Juliana Brizola e Tulio Gadelha falam sobre o caso Tábata

Redes Sociais

As “crises” do governo Bolsonaro

Por Miguel do Rosário

25 de março de 2019 : 13h46

Quem acompanha a política brasileira há algum tempo sabe que desde o fim da ditadura e o advento da nova república, temos experimentado uma longa e dolorosa crise, apenas pontuada por felizes, mas brevíssimos, momentos de calmaria.

E agora chegamos ao final do terceiro mês do governo Bolsonaro, e já podemos reconhecê-la, nossa velha e ranzinza amiga.

A Folha divulga que o governo se reúne nesta segunda-feira 25 de março, para discutir… a crise.

É sintomático.

O governo não vai discutir o desemprego, a desindustrialização, a queda abrupta na produção mineral, o risco de novos rompimentos de barragem, os novos conflitos no campo, o aumento da violência nas cidades, a deterioração do sistema prisional brasileiro.

Não, nada disso. O governo vai se reunir para discutir a “crise política”, cuja face atual (amanhã será outra coisa, naturalmente) é o desentendimento crescente entre o Executivo e o Legislativo. Até mesmo os deputados do partido do presidente, aqueles que se elegeram quase que exclusivamente na onda do 17, e que, supostamente, seriam absolutamente leais às determinações vindas do Planalto, estão agitados, insatisfeitos e dando declarações rebeldes.

As estimativas do “Termômetro da Previdência”, monitoramento diário feito pela consultoria Atlas Político, apontam que o governo tem hoje apenas 92 votos garantidos: precisa mais 216 votos para conseguir os 308 necessários para aprovação da PEC. A oposição à reforma, por sua vez, já tem 142 votos, e precisaria de mais 63 votos para derrotá-la.

 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, perdeu a paciência com os desmiolados do Planalto, obcecados com pautas ideológicas com as quais, ele, Maia, assim como a maior parte dos liberais, nunca se identificou.

E agora não se sabe o que vai acontecer com a reforma da previdência, para desespero dos “operadores de mercado”, que olham para ela como se olhassem para uma pontuação num videogame.

O “mercado”, neste sentido, é o nosso equivalente do Estado Islâmico. Não está preocupado com possíveis vítimas de seus atos.

Seu objetivo é exclusivamente produzir um factoide midiático favorável a si mesmo, que gere picos especulativos e lucros instantâneos.

É claro que o dinheiro sai de algum lugar, e quando contemplamos o deserto da economia brasileira, com centenas de milhares de lojas fechadas nos últimos anos, dezenas de milhares de indústrias em concordata e mais de 60 milhões de nacionais com nome sujo na praça, a gente vê muito bem de onde saem os recursos que alimentam a ciranda financeira e os 100 mil pontos da bolsa de valores de São Paulo.

Ainda na imprensa de hoje, lemos que, em função das intrigas palacianas envolvendo a presença dos “olavetes” na pasta, os programas do ministério da Educação estão paralisados, atrapalhando a vida de milhares de escolas em todo país. É uma coisa irritante, porque o governo, além de não ter oferecido, até o momento, nenhuma proposta para melhorar a deficiente educação pública brasileira, ainda está atrapalhando o pouco que já temos.

Outra notícia de hoje é que o governo suspendeu, por dois anos, a avaliação nacional da alfabetização. A desculpa não poderia ser mais esfarrapada: o governo quer esperar a implementação de sua nova política de alfabetização, o que não me parece ter sentido nenhum, pois apenas será possível identificar futuros avanços no setor, e portanto, corrigir eventuais erros de rumo, se tivermos informações atualizadas e seguras sobre o grau de aprendizado das nossas crianças.

Uma das principais bandeiras do governo Bolsonaro era o foco no Ensino Básico, que, de fato, deixou muito a desejar nos últimos anos. No entanto, já eleito, o que o governo propõe? Até agora, a única notícia relevante na área foi a viralização de um vídeo, da titular da secretaria nacional de educação básica do ministério da educação, Ioleme Lima, anunciada como “número 2 do MEC” (já foi demitida), em que ela afirma que “a educação baseada em princípios é baseada na palavra em Deus”,  e “onde geografia, história, matemática” serão vistas sob “a ótica de Deus”.

Quando nos deparamos com esse tipo de coisa, é de se perguntar onde estão os tão falados “liberais”?

