Pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa (OIST), em parceria com a Universidade de Oslo e a Universidad Adolfo Ibáñez, reproduziram em tanque de água o efeito Aharonov-Bohm. A experiência revelou padrões de ondas inesperados e abriu novas vias para o estudo de fenômenos topológicos em sistemas clássicos.
O efeito Aharonov-Bohm, previsto em 1959, descreve como partículas podem ser influenciadas por campos magnéticos mesmo sem atravessá-los diretamente. No caso dos elétrons, o campo altera a fase de suas ondas, interferindo em seu comportamento. O fenômeno foi confirmado apenas décadas depois, devido à dificuldade de observação no domínio quântico.
Segundo o portal Phys.org, a equipe criou um vórtice no centro de um grande tanque e gerou ondas vindas de direções opostas. Quando essas ondas se encontraram, formaram linhas de água momentaneamente parada que giravam de modo hipnótico — um comportamento jamais observado antes.
O resultado surpreendeu os próprios pesquisadores, que esperavam padrões simétricos ou cancelamentos mútuos. Aditya Singh, doutorando na Unidade de Física Não Linear e coautor do estudo, afirmou que o sistema revelou efeitos topológicos impossíveis de visualizar em experimentos quânticos convencionais.
Essas estruturas, chamadas linhas nodais, surgem onde a altura da onda é zero e giram no sentido oposto ao do vórtice. Quanto mais forte o fluxo do vórtice, maior o número dessas linhas — o que indica relação direta entre intensidade do movimento e complexidade do padrão.
O conceito de usar fluidos para simular fenômenos quânticos não é novo. A inspiração veio de trabalho teórico de 1980 conduzido por Michael Berry, que demonstrou a possibilidade de reproduzir o efeito Aharonov-Bohm em sistema clássico, com o vórtice representando um solenoide elétrico.
Jonas Rønning, ex-pesquisador do OIST e coautor do artigo, explicou que o novo estudo avançou ao fazer ondas viajarem simultaneamente em direções opostas. O resultado confirmou a previsão de Berry e revelou comportamento dinâmico não antecipado, com linhas nodais giratórias registradas por câmeras de alta velocidade.
Os cientistas consideram prematuro prever aplicações práticas, mas reconhecem vasto potencial teórico. O professor Mahesh Bandi, chefe da unidade e autor sênior do trabalho, indicou que o próximo passo envolve múltiplos vórtices organizados em rede para simular supercorrentes em materiais supercondutores.
Para Bandi, o valor central do experimento reside em mostrar como sistemas clássicos simples revelam aspectos ocultos da física quântica. Experimentos quânticos reais enfrentam limitações técnicas severas, enquanto análogos clássicos permitem visualizar diretamente efeitos sutis e coletivos.
“Com modelos como esse podemos enxergar o que a mecânica quântica apenas sugere”, resumiu o pesquisador. O estudo reforça o papel da física experimental como ponte entre o mundo quântico e o cotidiano, demonstrando que um simples tanque d’água serve de janela para leis fundamentais do universo.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Silvia D.
20/04/2026
Fascinante ver como a física quântica pode ser traduzida em algo tão palpável como um tanque de água. Essa ponte entre teoria e prática mostra o quanto a ciência é viva e acessível. Experimentos assim ajudam a aproximar o público da curiosidade científica, algo essencial para uma sociedade mais informada.
Karina Libertária
20/04/2026
Ah pronto, agora até tanque de água virou laboratório quântico! Enquanto isso o povo no Brasil tá preocupado com o preço do arroz e vivendo de bolsa. Se todo mundo pensasse em investir lá fora e estudar de verdade, talvez a gente também tivesse esses experimentos high level por aqui.
Eduardo C.
20/04/2026
Interessante ver um fenômeno quântico sendo traduzido em algo tão clássico quanto ondas na água. Mas fico curioso: há dados quantitativos sobre a precisão dessa analogia? Sem números, fica difícil avaliar se é só um efeito visual bonito ou uma simulação realmente fiel.
