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Uma teoria psicológica sobre o lulismo juvenil de Bretas

Por Pedro Breier

06 de junho de 2018 : 19h00

(De lulista a morista: Bretas oferecendo pipoca a Sérgio Moro)

Por Pedro Breier

Obrigado pela sua postura no depoimento. É relevante a sua história para todos nós. Para mim, inclusive, que aos 18, 17 anos estava aqui num comício na avenida Presidente Vargas com 1 milhão de pessoas. Vivíamos um momento diferente no país. Estava lá, usando boné e camiseta com o seu nome.

As palavras acima foram proferidas pelo juiz Marcelo Bretas e dirigidas a Lula, durante depoimento realizado ontem (5) por videoconferência. Lula, com seu bom humor habitual, disse que chamaria o juiz para participar de um próximo comício.

Ao tomar conhecimento desta estranha manifestação espontânea de Bretas, lembrei-me imediatamente das acaloradas discussões que tomaram o Brasil no período que precedeu o golpe de 2016.

A partir de 2015, o antipetismo histérico atingiu seu ápice. Era comum, então, que os favoráveis ao impeachment antecedessem seus argumentos com colocações ao estilo Bretas.

“Eu sempre votei no Lula” ou “eu fazia campanha pro PT” virou uma espécie de salvo-conduto autoconcedido para posicionar-se a favor do golpe.

Na época, uma amiga me contava, aos risos, de uma colega de trabalho que sempre precedia seus posicionamentos reacionários com um “Eu fui fundadora do PT!”.

Até no filme sobre a Lava Jato essa espécie de justificativa aparece. Em uma cena, o pai de um dos investigadores questiona o filho sobre a seletividade da operação e este responde: “Quem cai na nossa mão é investigado. Até parece que eu não votei neles também. Eu fiz campanha, esqueceu?”

Tamanha recorrência do mesmo recurso “argumentativo” é bastante interessante, a ponto de este colunista pedir licença aos leitores para lançar uma tese psicológica de botequim sobre o tema.

A minha teoria é a seguinte: no fundo, bem no fundinho, no nível subconsciente, o antipetista atávico sabe que seus posicionamentos políticos decorrem de sentimentos nada nobres como o ódio de classe e o racismo.

O ódio das classes média e alta, usado como combustível para a derrubada do governo Dilma, nunca foi ao PT especificamente, mas à ascensão social que os governos petistas representam no imaginário popular – e, em boa medida, na prática.

Sabendo disso, ainda que inconscientemente, a mente do antipetista tenta, de forma instintiva, esconder essas motivações profundas para dar um ar de legitimidade aos seus posicionamentos conservadores/antipovo/antidemocráticos.

Daí o estrondoso sucesso da tática de alegar que sempre votou no PT, fez campanha ou até que usou boné e camiseta do Lula quando era jovem.

Quer dizer, o estrondoso sucesso passou.

Depois que o golpe mostrou a que veio, por meio do desastre que atende pelo nome de governo Temer, a tática saiu de moda, junto com as panelas e a camisa da CBF.

P.S.: Para quem quiser prescrutar os verdadeiros posicionamentos políticos de Bretas, aqueles que ficam (mal) escondidos sob o suposto lulismo juvenil, recomendo o artigo Os recados abertamente fascistas de Marcelo Bretas, do Miguel do Rosário.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve sobre política n'O Cafezinho desde 2016.

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25 comentários

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Rogério Bezerra

07 de junho de 2018 às 22h37

Passei aqui depois de alguns dias.
Fazes o mesmo que os Coxinhas, não reconhecendo o erro. No seu caso apoiar Ciro, a farsa.
Voltarei em 10 dias.

Responder

Pedro Vieira

07 de junho de 2018 às 13h24

Eu votei e vou votar novamente em LULA e no PT em 2018 e enquanto puder!
Quanta a classe média que se dane! Estar sempre preocupada com preços de gasolina e dólares, pois são os nossos sacoleiros americanizados!
Devem estar todos devendo cartão de crédito e cheque especial!

