Quatro ataques em menos de 40 dias. O mais recente, a apenas 350 metros do reator. A usina nuclear de Bushehr — instalada pela Rosatom, operando desde 2011 com reator VVER-1000 — nunca esteve tão perto de um desastre radioativo.
Desde 28 de fevereiro, disparos atingiram estruturas auxiliares ou externas da usina. O ataque mais recente matou um guarda de segurança e danificou um edifício externo, de acordo com autoridades iranianas, aumentando preocupação nacional e internacional. A AIEA alerta para consequências catastróficas caso sistemas vitais de segurança sejam comprometidos — alarmes que o Irã repete veementemente.
Não há, até o momento, confirmação oficial de dano ao reator ou contaminação radioativa externa. A planta continua em operação, armazenando combustível nuclear ativo e resíduos em piscinas de resfriamento e depósitos secundários. Há propostas de retirada de cerca de 128 técnicos russos — segundo a Rosatom — caso o conflito se intensifique, evocando temores de incidentes como os de Zaporizhzhia, na Ucrânia.
Especialistas jurídicos advertem que atacar instalações nucleares civis, mesmo sem atingir diretamente o reator, pode violar tratados internacionais. Um exemplo é o Protocolo Adicional I às Convenções de Genebra — ratificado por 175 países —, que proíbe ataques a obras contendo “forças perigosas” como instalações nucleares. Estados Unidos, Irã, Israel, Índia e Paquistão são notórios por não o ratificarem, o que dificulta sua aplicação nesses casos. Ainda assim, muitos consideram que normas consuetudinárias estabelecem proteção legal para instalações nucleares civis, mesmo sem assinatura formal.
Aumento do risco estrutural e jurídico fica evidente nas ações recentes: retirada parcial de profissionais russos, evacuação de crianças e funcionários não essenciais. Autoridades admitem que uma explosão ou falha nos sistemas de refrigeração poderia causar liberação radioativa maciça. Esses elementos revelam que a crise em Bushehr ultrapassa danos físicos, e põe em xeque normas internacionais de segurança, estabilidade regional e a soberania energética do Irã.
O risco de Bushehr não é local — ameaça países do Golfo, compromete cadeias vitais de abastecimento de água sustentadas por usinas de dessalinização, e coloca os perigos técnicos da energia nuclear no centro das tensões geopolíticas. Em um mundo já marcado por disputas por petróleo, gás e influência militar, vulnerabilizar infraestrutura nuclear civil cria precedentes perigosos. Se normas protetivas forem deixadas de lado para algumas regiões, sua fragilidade pode se tornar norma global — e o planeta inteiro deverá arcar com o custo dessa instabilidade, no ar, no mar ou no solo.
Com informações de beyondnuclearinternational.org.


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