Audiência de Glenn na Câmara dos Deputados (ao vivo)

Arte e artistas – A nova mina de ódios do Terceiro Reich brasileiro

Por Bajonas Teixeira

10 de outubro de 2017 : 11h06

Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

A histeria contra a arte e os artistas, promovida por políticos de direita, tem um motivo simples: explorar uma nova mina de ódios. A classe média anti-Lula andava desmotivada. O governo Temer foi para ela uma cilada: salários congelados, reformas aterrorizantes, e oito aumentos da gasolina. A derrocada de Aécio a intimidou mais ainda. Nas ruas, ela deixou de atacar figuras ligadas ao PT. Os xingamentos de “petralha” e “esquerdopata” arrefeceram nas redes. Enfim, a velha fonte de ódios secou. Por isso, a associação de arte e pedofilia foi um achado. Com ela, emergiu da lama um límpido cristal de pura estupidez. A direita volta a urrar, xingar e ameaçar com torturas. E tudo em nome da moral e da família.

Com presteza incomum, o MP, a justiça, a polícia e  a mídia deixaram-se mobilizar e deram voz aos desqualificados vociferantes que, com a boca espumando, gritavam em “defesa da família”. Enfim, uma mina de ouro, ou melhor, de ódios, caiu em mãos do fascismo brasileiro.

A regressão  mental que acompanha as crises, devido ao medo, leva à infantilização em massa que torna aceitável qualquer acusação caluniosa, mesmo a mais infame ou idiota (“Lulinha é o dono da Friboi”). Esses adultos reduzidos à condição infantil estão  prontos a aceitar tudo, se for novo e repulsivo. O Terceiro Reich, após inventar a imagem do ‘judeu pervertido’ decidiu, em 1937, atribuir a ele a criação  de uma arte degenerada. E assim se fez em Munique a exposição que dava um novo nome à arte moderna – Arte degenerada. Entre os (mal)ditos “degenerados” estava um bom número de gênios: Max Ernst, Wassily Kandinsky, Marc Chagall, Lasar Segall, Paul Klee, Otto Dix, etc.

Hoje, todo mundo sabe que degenerados eram os nazis. Mas podemos imaginar o prazer que sentiam ao apontar no outro, no judeu, a degradação  que, em verdade era a deles. Tudo só foi possível porque, naquela época, podiam contar com a cumplicidade do MP, do judiciário, da política e da mídia.

Pois é. E no Brasil hoje, com o atraso de oitenta anos, atacam grotescamente a arte com acusações  de pedofilia, isto é, arte degenerada (entartete Kunst).

E quando entre os acusadores surpreendemos um político apontado no plenário da Câmara Federal assistindo e compartilhando pornografia, temos um índice seguro para avaliar o quilate dos acusadores. Ainda mais quando, como circulou recentemente, no cardápio pornográfico online no país, o tema mais pesquisado é “novinha”. Diz a matéria de O Globo de 28 de maio de 2015:

Enquanto o deputado assistia ao vídeo, outros colegas apareceram para ver do que se tratava. Segundo a reportagem, as imagens mostravam atos obscenos e, por isso, foram borradas. Em cima da mesa, havia um convite para um ato religioso.

As acusações de pedofilia não visam outra coisa que injetar uma dose de perversidade e maldade para gerar novas ondas de ódio e, a partir delas, auferir lucros políticos fáceis. Mas, é claro, nisso tudo há o prazer de rebaixar todas as coisas ao nível do “chão da Câmara”, digamos assim, além de perseguir o que não se compreende (a arte e os artistas), e dar livre expressão a um sadismo intenso.

Rebaixar ainda mais a cena política do país de ponta a ponta (o que parecia  impossível), pilhar qualquer forma decente de julgamento, vandalizar tudo que tenha consistência simbólica e seja difícil de alcançar, enfim, impor a perspectiva de rã, o olhar que emerge do fundo do pântano, é esse o projeto do lúmpen político brasileiro.

Esses homens, adestrados pela pornografia, só podem ver de fato o corpo nu como sexualizado – e sexualizado pornograficamente –, porque essa é a ‘arte’ que consomem diariamente, inclusive durante as sessões da Câmara e no plenário. ‘Arte’ de ‘compreensão’, e satisfação, imediatas. Miséria mental, miséria cultural e, em consequência das aulas que recebem de seus astros pornôs, miséria sexual. Como são miseráveis esses pobres coitados, não?

Foi noticiado por esses dias a campanha publicitária do Musée d’Orsay, lançada em 2015 e retomada recentemente, Tragam seus filhos para ver gente nua (Emmenez vos enfants voir des gens tout nus). Uma tradução mais literal seria “Tragam suas crianças para ver gente toda nua”. Imaginem se nas garras do Terceiro Reich brasileiro caísse o acervo de arte dos museus franceses! Certamente, o estrago deixaria no chinelo a grande queima de livros promovida pelos nazis em maio de 1933.

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Bajonas Teixeira de Brito Junior, filósofo e professor.

