Pesquisadores da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign criaram uma técnica inovadora que emprega ‘códigos de barras’ de RNA para mapear conexões entre neurônios com precisão de sinapse única.
Esse método, batizado de Connectome-seq, converte o mapeamento cerebral em uma tarefa de sequenciamento genético, tornando o processo mais ágil e escalável em comparação com abordagens tradicionais.
Em testes realizados com camundongos, a tecnologia identificou padrões de conectividade entre células cerebrais que não haviam sido documentados anteriormente, oferecendo um caminho promissor para a detecção precoce e o tratamento de doenças neurológicas.
O Connectome-seq funciona ao atribuir a cada neurônio um ‘código de barras’ de RNA exclusivo. Proteínas específicas transportam esses códigos do corpo principal do neurônio até a sinapse, o ponto de contato entre dois neurônios.
Ao isolar essas sinapses e aplicar sequenciamento de alto rendimento, os cientistas conseguem determinar quais neurônios estão conectados, possibilitando a construção de mapas detalhados de redes neurais em larga escala.
Boxuan Zhao, líder do estudo, comparou a técnica à engenharia de um computador, destacando a importância de mapear os circuitos da unidade central de processamento.
‘Nossa tecnologia consegue mapear milhares de conexões neurais simultaneamente, com resolução de sinapse única, algo inédito em métodos existentes’, declarou Zhao.
A pesquisa foi publicada na revista Nature Methods no dia 15 de março, conforme divulgado pelo portal da revista, e contou com apoio da Iniciativa Neuro-ômica do Instituto de Neurociências Wu Tsai da Universidade de Stanford, além de outras fundações.
Durante os experimentos, a equipe mapeou mais de 1.000 neurônios no circuito pontocerebelar de camundongos, revelando arranjos de conectividade que, segundo Zhao, não eram conhecidos pela ciência até então.
Ele também apontou que melhorias na técnica podem, no futuro, permitir o mapeamento completo do cérebro de um camundongo, abrindo portas para acelerar estudos sobre doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, e condições psiquiátricas.
Zhao enfatizou que métodos baseados em sequenciamento reduzem drasticamente o tempo e o custo de análises cerebrais, viabilizando a observação de diferenças entre cérebros distintos.
‘Se conseguirmos identificar o ponto fraco que desencadeia a progressão de doenças como Alzheimer, poderemos intervir diretamente nessas conexões para frear ou até impedir o avanço da condição’, explicou o pesquisador.
Os resultados obtidos sugerem que o Connectome-seq pode redefinir a forma como os cientistas investigam o cérebro, oferecendo uma janela mais clara para os intrincados caminhos que conectam os neurônios.
Com o refinamento contínuo do método, a expectativa é que ele se torne uma base fundamental para estudos futuros, contribuindo para avanços significativos no entendimento das funções cerebrais e no combate a doenças que afetam milhões de pessoas em todo o mundo.
Com informações de sciencedaily.com.


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