Economistas discutem a desindustrialização no Brasil

EUA zeram compras da Venezuela que aciona novos parceiros

Por Tulio Ribeiro

26 de março de 2019 : 22h15

Os Estados Unidos reduziram seus riscos de petróleo na Venezuela a zero, a informação vem da ” Energy Information Administration (EIA)” do país da América do norte.

A agência do governo dos EUA disse na quarta-feira que as importações de petróleo bruto da Venezuela tinham se esvaído, um dos principais fornecedores históricos dos EUA. O patamar foi a zero partindo de 587.000 barris por dia (bpd) no final de janeiro. Este fato é reflexo do plano da Casa Branca que implementou uma ampla gama de sanções, incluindo o petróleo, contra o governo do presidente da Venezuela de Nicolás Maduro.

Além disso, o EIA revelou que estoques de petróleo caíram 9,6 milhões de barris na semana de 15 de março, em comparação com o aumento de 390.000 barris esperados pelos analistas, elevando os preços , petróleo a US $ 60 por barril no mesmo dia.

Em janeiro, Washington congelou todos os fundos de estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) e anunciou sanções contra a empresa, bem como o congelamento de bens na ordem de sete bilhões de dólares e bloqueio de todos os pagamentos emitidos por empresas estadunidenses, quando compram Óleo venezuelano

A petrolífera estatal Petróleos de Venezuela advertiu que as indústrias de petróleo estadunidense sofrerão a causa das sanções de Washington contra o petróleo venezuelano.

Em resposta às agressões econômicas do norte, Caracas anunciou que planeja desviar para Rússia e outros países o petróleo que inicialmente abastecia os EUA. O governo venezuelano também iniciou a mudança da sua filial da PDVSA Europa de Lisboa, a capital de Portugal, para Moscou, a capital russa.

Neste mesmo sentido, a PDVSA está se voltando para compradores menos conhecidos, desempenhando uma estratégia de vencer as sanções dos EUA que pressionam as principais refinarias e casas comerciais do mundo com capacidade de volume elevado de compras.

A Sahara Energy International Pte Ltd, a MS International Corp. e a Melaj Offshore Corp. estão entre os compradores que entraram para o portfólio comprando pela primeira vez do petróleo bruto venezuelano, de acordo com relatórios de expedição. O objetivo é carregar 3 milhões de barris em março e abril.

PDVSA recorreu à novos compradores depois de operadoras como Lukoil PJSC e Trafigura Group Ltd anunciaram que não negociariam mais com a PDVSA, depois que os Estados Unidos impuseram sanções mais duras no final de janeiro. As sanções equivalem a uma proibição de fato das importações estadunidense de petróleo venezuelano, o que levou as refinarias norte-americanas, incluindo Valero Energy Corp., LyondellBasell Industries NV e PBF Energy Inc., abandonar a cadeia de compras.

“Esses são tempos de desespero”, diz Mara Roberts Duque, analista da BMI Research. “A Venezuela exportará para quem estiver disposto a aceitar seus barris”.

O país caribenho está empreendendo um esforço adicional para vender seu petróleo, tentando realocar o destino de 37% de suas exportações de petróleo em 2018. Na prática procura encontrar novos compradores que possam ajudar a eliminar um excesso de 12 milhões de barris de petróleo venezuelano que flutua na costa do país, a maioria ainda sem contratos firmes.

A Sahara Energy, com sede em Cingapura, é outra empresa com possibilidades de negócios. Associada ao Grupo Sahara, ela possui operações em campos de petróleo na África, estaria procurando navios para entregar gasolina à Venezuela.

“É uma abertura para os independentes, já que alguns dos grandes jogadores são obrigados a rejeitar a Venezuela”, diz Paul Tessetti, diretor executivo dos mercados de petróleo bruto da IHS Markit, de Dallas. “É uma oportunidade, dado que o mercado de óleo pesado está ajustado e precisa de fornecedores”.