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19 comentários

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Paulo Nunes

11 de outubro de 2017 às 10h20

Sim e não. Esquerda festiva x direita repulsiva. Analisando com um pouco mais de profundidade, podemos observar dois aspectos “extras” nessa discussão: os papéis da arte e do pluralismo das demandas. É claro que a exposição de obras e manifestações artísticas são legítimas pois é inerente à ela nos tirar (abstrair) do senso comum e elevar o pensamento para o negativo, formando assim uma sociedade que se desenvolve em torno de uma construção dialética e progressista do pensamento. Esse o aspecto da arte que trago.
Porém, enquanto demanda de segmento da sociedade, que se soma ou distancia de outras demandas, o movimento artístico deveria mirar, ainda mais nesses tempos temerosos, para o conjunto da obra. Não é novidade, principalmente nas grandes crises, que surgiram demandas contestatórias e particulares – movimento feminista, liberação das drogas, artes, liberdade de imprensa e tantas quantas pudermos lembrar – Todas legítimas!!
Só que as demandas pluralistas tem um problema: elas trazem a cortina de fumaça e alentam uma briga interna contra outras demandas, ou seja, contra o inimigo errado! O inimigo é o Capitalismo e seus representantes maiores – os usurpadores ricaços, a mídia e, no Brasil passando por outras e em última instância, o judiciário.
Conclusão: é inócua a discussão que a exposição quer fazer nesse momento, ou seja, atrapalha mais do que ajuda. Aqui posso levar “pedradas” mas, agora seria o momento de colocarmos a arte a serviço da real negação do status quo estabelecido. Através da pichação, de homens – nus ou vestidos – em frente a casa de políticos corruptos, enfim, da fomentação da desobediência civil necessária para mudar o sistema. Senão, homens nus x crianças são combustível para uma discussão que nem deveria existir se a mesa estivesse virada.
Fora isso, somente a nível de crítica e gosto, achei a exposição “artística” uma M.

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Eloiza

11 de outubro de 2017 às 07h15

Excelente Texto

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Evaristo Pereira

11 de outubro de 2017 às 02h21

Consegui compartilhar agora. Devem ter descensurado, se é que pode se dizer isso.

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Luiz Carlos P. Oliveira

10 de outubro de 2017 às 20h32

Pois é. E os sociopatas nos acusam de sermos “sem cultura”. Desde quando o nu é pornografia? Só na cabeça desses mentecaptos. Pode-se discutir se a arte é boa ou não. Eu, por exemplo, gosto do Claude Monet. Mas não duvido que coxinhas pensem que ele seja pintor pornô, apesar de só pintar outras coisas. E, tenho certeza, esses babacas buscam vídeos pornô nas redes sociais.

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Chris Lamurte

10 de outubro de 2017 às 20h23

«Inquirir a arte»
A questão da arte não é a nudez.
Todos gostamos da arte cujo tema é nudez.
Nós seres-humanos apreciamos milenarmente a arte de nudez clássica.
Seja foto
Pintura de Renoir
Filme
Desenho
HQ de Milo Manara
Arte grega
Pintura clássica do Renascimento
Performance
Peça de teatro
A esquerdalha — Kitsch, baranga, petista, psolista, cafona, de mau gosto, bregona, e jornalistas-supostos-moderninhos querem desviar de assunto e dizer, afirmar que estamos contra a nudez: Não. Isso é para nos tachar e, por outro lado, também, tachar o brilhante e avançado MBL. O corpo nu é belo, como pôr-do-sol.
1.
O problema é a picaretagem. O engana-trouxa. O lixo de certa suposta pseudoarte contemporânea, qdo é de real mau gosto. Pornografia em vez de arte: consumo de lixo. E é disso que se trata quem se posicionou contra aqueles 2 lixaços: parte da exposição de P.orto Alegre Alegre & em bloco a do MAM.
2.
A outra questão é usar meu imposto para financiar picaretagem, embuste, vigarice mesmo com a normativa do MAM (mesmo sendo um espaço de autoridade artística e acadêmico). Ponto final.

É como pichação: nunca foi arte. É puro engana-trouxa, diferente do graffiti.
Fim de papo furadérrimo!
E o MBL é pragmático, empírico, vai pra rua.

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    Paulo Nunes

    11 de outubro de 2017 às 12h04

    O MBL é o cocô do cavalo do bandido!

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    Oscar Müller

    11 de outubro de 2017 às 14h27

    Uma curiosidade, lamurte.
    O empírico e pragmático MBL que você cita, é o Movimento Brasil Livre do frota, ou o Movimento de Renovação Liberal do quintacateguri?
    Duas figuras, aliás, cujas bundas nuas (e nada artísticas) são de domínio público…

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    Draven Curtis

    12 de outubro de 2017 às 18h22

    A arte te incomodou? Então, ela atingiu seu objetivo!

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      Paulo Tarso

      15 de outubro de 2017 às 15h59

      Arte não incomoda.
      A função da arte é a CONTEMPLAÇÃO, mané!