Responder

Vicente Gomes

07 de junho de 2018 às 12h10

Eu tenho teoria diversa. Puro cinismo oportunista. Bretas não teve responsabilidade (direta) no processo contra Lula. Bretas ostentou o símbolo máximo dos privilégios dos burocratas de toga (dois auxílios moradia em casa), no momento em que a classe esteve sob foco da mídia. Lula surfando na onda da popularidade. Por que não aproveitar o momento e angariar um pouco da simpatia que o “Sapo Barbudo” tem?

Responder

Jochann Daniel

07 de junho de 2018 às 12h03

Se querem um comentário
realmente psicológico
(e profundo)
é o seguinte:
O ser humano
precisa de um objetivo
(melhor ser outro ser humano)
para odiar.
O brasileiro,
de modo geral,
tem formação psicológica
com alta necessidade
de dissimular
seus ódios infantis.
É presa fácil de influências
que direcionem seus ódios
infantis
para outros objetivos
que não aquele
(ou aqueles)
escondidos
no seu inconsciente.
É presa fácil da Mídia,
Globo à frente.
E pensam,
os cabeças envenenadas
em relação a Lula
( a quem deveriam tratar
como herói):
EU TENHO
O IMENSO PRAZER
EM TE ODIAR,
E NINGUÉM
VAI TIRAR DE MIM
ESTE IMENSO PRAZER. …………

Responder

    Jochann Daniel

    07 de junho de 2018 às 12h24

    Em suma,
    é a Mídia que manda
    (na cabeça das pessoas).
    Ressalte-se
    que há muitos
    petistas históricos
    que não se deixaram
    influenciar pela Mídia
    pertencentes às classes
    mais elevadas,
    burguesia,
    ricos, etc. etc. etc.
    Entre os quais eu
    e muitos amigos e parentes
    nos incluímos.
    Com muito,
    muito orgulho
    do nosso
    muito muito muito querido
    LULA.

    Responder

      Jochann Daniel

      07 de junho de 2018 às 16h39

      Mas, é um fato,
      eu conheço muita gente
      das classes mais elevadas
      que votou no Lula
      e teve suas cabeças
      envenenadas em ódio
      contra ele
      a partir de 2013
      pela Mídia.
      É por isto que eu digo,
      é o efeito Mídia
      (Globo à frente)
      o mais forte e decisivo
      na mudança da cabeça das pessoas.
      Será que Bretas é um desses
      que teve sua cabeça envenenada,
      ou está mais para os “espertos”
      ( a qualquer custo,
      mesmo traição à Pátria)
      MOros da vida?

      Responder

Sergio Sete

07 de junho de 2018 às 09h59

“UMA TEORIA PSICOLÓGICA” …
“A minha teoria é a seguinte:”…
“Pedro Breier, colunista d’O Cafezinho, é formado em direito mas gosta mesmo é de jornalismo”

Ora ora, veja, o pseudo jornalista não é formado em Psicologia…. e anda discorrendo sobre teorias “psicológicas”…. está mais para teorias fundamentalistas para explicar o fanatismo em relação ao lulismo e ao presidiário Luis Inácio.

Responder

    Jochann Daniel

    07 de junho de 2018 às 12h10

    “Sérgio Sete”
    profissional da linguagem subliminar
    que lhe ensinaram
    (no instituto).
    Há sempre os boçais
    que traem
    seu próprio país
    em dólares (ou euros).
    Será o caso do “SS” em pauta?

    Responder

      Sergio Sete

      07 de junho de 2018 às 13h19

      Comentário em looping hermético.
      Falou falou, disse nada.
      Aprendeu no instituto com ela: “Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante”

      Responder

        Jochann Daniel

        07 de junho de 2018 às 16h28

        Agora tá comprovado….
        linguagem diversionista,
        confusa e complicada,
        para não ser entendida,
        e as pessoas se sentirem
        “burras”.
        Aprendeste bem
        hein
        ô “U$SS”???

