Menu

México bate recorde histórico com 22,7 milhões de empregos formais

50 Comentários🗣️🔥 Dois homens em trajes formais sentados em frente a um fundo decorado. (Foto: contralinea.com.mx) O México atingiu um recorde histórico na geração de emprego formal, chegando a 22,7 milhões de postos de trabalho com carteira assinada. Esse número representa um aumento de 422 mil vagas em relação ao mesmo período do ano anterior. […]

50 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Dois homens em trajes formais sentados em frente a um fundo decorado. (Foto: contralinea.com.mx)

O México atingiu um recorde histórico na geração de emprego formal, chegando a 22,7 milhões de postos de trabalho com carteira assinada.

Esse número representa um aumento de 422 mil vagas em relação ao mesmo período do ano anterior. O diretor-geral do Instituto Mexicano do Seguro Social, Zoé Robledo Aburto, apresentou os dados durante a conferência matutina no Palácio Nacional.

Robledo Aburto destacou que os registros administrativos confirmam a criação consistente de empregos formais. Ele diferenciou esses dados das pesquisas por amostragem que geraram dúvidas em algumas análises.

Apenas nos três primeiros meses do ano foram criados 207 mil novos postos formais. As informações foram detalhadas pelo portal Contralínea em sua cobertura.

O salário médio diário de contribuição alcançou 663,5 pesos, com crescimento de 7,1% em base anual. A pobreza laboral recuou ao patamar de 32,3%, o menor nível registrado na série histórica do país.

O secretário do Trabalho e Previsão Social, Marath Bolaños López, informou que a população ocupada total supera 60,2 milhões de pessoas. Ele associou o resultado à expansão do mercado formal de trabalho.

A taxa de desocupação foi reduzida a 2,4% em março, posicionando o México favoravelmente entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Setores como serviços profissionais e restaurantes geraram 240 mil vagas em um único mês.

O país acumula a criação de 6,9 milhões de empregos formais desde dezembro de 2018. O resultado consolida uma trajetória de expansão do trabalho formal na economia mexicana.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Sofia García

29/04/2026

22,7 milhões de empregos formais e a foto ilustrativa é SEMPRE dois engravatados sorrindo num fundo genérico de power point. A estética do capital nunca decepciona.

O Augusto já largou a real: México meteu aumento de mais de 100% no salário mínimo e o Apocalipse liberal não veio. Cadê o print disso no grupo da família?

Lucas Gomes

29/04/2026

Enquanto celebram os 22,7 milhões como um triunfo abstrato da macroeconomia, convém perguntar: em que solo concreto se ergue esse número e a que custo socioambiental ele foi contabilizado. O México é também o país onde a fronteira agrícola devora diariamente territórios indígenas e áreas naturais protegidas para alimentar cadeias produtivas que geram, sim, empregos formais — frequentemente precarizados, desenraizados e ecologicamente predatórios. A métrica da carteira assinada, quando isolada de qualquer balanço ecológico ou de justiça territorial, funciona como um véu estatístico sobre a devastação. O crescimento do emprego formal, nos termos do capitalismo extrativista que estrutura boa parte da economia mexicana, está muitas vezes ancorado na conversão de bens comuns — água, florestas, minerais — em mercadorias que contabilizam postos de trabalho mas evaporam futuros inteiros de povos originários.

A própria centralidade do setor manufatureiro e das maquiladoras na geração desses empregos deveria acender alarmes muito mais estridentes. A formalização não elimina a lógica de exploração intensiva da força de trabalho, majoritariamente feminina e racializada, que caracteriza essa indústria de montagem transnacional — Mariana e Carmem tocaram nesse nervo, mas é preciso ir além da inclusão demográfica e questionar o próprio modelo produtivo que insere corpos subalternizados em cadeias globais de valor enquanto externaliza passivos ambientais colossais. A zona fronteiriça do norte mexicano é um cemitério de rios envenenados, aquíferos exauridos e solos contaminados por décadas de atividade industrial que, formal ou informal, jamais internalizou minimamente seus custos ecológicos. Contar empregos sem contar as toneladas de resíduos tóxicos despejados em bacias hidrográficas é uma economia política da miopia deliberada.

Há ainda uma dimensão colonial que o debate econômico insiste em recalcar. As terras comunais e os territórios indígenas seguem sendo o alvo preferencial dos grandes projetos de infraestrutura e agroexportação que alimentam parte expressiva desses indicadores de ocupação. O Tren Maya, festejado como vetor de desenvolvimento e emprego, é também uma cicatriz aberta sobre o tecido biocultural da península de Yucatán — desmatamento, contaminação de cenotes, deslocamento forçado de comunidades. A mesma lógica se replica em outras regiões: a cada novo recorde de empregos na agroindústria exportadora, há comunidades maias, zapotecas ou rarámuri perdendo o acesso às suas bases materiais de reprodução da vida. O emprego formal, nesse contexto, não raro funciona como compensação simbólica pela expropriação territorial — uma espécie de indenização em forma de salário pelo direito de continuar existindo como povo.