É um mundo estranho em que vivemos, em que a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir, socialista, feminista e ambientalista, apressa-se para implementar leis de renda mínima, citando um dos fundadores do liberalismo moderno, John Stuart Mill, ao passo que o governo Bolsonaro, eleito por forças supostamente “liberais”, enche o governo de fundamentalistas, conservadores e antiliberais.

Lemos hoje que Bolsonaro tem estimulado os quarteis a celebrarem no 1º de abril, com o maior ruído possível, o aniversário do golpe de 64, enquanto os próprios militares, tentando não agravar o clima de polarização, até mesmo para não atrapalhar o governo, dão orientações para que haja manifestações discretas.

O presidente acaba de voltar do Chile, onde sua passagem provocou enorme desconforto no país, tanto pelas manifestações do próprio Bolsonaro, com sua propalada defesa da ditadura Pinochet, quanto de seu braço direito, Onyx Lorenzetti, que, numa entrevista a uma rádio gaúcha, falou no “banho de sangue” no Chile, feito pela ditadura chinela, como algo necessário à estabilização econômica daquele país.

O Chile é um caso interessante. Sua economia atrasada, desindustrializada, baseada na exportação de minérios, sobretudo cobre, cuja exploração é feita (ó ironia) em grande parte por uma estatal, a Codelco, criada por Salvador Allende, e mantida por Pinochet, tornou-se “modelo” para o pensamento neoliberal brasileiro. Sua previdência, implementada após o “banho de sangue” mencionado pelo ministro de Bolsonaro, e que hoje paga metade do salário mínimo do país a mais de 90% dos aposentados chilenos, é também considerada “modelo” para o que se deseja fazer no Brasil.

Aqui temos um ponto que merece atenção. A esquerda brasileira, ainda atordoada pela derrota eleitoral e pelas ações grotescas do governo, tornou-se em grande parte espectadora passiva das guerras culturais movidas pelo governo contra a imprensa tradicional, descrita esquizofrenicamente pelo governo como “esquerdista”.

E aí corremos o risco de cair no mesmo erro que nos levou até aqui. Parte importante da esquerda resume sua ação à defesa de “valores democráticos”, tentando desesperadamente obter apoio da própria mídia, e deixando de lado a crítica ao “modelo econômico” adotado pelo Brasil desde a redemocratização, baseado num processo acelerado de desindustrialização, concentração bancária e transferência de riqueza da produção para o sistema financeiro.

Muito se fala em “cortina de fumaça”, referindo-se aos constantes e fúteis escândalos oriundos do bolsonarismo, quase sempre envolvendo a agenda dos costumes, de que o infame tweet do presidente durante o carnaval, é um dos exemplos mais bizarros. Entretanto, a maior cortina de fumaça de todas é justamente essa divergência entre Bolsonaro e o “establishment” (cujo porta-voz principal é a mídia corporativa). Ora, a política econômica de Bolsonaro é rigorosamente a mesma política econômica do establishment, da Globo, da grande mídia. Em termos macro-econômicos mais gerais, Bolsonaro dá continuidade à mesma política adotada por FHC, Lula e Dilma. O contraponto a essa política também não é o “socialismo”, ou não precisa sê-lo, necessariamente, ou pelo menos não com esse nome, e sim um regime econômico próprio, criativo, organizado sob os parâmetros mais adequados ao nosso desenvolvimento. É esse regime novo que devemos defender, desde já.

Para isso, precisamos tomar cuidado para não repetirmos a mesma aliança nefasta que fomos, de certa maneira, obrigados a fazer nos últimos anos, entre os anseios democráticos e o receituário neoliberal, e que teve, como consequência, a criação de um sistema econômico profundamente dualista, em que uma parte da população tem direitos trabalhistas, salário, previdência social, e a outra parte vive na precariedade.

Não podemos derrotar Bolsonaro para eleger um João Dória em 2022. Precisamos de uma estratégia que nos faça mobilizar uma massa crítica contra Bolsonaro, sem nos levar para o colo de um neoliberalismo supostamente mais “democrático”, e que, no fundo, apenas perpetuará nossa miséria por mais algumas décadas.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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26 comentários

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Miramar

26 de março de 2019 às 16h08

O fato é que os petistas podem tirar o cavalo da chuva. O fato do governo Bolsonaro estar fazendo água ainda antes do esperado, não diminuiu o antipetismo da sociedade, pelo contrário. Nem todo não tucano odeia o PSDB, nem todo não peemedebista odeia o PMDB, mas todo não petista odeia o Pt. Aliás, um erro de muitos é considerar o antipetismo uma força exclusivamente de direita. Eu pessoalmente me considero um progressista que já votou no Pt em diversas ocasiões e não votou em outras. Hoje eu posso dizer que não votaria mais no Pt em nenhuma hipótese. Pelo que observo, posso dizer que não sou o único.