        Responder

    robertoAP

    07 de junho de 2018 às 18h22

    Você leu o texto dele, do jeito que o Bolsonaro faria, ou seja, sem entender patavina e no final dar uma desculpa simplista e simplória sobre sua ignorância.
    Sempre me surpreendo com os coxinhas, que gostam de escrever , mas não conseguem juntar duas palavras que formem algum sentido lógico.

    Responder

Régis

07 de junho de 2018 às 09h11

Pedro, espetacular a sua abordagem! Tenho me deparado com esse discurso de “eu votei no PT” faz bastante tempo. Acho que é a mesma coisa de ” a culpa não é minha, eu votei no Aécio”. Tipo, “a culpa não foi minha quando votei no PT” e “não foi minha quando votei no Aécio”. A culpa é sempre dos outros. É sempre do petista, do esquerdista, do comunista, do pobre. ” Eu não sou nada disso, logo a culpa é sempre dos outros pelo fato de as coisas estarem sempre pior pra mim e por eu querer viver em USA”.

Em tempo: não sou petista de carteirinha mas confesso que a cada dia que passa me vejo um pouco mais petista por convicção mas nunca tive vinculo partidário. votei no Lula e na Dilma e confesso que caí no discurso da Fadinha uma vez por analfabetismo político. Tenho pavor eterno do Aécio e de tucanos e qualquer política e partido de direita. Cada dia com o Lula preso é mais um voto que quero para ele nas eleições. 1 não, 1000!

Responder

Estacio

07 de junho de 2018 às 08h59

É como o racista e o homofóbico…” Eu tenho muitos amigos negros, e gays…” Minha bisavó era negra”

Responder

FABIO

07 de junho de 2018 às 07h50

Esse cara, como a maioria dos coxinhas, é mais falso que nota de 3 reais. Lembrou muito a postura do sr. Gilmar Mendes.

Responder

Getulio Evangelista Neto

06 de junho de 2018 às 22h15

No meio disso tudo,percebe-se claramente que Lula é bem maior que todos eles… É a imagem da altivez em defesa do País, do povo brasileiro, dos aliados, da busca da verdadeira justiça e de si mesmo…

Responder

Pedro

06 de junho de 2018 às 21h59

E tem também aquele sujeito que conhece um amigo que trabalhou com Lula em São Bernardo e fala que naquela época já roubava , quanto escutar damanha falta de ideologia

Responder

    JOSE BATISTA NETO

    07 de junho de 2018 às 10h05

    Essa frase é já um bordão de sucesso. Deve ter sido construída em campanhas patrocinadas patrocinadas pelas máfias das montadoras desde os anos 70, num comportamento que lembra aquele da mulher do corno, naquela conhecida piada.

    A bela e formosa esposa de um conhecido e bem sucedido empresário estava de olhos interessados no seu melhor amigo. Depois de muitas sinalizações e insinuações, vendo que não havia reciprocidade, atribuiu o insucesso à timidez do melhor amigo do corno e partiu para cima. Partido para o ataque franco e aberto, chegou no cara e cantou abertamente na cara dura e ficou espantada com a recusa do felizardo, seu eleito. O cara não apenas recusou a tentadora oferta, como também esclareceu que era motivado pela lealdade ao amigo. A justificativa, além da recusa, não só ofendeu mas enfureceu mais ainda a esposa piriguete rejeitada. Como forma de vingança, contou a marido que estava sendo cantada de forma continuada pelo seu melhor amigo. O Corno naturalmente acreditou nela e brigou com seu, agora, ex-melhor amigo. Os grandes empresários das montadoras fizeram o mesmo. Não conseguindo comprar o poderoso adversário, jogaram sobre ele pesadas campanhas difamatórias, acusando-o de ter se vendido e, portanto, ser corrupto.