É sintomático que Augusto e João tenham se detido na aparente contradição entre desregulamentação e aumento do salário mínimo, como se a chave interpretativa coubesse inteira no debate sobre intervenção estatal versus liberdade de mercado. O que escapa a essa dicotomia é a questão ecológica e a desigualdade racial-estrutural que tornam possível um bolo de 22,7 milhões sem que isso signifique, necessariamente, justiça ambiental ou soberania dos povos. Um salário mínimo mais alto, divorciado de uma política de transição ecológica e de reforma agrária que enfrente o latifúndio e o neoextrativismo, termina por subsidiar o consumo de bens cuja produção acelerou o colapso climático — um círculo vicioso em que o trabalhador formal se descobre, ao fim, financiando a própria inviabilização enquanto ser planetário.

O que está em jogo, portanto, não é negar a importância de postos de trabalho dignos e protegidos, mas recusar a armadilha retórica que converte qualquer número absoluto em narrativa triunfalista. A pergunta incontornável para a esquerda que não se rende ao desenvolvimentismo insustentável é: 22,7 milhões de empregos formais para quê e para quem, sobre quais territórios sacrificados e com qual horizonte de habitabilidade para as próximas gerações. O México — e qualquer país periférico — precisa de uma contabilidade que some trabalho decente, integridade ecossistêmica e autodeterminação dos povos, ou então estaremos apenas medindo, com precisão cada vez maior, a velocidade da nossa própria ruína.

Augusto Silva

29/04/2026

Esse papo de “menos amarras regulatórias” cola até a gente lembrar que o México elevou o salário mínimo em mais de 100% nos últimos anos, justamente o tipo de intervenção que a extrema-direita brasileira jura que quebra a economia. O resultado está aí: 22,7 milhões de formais e consumo interno aquecido sustentando o crescimento – choca zero economista sério, porque isso é macroeconomia básica de qualquer manual keynesiano decente. Curioso como o Eduardo enxerga “livre mercado” até em política de renda ativa do Estado, né?

Carmem Souza

29/04/2026

É bom ver o México gerando oportunidades, mas como cristã me pergunto: esses números todos têm cor, rosto e família? Fico pensando se as mexicanas, os indígenas e os jovens das periferias também estão dentro dessa estatística ou se é um bolo que esconde a exclusão de sempre. Crescimento econômico que ignora os vulneráveis vira só vaidade de discurso, e Provérbios já alerta sobre isso.

Mariana Oliveira

29/04/2026

Chegar aqui e encontrar um debate econômico que ignora solenemente a dimensão de gênero e raça do trabalho formal é, no mínimo, sintomático. Enquanto os senhores discutem se a receita mexicana vem da desregulamentação, da centro-esquerda ou de versículos bíblicos, as perguntas que realmente importam seguem intocadas: quem está ocupando esses 22,7 milhões de postos? Em quais setores? Com que disparidade salarial? Porque comemorar número absoluto de carteiras assinadas sem desagregar os dados é fazer coro a uma narrativa que esconde a precariedade persistente de corpos historicamente empurrados para as margens do trabalho digno.

A insistência do primeiro comentário em associar militância LGBT a improdutividade, enquanto exalta o México, é quase cômica se não fosse perigosamente violenta. Revela o que bell hooks chama de “patriarcado capitalista supremacista branco” — um sistema que mede o valor humano exclusivamente pela capacidade de gerar lucro dentro das normas cis-heteronormativas. Essa lógica é a mesma que mantém mulheres trans, por exemplo, em índices abissais de informalidade e exclusão do mercado formal até em países que batem recordes de emprego. O México pode ter 22,7 milhões de trabalhadores formalizados, mas qual o percentual de pessoas LGBTQIA+ nessa conta? Qual a taxa de ocupação de mulheres negras e indígenas mexicanas em comparação aos homens retratados na foto que ilustra a matéria? O silêncio sobre esses recortes não é neutro: ele naturaliza a ausência.

Kimberlé Crenshaw nos ensinou que eixos de opressão não operam isoladamente. Não basta olhar para o México e dizer que o salário mínimo subiu mais de 100% — é preciso perguntar se essa elevação alcançou, de fato, as trabalhadoras domésticas, majoritariamente racializadas e indígenas, cuja luta por direitos trabalhistas plenos é histórica e ainda encontra resistência fortíssima. A informalidade nesse setor segue sendo um marcador de gênero e raça que nenhum decreto de aumento salarial resolve sozinho, porque a exclusão começa muito antes da remuneração: começa no não reconhecimento do trabalho reprodutivo como trabalho, na desvalorização social do cuidado e na ideologia que insiste em tratar certas ocupações como vocação natural de corpos feminilizados.

Quando Luciana Costa aponta que o caso mexicano mostra não haver contradição entre salário mínimo forte e ambiente de negócios estável, ela toca num ponto importante, mas ainda assim insuficiente. A estabilidade do ambiente de negócios não pode ser celebrada enquanto a estabilidade dos corpos que sustentam esses negócios estiver condicionada a uma cidadania de segunda classe. bell hooks insistia que não há amor genuíno pela justiça onde não há um compromisso real com a erradicação das hierarquias de dominação. Transportando isso para o campo do trabalho: não há desenvolvimento econômico genuíno enquanto a formalização não vier acompanhada de políticas de equidade que enfrentem a divisão sexual e racial do trabalho, as violências institucionais e a naturalização da pobreza que atinge desproporcionalmente mulheres negras e indígenas.