A Rosneft Oil Co PJSC tem levado cada vez mais o petróleo venezuelano e fornecendo combustíveis para o regime de Nicolás Maduro. A refinaria indiana Reliance Industries Ltd, que em fevereiro se tornou a principal compradora do petróleo venezuelano, limitou suas compras em meio a pressão dos EUA, e essas importações estão bem abaixo dos níveis contratados. A PetroChina Co Ltd é outra grande companhia a elevar seu volume, fechando março em patamar maior que o mês passado.

A produção de petróleo venezuelana caiu para um mínimo de 69 anos de 1.354 milhões de barris por dia no ano passado. A produção pode ter caído para até 600 mil barris por dia após os apagões que atingiram o país, embora já tenha se recuperado da pane elétrica.

O que se apresenta é uma processo de isolar a Venezuela pela AIE(Associação Internacional de Energia), instituição formada ainda na década de setenta pelos compradores de petróleo, que neste momento conta com apoio das corporações financeiras, muitas vezes originada destes países e gerenciada pelos EUA e UE.

Ainda não provocaram o ‘default’ na Venezuela, a engenharia financeira ainda não logrou êxito devido o apoio em diversos campos provenientes da Rússia e China, mas a política de encontrar novos compradores pode salvar os bolivarianos, além de diminui o poder das sanções no futuro provenientes do norte.

Tulio Ribeiro

Túlio Ribeiro é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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18 comentários

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helio dias horvath

27 de março de 2019 às 16h19

O comentário do prof. Túlio pede um reparo importante para a compreensão dos acontecimentos no país vizinho. De fato, o governo Maduro avisou, no ano passado, com uma prudente antecedência, que deixaria de receber, a partir de uma determinada data (janeiro de 2019), dólares em pagamento do petróleo exportado para os EUA, aceitando, porém, outras moedas de curso internacional. A medida foi percebida pelo sistema financeiro americana ( e inglês) como um desafio e uma ruptura com as práticas dominantes no mercado. Daí a reação trumpiana e de outras figuras de “menor cuantia”, como se diz em espanhol. Mas a reação americana foi além da indignação com a audácia venezuela que, de certo modo, deve acelerar o enfraquecimento do dolar no comércio entre as nações com o surgimento de alternativas menos custosas aos povos do mundo.
Daí a nomeação do deplorável Guaidó, a retenção e o roubo dos haveres da PDVSA e da Venezuela por parte dos EUA, as manobras do decadente Banco Central da Inglaterra com o ouro daquele país estocado em Londres e a gesticulação indecente do chamado presidente encarregado e a sabotagem que vem se seguindo.
Entretanto, a falta do óleo venezuelano já deve estar sendo sentida pelos EUA, conforme revela a estapafúrdia expectativa de Trump, Pompeo et caterva de uma queda próxima de Maduro, inviável diante da digna atitude do povo de seu país em apoiá-lo sem vacilações. Os EUA tem diante de si, a curto prazo, as alternativas de prosseguir usando suas reservas estratégicas ou provocar uma alta mundial do preço do petróleo crú em todo mundo, iniciando uma aventura militar contra a pátria de Bolivar.

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    ari couto

    27 de março de 2019 às 16h50

    Perfeito o seu comentário

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    Alan Cepile

    27 de março de 2019 às 17h09

    Curioso que quando americanos e ingleses roubam DESCARADAMENTE as riquezas de um país, isso é logo esquecido ou é disfarçado de algo bom para o mundo, coisas tipo invadir o Iraque pq há armas de destruição em massa (que nunca existiram).

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    Sergio Araujo

    27 de março de 2019 às 18h39

    Se o petroleo venezuelanso fizesse falra para os Estados Unidos eles mesmos teriteram aplicado sançoes e parado de comprar…?