Responder

Miramar

26 de março de 2019 às 15h59

O fato é que os petistas podem tirar o cavalo da chuva. O fato do governo Bolsonaro estar fazendo água ainda antes do esperado, não está diminuindo

Responder

Enfim... ALVÍSSARAS !!!

26 de março de 2019 às 11h03

Mais brigas de foice no escuro no Congresso Nacional… O PSL… Resumo da ópera: estão se despedaçando, é carne ensanguentada por tudo que é lado… CACHORRADA !
Fora Bolsonaro!
NÃO VAI TER REFORMA!

Responder

Alexandre Neres

26 de março de 2019 às 10h31

Uma frase totalmente fora de contexto, mas sem dúvida chama a atenção não só pelo seu deslocamento quanto por ter sido colocada a dedo. Foi muito bem pensado pelo articulista colocar FHC, Lula e Dilma no mesmo barco, o do neoliberalismo, que detém a hegemonia nesta quadra infeliz da história, ao passo que enquanto isso o neotrabalhismo está se autoproclamando a terceira via, apesar de todo mundo já ter visto este filme antes. Miguel como de costume está fazendo proselitismo político e não deixa de dar suas alfinetadinhas, na medida em que seu objetivo número um é desbancar o PT da hegemonia da esquerda, entronizando Ciro Gomes, um bom quadro, que não fez o dever de casa e não conseguiu construir um projeto coletivo. Imaginem se acontecesse algo com o Ciro, o que não desejo, como o governo seguiria adiante? Ciro é personalista, bonapartista, particularmente não nutro muita simpatia por este tipo de político, embora reconheça seu valor como homem público.

O problema dessa démarche do Miguel e do Ciro é que deixa o campo livre para o governo atual, talquei?, enquanto a oposição fica digladiando entre si, em vez de desempenhar seu papel a contento. O governante mais despreparado, que representa um retrocesso civilizatório, um inepto que até hoje não desceu do palanque e não tem a menor ideia de como governar o país, tampouco tem noção da liturgia do cargo. Quando o Ciro não compreendeu os ensinamentos do saudoso Brizola, que pôs o Lula no colo, e colocou seus interesses pessoais acima dos da nação, indo flanar na Europa, perdeu credibilidade. Deve-se levar em conta que Collor perto de Jair Bolsonaro era um político tarimbado, um estadista.

Responder

    Nostradamus ( bacia & banquinho )

    26 de março de 2019 às 10h56

    Explicou melhor que o meu comentário. Parabéns! Enquanto que o Alan Cepile diz que fala o português mas, compara de forma ignorante o petismo ao bolsonarismo. Economia e política não fala coisa com coisa…

    Responder

      Alan Cepile

      26 de março de 2019 às 11h08

      Explicou melhor pq NÃO concordou com vc na comparação que o Miguel fez sobre os ex-presidentes da república e vc sequer notou… Depois reclama!

      Responder

        Nostradamus ( bacia, banquinho & porrete )

        26 de março de 2019 às 11h39

        Você se meteu na conversa para dar uma de puxa saco. O diálogo não era contigo, passou a ser. Reclamo sim. Reclamo mais um comentário para ficares com a sensação de sair por cima, de ter sempre a última palavra. Vai!

        Responder

          Alan Cepile

          26 de março de 2019 às 13h05

          O maluco cita meu nome e fala que eu não tô na conversa…. parei.

          Nostradamus ( bacia, banquinho & psiquiatras )

          26 de março de 2019 às 14h38

          O cara perdeu a vergonha completamente. Depois eu que sou o maluco. Fala desconexo assim na maior cara de pau. Eu citei seu nome agora, acima, mas, abaixo já tem vários comentários a respeito. Enrolão do cacete. Se achão…

    Gustavo

    26 de março de 2019 às 13h51

    “Imaginem se acontecesse algo com o Ciro, o que não desejo, como o governo seguiria adiante? Ciro é personalista, bonapartista, particularmente não nutro muita simpatia por este tipo de político, embora reconheça seu valor como homem público.”