Portanto, antes de sair por aí batendo palmas para os 22,7 milhões de carteiras assinadas mexicanas ou usando o México como régua moral para atacar a esquerda brasileira com passagens bíblicas, que tal deslocarmos a pergunta central? Em vez de “quantos empregos foram criados?”, talvez devêssemos perguntar “emprego para quem?”. Porque um recorde histórico que não mexe nas estruturas interseccionais de exclusão é apenas um número bonito numa manchete — e corpos seguem sendo descartados, com ou sem carteira assinada.

Luciana Costa

29/04/2026

É interessante ver o México entregando números robustos enquanto, por aqui, ainda insistimos em escolher um único vilão ou herói para explicar esses ciclos. O caso mexicano mostra que não existe contradição entre um salário mínimo forte e um ambiente de negócios estável — o erro é transformar esse equilíbrio em guerra ideológica.

Eduardo Teixeira

29/04/2026

Enquanto o pessoal aqui gasta tecla com briga ideológica, o México entrega o que importa: 22,7 milhões de carteiras assinadas. A receita é velha conhecida de quem produz — menos amarras regulatórias e uma carga tributária que não estrangula a folha de pagamento antes mesmo de o negócio dar lucro. No Brasil, preferem manter o cipoal de encargos e depois se surpreendem com a informalidade galopante.

    João Carvalho

    29/04/2026

    Eduardo, atribuir o resultado apenas à desregulamentação é um recorte conveniente que ignora que o México também elevou o salário mínimo em mais de 100% por decreto nos últimos anos — uma política de forte intervenção estatal que contradiz o mantra do “menos amarras”. Sem falar que a informalidade mexicana ainda beira os 55%, o que relativiza bastante essa fotografia dos 22 milhões.

João Batista

29/04/2026

Enquanto o México colhe frutos do trabalho e da ordem, o Brasil afunda na cultura do subsídio estatal e da militância LGBT que não produz riqueza nenhuma. A Bíblia ensina em 2 Tessalonicenses 3:10: quem não quer trabalhar, também não coma — princípio que a esquerda tupiniquim abomina. Fico imaginando quantos desses empregos formais mexicanos vêm de empresas que não aceitam lacração em seus quadros.

    Ricardo Almeida

    29/04/2026

    Engraçado você exaltar o México enquanto demoniza a “esquerda tupiniquim”, sendo que o partido que governa o país há anos — o MORENA — é justamente de centro-esquerda e não parece ter problemas com o tal capital que você idolatra. Sua Bíblia pode até condenar o ócio, mas sua análise econômica sofre de um viés de confirmação que nenhum dado sustenta: confundir “lacração” com variável independente do desemprego é uma correlação espúria que faria qualquer calouro de sociologia rir.

Cecília Torres

29/04/2026

O recorde merece atenção, mas o debate aqui virou um balcão de projeções ideológicas que diz mais sobre os comentaristas do que sobre o México. Faltam perguntas elementares: quantos desses 22,7 milhões de postos pagam acima da linha de pobreza, qual a taxa de rotatividade e em que regiões se concentram as vagas. Sem esses dados, o número vazio serve tanto para celebrar o “milagre” quanto para demonizar o “comunismo” — e ambas as leituras são jornalisticamente preguiçosas.

Adriana Silva

29/04/2026

Faz o L que o México já era, daqui a pouco tá tudo comuna igual aqui, kkkk

    Marta

    29/04/2026

    Adriana, minha filha, chamar o México de “comuna” é um atestado de ignorância histórica que nem meus alunos do fundamental cometeriam. O país é governado pelo MORENA, um partido de centro-esquerda que opera dentro do capitalismo mais ortodoxo: propriedade privada intacta, mercado financeiro funcionando, integração profunda com os Estados Unidos via T-MEC. O recorde de empregos formais que você ironiza veio justamente do nearshoring — empresas fugindo da Ásia para se instalarem pertinho do mercado americano, pagando salários baixos e gerando lucro para acionistas globais. Isso é Marx? Isso é comunismo? Não, querida, isso é Adam Smith com molho picante. O governo mexicano apenas teve a decência de usar parte da arrecadação para ampliar direitos trabalhistas e programas de transferência de renda, algo que o velho PRI fazia desde os anos 1940 para conter a rebeldia camponesa sem nunca abolir o capital. Se você lesse um livro de história em vez de repetir memes de zap, saberia que o México teve uma revolução popular em 1910 e mesmo assim nunca virou socialista — porque justiça social não é sinônimo de comunismo, é sinônimo de civilização.

