O Irã enviou carta oficial ao secretário-geral da ONU, António Guterres, na qual exige que cinco países árabes paguem reparações integrais por terem permitido que os Estados Unidos e Israel utilizassem seus territórios e bases militares para lançar ataques contra solo iraniano.
O embaixador iraniano Amir Saeid Iravani anunciou o envio do documento, que acusa Arábia Saudita, Barém, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia de cumplicidade direta em ações consideradas violações graves do direito internacional.
Segundo Iravani, os Estados mencionados tornaram-se cúmplices de ataques armados ilícitos que visaram deliberadamente objetos civis. O governo iraniano cobra compensações totais pelos danos materiais e morais sofridos pela população e pela infraestrutura do país em decorrência dessas operações, que Teerã classifica como agressão ilegítima.
A exigência surge após bombardeios que atingiram centenas de civis, além de pontes, universidades, escolas e instalações de energia.
A República Islâmica respondeu a esses ataques com operações contra bases estadunidenses na região e contra infraestruturas críticas em Estados do Golfo, como oleodutos, aeroportos e portos. As autoridades de Teerã classificam tais medidas como exercício legítimo do direito de autodefesa previsto nas normas internacionais.
A carta enviada à ONU reforça que os países que abriram seu espaço aéreo e solo para forças estrangeiras não podem se eximir da responsabilidade pelos resultados dessas ações.
O documento rejeita ainda as acusações prévias que tentavam responsabilizar o Irã pelos danos de guerra. Iravani classificou essas narrativas como juridicamente insustentáveis e completamente desconectadas tanto dos fatos registrados quanto dos princípios do direito internacional.
A posição iraniana enfatiza que a facilitação ativa ou passiva de ataques contra outro Estado soberano gera obrigações de reparação.
Essa cobrança por compensações faz parte de um conjunto mais amplo de demandas diplomáticas e legais apresentadas por Teerã para encerrar o conflito atual. Entre as condições estão garantias concretas de segurança, o levantamento de sanções unilaterais, o reconhecimento de direitos soberanos e o pleno respeito à autoridade iraniana sobre o Estreito de Hormuz, via estratégica essencial para o comércio global de energia.
Conforme detalhou o portal RT, a carta expõe como os países árabes aliados dos EUA contribuíram para a escalada ao cederem suas bases para operações militares contra o Irã.
O episódio evidencia as fraturas profundas no Oriente Médio, onde alianças militares com Washington colidem com princípios de soberania territorial e não agressão. Ao levar o caso à ONU, o Irã busca não apenas compensação financeira, mas também o reconhecimento formal de que a utilização de territórios de terceiros para atacar outro Estado soberano acarreta consequências legais e políticas concretas em um contexto de crescente tensão regional.
Com informações de rt.com.
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