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Palocci e a guerra jurídica contra Lula

Por Miguel do Rosário

08 de dezembro de 2018 : 10h59

Foi divulgado a íntegra do vídeo da delação de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda no governo Lula, no qual ele faz acusações graves ao ex-presidente, que ganharam manchetes de portais, revistas e cinco minutos no Jornal Nacional da última quinta-feira.

É importante salientar que o depoimento de Palocci não agrega nenhuma prova sobre seu teor, nem nenhuma testemunha, e que o ex-ministro está sendo beneficiado inclusive financeiramente por seu comportamento, visto que a justiça está lhe devolvendo dezenas de milhões de reais como “prêmio” por sua colaboração.

Aliás, o jogo de pressões sobre Palocci é muito pesado. O MPF fica todo o tempo ameaçando lhe tirar todo o dinheiro, pedindo aumento da fiança exigida, como a lembrá-lo de que, se ele não seguir o script à risca, ou seja, não manter o dedo acusatório na direção de Lula, perderá os benefícios que lhe foram concedidos, como a prisão domiciliar e a devolução de parte de seu dinheiro.

Abaixo, publicamos mais uma vez a nota da defesa de Lula sobre esse depoimento:

Leia a nota de Cristiano Zanin, advogado de Lula, sobre o depoimento de Palocci.

Palocci aproveitou de seu depoimento na ação penal 003754446.2017.401.4.01.3400 para, de forma inusual, tomar a iniciativa de fazer afirmações sem qualquer relação o processo, com o nítido objetivo de atacar a honra e a reputação do ex-presidente Lula e de seu filho Luis Claudio.

Ao ser confrontado pela defesa, Palocci teve que reconhecer que:

(1) recebeu benefícios de redução de pena e também patrimoniais com sua delação; (2) que um dos temas tratados em sua delação diz respeito a medidas provisórias; e que (3) foi advertido pela autoridade policial que firmou o acordo que se a narrativa do ex-ministro não for confirmada ele poderá perder os benefícios recebidos. Palocci, portanto, não é uma testemunha – que fala com isenção – mas alguém interessado em manter as relevantes vantagens que obteve em sua delação. O ex-ministro ainda reconheceu que as supostas conversas que afirmou ter mantido com Lula e Luis Cláudio não tiveram a presença de qualquer outra pessoa, não havendo, portanto, qualquer testemunha sobre a efetiva ocorrência dos encontros e do teor do assunto discutido.

Na verdade, Palocci sabe que suas afirmações são mentirosas e que por isso não poderão ser confirmadas por qualquer testemunha. Por isso mais uma vez o ex-ministro recorre a narrativas que envolvem conversas isoladas com Lula, expediente que já havia recorrido em depoimento prestado perante a Justiça Federal de Curitiba.

A despeito de tudo isso, não se pode negar que se trata de um dos ataques mais bem sucedidos do consórcio lavajatense contra o ex-presidente Lula, porque Palocci foi ministro da Fazenda do governo Lula, ou seja, é um delator de “prestígio”, e houve de fato uma relação financeira entre o lobista mencionado por Palocci, Mauro Marcondes, e o filho de Lula.

Luís Claudio, filho de Lula, admite ter recebido R$ 2,5 milhões da empresa de Marcondes, mas afirma que se trata de remuneração de uma consultoria de marketing esportivo.

Trechos de uma reportagem da G1 sobre o tema:

Mauro Marcondes era dono da Marcondes e Mautoni que, segundo relatório da Polícia Federal (PF), repassou R$ 2,5 milhões à LFT Marketing Esportivo, empresa de Luís Claudio Lula da Silva, por uma consultoria. Ainda segunda a PF, o conteúdo da consultoria foi copiado da internet. Esse pagamento está sendo investigado na Operação Zelotes.

(…)

A defesa de Luís Claudio afirmou em nota que o filho de Lula jamais tratou de qualquer medida provisória ou de atos de governo com Palocci ou com qualquer outra pessoa.

“Tampouco solicitou ou recebeu qualquer valor ilícito. Os valores por ele recebidos da Marcondes & Mautoni remuneraram serviços comprovadamente realizados na área de marketing esportivo e foram empregados na realização de um campeonato nacional de futebol americano amplamente divulgado, inclusive com a exibição de partidas por canais de televisão”, ressaltaram os advogados de Luís Claudio.

Abaixo, a íntegra do depoimento de Palocci.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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Valdeci Elias

09 de dezembro de 2018 às 14h13

Concordo. Sempre falei que o problema não é o CARA falar , que pobre não tem futuro, que o pobre é um peso para o Brasil e que por isso o Estado tem que gastar com Saúde e Educação . Nem o CARA propor publicamente a esterilização das mulheres pobres, castração dos homens, porque os filhos dos pobres não tem futuro, e não deveriam nascer.
O problema é ele ser votado. São as pessoas votarem nele, é que é o problema. Ele falando , é só mais um louco se expressando , Más quando o Povo vota nele, a Loucura vira Realidade .

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Fernando

08 de dezembro de 2018 às 12h19

O problema não é o Moro ser fingido e falso, o problema é grande parte do povo ser fingido e falso. Moro correu dos repórteres para não dizer nada dos Bolsonaros e o povo continua a falar que tudo é culpa do PT.
Palocci conta história que não tem o menor nexo causal. A história da MP das montadoras. Uma lida atenta ve-se que não há qualquer nexo na história entre filho do Lula x montadoras x Lula Após ter saído da presidência.
E o pior tudo e que torna a estória contada pelo Palocci completamente inverossímel. Ele não diz uma única palavra sobre nenhum banco de varejo tipo Santander, Bradesco, caixa, bb.
Se o Lula tinha tanto poder assim no governo Dilma por que não conseguiu sair candidato no lugar dela em 2014. PQ não conseguiu emplacar outro ministro da fazenda no lugar do Joaquin Levy.
Segundo Palocci houve fraudes em fundos de pensão, mas não tem nenhum diretor de grande banco envolvido, o Lula fez tudo sozinho. Palocci não fez nada e nem fizeram nada presidentes e diretores desses grandes bancos. Ah, vai ! Nem pra mentir presta.

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    Fábio Neumann

    12 de dezembro de 2018 às 16h45

    Muito engraçado tudo isso. Mais de 100 pessoas presas pelo Moro mas só o Lula é inocente e perseguido.

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