Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Freixo e Ceciliano na Igreja da Penha, em 16 de agosto de 2022. Foto: Twitter Ceciliano

Freixo tem 44% dos votos válidos na capital, segundo Ipec

Por Miguel do Rosário

16 de agosto de 2022 : 16h21

Segundo a pesquisa Ipec divulgada ontem, com entrevistas presenciais realizadas entre os dias 12 e 14 de agosto, o candidato Marcelo Freixo (PSB) lidera a disputa para o governo do Rio entre eleitores da capital, com 25% das intenções totais de voto, 12 pontos à frente do governador Claudio Castro, que tenta a reeleição, e tem 18%.

Em votos válidos, o percentual de Freixo chegaria a 44%, contra 32% de Castro.

Os outros candidatos se embolam num terceiro lugar muito distante. Rodrigo Neves, do PDT, por exemplo, que tem uma excelente estrutura de campanha, tendo conseguido o cobiçado apoio do prefeito Eduardo Paes e do PSD, pontua apenas 2% em votos totais na capital.

O Rio de Janeiro é o estado onde o peso eleitoral da sua capital é um dos maiores (quiçá o maior) do país. Segundo dados atualizados do TSE, o município do Rio de Janeiro tem 5,0 milhões de eleitores, ou 39% dos 12,8 milhões de eleitores no estado. A segunda cidade com mais eleitores do estado, Caxias, tem apenas 5% do eleitorado.

Niteroi, base eleitoral de Rodrigo Neves, corresponde a somente 3% do eleitorado fluminense.

No total do estado, Claudio Castro lidera, com 21% dos votos totais, contra 17% de Freixo e 5% de Rodrigo Neves.

Chama atenção os 4% do ex-governador Wilson Witzel, e os 3% de Cyro e Eduardo Serra. Alguns observadores costumam explicar as pontuações de Cyro e Serra como uma confusão de eleitores, desatentos na hora da pesquisa, e que pensam em Ciro Gomes e José Serra.

Quando se olha para os percentuais da espontânea, o destaque é para os 62% de indecisos, mas isso é relativamente normal em eleições estaduais, onde o grau de decisão é mais baixo e a formação do voto acontece tardiamente. De qualquer forma, é um quadro ainda de relativa incerteza. Claudio Castro tem 11% na espontânea, Freixo 5% e Rodrigo Neves 1%.

Nos demais municípios (ou seja, todas as cidades, exceto a capital), Claudio Castro lidera com folga, chegando a 23% dos votos totais, contra 12% de Freixo, 7% de Rodrigo Neves e 5% de Witzel.

Examinando os demais extratos da pesquisa, um dos trunfos da candidatura Freixo é sua performance entre os jovens até 24 anos, onde ele pontua 21%, mais do que o dobro dos votos de Claudio Castro, que tem apenas 10% nesse segmento. Rodrigo Neves está num distante sexto lugar entre os jovens, com somente 4%.

Freixo também lidera entre jovens com 25 a 34 anos, com 23% dos votos totais, contra 17% de Castro e 6% de Neves.

Outro aspecto forte de Freixo é sua pontuação entre eleitores com ensino superior, onde ele tem 28% dos votos totais, contra 25% de Castro. Rodrigo Neves pontua apenas 3% nesse extrato.

Entretanto, Claudio Castro lidera entre eleitores com ensino médio, com 20%, contra 13% de Freixo e 6% de Neves.

Outro segmento onde Freixo se destaca é na classe média, com renda familiar acima de 5 salários, onde ele pontua 27%, empatado tecnicamente com Castro, que tem 25%, e bem acima dos 6% de Neves.

Freixo e Castro empatam junto ao eleitorado feminino, com 17% X 16% dos votos totais, respectivamente. Neves tem apenas 3% junto as mulheres fluminenses.

Vale lembrar ainda que, também segundo a Ipec divulgada ontem, Lula tem 41% das intenções de votos totais, no Rio de Janeiro, contra 37% de Bolsonaro, 5% de Ciro e 2% de Tebet.

Conclusão

O cenário no Rio aponta para um disputado segundo turno entre Freixo e Castro. A eleição no Rio talvez seja a mais emocionante e nacionalizada do país. O estado é a origem política de Bolsonaro, e onde ele controla uma poderosa máquina política, especialmente a vinculada a organizações religiosas evangélicas.

O Rio de Janeiro é o estado que tem a maior proporção de evangélicos no eleitorado, em torno de 40%, e isso explica que Bolsonaro tenha melhor desempenho no Rio do que em São Paulo e Minas Gerais.

Freixo tem chances de vencer o pleito. Castro não tem aprovação sensacional, e a onda Lula, que já se nacionalizou, pode arrastar eleitores  para o lado do candidato do PSB.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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Marcelo Cavinato

17 de agosto de 2022 às 06h45

O Ceciliano tem que ajuda lo na baixada e o Dimas Gadelha em São Gonçalo. Isso muda tudo

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