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Acordo entre PSB e PDT volta (aparentemente) a avançar

Por Miguel do Rosário

26 de julho de 2018 : 18h08

A postura do PSB nessas eleições é um dos grandes mistérios de fátima do ano. A cada semana, ou a cada dia, a imprensa fala uma coisa.

O dia de hoje, porém, parece ter sido positivo para aqueles que, dentro e fora do partido, defendem que o PSB não siga neutro e apoie a candidatura Ciro Gomes.

Na Convenção Estadual do PDT em São Paulo, hoje, Ciro Gomes informou que o partido irá apoiar a candidatura de Marcio França, do PSB, para o governo do estado. A notícia circulou bastante e pode ajudar a aplainar o caminho para a aliança entre as duas legendas.

E agora, ao final da tarde, o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Julio Delgado, publicou em suas redes uma carta aberta defendendo que o seu partido apoie oficialmente Ciro Gomes nas eleições deste ano. Reproduzimos a carta abaixo.

Pode-se dizer que a aliança entre as duas legendas, após um aparente recuo nos últimos dias, voltou a avançar. Vamos ver o que acontece nos próximos dias.

O PSB fará sua convenção no dia 5 de agosto. Uma reunião marcada para o dia 30, que prometia chegar a uma decisão sobre as alianças do partido foi adiada, aumentando o suspense.

O principal empecilho para uma aliança nacional entre PDT e PSB é o estado de Pernambuco, um dos mais importantes para este último, porque é onde a legenda nasceu, sob a égide de Miguel Arraes, fundador do PSB.

Importantes quadros do PSB, como Marcio Lacerda, de Minas, Rodrigo Rollemberg, governador do DF, senador Renato Casagrande, do ES, vem defendendo com muita ênfase a aliança com PDT.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, deu sinal verde para aliança com Ciro, ao dizer que, apesar de todo o respeito que tem pelo ex-presidente Lula, não veria problema em se aliar a outro candidato, se esta for a orientação do partido.

O governador de São Paulo, Marcio França, ainda é um mistério. Aliado de longa data de Geraldo Alcimin, tem dado sinais alternados, de apoio a Geraldo, pela neutralidade, ou dando sinal verdade para aliança com Ciro.

Analistas experientes tem tido muita dificuldade para interpretar para qual lado vai o PSB. Pelo jeito, teremos que conviver com o suspense até o dia 5 de agosto.

***

Carta aberta em defesa do apoio a Ciro Gomes

Por Julio Delgado, líder do PSB na Câmara dos Deputados
Em seu Faceook

Nos últimos dias, as articulações do PSB para a próxima eleição ganharam especial destaque na imprensa e atenção dos demais caciques políticos. Existe um clima de indefinição e ambiguidade com relação aos rumos do partido que tem preocupado dirigentes partidários, lideranças e pré-candidatos a deputado estadual e federal.
Inquieta a todos saber qual é o real projeto do ex-prefeito Márcio Lacerda. Ele ambiciona disputar o governo do Estado, ou tenta se cacifar, a partir dessa movimentação, para ser vice de Ciro Gomes, candidato do PDT à Presidência da República?

Esse foi o principal questionamento feito a ele por diversas lideranças do partido no nosso último encontro. Reiterei ao próprio Marcio Lacerda, em encontro que tivemos na última terça-feira, que precisamos todos de uma posição firme da sua pretensão política.

O que dirigentes estaduais, pré-candidatos e pré-candidatas, presidentes de seguimentos (Juventude, Mulheres, Sindical e Movimentos Populares) parlamentares do PSB e pré-candidatos demandam é uma definição.
Na atual conjuntura, manter nossa coerência é fundamental para os rumos do partido. Para o PSB, interessa coligação com legendas que integram o nosso campo político, tanto em Minas quanto no plano nacional. Interessa nos, no plano nacional, apoiar um candidato mais alinhado ao nosso campo político. Hoje, o candidato à Presidência da República que melhor representa nosso campo é Ciro Gomes (PDT).

Mais que manifestar minha simpatia à candidatura do PDT, como membro da executiva nacional do PSB, início minha articulação com nossas lideranças para levarmos nosso apoio aos pedetistas. E, conforme disse a ele no nosso último encontro, também trabalharei para construir a indicação de Marcio Lacerda como vice de Ciro Gomes.

Esse é um movimento que nos preserva a coerência política e programática. Diferentemente da hipótese de uma possível aliança com o MDB em Minas. Vejam bem: essa possibilidade contraria resolução do próprio PSB, aprovada no congresso do partido, que veta aliança com forças políticas conservadoras.

Não só tenho convicção de quem uma aliança com MDB em Minas não se viabilizará, por intervenção direta da executiva nacional do partido, como tenho certeza que, recebendo a convocação do partido, e o apelo de Ciro Gomes, Lacerda não se esquivará dessa missão.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Alan Cepile

27 de julho de 2018 às 12h47

O PCdoB não desistiria da candidatura própria sem uma união ampla com toda a esquerda, a Manuela já afirmou isso.

Ainda acho que a probabilidade maior é do PSB ficar neutro.

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    sandro

    27 de julho de 2018 às 16h18

    Petista torcendo contra a esquerda?

    Responder

    Sandro

    27 de julho de 2018 às 16h20

    Petista torcendo contra?

    Responder

JESSE DE CARVALHO ALVICO

27 de julho de 2018 às 11h13

Precisamos fortalecer essa possível aliança entre PDT, PSB e PCdo B para que não venhamos amargar eleição de Alckmin ou Bossonaro e ver todas as riquezas brasileiras nas mão de estrangeiros e a miséria tomar folego e dominar o nosso país.

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Ultra Mario

26 de julho de 2018 às 19h38

Espero que dê certo, também com o PCdoB.

Precisamos criar mais candidaturas viáveis e fortes de esquerda, para que o povo mantenha a fé na democracia.

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Darcy Brasil Rodrigues da Silva

26 de julho de 2018 às 19h12

A mídia, assim como os institutos de pesquisa, são parte do jogo político em curso, e mais do que informações, produzem fatos políticos destinados a favorecer os interesses de classe que representam. É do interesse da direita, das elites e de dua mídia pressionar para que o acordo entre o PDT , o PSB e o PCdoB não ocorra, posto que essa coligação, embora distante do formato ideal que deveria ter uma frente de oposição ao golpe, possui potencial para confrontar o conservadorismo vigente. Da mesma forma, não se deve levar a sério afirmações de chefes de institutos de pesquisa, como o Montenegro, de que o quadro eleitoral estaria consolidado, descartando a presença de Ciro no 2° turno , pois representa opinião viciada pelos interesses do mercado que ele, Montenegro, sabidamente representa, sendo somente uma tentativa espúria de influenciar as decisões das convenções do PSB e do PCdoB, buscando desqualificar a candidatura Ciro Gomes como viável, tentando derrotá-la antes do início da disputa, o que sugere a existência de temor em relação ao futuro desempenho de Ciro durante o curso do processo eleitoral. Para mim, a coligação PDT/PSB/PCdoB tende a se configurar, a ela podendo ainda ser agregada a legenda do Solidariedade, por força dos sindicalistas e da influência de Aldo Rebelo, que teria ampla aprovação pelas de todos se fosse indicado a vice nessa coligação possível.

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