    Agora, sobre o “L”, vamos aproveitar a deixa e dar uma aulinha rápida. Lula governou este país por oito anos e, pasme, o capitalismo brasileiro nunca foi tão próspero: bancos lucraram recordes, a Bovespa disparou, o agronegócio virou potência mundial e a classe média engordou em 40 milhões de pessoas. Isso não é comunismo — isso é um operário que entendeu que não precisa destruir o capital para colocar comida na mesa do povo. Quem fugiu para Miami apostando no caos agora assiste, de longe, o Brasil gerando mais de 2 milhões de empregos formais em 2023 (e sim, formais, com carteira assinada, não “subemprego” como os meninos mal-educados insistem em repetir). O “L” de Lula nunca foi de Lênin, minha filha — foi de Liberdade, de Luta e de Lanche para as crianças que antes comiam farinha com água. Você pode até discordar, mas negar os fatos é birra ideológica, não análise política.

    E por último, um conselho de professora: esse deboche com o México e com o Brasil só revela desprezo pelo povo trabalhador dos dois países. Enquanto você ri do “comuna”, milhões de mexicanos estão conquistando dignidade com emprego formal e direitos que nunca tiveram. Aqui, idem. O amor ao povo não é discurso vazio — é a única força que move quem governa sem se vender aos donos do poder. Estude um pouquinho, querida, que o “kkkk” some e a compreensão floresce. E se quiser, eu marco uma aula de reforço sobre a Revolução Mexicana — garanto que será mais útil do que ficar repetindo fake news da faria lima.

Sargento Bruno

29/04/2026

Enquanto o México mostra que com ordem e incentivo certo se cria emprego de verdade, aqui no Brasil a esquerda festeja subemprego e bolsa como se fosse conquista. País sem disciplina e sem respeito ao capital não vai a lugar nenhum.

Paulo Gestor RJ

29/04/2026

O México tem avançado com o nearshoring e isso se reflete nesse número robusto de empregos formais, não dá pra negar. Como administrador, porém, eu sempre olho pro custo fiscal desses incentivos e pra produtividade média que esses postos entregam. Sem ganho real de produtividade, esse crescimento pode ser mais frágil do que parece.

Karina Libertária

29/04/2026

Enquanto o México tá performando um growth espetacular na economia formal, aqui no Bostil a turma fica feliz com bolsa família achando que isso é progresso. Quem tem cérebro já fez asset allocation fora desse circo, eu mesma tô tranquila em Miami vendo o Real derreter de longe. Wake up, pessoal, investir em emerging markets é loss na certa.

    Lucas Andrade

    29/04/2026

    Karina, o fetiche do “growth espetacular” que você celebra de Miami é o que Adorno chamaria de identidade violenta: transformar corpos em cifras formais e depois vender o número como salvação. A mesma abstração que lubrifica seu asset allocation é a que esmaga a vida que o dado esconde — e a distância geográfica só revela o privilégio de não sentir o cheiro da precariedade que sustenta seu espetáculo.

Paulo Rocha

29/04/2026

22,7 milhões de empregos formais no México e aqui no Brasil a turma do Faz o L comemorando migalha enquanto a informalidade explode. Deve ser culpa do marxismo cultural que não deixa a gente copiar o que dá certo. Vai pra Cuba então pra ver se lá tem carteira assinada.

    Mariana Santos

    29/04/2026

    Paulo, o tal “marxismo cultural” é um espantalho da direita que nem você consegue definir com rigor acadêmico, então talvez o problema não seja a teoria que você desconhece, mas um capitalismo dependente que mantém o México com 55% de informalidade apesar do recorde e o Brasil com uma explosão de trabalho sem direitos justamente porque copiamos, há décadas, o “que dá certo” para os rentistas. E sobre Cuba: lá o bloqueio criminoso dos EUA sufoca a economia, mas ainda assim a ilha tem taxa de alfabetização e expectativa de vida superiores às de muito país latino-americano com “carteira assinada” e miséria generalizada — talvez você deva estudar materialismo histórico antes de usar a ilha como ofensa pronta.

Luciana Santos

29/04/2026

Tudo bem ter recorde de emprego formal, mas eu quero saber é se o salário tá dando pro básico, porque aqui no Brasil a gente sabe que nem sempre isso anda junto. De que adianta carteira assinada se o dinheiro não chega até o fim do mês? No fim das contas, qualquer estatística bonita só serve pra político fazer propaganda, enquanto o trabalhador continua apertando o cinto.

Tadeu

29/04/2026

Legal o número, mas sem olhar o salário médio e a corrosão inflacionária desses salários, esse recorde pode ser só mais um dado bonito no papel. Se o poder de compra do mexicano não tá acompanhando, a festa é curta e a conta chega rápido.

Ana Costa

29/04/2026

22,7 milhões de postos formais é um número expressivo, sem dúvida. Todavia, não podemos ignorar que o México ainda tem uma taxa de informalidade na casa dos 55%, segundo o INEGI, o que relativiza esse recorde. Seria interessante cruzar esses dados com o salário médio e a inflação local para entender se há ganho real para o trabalhador, para além da carteira assinada.

Carlos Oliveira

29/04/2026

É um alívio ver um país latino-americano conseguindo ampliar a formalização, sobretudo num continente tão marcado pela superexploração do trabalho. Mas o Márcio cutucou uma ferida que não fecha: métrica nenhuma se sustenta se não vier acompanhada de redução real da desigualdade, e o México ainda convive com jornadas extenuantes e uma concentração de renda que envergonha qualquer maquiagem estatística. Que o número sirva ao menos para desmontar o mito liberal de que direitos trabalhistas atrapalham a geração de empregos.

