Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria identificaram que cianobactérias reaproveitaram um antigo sistema molecular de separação de DNA para funcionar como um esqueleto celular.
O portal ScienceDaily detalhou como esse mecanismo agora controla o formato das células desses microrganismos que provocaram a Grande Oxigenação. Um estudo publicado na revista Science revela que a evolução adaptou um mecanismo genético ancestral para definir a forma das células bacterianas.
As cianobactérias enriqueceram a atmosfera terrestre com oxigênio há bilhões de anos e permitiram o surgimento da vida complexa. Esses organismos participam dos ciclos globais de carbono e nitrogênio e se adaptam a ambientes que vão desde fontes termais e regiões polares até superfícies urbanas.
O pós-doutor Benjamin Springstein, do grupo do professor Martin Loose no Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria, liderou a investigação. A equipe trabalhou em colaboração com o Institut Pasteur de Montevidéu, a Universidade de Kiel e a Universidade de Zurique.
A espécie Anabaena sp. PCC 7120 funciona como modelo de pesquisa há mais de três décadas. Durante a pandemia de COVID-19, Springstein revisou a literatura e notou a presença do sistema ParMR nos cromossomos da Anabaena em vez de apenas nos plasmídeos.
Essa observação o levou a investigar se o sistema havia mudado de função na bactéria multicelular. Os testes demonstraram que o componente ParR abandonou a ligação ao DNA e passou a se conectar às membranas lipídicas internas.
O ParM cria redes de filamentos sob a membrana que formam uma camada de polímeros proteicos semelhante a um córtex celular. Esses filamentos crescem e colapsam rapidamente de modo similar aos microtúbulos encontrados em células eucarióticas.
O professor Florian Schur e seu aluno Manjunath Javoor empregaram criomicroscopia eletrônica para mostrar que os filamentos são bipolares e crescem nas duas extremidades. A exclusão do sistema das células vivas provocou a perda do formato retangular nas bactérias, que se tornaram arredondadas e inchadas.
Essa mudança confirmou o novo papel do mecanismo na manutenção da arquitetura celular e não mais na segregação do DNA. Os cientistas rebatizaram o sistema como CorMR para indicar sua função estrutural atual.
A pesquisadora Daniela Megrian, do Institut Pasteur de Montevidéu, analisou geneticamente o processo e identificou as etapas da transformação evolutiva. O sistema migrou do plasmídeo para o cromossomo e sofreu modificações no tamanho e na estrutura das proteínas.
Ele adquiriu afinidade pela membrana e passou a ser regulado por um conjunto adicional de proteínas específicas. Essas alterações converteram gradualmente um mecanismo de segregação genética em uma ferramenta de modelagem da forma celular.
O achado demonstra como as cianobactérias multicelulares desenvolveram maior complexidade morfológica ao longo da evolução. A descoberta reforça que a evolução recicla componentes moleculares antigos para novas funções e abre caminhos para avanços em biotecnologia.
Leia também: Cientistas mostram que enzimas conseguem “escrever” DNA do zero e abrem nova era da biologia sintética
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Adalberto Livre
21/04/2026
ISSO AÍ É MAIS UMA DESSAS COISAS DE “CIÊNCIA MODERNA” QUE EU NUNCA ENTENDO DIREITO! AGORA ATÉ BACTÉRIA TEM ESQUELETO? DAQUI A POUCO VÃO DIZER QUE É CULPA DO CAPITALISMO OU DO COMUNISMO, SEI LÁ! EU SÓ QUERIA UM TEMPO EM QUE DNA ERA COISA DE ESCOLA, NÃO DE NOTÍCIA!
Francisco de Assis
21/04/2026
Rapaz, a natureza é uma engenheira danada de sábia! Essas cianobactérias mostrando que até o DNA pode virar estrutura de sustentação, é a prova de que a vida se reinventa o tempo todo. Enquanto isso, tem gente por aí negando ciência e achando que o mundo começou em 2018… O Brasil precisa é seguir firme na valorização da pesquisa e do conhecimento soberano!