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Paulo Lima

10 de outubro de 2017 às 19h02

Libreto da ópera bufa” Ascensão e queda da Vazajato”. Primeiro ato (scherzo): Evangélicos, bancada da bala, mbl, golpistas, direita fascista invadem e censuram exposições e teatros, em defesa das criancinhas e da moral. Segundo ato: Artistas golpistas, artistas morolistas, artistas globolistas, juntam-se a artistas “esquerdistas” e artistas “neutros” e, unidos, salvam (rondo-alllegro) o mundo e as Artes do massacre da Política .
O tira-e-põe o bode na sala é de uso recorrente. Entretanto é sempre útil na falta de pão e sobra de circus. E para o condão de melhor iludir, e alienar, a música não pode parar de animar. Réquiem ou perdão para vítimas, barrigas verdes ou barrigas vazias, desempregadas, não cabe cogitar.
Amanhã quarta-feira, em BH, o papa Caetano, apóstolo da Lavajato, promove ato ecumênico em prol da arte, artistas, artífices de ofícios artísticos e oficiais gerais das técnicas de promoção da imaginação, superação, e aceitação, “contra a corrupção”, da condição humana.
Abaixo o golpe!

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Maria Barth

10 de outubro de 2017 às 21h03

Nao estou conseguindo compartilhar, o Facebook nao deixa. Começou o inferno!

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HOCUS POCUS

10 de outubro de 2017 às 17h46

Liberdade meus caros ,liberdade.
Liberdade é poder escolher ,e ninguém É DONO DA MINHA.
Assim como ter álcool e fumo liberado não me transformou num viciado , e proibir as drogas não os eliminou (aos viciados), tudo passa pelo exercício da liberdade e a responsabilidade individual de cada um de nós.
Óbvio, não pretendo ser compreendido num país de imbecis que apoiaram um golpe ( conduzidos pela mídia) e no qual um verme social e psicopata como bostanaro tem seguidores.

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Enilson Suzart

10 de outubro de 2017 às 15h42

Enquanto as midiasPIGs aplicarem o LAWFARE e disponibilizarem as telenovelas e os alexandres PORCARIA e os domingos do BOSTAO e outras merdas que mantém a sociedade adormecida, estaremos vivendo o Holocausto escravagista no Brasil!
REDEESGOTOS DE INVASÃO É UM MAL DESNECESSÁRIO PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA!
ACORDA BRASIL ????????????????????????????????????????????????????????

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Enilson Suzart

10 de outubro de 2017 às 15h38

ACORDA BRASIL OU ESTAREMOS CONDENADOS A ACORDARMOS MORTOS!

Responder

Geraldo Souza

10 de outubro de 2017 às 14h39

O Facebook está suspendendo o compartilhamento desse matéria com uma censura obtusa, imbecil e direitista: “ela fere nossas regras por ser spam…..!” Além de questionar e contestar, compartilhei na sequência mais 6 vezes.

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Hilario Sousa

10 de outubro de 2017 às 12h05

Eu não posso e nem devo concordar com tudo que foi dito neste artigo. O extremo da coisa não leva a arte, então eu poderia dizer que: eu quero é ter, não me interessa como. Como posso ou devo chamar isso; um círculo de pessoas nuas um com a mão no orifício anal do outro ou na vagina, em sequencia? Sem nenhum puritanismo, deixemos de ser hipócritas. Isso é arte? De que? Eu posso dizer que é uma arte imoral? Voto no PT sou LULA até o fim, sou cristão, temo a DEUS e sou pecador mais do que vocês. No entanto, isso não pode ser arte, pode ser muitas outras coisas menos arte. Abraços.

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Emerson

10 de outubro de 2017 às 11h53

EU ACHO UMA IDIOTICE ESQUERDISTA, FICAR DEFENDENDO UMA ARTE QUE NÃO LEVA A NADA (SE É QUE É ARTE). Quando eu era criança, e fazia alguma coisa errada, minha mãe dizia que eu estava fazendo arte. Tem tanta coisa interessante para uma artista fazer, fica colocando gente nua…acho que a esquerda perde tempo e da munição pra direita quando resolve defender o indefensável. Crianças com homens NUS, é pedofilia (crime) e pronto. A esquerda tem grande valor em suas idéias no campo econômico, mas se perde em defesas tão medíocres…É preciso pensar, que a esquerda não é perfeita, nem tudo o que pensam é correto, tem erros, e também a direita, não está 100% errada. Isso é democracia, você aceitar que nem sempre você está certo. Apoio a esquerda, mas é preciso existir direita, para que não haja ditadura de esquerda, e sempre é preciso existir a esquerda para que não haja ditadura de direita, pois ambos acham que estão 100% certos, quando na verdade há erros de ambos os lados. A direita com mais erros, mas a esquerda se perde em pontos bobos.

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    Moiara

    10 de outubro de 2017 às 12h20

    Emerson, você é uma espécie de idiota. Sei que deve estar tentando descobrir como eu sei disse. É bem facinho: quando uma pessoa acredita, só porque Bolsonaro falou, que uma criança tocar um homem nu é pedofilia, ela é um idiota perfeito. Pedofilia é uma sociedade que criou a equação NU = SEXUAL, o que para outros povos é simplesmente ridículo. Temos que destruir essa cultura ignóbil feita de idiotas para idiotas.

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