Fernando O.

29/04/2026

22,7 milhões de empregos formais é um número robusto, mas a ginástica para encaixá-lo no Fla-Flu brasileiro chega a ser constrangedora. Dito isso, ao menos não vi ninguém culpando o comunismo mexicano pela estatística – o que já coloca essa thread muito acima do padrão bolsonarista de debate.

Luiz Augusto

29/04/2026

Márcio Torres tocou no ponto central: comemora-se o número como um fim em si mesmo, mas a métrica isolada não distingue um cartório inchado de uma economia que realmente se expande por produtividade. Um mercado de trabalho robusto é resultado de liberdade econômica e segurança jurídica, não de canetadas que inflam a folha pública. O que impressiona no caso mexicano não é a cifra bruta, mas saber se ela veio de reformas orientadas ao mercado ou de mais um ciclo de assistencialismo estéril que a esquerda adora.

    Ana Karine Xavante

    29/04/2026

    Luiz, teu comentário endereça um ponto que de fato merece ser deslocado do conforto liberal em que costuma orbitar. Falar em “liberdade econômica e segurança jurídica” como faróis de um mercado de trabalho robusto pode fazer sentido em seminários de think tank, mas desaba quando a gente tira o olho do PowerPoint e olha para os territórios. No México — assim como no Brasil, assim como em toda a América Ladina — a tal segurança jurídica foi historicamente o instrumento que legalizou o despojo de terras indígenas, que transformou rios em concessões mineiras e que garantiu a uma minoria o título de propriedade sobre aquilo que nunca foi propriedade de ninguém, porque era comum, porque era sagrado, porque era vida. Então, quando se invoca esse mantra da segurança jurídica como pré-condição para o emprego formal, a pergunta que fica soterrada é: segurança para quem? E liberdade econômica para quem circular, se quem sempre esteve preso na engrenagem do colonialismo interno nunca foi o capital?

    A métrica dos 22,7 milhões de empregos formais não responde a isso, e nem pretende responder. O teu horizonte, Luiz, parece ser o de uma economia que se expande por produtividade, e não por “assistencialismo estéril que a esquerda adora”. Mas me diz: produtividade de quê? De grãos transgênicos que avançam sobre territórios maias e purépechas? De fábricas maquiladoras na fronteira norte, que pagam salários de subsistência enquanto consomem aquíferos inteiros e deixam mulheres racializadas exaustas em jornadas que lembram encomienda? Porque se produtividade for medida apenas pela velocidade com que se converte natureza em mercadoria e gente em mão de obra barata, então o México pode até bater recordes, mas terá apenas aperfeiçoado a lógica colonial com uma maquiagem de formalidade. Emprego formal, nesse contexto, vira um verniz civilizatório sobre relações que continuam profundamente assimétricas — e, não raro, etnocidas.

    Repara que eu não estou aqui desprezando a importância de ter um salário fixo, uma carteira assinada, direitos trabalhistas. Em um mundo moldado pelo capital, essa é uma trincheira real de sobrevivência para milhões de corpos. Mas o que me cansa nesse debate é a soberba epistêmica de quem acha que o único caminho para o bem viver passa necessariamente pela formalização ocidental do trabalho, e que qualquer outra forma de organizar a vida — baseada na reciprocidade, no cuidado comunitário, na roça que não vira commodity — é atraso que precisa ser superado. O México que bate recorde de empregos formais é também o México onde comunidades indígenas seguem defendendo seus territórios com corpos e palavras, porque sabem que ali se produz outra coisa que nenhum indicador econômico consegue medir: permanência, memória, autonomia alimentar, dignidade que não depende de holerite.

    Então o que está em jogo não é simplesmente uma bifurcação entre “reformas orientadas ao mercado” e “assistencialismo estéril”. Esse é um cardápio pobre, servido há décadas, que só esconde o fato de que ambas as receitas foram cozinhadas na mesma cozinha colonial. Nem a mão invisível do mercado resolve o genocídio lento dos povos originários, nem o Estado assistencialista resolve quando apenas inclui o indígena como pobre genérico, sem reconhecer sua autodeterminação territorial e seu projeto civilizatório próprio. Enquanto seguirmos discutindo se o México está “fazendo o L” ou “fazendo o mercado”, os verdadeiros sujeitos históricos seguem falando de outro lugar — e talvez convenha, pela primeira vez, pararmos para ouvir.

Ana Rodrigues

29/04/2026

Legal saber que lá eles tão de carteira assinada. Aqui a gente comemora quando o passageiro não some com o chiclete e a diária cobre o tanque e o lanche. Se o México quiser mandar um pouco dessa formalidade pra cá, aceito até pagar o frete.

