Uma equipe liderada por pesquisadores do City College of New York capturou, com precisão inédita, os primeiros lampejos ópticos de uma erupção provocada por um buraco negro — os momentos exatos em que surgiu atividade visível a partir do estado quiescente. Segundo apontou Earth.com, o Telescópio Espacial TESS observou o sistema AT 2019wey entrando em surto luminoso em 26 de novembro de 2019.
O brilho inicial teve origem próximo ao buraco negro, nas regiões onde o gás orbita em velocidades elevadas — a luz visível foi detectada primeiro, seguida por propagação gradual em direção à periferia do disco de acreção. Essa ordem de iluminação contradiz modelos anteriores que sugeriam um início simultâneo ou externo do fenômeno, indicando alteração na compreensão científica dos mecanismos de fissura e ativação desse tipo astronômico. A data do início foi aferida graças à cobertura quase contínua de 27 dias feita pelo TESS, que confrontou suas observações com os primeiros registros do sistema ATLAS.
O AT 2019wey trata-se de um sistema binário de raios-X, no qual um buraco negro atrai matéria de uma estrela companheira, formando um disco de acreção cujas regiões internas emitem raios-X intensos. A descoberta demonstra que, antes da explosão visível, ocorre instabilidade central — uma erupção “inside-out” — confirmando que as regiões mais próximas do horizonte de eventos produzem as fagulhas dessa ativação cósmica.
Nas fases iniciais do surto, nenhuma oscilação repetitiva foi identificada no aumento de brilho acima de cerca de 0,48 milliJansky. Embora estudo anterior tenha sugerido ciclo de 1,3 hora durante o decaimento da erupção, esse novo dado reduz a probabilidade de existência de período estável nessa fase ascendente.
Outra revelação importante: o surto não foi extinguido após os primeiros lampejos. O sistema manteve-se brilhante durante longo intervalo, com diminuição gradual até final de 2025; projeções do modelo sugerem possibilidade de nova ativação em 2026. Esse arco estendido permite associar o início da erupção a processo contínuo, não evento isolado — indicando que parte do material do disco de acreção sobreviveu ao pico inicial de atividade.
Essas observações são excepcionais porque a maioria dos eventos similares é registrada apenas depois de estar em pleno desenvolvimento. A sensibilidade temporal do TESS — com capturas a cada 30 minutos durante semanas — possibilita mapeamento claro do instante em que a erupção emergiu, sem interrupções impostas por condições terrestres, ciclos de dia-noite ou clima.
O resultado desse estudo, publicado nos Research Notes of the American Astronomical Society, amplia não apenas o acervo científico sobre erupções de buracos negros, mas também refina modelos físicos que explicam como essas entidades expulsam energia, se alimentam e interagem com o entorno. Revela-se agora que para compreensão de buracos negros não é suficiente observar ocorrências externas — transforma-se em imperativo observar seu despertar desde o núcleo.


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