Uma equipe internacional de pesquisadores, liderada por cientistas da Universidade da Flórida, nos EUA, e do Trinity College Dublin, na Irlanda, revelou um avanço significativo ao desvendar como as células humanas absorvem a queuosina, um micronutriente raro e crucial para a saúde cerebral e a proteção contra o câncer.
O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences no dia 7 de abril de 2026, identificou o gene SLC35F2 como o responsável por transportar esse composto para dentro das células, oferecendo novas perspectivas para terapias relacionadas à memória, aprendizagem e combate a doenças oncológicas.
A queuosina, um composto semelhante a vitaminas, não é sintetizada pelo corpo humano, sendo obtida por meio de alimentos específicos e bactérias intestinais. Embora sua relevância seja conhecida há tempos, o mecanismo de absorção celular permaneceu um enigma por décadas.
O gene SLC35F2, anteriormente investigado por seu papel na entrada de vírus e medicamentos anticancerígenos nas células, agora é reconhecido como peça-chave na biologia saudável. Valérie de Crécy-Lagard, professora da UF/IFAS e uma das líderes da pesquisa, destacou que esse achado amplia a compreensão sobre como a dieta e o microbioma impactam a expressão genética no organismo humano.
Conforme noticiado pelo portal Science Daily, o trabalho contou com o suporte de instituições como os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, a Research Ireland e o Health and Social Care da Irlanda do Norte.
A queuosina atua diretamente na construção de proteínas, modificando o RNA de transferência, que auxilia as células a interpretar o DNA e produzir proteínas de maneira precisa. Esse processo é fundamental para funções cerebrais e regulação metabólica, além de influenciar respostas ao estresse e a progressão de tumores.
Vincent Kelly, professor da Escola de Bioquímica e Imunologia do Trinity College Dublin e coautor do estudo, explicou que, apesar de se saber há muito sobre os efeitos da queuosina em processos vitais, o caminho pelo qual ela é absorvida do intestino e distribuída às bilhões de células humanas era desconhecido até este momento.
A descoberta do papel do SLC35F2 preenche essa lacuna, permitindo que a ciência explore formas de otimizar a disponibilidade do nutriente no corpo para fins terapêuticos.
Descoberta inicialmente na década de 1970, a queuosina permaneceu por longo tempo à margem das prioridades científicas, apesar de seu impacto na saúde. Os pesquisadores envolvidos, provenientes de instituições como a San Diego State University, a Ohio State University, além de centros na Irlanda e Irlanda do Norte, acreditam que esse avanço trará um foco renovado sobre o composto.
A colaboração entre essas equipes reforça a importância de esforços conjuntos para superar desafios complexos da biologia humana, trazendo à tona dados que podem transformar abordagens médicas no futuro.
Com essa identificação do gene SLC35F2, abre-se um campo promissor para estudos que conectem nutrição, microbioma e saúde celular. A expectativa é que os próximos passos da pesquisa detalhem como intervenções baseadas na queuosina podem ser aplicadas clinicamente, beneficiando áreas como neurologia e oncologia.
O impacto potencial dessa descoberta abrange desde a melhoria de funções cognitivas até estratégias mais eficazes contra o câncer, marcando um ponto de inflexão no entendimento de um nutriente antes subestimado.


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