Márcio Torres

29/04/2026

O México celebra 22,7 milhões de empregos formais — um número que, à primeira vista, parece um daqueles troféus estatísticos que todo governo adora exibir em powerpoint comemorativo. Mas a pergunta que deveria anteceder qualquer foguetório é: o que essa métrica efetivamente mede, e o que ela deliberadamente ignora? Recordes de magnitude absoluta, quando divorciados de denominator apropriados — população economicamente ativa, taxa de participação, horas trabalhadas por semana, mediana salarial ajustada por inflação —, funcionam mais como mantras de autoafirmação do que como instrumentos honestos de diagnóstico. O número impressiona quem nunca precisou preencher uma planilha de correlação espúria.

Ocorre que “emprego formal” tem se tornado um conceito notavelmente elástico em várias economias latino-americanas. A formalização precária — com registro em carteira mas jornadas parciais involuntárias, salários que não cobrem a cesta básica local, ou vínculos intermitentes que criam a ilusão estatística de ocupação — é o equivalente contábil a maquiar balanço classificando dívida de curto prazo como “outros passivos não circulantes”. Carlos, o contador que comentou antes, acertou ao farejar a ausência de contexto, ainda que seu foco fosse o salário. Eu iria além: nem sequer sabemos quantos desses 22,7 milhões são postos criados no setor público com fins eleitorais, prática historicamente endêmica no México desde os tempos do PRI até as administrações mais recentes. Sem esse recorte, a palavra “recorde” carrega a mesma substância epistemológica de um press release de autoajuda corporativa.

Olhando a thread, é cômico — e um pouco deprimente — ver como a histeria política brasileira se derrama sobre um dado mexicano sem o menor esforço de compreensão do tecido social local. A importação de um binarismo rasteiro, do tipo “comunismo versus liberdade”, trata o México como se fosse um cenário de fantasia ideológica onde se projetam neuroses domésticas. A realidade é bem mais prosaica: o México opera sob um capitalismo de compadrio sofisticado, com índices de informalidade que historicamente rondam mais de 50% da força de trabalho. Se um recorde de formalização não reduz essa proporção de maneira estrutural, ele não passa de um pico num gráfico que pode muito bem reverter no próximo ciclo eleitoral. É a diferença entre olhar para a onda e para a maré.

Quando a colega Letícia mobiliza Marx para criticar o economicismo, ela toca num ponto relevante sobre fetichismo da forma, mas corre o risco de reproduzir o mesmo vício que denuncia: o de aplicar categorias abstratas sem fazer a mediação empírica necessária. Não é suficiente dizer que o número esconde relações sociais; é preciso demonstrar, com evidência institucional, quais relações estão sendo encobertas e com que consequências materiais para a população. Do contrário, trocamos o altar do PIB pelo altar da mais-valia, mas a liturgia permanece.

Como exercício de ceticismo aplicado, sugiro que a celebração só faria sentido se viesse acompanhada de, no mínimo: (a) a taxa de formalidade como proporção da PEA, em série histórica; (b) o rendimento real mediano desses novos empregos; e (c) um indicador de rotatividade que separe criação líquida de reciclagem precária. Sem isso, 22,7 milhões é apenas um número grande — e a história da América Latina está cheia de números grandes que serviram para anestesiar o debate público enquanto as desigualdades se aprofundavam. O que assusta não é a estatística em si, mas a disposição quase religiosa de aplaudi-la sem fazer as perguntas certas.

Tonho Patriota

29/04/2026

FAZ O L AGORA NO MEXICO KKKK ENQUANTO ISSO O POVO TRABALHA PRA SUSTENTAR COMUNISMO E MAMADEIRA DE PIROCA

    Laura Silva

    29/04/2026

    Tonho, confesso que me causa certo espanto — e, por que não dizer, um cansaço quase clínico — ver como certos bordões políticos brasileiros são exportados com a mesma desenvoltura de quem acha que geopolítica se resolve no grito. O México não está “fazendo o L”, está, isso sim, colhendo os efeitos de políticas de formalização do trabalho que, ainda que limitadíssimas sob uma perspectiva marxista séria, representam um avanço concreto para milhões de trabalhadores que antes estavam completamente desprotegidos. Reduzir isso a uma sigla partidária brasileira revela não apenas preguiça analítica, mas aquela dificuldade crônica que o pensamento reacionário tem de enxergar qualquer realidade fora do seu quintal ideológico. A sua frase, no fundo, é menos sobre o México e mais sobre a incapacidade de compreender que existem processos históricos que não cabem no seu adesivo de para-choque.

    Agora, sobre o “comunismo” que você evoca como se fosse um feitiço: é quase cômico que se acuse de comunista um país que segue rigidamente os ditames do USMCA, que mantém uma das economias mais integradas ao capital financeiro norte-americano e cujo governo, apesar da retórica progressista, jamais ousou tocar na estrutura fundiária ou nos oligopólios que sangram a classe trabalhadora mexicana. O México de López Obrador é capitalista até a medula, e os 22,7 milhões de empregos formais estão, em sua esmagadora maioria, submetidos à mesma lógica de extração de mais-valia que Marx descreveu n’O Capital. Só que, veja bem, existe uma diferença entre ser explorado com carteira assinada e ser explorado na completa informalidade, sem acesso a direitos básicos. Ignorar essa diferença e sair gritando “comunismo” é justamente o que interessa ao patrão: quanto mais o trabalhador acredita que qualquer regulação é uma ameaça comunista, mais fácil fica precarizar tudo sem resistência.