    Responder

Reginaldo Gomes

06 de junho de 2018 às 20h37

Também tenho uma teoria de botequim:
“A minha teoria é a seguinte: no fundo, bem no fundinho, no nível subconsciente, o antipetista atávico sabe que seus posicionamentos políticos decorrem de um sentimento terrível principal; e outros nada nobres como o ódio de classe e o racismo.
Esse sentimento infame e indecente é a INVEJA!!!!! O rico tem inveja do pobre!!!
Será possível???? Inveja de que????
E a culpa é do Lula e da Dilma. Eles beneficiaram bastante os pobres , porém, beneficiaram muito mais os ricos e o resultado disso é que a FELICIDADE E ALEGRIA dos pobre é muito maior que a dos ricos .
É esse o impasse . Por exemplo. A alegria de um rico que passou a voar de avião todo dia; é muito menor do que um pobre que passou a voar de avião nas férias , uma vez por ano.
É um defeito moral , uma falha de caráter, é muito pior que o ódio.
Então, como podemos ajudar os ricos????
Se os ricos ficarem remoendo essa inveja , irão todos morrer cedo de doenças auto imunes como câncer, diabetes, esclerose, etc … Só tem um jeito dos ricos terem mais alegria que os pobres. É eles a proporcionarem essa alegra aos miseráveis. Lula livre. Deus abençoe os ricos e os pobres.

Responder

    Pedro Breier

    07 de junho de 2018 às 08h59

    Hahaha muito boa teoria, Reginaldo.

    Responder

    robertoAP

    07 de junho de 2018 às 18h34

    Ótima teoria. Concordo e acrescento que além da inveja, o defeito talvez maior de todo reacionário,conservador e elitista é o “egoísmo”. Ele não suporta o tripé da Humanidade, que foi enunciado primeiramente pelo grande lulista Jesus Cristo, e o enumerava como: Caridade,Igualdade e Fraternidade.
    Todo coxa detesta Lula, Jesus e esses caras que teimam em sobrepor o trabalho ao capital e o emprego ao rentismo.

    Responder

Dorgival

06 de junho de 2018 às 20h35

Parabéns Jaciara! Você adota mesma “ técnica” do seu candidato Ciro, assopra e depois morde. Sua colocação soa tão falsa como uma moeda de mil reais. Votar no Ciro é um direito seu, agora seja pelo menos sincera e deixe de blá, blá, blá.

Responder

    Oblivion

    06 de junho de 2018 às 22h15

    Cara, acorda, teus inimigos são outros.

    Responder

Jaciara Siqueira Coelho

06 de junho de 2018 às 20h27

Quanto às manifestações inconscientes do dito juiz, acho que foram movidas pelo supereu. Culpa. Sabe que são outros interesses em jogo que fazem o encarceramento de Lula. Como um evangélico fdp, está atormentado pelo moralismo que ele próprio não pratica…Se Deus existisse, haveria o inferno, e ele queimaria por lá na eternidade. É que o merece , ele, Sergio Moro e os procuradores do MPF.

Responder

Jaciara Siqueira Coelho

06 de junho de 2018 às 20h18

Não achei que Lula foi paz e amor,não. Ele foi irônico com esse Juiz idiota, Bretas. E foi mais sagaz com a débil procuradora, fazendo-a repetir a pergunta e se referindo à mesma, apenas como procuradora. Altivo, seguro, irônico, bem diferente do lula paz e amor. Aprendeu que essa elite brasileira e seus representantes não merecem polidez. Claro que voltará a negociar com eles, é seu estilo de fazer politica, negociar e ganhar pelas beiradas. De qualquer maneira, não o libertarão para se candidatar. Por isso, Ciro Gomes 2018.

Responder

MARCELO SEVAYBRICKER MOREIRA

06 de junho de 2018 às 19h29

Muito bom o texto!!! Seria pra rir a fala do juiz (sic) Bretas, como todo o quadro do judiciário brasileiro, se não fosse trágico, quadro esse composto, em geral, de acéfalos elevados à condição de paladinos da moral pela mídia nacional. Mas me irrita igualmente o “Lulinha paz e amor”, confraternizando com idiotas e rindo do absurdo da sua própria situação. É a “esquerda” que a direita brasileira quer e gosta…

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