    Duvido que faça alguma falta para os Estados Unidos (que sào entre os maiores exportadores de petrolèo do Mundo, talvèz o primeiro, e a exportaçào superou a importaçào no ultimo ano)…eu acho que estào se lixando altamente da Venezuela.

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      Alan Cepile

      27 de março de 2019 às 19h29

      A reserva de petróleo venezuelana, a maior do planeta, é mais de 15x maior que a americana.

      No more words…

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        Sergio Araujo

        27 de março de 2019 às 20h10

        Isso nào è novidade Alanzinho…

        Pararam de comprar è porque nào estào nem aì acho, se precisar compram em outro lugar qualquer, tem fila para vender pros EUA.

        Responder

          Alan Cepile

          27 de março de 2019 às 21h33

          Serginho…. A política externa do Trump em relação à Venezuela não corrobora nem um enésimo disso que vc tá falando, simples assim.

          Vc não é inocente o suficiente pra achar que, no quintal dos EUA, o Trump vai abrir mão da maior jazida petrolífera do planeta. Não é questão de precisar ou não do petróleo venezuelano, se trata de ter o poder, ou, pelo menos, preferência sobre ele e não deixar para os maiores adversários geopolíticos dos americanos, China e Rússia.

          Sergio Araujo

          28 de março de 2019 às 10h15

          Alanzinho,

          atè hoje alguem proibui a Venezuela de vender petroleo para China, Russia ou outros paises…?

Nostradamus ( bacia & banquinho )

27 de março de 2019 às 10h58

Engraçado… ” Tem que sair “… Imagina nos USA ou Brasil os presidentes fazendo apenas e somente apenas merda fosse assim simples… ” Tem que sair “… Ou esses comentaristas tem um defeito de fabricação ou se tornaram dementes com o passar da vida. Mas o sofrer amadurece o ser humano… então… é mau caratismo mesmo! Psiquiatra e se não quer Porrete !

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Paulo

27 de março de 2019 às 10h01

Esse Maduro só afunda a Venezuela. E tudo por uma ambição pessoal desmedida, ideologia barata e mal-sucedida no mundo inteiro. Não deu certo em lugar nenhum e não dará na Venezuela. Serão gerações de venezuelanos que continuarão sob severa privação econômica, sem direitos políticos e de livre expressão, para manter uma casta de privilegiados no poder. Ele precisa sair!

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    Sergio Araujo

    27 de março de 2019 às 10h43

    Quer imitar Fidel e manter algum contato com China e Russia para ganhar uns trocados a mais.

    Vai ser mais um que entrarà nos livros das faculdades brasileiras.

    Responder

      Paulo

      27 de março de 2019 às 12h11

      Quer imitar Chavez, que queria imitar Fidel, que queria imitar Lênin…

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        Sérgio Araújo

        27 de março de 2019 às 12h47

        Por aí vai…

        Lembrando que o Brasil está no Foro de São Paulo com elementos desse calibre.

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Sergio Araujo

27 de março de 2019 às 09h40

Venezuela è um cachorro morto, jà era.

Um Pais que possui e extrae essas quantidades de petroleo a decadas e cheag nesse ponto è pra là de ridiculo.

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Naldo

27 de março de 2019 às 01h06

Acho que os venezuelanos sofrem agora ,mas semeando um grande futuro

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    Roque

    27 de março de 2019 às 08h25

    Verdade. Assim que o Guaidó assumir o governo no lugar daquele sindicalista fanfarrão, um futuro brilhante abrirá para o tão sofrido povo venezuelano.

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    Ivan

    27 de março de 2019 às 10h02

    Rússia e China só crescem, e a Venezuela tende a crescer junto com a busca de novos mercados.

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Alan Cepile

26 de março de 2019 às 23h08

Os EUA importavam quase 600 mil barris/dia, é praticamente 5x o que a nossa principal unidade produz por dia no nosso país, é muito óleo, acredito que os americanos não vão sentir tanto, mas além de não terem mais esta quantidade, ela vai pros adversários políticos.

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