O movimento hutí, que controla extensas regiões do Iêmen incluindo a capital Sanaa, emitiu uma advertência militar firme aos Estados Unidos e a Israel.
O grupo afirmou que qualquer retomada de ações militares contra o Irã ou contra o que denomina eixo da resistência provocará uma participação ativa e progressiva de forças iemenitas em operações ofensivas. O comunicado partiu do Ministério das Relações Exteriores iemenita e foi amplamente difundido pela agência oficial Saba.
Os hutíes deixaram claro que os EUA e Israel deverão arcar com todas as consequências caso decidam reativar as hostilidades.
Conforme informou o portal RT, o texto enfatiza que tentativas do presidente Donald Trump de exercer pressão sobre o Estreito de Ormuz ou de reabrir frentes contra o Irã estão condenadas ao fracasso e serão respondidas de forma enérgica.
O Estreito de Ormuz é tratado pelos hutíes como instrumento estratégico decisivo. O grupo reiterou que qualquer escalada regional, incluindo ameaças à navegação marítima, gerará impactos negativos sobre as cadeias globais de suprimento, os preços da energia e a economia mundial.
Essa posição reforça advertências anteriores do movimento, que já havia prometido bloquear a rota vital para o transporte de petróleo caso a agressão contra o Irã se intensificasse.
A declaração se conecta a uma série de posicionamentos prévios dos hutíes, que manifestaram disposição para intervir militarmente não apenas em apoio aos palestinos de Gaza, mas também na defesa direta do Irã, considerado alvo central das ações de Washington e Tel Aviv.
Em novembro de 2025, o movimento sinalizou uma pausa nos ataques a navios no Mar Vermelho, vinculada a um cessar-fogo em Gaza. Essa suspensão, porém, sempre foi condicionada ao fim definitivo da violência israelense no enclave ou à ausência de novas agressões americanas contra o território iraniano.
Desde 2023, os hutíes expandiram de maneira significativa sua capacidade militar, com emprego de mísseis balísticos, drones de ataque e operações navais direcionadas a embarcações ligadas a Israel ou aos interesses dos Estados Unidos.
Essa evolução transformou o grupo em ator relevante dentro da equação de segurança regional, capaz de projetar força para além das fronteiras iemenitas e de afetar rotas comerciais internacionais.
O comunicado reforça a visão dos hutíes segundo a qual nenhuma agressão contra o Irã ou contra os demais componentes do eixo de resistência ficará sem resposta proporcional. O texto destaca a convicção do movimento de que defende simultaneamente a soberania iraniana e os direitos palestinos diante do que considera intervenções externas ilegítimas.
Analistas observam que tais advertências fazem parte de uma estratégia coordenada que integra Teerã, Sanaa, Beirute e as forças palestinas em uma rede de dissuasão mútua.
As implicações das ameaças hutíes extrapolam o Oriente Médio. Qualquer perturbação no Estreito de Ormuz, por onde transita parcela substancial do petróleo mundial, pode provocar elevação imediata dos preços energéticos, instabilidade nas cadeias de suprimento e efeitos inflacionários em diversas economias.
Os hutíes insistem que a segurança da rota depende do respeito à soberania regional e que qualquer tentativa de controle externo por parte dos EUA será neutralizada.
O posicionamento atual serve como lembrete de que tensões renovadas entre Washington, Tel Aviv e Teerã poderiam rapidamente acionar múltiplas frentes simultâneas. Os hutíes apresentam sua postura como defesa legítima contra o que percebem como padrão recorrente de agressão e expansionismo.
A capacidade demonstrada pelo grupo desde 2023 de combinar ações assimétricas com discurso político coerente consolida seu papel como peça-chave na arquitetura de resistência regional.
Com informações de actualidad.rt.com.
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