    Vamos fazer o seguinte, troque ‘Ciro’ por ‘Lula’. “Imagine se acontecesse algo com o Lula?” Pois é, aconteceu. É uma lástima que Ciro não tenha um sucessor notório (embora haja tempo para formar um, e vejo uma articulação do PDT em torno do Túlio Gadelha e da Tábata Amaral para o futuro), assim como Lula não tem. Acho gozado taxarem Ciro de personalista, etc e não usarem os mesmos adjetivos pro Lula.

    A comparação com Brizola é descabida, na minha opinião. Na época Lula estava solto, seria candidato de qualquer maneira, e possivelmente o mais viável da esquerda. Em 2018 Lula estava preso, todos sabíamos que não seria candidato, todos sabíamos que nehum substituto teria a mesma força de Lula. Você acha razoável pedir que Ciro abrisse mão de sua candidatura para embarcar como coadjuvante nessa aposta arriscada? E esse papo de que ele assumiria a cabeça de chapa não cola. Se o intuito do PT fosse indicar um vice para Ciro deveriam tê-lo feito de princípio, e não armar toda essa pataquada.

    Sobre a hegemonia do PT na esquerda…o fato é que o PT vem amargando derrota após derrota. A eleição de Dilma em 2014 foi o último fôlego. Depois disso, não conseguiram impedir o impeatchment, houve uma redução no número de prefeituras administradas pelo partido em 2016, não conseguiram barrar as medidas de Temer, não conseguiram impedir a prisão de Lula, não conseguiram eleger Haddad, perderam cadeiras no parlamento. E além disso, Lula não é mais nenhum menino, o que você acha que acontecerá com o partido quando Lula morrer? Eu acho que o partido ficará perdido e pode levar anos até que outra liderança capaz de dar rumo ao partido surja. Te parece razoável apostar todas as fichas no PT nessas circustâncias? A mim, não. Portanto, acho salutar que os demais partidos de esquerda ganhem corpo, que se finde qualquer hegemonia e que possamos contar com diversar opções à esquerda.

    Responder

      Alan Cepile

      26 de março de 2019 às 15h52

      Vc definitivamente tem muita paciência pra falar com a petezada, rs.

      Eu já perdi essa paciência faz tempo…

      Responder

      Alexandre Neres

      27 de março de 2019 às 01h05

      Caro Gustavo, como parece que escreveu de boa-fé, resolvi te responder, pois aqui está cheio de minions e haters que só merecem o desprezo por apoiarem o deserto de ideias. Também não foi arrogante. Tem gente que tacha grupos dos quais discorda, coloca tudo no mesmo barco, como a turma que quer se desvincular dos supostos extremos, nivelando fundamentalistas radicais de direita e centro-esquerda. Dá pra entender, pois só assim e com reza brava é possível que um caudilho ou um messias consiga galgar postos mais altos. Devo antes avisar que levantou muitas bolas pra eu cortar, o que vou fazer aqui.

      O primeiro disparate é a comparação entre Lula e Ciro, é impossível não contextualizar isso historicamente. Lula vem de um partido, o PT. Tal partido do qual não faço parte, mas reconheço o seu valor, foi formado basicamente por três vertentes: intelectuais renomados, trabalhadores e ligações com a Igreja Católica, sobretudo as comunidades eclesiais de base. O PT sempre foi ligado a sindicatos, a movimentos sociais, foi construído coletivamente, portanto trata-se de um partido que tem uma base social. Antes de Lula tornar-se presidente, dizia-se que a força estava no partido e não nele. Contrariando todas as previsões, os cardeais do partido foram caindo um a um e Lula manteve-se de pé. Não há como deixar de fazer um comentário para ilustrar isso. No país de Maluf, Temer, Aecinho e caterva, o primeiro político condenado por corrupção em terras tupiniquins foi José Genoino. Isso é um achincalhe, espelha bem o que é o judissiário brasileiro, ou seja, vergonhoso. Se o PT hoje não tem líderes à altura para substituir Lula é porque sofreu uma caçada implacável de uma justissa carcomida que legitimou todos os golpes de estado e ditaduras que ocorreram por essas plagas. A cereja do bolo foi condenar sem provas o maior líder popular do Brasil de todos os tempos que saiu da presidência com apoio de mais de 80% da população. Permitir tal barbárie, ser conivente com isso é baixar a cabeça e aceitar que dentro em breve se revogue a Lei Áurea. Lula é um ser humano, com qualidades e defeitos, todavia é um líder nato que representa com maestria uma parte do povo brasileiro que sempre foi subjugada e que no seu governo passou a vislumbrar um lugar ao sol. Não há como deter a primavera!

