O Irã exige que Estados Unidos e Israel paguem compensação de 270 bilhões de dólares por perdas diretas e indiretas acumuladas desde o início do conflito. A vice-porta-voz Fatemeh Mohajerani detalhou a posição do governo em entrevista à agência russa RIA Novosti.
A estimativa abrange destruição em infraestrutura crítica do país. Refinarias de petróleo e gás, indústrias petroquímicas, siderúrgicas, de alumínio, centros de pesquisa, pontes, portos, ferrovias e usinas de dessalinização registraram danos extensos.
Universidades, hospitais e residências civis também foram atingidos em grande escala. O governo iraniano apresenta essa conta como base para as conversas em andamento com Washington.
Teerã estende as exigências de reparação a cinco países vizinhos. Bahrein, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia são acusados de ceder seus territórios para ataques contra o Irã.
Uma das propostas iranianas prevê a criação de protocolo para o Estreito de Hormuz. A medida permitiria taxar navios que utilizam a via estratégica como forma de recuperar recursos e afirmar soberania sobre a rota.
Mohajerani reconheceu que as dificuldades econômicas atuais impedem indenizações diretas a civis que perderam moradias. O tema das reparações integrou as negociações recentes em Islamabad e deve retornar nas próximas rodadas.
O setor aéreo iraniano acumula perdas relevantes com o conflito. Sessenta aviões comerciais saíram de operação, sendo vinte totalmente destruídos, com prejuízo superior a 300 trilhões de riais, equivalente a cerca de 190 milhões de dólares em 40 dias.
Aeroportos em Teerã, Tabriz, Urmia e Khorramabad sofreram danos significativos. A interrupção quase total dos serviços de internet gera perdas adicionais estimadas em até 80 milhões de dólares por dia.
O impacto diário afeta negócios, empregos e comunicações em todo o país. Autoridades iranianas vinculam essa conta ao custo geral do confronto.
A República Islâmica mantém que não fará concessões apressadas em seu programa nuclear. Um porta-voz da comissão de política externa do Parlamento advertiu que o cessar-fogo atual de duas semanas não será prorrogado sem reconhecimento dos direitos iranianos, inclusive sobre o Estreito de Hormuz.
A exigência de compensações forma o núcleo da estratégia de negociação de Teerã. O pacote inclui reparações financeiras, soberania sobre o Estreito de Hormuz, garantias de não agressão e preservação do direito ao enriquecimento nuclear.
Segundo a Al Jazeera, esses pontos representam os principais obstáculos para qualquer acordo duradouro com os Estados Unidos. A demanda coloca Washington diante de pressão para reconhecer o volume de perdas iranianas.
Até o momento não há sinal de que EUA ou Israel pretendam aceitar a cifra apresentada. As próximas conversas deverão definir se as reparações serão tratadas como ponto de partida ou permanecerão fora das possibilidades discutidas.
O Irã insiste que um cessar-fogo sustentável exige o fim da lógica de ataques unilaterais e sanções sem contrapartida. A posição reflete o cálculo de que apenas compensações concretas podem equilibrar as futuras relações diplomáticas.
Com informações de aljazeera.com.
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