A Colômbia sedia em Santa Marta uma conferência internacional destinada a acelerar o fim das energias fósseis, reunindo cerca de 55 delegações de diferentes continentes em busca de uma transição energética justa e equitativa, segundo o portal RFI.
O encontro é co-presidido pelos Países Baixos e foi concebido para superar impasses em negociações climáticas anteriores à COP30 de Belém. A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, explicou que o fórum reúne apenas governos dispostos a discutir seriamente a transição energética.
Vélez Torres afastou céticos e lobistas do setor fóssil do debate principal. Ela defendeu que o formato flexível e colaborativo pode gerar um efeito multiplicador sobre outras nações dispostas a avançar.
Participam do evento países africanos como Nigéria, Senegal e Tanzânia, além de Bangladesh, Vietnã, Chile e Panamá. A União Europeia enviou representantes técnicos, enquanto França, Alemanha e Espanha marcam presença no segmento ministerial.
Grandes produtores de petróleo como Austrália, Canadá e Noruega também comparecem ao encontro em Santa Marta. As maiores potências fósseis — Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia, China e Índia — optaram por não participar das discussões.
Essa ausência permite um debate mais franco e direto sobre os caminhos da transição, segundo Vélez Torres. O painel científico de abertura conta com o cientista sueco Johan Rockström e o climatologista Carlos Nobre.
Rockström e Nobre apresentam orientações baseadas em evidências para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Um relatório preliminar elaborado por 24 especialistas recomenda o fim dos subsídios a fósseis, a proibição de novos projetos de exploração e restrições à publicidade do setor.
A Colômbia pretende lançar sua própria estratégia nacional de transição durante a conferência. O país já decidiu não conceder novos contratos de exploração de hidrocarbonetos, apesar dos custos fiscais e do rebaixamento de nota por agências de rating.
Organizações da sociedade civil como Oxfam e CCFD-Terre Solidaire defendem um novo modelo de financiamento global para viabilizar a mudança. Os países em desenvolvimento precisarão de até 2,4 trilhões de dólares anuais até 2030, enquanto apenas 35 bilhões estão hoje disponíveis.
O especialista Ryad Selmani considera urgente que as multinacionais do setor fóssil contribuam para esse esforço de financiamento. Os mecanismos de resolução de disputas entre investidores e Estados permitem que empresas processem governos por medidas climáticas mais rigorosas.
Críticos apontam que esses instrumentos funcionam como freio à ação ambiental e impõem custos elevados a países em desenvolvimento. Os organizadores não esperam uma declaração multilateral de grande impacto ao final do encontro.
Eles apostam que o relatório final elaborado pelas co-presidências sirva de base para futuras negociações na ONU. O documento buscará refletir a diversidade de vozes de povos indígenas, comunidades afrodescendentes, sindicatos e empresários presentes.
O contexto de choques energéticos globais recentes dá maior urgência ao debate sobre dependência de combustíveis fósseis. O Reino Unido, primeiro país a eliminar o carvão de sua matriz, anunciou um plano estrutural para reformar seu sistema energético.
O ministro da Energia britânico, Ed Miliband, declarou que a era da segurança baseada em combustíveis fósseis chegou ao fim. Ele defendeu uma transição pragmática que reduza riscos estratégicos e econômicos.
A especialista Katerine Petersen, do think tank E3G, vê na conferência de Santa Marta o início de uma nova fase de cooperação climática. Ela acredita que mesmo nações ausentes como a China não ficarão por muito tempo à margem desse debate central.
Leia também: Cresce apoio a roteiro para fim dos combustíveis fósseis
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Adalberto Livre
24/04/2026
MAIS UMA REUNIÃO PRA FALAR DE ACABAR COM O PETRÓLEO ENQUANTO TODO MUNDO CHEGA DE AVIÃO E AR-CONDICIONADO NO TALO!
Mariana Ambiental
24/04/2026
Adalberto, ninguém vai salvar o planeta de bicicleta e abanando o rosto — mas é justamente nessas conferências que se decide como reduzir o uso de petróleo de forma real, não só no discurso.
Clarice Historiadora
24/04/2026
Adalberto, essa sua lógica é tipo dizer que médico não pode falar de cigarro porque respira ar poluído. O fato de ainda dependermos de petróleo é exatamente o motivo da conferência — a transição não vai cair do céu, precisa ser construída, inclusive com ar-condicionado ligado.
Rubens O Pescador
24/04/2026
Adalberto, é igual reunião de lavrador pra falar de chuva: todo mundo chega de caminhonete, mas o assunto é fazer a terra dar fruto. O importante é começar a mudar o rumo, não fingir que não tem problema.
Augusto Silva
24/04/2026
Adalberto, é justamente por ainda precisarmos de avião e ar-condicionado que essas conferências existem — pra acelerar o dia em que eles funcionarão sem petróleo. Reclamar disso é como zombar do médico por usar remédio antes de curar a doença.
Karina Libertária
24/04/2026
Ah pronto, mais uma conferência pra gastar dinheiro público falando de “transição justa”. Quero ver quem vai pagar a conta quando desligarem tudo e faltar energia. Aqui em Miami ninguém vive sem ar-condicionado, baby… mas no Brasil acham que o sol e o vento vão resolver tudo!
Zizi
24/04/2026
Karina, minha filha, essa conversa de que energia limpa é “conto de fadas” é o tipo de frase feita que os meninos mal-educados das petroleiras adoram repetir. A transição energética não é um capricho, é uma necessidade civilizatória. O planeta já está cobrando a conta com secas, enchentes e calor insuportável — inclusive aí em Miami, onde o mar está subindo e a umidade vai transformar o ar-condicionado em item de sobrevivência, não de conforto. Então, veja, quem está pagando a conta da inércia não é o governo, é o povo, principalmente o mais pobre. E quando falamos em “transição justa”, não é papo de ONG tomando café em conferência, não. É política pública para que trabalhadores do carvão, do petróleo e do gás tenham alternativas, formação e emprego digno em novas cadeias produtivas. O Brasil, aliás, tem uma vantagem que muita gente ignora: nossa matriz elétrica já é majoritariamente renovável e temos sol, vento e água em abundância. O problema nunca foi falta de energia, e sim falta de vontade política e planejamento de longo prazo — coisa que os governos neoliberais, tão admirados pelos liberais de Miami, costumam desprezar. E sobre “quem vai pagar a conta”, te respondo com a franqueza mineira: quem vai pagar é quem sempre pagou — o povo trabalhador — se continuarmos presos ao petróleo. Só que agora há uma chance de virar o jogo, investindo em tecnologia, ciência e soberania energética. O que me espanta é ver gente bem informada defendendo o atraso, como se defender o futuro fosse uma ameaça. O que é caro, minha cara, é insistir num modelo que destrói o planeta e concentra riqueza. O resto é fumaça — literal e figurada.
Maura Santos
24/04/2026
Karina, engraçado você falar de “desligar tudo” quando quem defende privatização e corte em estatais foi justamente quem deixou o Brasil no escuro no apagão de 2001. Sol e vento não falham por má gestão, viu?