Evelyn Olavo
21/04/2026
Impressionante como a natureza encontra soluções criativas antes mesmo da evolução “inventar” estruturas mais complexas. Essas descobertas mostram o quanto ainda sabemos pouco sobre a origem da vida e a engenhosidade das bactérias. Ciência boa é essa que desmonta nossas certezas e abre novas perguntas.
Maura Santos
21/04/2026
Perfeito, Evelyn! A ciência é tipo o transporte público da natureza: sempre tem uma rota alternativa que a gente nem sabia que existia — e quando descobre, muda todo o mapa.
Luciana
21/04/2026
Interessante ver como até as bactérias conseguem se reinventar! Enquanto isso, a gente aqui penando pra pagar o gás e o cartão. A ciência avança, mas o bolso do brasileiro continua no século passado.
Vanessa Silva
21/04/2026
Achei incrível como a própria natureza consegue reciclar estruturas complexas para novas funções. Esse tipo de descoberta mostra o quanto a evolução é eficiente e adaptável — e como ainda temos muito a aprender com esses sistemas biológicos para aplicar em biotecnologia e até no planejamento urbano sustentável.
Eduardo C.
21/04/2026
Interessante ver como até organismos tão simples conseguem reaproveitar estruturas moleculares com tanta eficiência. Mostra que a evolução é, no fim das contas, uma questão de otimização de recursos — algo bem matemático, aliás. Gostaria de ver os números por trás dessa pesquisa, principalmente sobre a taxa de mutações envolvidas.
Sgt Bruno 🇧🇷
21/04/2026
Selva! Esses cientistas ficam inventando moda pra parecer que sabem mais que o Exército da natureza. Cianobactéria agora com “esqueleto celular”? Daqui a pouco vão dizer que o DNA é comunista! Tudo conversa pra boi dormir, o que vale mesmo é disciplina e ordem, não essas teorias de laboratório.
Zizi
21/04/2026
Ah, meu caro Sgt Bruno, a ciência não inventa moda — ela descobre o que já estava ali, quietinho, muito antes do Exército e da sua “disciplina”. A natureza é comunista sim: tudo se organiza em conjunto, sem patente, sem hierarquia.
Clarice Historiadora
21/04/2026
Incrível como a biologia sempre dá um jeito de reciclar suas próprias invenções — as cianobactérias basicamente fizeram engenharia evolutiva antes de ser moda. Isso desmonta aquela visão simplista de que a vida “nasceu pronta”. A natureza é a maior hacker que existe.
Renato Professor
21/04/2026
Impressionante como a natureza recicla seus próprios mecanismos! As cianobactérias, que já moldaram a atmosfera terrestre, agora nos ensinam que até o DNA pode virar estrutura. É o tipo de descoberta que desmonta o simplismo dos negacionistas — a vida é um laboratório de inovação contínua, não um manual fixo.
Alice T.
21/04/2026
Incrível pensar que umas bactérias minúsculas já estavam fazendo engenharia molecular antes de existir qualquer bilionário querendo “reinventar a vida” em laboratório. A natureza resolve tudo com eficiência e zero marketing — e ainda sobra pra ensinar os humanos o que é inovação de verdade.
Karina Libertária
21/04/2026
Ah pronto, agora até bactéria tá fazendo upgrade! Enquanto o povo no Brasil fica dependendo de bolsa isso e bolsa aquilo, as cianobactérias estão inovando e investindo no próprio sistema. Aqui em Miami a gente chama isso de mindset, baby!
Rubens O Pescador
21/04/2026
Karina, mindset bom mesmo é o da dona Maria aqui do interior, que planta feijão e põe comida na mesa sem precisar de Miami pra sobreviver. Quando o povo tinha apoio e crédito no campo, o Brasil inteiro produzia — até as cianobactérias ficavam com inveja.