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Deputados driblam bolsonaristas e marcam reunião de urgência para enterrar voto impresso

Por Miguel do Rosário

15 de julho de 2021 : 16h37

A reunião ocorrerá nessa sexta-feira, às 15 horas, e o voto impresso deverá ser enterrado pela maioria esmagadora dos deputados da Comissão.

Abaixo, uma contextualização das últimas malandragens bolsonaristas no debate sobre o voto impresso.

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Diante da possibilidade de derrota na Comissão da PEC 135, também conhecida como do Voto Impresso, os deputados bolsonaristas tentaram uma malandragem: adiar a votação para depois de agosto.

Os bolsonaristas tinham um plano. Nesse período, eles mobilizariam sua base, disseminando a maior quantidade possível de fake news e teorias de conspiração, no esforço de promover a ideia de que as urnas eletrônicas não são confiáveis.

Nos últimos dias, a equipe da deputada Bia Kicis (PSL-DF) já postou 72 mensagens favoráveis ao voto impresso em seu grupo no Telegram.

O próprio presidente Jair Bolsonaro lidera a estratégia. Nos últimos dias, ele intensificou a campanha de deslegitimação do sistema eleitorado brasileiro, em seus discursos para motoqueiros e no cercadinho.

Bolsonaro tem vendido a teoria de que as altas autoridades judiciais do país conspiram para fraudar as eleições em 2022, para eleger Lula. A anulação dos processos do ex-presidente faria parte do “plano”.

Como ensina Bezerra da Silva, porém, malandro é malando, mané é mané.

Os partidos políticos não caíram nessa, e organizaram uma autoconvocação. Eles já haviam substuído vários membros da Comissão, com objetivo de derrotar o projeto. Querem pôr fim rápido e definitivo à campanha sórdida do governo de deslegitimar a credibilidade das urnas.

Dos 34 titulares da comissão, o requerimento de autoconvocação foi assinado por 21 deputados.

Em mensagem ao Cafezinho, o deputado Orlando Silva (PCdoB) disse que sua expectativa é de que os votos contrários ao Relatório do voto impresso cheguem a 23 votos.

A reunião deverá ser realizada nessa sexta-feira 16 de julho.

Orlando Silva fez um fio no Twitter em que explicita as razões pelas quais o projeto é pernicioso à democracia.

Para o deputado, trata-se de um “retrocesso sem paralelo”, que “abre as portas para toda a ordem de fraude eleitoral”,  “aumenta a instabilidade política do país”, e “representa uma terrível volta ao passado”.

Abaixo, o texto divulgado por Orlando Silva contra o voto impresso:

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Voto impresso é uma terrível volta ao passado

Por Orlando Silva

Pelo substitutivo do relator, o eleitor vota na urna eletrônica, imprime o registro do voto e o deposita em outra urna, após conferi-lo. A apuração dos votos seria pelo voto impresso e, havendo divergência, o voto eletrônico seria desconsiderado. Um retrocesso sem paralelo.

O voto impresso não é para auditoria, mas para contagem a urna eletrônica viraria uma mera impressora do voto. A apuração seria realizada pelos mesários em cada uma das mais de 500 MIL SEÇÕES ELEITORAIS do país.

Não há comparação entre voto eletrônico e impresso, tornando letra morta todo o aparato de segurança das urnas eletrônicas. A higidez do processo eleitoral passa a ser de responsabilidade quase que exclusiva dos cerca de 1,8 milhões de mesários que manipulariam as impressões.

Se a proposta for adiante, evidentemente será um convite à fraude. Como evitar erros ou manipulações dolosas na contagem que envolve milhões de mãos?

Haveria ainda um óbvio atraso na divulgação dos resultados, aumentando a instabilidade política.

Também haveria filas intermináveis, já que seriam impressos e cortados cada voto do eleitor. Evidentemente isso estimula o aumento da abstenção.

Aumentaria os custos e os desafios logísticos para a realização das eleições.

Além disso, haveria que se movimentar enormes contingentes das forças armadas e de segurança pública para a guarda e transporte.

Por tudo isso e muito mais, como se vê, a proposta configura, na prática, a volta do voto em cédula, abre as portas para toda a ordem de fraude eleitoral e representa uma terrível volta ao passado.

VOTO IMPRESSO, NÃO!

Vamos enterrar esse projeto e será amanhã, na Comissão.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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8 comentários

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Valeriana

16 de julho de 2021 às 07h45

O gado critica a ditadura em Cuba e pede ditadura aqui, problemas mentais graves.

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Kleiton

16 de julho de 2021 às 06h47

Os bolsoasnos estão tão desesperados que confundem exército com policia.

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Daniel

15 de julho de 2021 às 22h42

Quantas bobagens nesse texto por parte de quem nunca votou no papel…seria bom saber do que está falando antes de escrever tantas besteiras.

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Galinzé

15 de julho de 2021 às 22h40

“Haveria ainda um óbvio atraso na divulgação dos resultados, aumentando a instabilidade política.

Também haveria filas intermináveis, já que seriam impressos e cortados cada voto do eleitor. Evidentemente isso estimula o aumento da abstenção.

Aumentaria os custos e os desafios logísticos para a realização das eleições.

Além disso, haveria que se movimentar enormes contingentes das forças armadas e de segurança pública para a guarda e transporte.”

Nós países da Europa onde se vota no papel não há nada disso, são claras narrativas, falacias, blá blá bla inútil para tentar justificar uma posição claramente hipócrita.

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William

15 de julho de 2021 às 22h38

Transporte de que…?

Uma comissão de cada colegio faz a contagem e envia tudo por internet ao TSE.

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Kleiton

15 de julho de 2021 às 22h36

Para os asnos que não sabem e falam a toa…na Europa onde se vota no papel tem a Policia em todos ós colégios eleitorais.

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    O Demolidor

    15 de julho de 2021 às 23h20

    Aqui é Brasil….chamam milícia de polícia….

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Gilmar Tranquilão

15 de julho de 2021 às 18h20

“Exército fiscalizando as urnas” mas esse gado é retardado mesmo!! kkkkkkkkkkkkkkk

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