Celio Fazendeiro
20/04/2026
Mais uma dessas pesquisas caríssimas pra brincar de fazer ondas na água. Enquanto isso, o campo está largado e o produtor se virando sozinho. Queria ver essa turma aplicando tanta inteligência pra aumentar a produtividade e não pra desperdiçar recurso público com “efeito quântico” em tanque.
Alice T.
20/04/2026
Celio, pesquisa básica é justamente o que gera as tecnologias que depois aumentam a produtividade no campo — GPS, sensores, fertilizantes inteligentes, tudo vem daí. Cortar isso é cavar o próprio atraso.
Augusto Silva
20/04/2026
Impressionante ver como a física quântica começa a dialogar com algo tão cotidiano quanto a água. É esse tipo de pesquisa que mostra que ciência e imaginação andam juntas — e que investir em pesquisa básica não é gasto, é aposta no futuro.
Rick Ancap
20/04/2026
Legal, mas aposto que esse experimento foi pago com dinheiro arrancado à força de quem trabalha de verdade. Se deixassem o mercado cuidar da ciência, já teríamos descoberto mil efeitos desses e ainda com lucro. Esses caras vivem de subsídio e chamam isso de “avanço”.
Jeferson da Silva
20/04/2026
Rick, se dependesse do “mercado”, a ciência ia morrer de fome igual o operário sem CLT. Pesquisa não dá lucro imediato, mas é ela que faz a indústria andar — até o aço da sua fábrica precisa de quem estuda sem patrão mandando.
Fernando O.
20/04/2026
Interessante ver um fenômeno quântico sendo reproduzido em algo tão macroscópico como um tanque de água. Mostra que a física, quando bem aplicada, consegue conectar mundos que pareciam separados. É o tipo de pesquisa que não rende meme político, mas rende conhecimento de verdade.
Tonho Patriota
20/04/2026
ISSO AÍ É MAIS UMA INVENÇÃO PRA ENGANAR O POVO! FICAM BRINCANDO DE FAZER ONDINHAS NUM TANQUE E DIZEM QUE É “EFEITO QUÂNTICO”. ENQUANTO ISSO O BRASIL TÁ SENDO VENDIDO PRO COMUNISMO E O PESSOAL FAZ O L ACHANDO BONITO! CADÊ O ESTUDO SOBRE O NIÓBIO, HEIN?
Clarice Historiadora
20/04/2026
Tonho, o estudo é sobre interferência de ondas, não sobre comunismo — e muito menos sobre nióbio. Nem tudo que você não entende é conspiração; às vezes é só ciência mesmo.
Rubens O Pescador
20/04/2026
Bonito ver a ciência avançando assim, ainda mais com gente estudando coisa fina como efeito quântico em tanque d’água. Mas fico pensando: se o governo investisse em pesquisa como fazia no tempo do Lula, nosso povo não precisava ir pra fora pra fazer experimento. Ciência boa é aquela que nasce com comida no prato e cabeça tranquila pra pensar.
Renato Professor
20/04/2026
É fascinante ver a física quântica sendo traduzida em algo tão palpável quanto um tanque de água. Isso desmonta a velha crença de que o conhecimento avançado é inacessível ao público comum. Quando a ciência se comunica assim, até a ignorância militante perde o chão — afinal, a realidade não se dobra à ideologia, mas às leis da natureza.
Marcos Conservador
20/04/2026
Daqui a pouco vão dizer que esses “padrões giratórios” provam que Deus não existe. Tudo pra tirar o crédito da criação perfeita e empurrar mais dessas teorias materialistas. Aposto que tem dinheiro público nisso também.
Francisco de Assis
20/04/2026
Marcos, ninguém tá tentando roubar a fé de ninguém, meu caro. Ciência só quer entender o mundo — e entender bem é o que faz o Brasil andar pra frente, com pesquisa, com soberania e com cabeça aberta, não alienada.