      A comparação com Brizola por óbvio não é esta. Ciro tinha toda a legitimidade para ser candidato a presidente. Brizola à época tinha muito mais condições do que Ciro de chegar ao segundo turno em 1989. Ele e Lula disputaram palmo a palmo e mesmo assim não titubeou nem um segundo em apoiar o sapo barbudo. Com a ressalva de que o outro candidato era Collor, este perto do Bozo era um gentleman, iluminista, democrata, esclarecido etc. etc. etc. Não à toa o Freixo disse que Ciro saiu do primeiro turno grande e pequenininho do segundo turno ao abandonar o país e ir perambular na Europa ante a hecatombe Bolsonaro. Não ter apoiado Haddad no segundo turno seguindo a picada aberta por Leonel de Moura Brizola foi um erro crasso. Por fim, não há como comparar o PDT atual com o de Brizola. O PDT atual é um arremedo de partido que apoiou integralmente na Câmara Federal a intervenção no RJ, que votou dividido nas questões relativas à pinguela do futuro do desgoverno Temer. Pra não ser muito ácido, vou me abster de comentar sobre Tabata e Tulio, são muito crus, fraquinhos, talvez por ser muito jovem não sabe o que passa nos corredores por detrás de uma ajuda humanitária, vamos esperar que amadureça. Ciro pontuou muito bem esta questão. Tampouco vou questionar celebridade, haja vista a trajetória do Jean Willys que veio do BBB e foi uma grata surpresa.

      Sua afirmação de que o PT vem amargando derrota após derrota é uma falácia. Ser a maior bancada da Câmara Federal depois de ser atacado diuturnamente pelo PIG foi uma façanha e tanto. Recomendaria que você procurasse uma frase célebre do Darcy Ribeiro, que era do verdadeiro PDT. Não raro eu me sinto muito mais à vontade em estar do lado dos derrotados do que dos supostos vencedores. Nas cinco últimas eleições presidenciais o PT ganhou quatro e perdeu uma com 45% dos votos válidos. Ciro Gomes teve uma votação acachapante no primeiro turno e ficou no patamar histórico dos 12%, teto que o persegue nas eleições presidenciais que disputou. Quem é mesmo ruim de voto? Abraço.

      Responder

Paulo

25 de março de 2019 às 20h07

A suposta crise nada mais é que a pressão dos meio financeiros, replicada pela Rede Globo “et caterva” em escala nacional, diuturnamente, para aprovarem a Reforma da Previdência. Até o Botafogo tomou rumo, engoliu seu orgulho, passou uma pomadinha no fiofó e “retomou o diálogo”. Notem como, agora, todos vão “conclamar ao diálogo, pelo bem do país”! Como dizia Brizola: “Eu conheço essa bugrada”!

Responder

kalifa

25 de março de 2019 às 19h34

Os CIEPs foram no Rio apelidados de “Brizolões”. Escolas grandes, espaçosas, algumas com piscina e quase todas com quadra de esportes. Escolas para as crianças entrarem pela manhã e sairem ao final da tarde. Alimentadas! Crianças fora das ruas aprendendo muito mais do que Português Matemática etc ; criancas se socializando. Hj pode até parecer “Cult”, mas naquela época em que foram apelidados os CIEPs ficaram “sendo” escolas de segunda linha. Eu sei que não é nada disso, na verdade! Mentira crimonosa! Porém, havia interesses poderosos para acabar com uma verdadeira política educacional voltada à maioria da população. Política real ! Ainda existem e resistem! Na minha opinião os CIEPs ou outro projeto escolar similar continua sendo necessário atualmente. Escolas bem estruturadas é base , BE-A-BA, sine-qua-non a qualquer política pública ou não, educativa. Sem escolas disseminadas pelo Brasil, milhares, assim estruturadas, teremos crises atrás de crises.

Responder

Carlos Eduardo

25 de março de 2019 às 15h24

Esse “Termômetro da Previdência” da forma como está hoje é completamente ilusório.
Nos 142 que são contra já estão computados todos os parlamentares de centro-esquerda, sem exceção.
Dos 279 que se dizem indefinidos ou parcialmente favoráveis, a esmagadora maioria está apenas ganhando tempo, perceberam que o governo é fraco e estão fazendo pressão psicológica pra ver no que podem se beneficiar, são 279 sanguessugas esperando a vítima, só isso.
No primeiro momento já saíram ganhando, pois este governo fraco, previsível como sempre, já copiou o governo anterior, igualmente fraco (porém nem tanto) e soltou emendas parlamentares.

