Naledi Pandor defendeu uma nova liderança global e a cooperação entre nações do Sul como forma de enfrentar a hegemonia dos Estados Unidos.
A ex-ministra sul-africana participou do programa Reframe, conduzido por Varsha Gandikota-Nellutla, coordenadora-geral da Progressive International e veiculado pela Al Jazeera. O episódio abordou a necessidade de transformar as bases do poder internacional.
Pandor ocupou seis pastas ministeriais desde o fim do apartheid e atuou como chanceler da África do Sul. Ela afirmou que a atual arquitetura global ainda carrega desequilíbrios profundos herdados do colonialismo e da Guerra Fria.
Essa concentração de poder político, econômico e militar em poucas nações impede que os países em desenvolvimento exerçam plenamente sua soberania nas decisões internacionais. Gandikota-Nellutla questionou se o mundo precisa de novos líderes ou de uma nova forma de liderança.
Pandor respondeu que o verdadeiro desafio está em transformar as bases do poder internacional por meio da solidariedade entre nações e do fortalecimento de instituições multilaterais mais representativas. Para ela, figuras individuais carismáticas não bastam — é preciso construir alianças coletivas.
A ex-chanceler destacou o papel ativo da África do Sul no BRICS, bloco ampliado que inclui Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e outros membros além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Ela apontou o desenvolvimento de mecanismos financeiros próprios, como o Novo Banco de Desenvolvimento, como medida concreta para reduzir a dependência do FMI e do Banco Mundial.
Pandor evocou a luta histórica contra o apartheid como exemplo de solidariedade internacional vitoriosa. Ela defendeu que o mesmo espírito de cooperação e resistência deve orientar os países em desenvolvimento diante das novas formas de dominação econômica e política que persistem no sistema atual.
Durante sua gestão no Ministério das Relações Exteriores, a África do Sul assumiu posição de destaque na denúncia de crimes de guerra e violações de direitos humanos. Foi sob sua liderança que o país apresentou à Corte Internacional de Justiça a acusação de genocídio contra Israel, reafirmando o compromisso com o direito internacional e com a causa palestina.
Gandikota-Nellutla ressaltou que a Progressive International trabalha para conectar movimentos e lideranças progressistas em torno de uma agenda de justiça social, sustentabilidade e soberania popular. Ela criticou o sistema centrado nos interesses das potências ocidentais por não oferecer respostas efetivas às crises de guerras, desigualdade e emergência climática.
Para as duas interlocutoras, a emergência de novas lideranças significa redefinição de valores profundos. O mundo precisa substituir o paradigma de hegemonia e competição por um modelo de interdependência e justiça que enfrente os desafios do século XXI sem reproduzir hierarquias coloniais.
O episódio sintetiza um chamado à reorganização do poder global. A multipolaridade surge não apenas como tendência inevitável, mas como exigência para um futuro mais equilibrado, pacífico e solidário.
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Karina Libertária
19/04/2026
Ah pronto, mais uma querendo reinventar a roda e falar contra os EUA, o país que mais gera opportunity no mundo! Se cada nação cuidasse de fazer o próprio dever de casa, em vez de culpar os outros, teria mais prosperity. Aqui em Miami a gente vê o que é eficiência de verdade, não esse mimimi antiamericano.
Mariana Ambiental
19/04/2026
Karina, eficiência pra quem? Essa “prosperity” de Miami é bancada por exploração e desigualdade que o próprio modelo americano exporta. Ecologia e soberania não são mimimi, são sobrevivência.
Tonho Patriota
19/04/2026
LÁ VEM MAIS UMA COMUNISTA QUERENDO MANDAR NO MUNDO! ESSA TAL DE NALEDI DEVE SER AMIGA DO LULA E DO FORO DE SÃO PAULO. FICA FALANDO DE UNIÃO CONTRA OS EUA, MAS NO FUNDO É TUDO PRA IMPOR O COMUNISMO GLOBAL E ROUBAR O NOSSO NIÓBIO! FAZ O L AÍ PRA VER ONDE ISSO VAI DAR!
Alice T.
19/04/2026
Tonho, comunismo global? Kkk calma, a Naledi tá falando de multipolaridade, não de revolução vermelha. O mundo só tá cansado de um país achar que manda em todo o resto — inclusive no nosso nióbio.
Silvia D.
19/04/2026
Interessante ver uma voz do Sul Global propondo uma nova liderança mais cooperativa. A hegemonia dos EUA já mostrou seus limites, inclusive na área da saúde, quando vimos desigualdade no acesso às vacinas. Precisamos de um mundo multipolar também para garantir que ciência e cuidado não dependam de interesses geopolíticos.
Beto Engenheiro
19/04/2026
Bonito discurso, mas o que resolve mesmo é investimento concreto. União do Sul é ótima ideia, mas quero ver ferrovia ligando África, Ásia e América do Sul, porto funcionando, energia barata. Sem obra, é só conversa bonita contra os EUA.
Evelyn Olavo
19/04/2026
Interessante ver Naledi Pandor colocar o dedo na ferida da hegemonia americana. O mundo precisa mesmo de novas vozes que falem em cooperação e equilíbrio, não em dominação. Tomara que esse discurso inspire ações concretas, e não fique só no campo das ideias.
Francisco de Assis
19/04/2026
É isso aí, companheira Naledi! Tá mais do que na hora do Sul global se juntar e construir um caminho próprio, sem abaixar a cabeça pros gringos. O mundo precisa de soberania e respeito mútuo, e o Brasil tem mostrado que dá pra trilhar esse rumo com dignidade e coragem.
Luciana
19/04/2026
Bonito falar de nova liderança global, mas aqui em casa o gás tá quase 150 reais e o cartão de crédito me come em juros todo mês. Enquanto esses grandes discutem hegemonia, o povo conta moeda pra fechar o mês.
Rick Ancap
19/04/2026
Lá vem mais um papo de “nova liderança global”, como se trocar um império por outro resolvesse alguma coisa. No fim, é tudo político querendo mandar mais na vida dos outros. O mercado livre já seria suficiente se deixassem as pessoas produzirem sem meter imposto e burocracia.
Jeferson da Silva
19/04/2026
Rick, fala isso porque nunca ralou 12 horas no chão de fábrica pra ver o “mercado livre” te pagar uma mixaria e ainda te chamar de empreendedor. Liberdade sem direitos é só outro nome pra exploração.