    E já que você mencionou a tal “mamadeira de piroca”, permita-me um comentário sociológico: essa expressão é um sintoma clássico do que Antonio Gramsci chamaria de folclore reacionário — um amálgama de pânico moral, sexualidade recalcada e manipulação política que serve para desviar a atenção das verdadeiras formas de violência que o capital impõe cotidianamente. Enquanto você repete esse tipo de consigna, milhares de crianças mexicanas seguem sendo exploradas no trabalho agrícola informal, e o grande capital segue lucrando com a desregulamentação. O seu riso fácil e a sua acusação tresloucada não afetam em nada a luta dos trabalhadores mexicanos; apenas confirmam o velho diagnóstico de que, para o projeto neoliberal, o mais importante não é oferecer soluções, mas manter a classe trabalhadora ocupada digladiando-se contra espantalhos fabricados. Fica a sugestão: troque o grito por um pouco de leitura crítica. Garanto que dói menos do que sustentar o papel de bobo útil da exploração que você finge não ver.

Letícia Fernandes

29/04/2026

A celebração dos números absolutos de empregos formais no México – 22,7 milhões, anuncia-se com alarde – carrega em si aquele traço inequívoco do pensamento economicista que Marx já denunciava nos Grundrisse: a confusão deliberada entre a forma e o conteúdo das relações de produção. Quando o olhar se fixa exclusivamente na métrica, no dado estatístico que aparentemente atesta progresso, opera-se um ocultamento meticuloso daquilo que realmente está em jogo quando um ser humano precisa vender sua força de trabalho para sobreviver. Formalidade, aqui, comparece como o significante que a superestrutura burguesa oferece para aplacar a angústia de uma classe trabalhadora permanentemente à beira do abismo, como se o carimbo na carteira fosse capaz de transubstanciar exploração em dignidade. Não é. E a psicanálise nos ensina, desde Freud, que aquilo que se apresenta como solução imediata para o mal-estar frequentemente atua como sintoma – ou seja, como uma formação de compromisso que simultaneamente denuncia e mantém intacta a estrutura que gera o sofrimento.

É precisamente aqui que a crítica à economia política se encontra com a escuta clínica: o sujeito que conquista seu posto formal experimenta, com frequência, um alívio que nada tem de libertação. Ele continua alienado dos meios de produção, sua atividade vital segue sendo mero instrumento para a valorização do capital, e o salário que recebe – esse preço da mercadoria força de trabalho – mal consegue, em vastíssimos setores, repor as condições mínimas de sua reprodução. O leitor menos avisado talvez objete: mas estar formalizado não é melhor que a informalidade absoluta? Respondo com outra pergunta, que é a que realmente importa: melhor para quem? Para o trabalhador, que troca a incerteza total por uma existência mediada por contratos que escondem a extração de mais-valia sob a aparência de equivalência? Ou para o capital, que amplia sua base de tributação e controle, ao mesmo tempo em que se beneficia da imagem pública de uma economia pujante? O diretor-geral mencionado na notícia, em sua presumível gravata e sorriso protocolar, é a corporificação mesma do funcionário do capital – aquele que naturaliza o assalariamento como destino inexorável e festeja sua expansão como se se tratasse de um bem em si.

Não há, evidentemente, nenhuma surpresa nisto. A ideologia dominante precisa produzir constantemente narrativas que reconciliem os explorados com sua condição, e o mito do emprego formal é um dos dispositivos mais eficazes nessa engenharia de consentimento. Chama-me a atenção, inclusive, o previsível desespero que esses números provocam em certos setores da direita mais desabrida – aquela que, como se pode observar em alguns dos comentários que antecedem o meu, reage aos fatos com uma histeria sem mediação, incapaz de formular qualquer crítica que não seja a negação paranoica ou a invocação de fantasmas como o “comunismo” que supostamente tudo explicaria. Essa posição, devo dizê-lo com a honestidade que a clínica exige, merece menos indignação que piedade analítica: trata-se de uma subjetividade capturada por um discurso que a impede de reconhecer que tanto a esquerda reformista que aplaude a formalização quanto a direita que a denuncia como conspiração compartilham, no fundo, o mesmo solo epistêmico – a aceitação de que o capitalismo é o horizonte intransponível de nossa experiência histórica, restando apenas disputar seus matizes.

O comentário de Clarice, que evoca com acerto a necessidade de olhar para além da superfície, e o de Carlos, que com sua sensibilidade contábil desconfia do número sem contexto, apontam ambos para uma direção frutífera: a da investigação materialista das condições concretas que esses 22,7 milhões de postos efetivamente representam. Qual é o salário médio desses trabalhos? Em que setores se concentram? Que jornadas, que níveis de adoecimento psíquico, que taxas de rotatividade os acompanham? O silêncio sobre essas questões é a prova mais eloquente de que a celebração oficial é, em rigor, uma confissão – a confissão de que o modo de produção capitalista não pode ser avaliado por aquilo que diz de si mesmo, mas apenas pela investigação crítica que desvela suas entranhas. Enquanto não fizermos essa travessia, seguiremos cativos de uma fantasia: a de que a forma jurídica do contrato de trabalho possui o poder mágico de redimir a realidade brutal que ela apenas reveste. A emancipação real do trabalho jamais caberá numa carteira assinada.

