07 de setembro de 2016 às 16h55

Eles estão descontrolados, eles estão descontrolados. Sabem que não vai ter jeito, vão cair. Os golpistas vão cair, vão cair, vão cair.;
Agora que o texto do humorista da Folha é hil´rio é. Não estou enganada não né? O boca alugada é humorista?

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    Osmar Gonçalves Pereira

    07 de setembro de 2016 às 19h24

    Só não sei se é realmente hilário, ou triste, Parte dos “leitores” creem na piada, e a tomam pela realidade.

    Responder

Jorge Leite

07 de setembro de 2016 às 16h21

Outro detalhe da foto: a luz. Uma foto batida ‘contra a luz’ (nota-se pelas sombras) só obtém este nível de nitidez se estiver num tripé.

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Jst

07 de setembro de 2016 às 14h31

Deixa de ser bobo. Os manifestantes é que dão cabeçadas nos cassetetes e colocam os olhos na frente da balas de borracha. Os policiais são lordes e fazem de tudo para desviar os cassetetes da cabeça dos manifestantes.

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willams will

07 de setembro de 2016 às 13h51

A folha é uma desgraça para o Brasil. Tem mesmo é de pegar um caminhão limpa fossa e descarregar na calçada do prédio da folha, do estadão, da globo, da fiesp, do stf, do tre, do mpf, do congresso, da câmara de deputados de sp, e esperar se eles limpam a merda que falam todos os dias, e que o povo sabe onde estão os bandidos! onde estão os que querem tirar o Brasil do povo brasileiro. FORA TEMER! FORA PIG IMUNDA! FORA BAndidos togados.

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    cousinelizabeth

    07 de setembro de 2016 às 14h13

    A Folha é um monte de lixo. Canso de dizer que não devemos dar espaço para discutir essa porcaria. Não vendem mais jornal suficiente nem para embrulhar peixe. Leiamos o Jânio de Freitas e a Eleonora de Lucena na internet e pronto. Vamos ignorar os editoriais dessa bosta de imprensa que temos, é puro fascismo.

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      willams will

      10 de setembro de 2016 às 16h07

      Tem razão! Temos de ter o olhar educado até quando vamos ler alguma coisa! E a Folha realmente deseduca e emburrece o leitor.

      Responder

C.Poivre

07 de setembro de 2016 às 13h38

Em livro a revelação de como a CIA impõe a narrativa do governo sobre fatos graves da política norte-americana e mundial:

https://dinamicaglobal.wordpress.com/2016/09/07/sera-voce-um-pateta-com-a-mente-controlada-pela-cia/

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johony

07 de setembro de 2016 às 12h48

Essa é a forma mais fácil de enfrentar esse golpe.
http://a.disquscdn.com/uploads/mediaembed/images/4207/2907/original.jpg

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marco

07 de setembro de 2016 às 12h44

Isso,que alguns chamam de JORNAL,e que muitos fascistas assinam,inaugurou quando foi criada,o PRINCÍPIO DO CANALHISMO IMPRESSO .Não pode,poderia ou poderá,produzir algo diferente.

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cousinelizabeth

07 de setembro de 2016 às 12h34

A Folha não faz jornalismo. Fez jornalismo durante algum tempo, na década de 80, como jogada de marketing e para se redimir da sociedade com a ditadura. Agora voltou ao seu “normal”, uma lojinha de vender anúncios e negociar influências. Seu azar é que em termos de influência já virou pó: 160 mil exemplares diários não chegam aos pés do ibope de um blog mediano.

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Andre_Gotha

07 de setembro de 2016 às 12h05

A Folha está copiando as reportagens da página do Hariovaldo Almeida Prado?

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    Jose X.

    07 de setembro de 2016 às 12h18

    por um precinho camarada

    Responder

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