O Irã negou nesta segunda-feira (2) ter recebido qualquer “ultimato” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a assinatura de um novo acordo nuclear, mas confirmou que determinou o início de negociações com Washington. A informação foi divulgada por autoridades iranianas em meio a uma tentativa de reduzir a escalada de tensões entre os dois países.
Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã mantém disposição para a via diplomática, mas rejeita pressões diretas. Segundo ele, o país “atua com honestidade e seriedade nos processos diplomáticos”, porém “nunca aceita ultimatos”.
Apesar da negativa pública sobre qualquer imposição dos EUA, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian ordenou formalmente o início das tratativas com o governo norte-americano, de acordo com a agência estatal Fars. Uma fonte do governo confirmou que as negociações terão como foco principal o programa nuclear iraniano.
A decisão ocorre após dias de aumento da pressão por parte de Washington. Trump intensificou o discurso contra Teerã, voltou a exigir limites ao programa nuclear do país e autorizou o envio de mais de dez navios de guerra ao Oriente Médio. O regime iraniano, liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, respondeu afirmando que qualquer ataque militar será interpretado como o início de uma guerra.
Baghaei disse ainda esperar que o formato das negociações seja definido nos próximos dias e confirmou que países árabes atuam como mediadores na troca de mensagens entre Teerã e Washington. Segundo ele, pontos iniciais já foram discutidos e os detalhes finais sobre método e formato estão em fase de conclusão.
A mediação regional tem sido vista como um elemento-chave para a retomada do diálogo, especialmente diante do clima de desconfiança mútua. Autoridades iranianas evitam comentar o conteúdo das conversas preliminares, mas indicam que a prioridade é estabelecer um canal diplomático capaz de conter novas ameaças militares.
No domingo (1), Trump afirmou estar “otimista” quanto à possibilidade de um acordo, embora tenha mantido um tom de advertência ao dizer que, caso as negociações fracassem, “algo pode acontecer”. A declaração reforçou a estratégia de combinar pressão militar com sinais de abertura diplomática.
Segundo a agência semioficial Tasnim, existe a possibilidade de que as negociações comecem já nos próximos dias, ainda que data e local não estejam definidos. As conversas, de acordo com fontes do governo iraniano, podem envolver o chanceler Abbas Aragchi e o enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff.


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