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Sérgio Araújo

25 de março de 2019 às 15h18

Avanços sociais de quem ?

Responder

Alan Cepile

25 de março de 2019 às 15h12

Excelente texto Miguel, um dos seus melhores, e nota-se, pelos comentários, que incomodou a bozolândia e a petezada que insiste em ver Ciro até onde ele sequer foi citado.

Petismo e bozonarismo, duas faces da mesmíssima moeda.

Responder

    Zé Maconha

    25 de março de 2019 às 15h25

    A linha de pensamento do Miguel claramente indica que ele dá a entender que Ciro seria a única saída.
    Saída para uma política econômica que o próprio Ciro defendeu por duas décadas.
    Não sei quanto ao Nostradfamus mas os únicos istas que eu sou são: humanista , ateísta e santista.

    Responder

      Alan Cepile

      25 de março de 2019 às 15h41

      O texto não sugere absolutamente nenhum nome, nem sequer nas entrelinhas, aliás, talvez nas entrelinhas de petista obcecado como o teu colega que citou Ciro e sequer compreendeu que os citados de verdade compartilham algo em comum, uma tal presidência da república, onde a crítica foi muito bem colocada, pois de FHC pra cá o modelo econômico mudou de seis pra meia dúzia. Onde entra Ciro nisso??? O petismo perdeu a noção…

      Responder

        Nostradamus ( banquinho & bacia )

        25 de março de 2019 às 17h23

        Sai daí ô anjinho barroco… inocente. Precisaria estar escrito o nome com fotografia 3 X 4 ? É preciso saber ler e interpretar direito. Olha as questões que ele coloca, que deixa em aberto, que reclamam reflexão… Cada um mesmo! Depois sou eu, digo, petista que é fanático… só vocês entendem de economia! Vão cachimbar formigas!

        Responder

          Alan Cepile

          25 de março de 2019 às 18h21

          Desculpe, eu só falo português.

Zé Maconha

25 de março de 2019 às 14h59

Eu que fumo e o Miguel que fica muito louco.
1- Bolsonaro ainda não colocou política alguma em prática mas é claro que ele é um ultra-liberal , comparar com o PT ou mesmo FHC é loucura.
2- o PT manteve a política econômica de FHC sim e fez muio bem , houve uma década de forte crescimento e etabilidade econômica.
A diferença clara está no processo de melhora na distribuição de renda , provocada pelos avanços sociais.
Essa linha de pensamento de que FHC , PT e Bolsonaro são iguais e Ciro é o único salvador da pátria que pode resolver tudo é um insulto a inteligência dos leitores.
Aliás o próprio Ciro se diz o verdadeiro pai do real e apoiou a política econômica de Lula por uma década inteira.

Responder

    CezarR

    25 de março de 2019 às 20h48

    – Eu vejo Ciro Gomes!
    – Onde?
    – Em todos os lugares…

    Responder

Sérgio Araújo

25 de março de 2019 às 14h50

Se os jornais não inventarem uma crise por dia não tem nada para escrever, ainda mais a folha que parece mais uma revista de fofocas que um jornal.

Os esquerdofrenicos estão sem assuntos verdadeiros e concretos e precisam de alguma coisa qualquer para pegar carona.

Essa “crise” vai durar pelo menos mais 3 anos e 9 meses, até um governo de esquerda um da ganhar as eleições tirando todo mundo do SPC.

Responder

Bsmelo

25 de março de 2019 às 14h34

A crise real do governo BOLSONARO resume-se em apenas tres causas :
A- PAULO GUEDES , mentiroso , fugitivo da greenfield da PF ;
B- QUEIROZ outro fugitivo com elos claros com a milícia e gestor de comissões sob salários do clã familiar ;
C- OS GENERAIS não querem e não baterão continência para um CAPITÃO sem cultura , valores , projeto de desenvolvimento E MUITO MENOS CAIRÃO NA IDÉIA DE UMA DITADURA do CLÃ BOZO .

Responder

Nostrtadfamus ( bacia & banquinho )

25 de março de 2019 às 14h28

Li tudinho. Iria parabenizar, dar dez com estrelinhas mas, no final, não sei por que cargas tens que espetar o PT, vem aquela frase dissonante… ” Bolsonaro dá continuidade a mesma política utilizada por FHC, Lula, Dilma.” E o contraponto fica subentendido é o … Ciro! Acertei ? Tuno no contexto. Frase fora da realidade, não espelha a história. Conclusão meio forçada. mmmmmm digo, na baioneta.

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