Carlos A. Mendes

29/04/2026

Número absoluto assim é bom pra manchete, mas como contador eu sei que balanço sem contexto é só enfeite. Ninguém tá perguntando qual é o salário médio dessa turma ou quantos tão em subemprego gourmet. E o sujeito ali de cima gritando sobre comunismo só me lembra por que eu não consigo levar a direita atual a sério.

Zé do Povo

29/04/2026

MAIS UMA MENTIRA PRA ENGANAR TROUXA! 😡😡 ISSO AÍ É TUDO COMUNISMO DISFARÇADO, SÓ FACHADA PRA INVADIR LIBERDADE! ACORDA POVO!

Marina Silva

29/04/2026

Muito lindo 22 milhões de empregos formais, mas aposto que a maioria é subemprego com crachá. Formalidade sem dignidade é só enfeite pra exploração.

Clarice Historiadora

29/04/2026

Ah, claro, o velho truque de tratar “formal” como sinônimo de “digno” – como se a CLT mexicana fosse redigida por São Tomás de Aquino. O Marx do John Marshall ali em cima desconfiaria, mas nem precisamos chegar a tanto: basta ler qualquer relatório da CEPAL sobre a qualidade do emprego na região pra saber que formalidade sem proteção social efetiva é só uma maquiagem jurídica que agrada liberal de planilha.

Marcos Andrade Niterói

29/04/2026

Enquanto o México comemora número bruto, aqui em Niterói o Rodrigo Neves já entendeu que emprego formal de verdade precisa vir junto com infraestrutura que funcione — túnel, mobilidade, metrô sob a Baía. O resto é maquiagem neoliberal que a extrema-direita adora aplaudir até o trabalhador perceber que o salário não paga o transporte.

Lucas Alves

29/04/2026

22,7 milhões de empregos formais, mas a taxa de participação e o salário médio vieram de brinde ou a gente tem que adivinhar? Bater recorde com inflação de vaga precária não é exatamente um milagre econômico.

John Marshall

29/04/2026

O recorde mexicano encobre a pergunta essencial que Locke já formulava: esses postos formais asseguram de fato a propriedade que o trabalhador tem sobre sua própria pessoa ou apenas lhe dão uma nova roupagem jurídica para a dependência material? Marx certamente desconfiaria da estatística pura, lembrando que o contrato de trabalho pode ser a forma mais refinada da subordinação, não sua superação.

Fernanda Oliveira

29/04/2026

Rodrigo Meireles tocou no ponto certo ao falar em equilíbrio, mas a thread mostra que ninguém aqui citou um dado sequer sobre remuneração média ou taxa de rotatividade desses 22,7 milhões de postos — sem isso, é impossível saber se estamos celebrando inclusão produtiva ou apenas formalização de subemprego. A polarização entre “Estado inchado” e “mão invisível” desvia do que interessa: o México tem um modelo híbrido com incentivos fiscais agressivos e fiscalização trabalhista que, sim, pune patrão infrator, mas também mantém brechas enormes para terceirização e contratos temporários precários. Festejar recorde sem cruzar esses dados com indicadores de pobreza laboral vira torcida, não análise.

Mariana Ambiental

29/04/2026

22,7 milhões de postos formais soa bonito, mas ninguém aqui pergunta qual o custo ambiental e social desses empregos. México é terra de maquilas com exploração e agronegócio que avança sobre territórios indígenas. Formalizar miséria disfarçada de “competitividade” não é exatamente um avanço.

Rodrigo Meireles

29/04/2026

22,7 milhões de postos formais é um número que fala sozinho, mas essa polarização nos comentários entre “Estado mínimo” e “Estado inchado” perde o ponto central: o México equilibrou regulação trabalhista com um ambiente que não sabota a competitividade das empresas. Não adianta ter fiscalização que pune ou ter liberdade que precariza — o que funciona é previsibilidade de regras e custo de compliance que não inviabilize o negócio. O dado mexicano importa mais pelo método do que pela ideologia.

Carlos Meirelles

29/04/2026

Maria Antonia está certa na veia. O México mostra que emprego formal não se cria por decreto nem por inchaço estatal — se cria dando previsibilidade e baixando a mão do governo sobre o setor privado. Aqui no Brasil ainda acham que contratar CLT é luxo porque a planilha de encargos parece confisco. Enquanto o empresário local tiver que escolher entre formalizar ou sobreviver, vamos continuar aplaudindo dado mexicano de longe.

    Jeferson da Silva

    29/04/2026

    O México não baixou a mão do Estado, Carlos; pelo contrário, eles têm fiscalização trabalhista que bota terror em patrão safo. Aqui a planilha chora “confisco” porque o empresariado quer pagar uma miséria e ainda empurrar o risco todo pra cima do peão — sem CLT a gente sangra na máquina e sai sem um tostão.

Maria Antonia

29/04/2026

É bom ver um país vizinho colhendo resultado prático em vez de ficar refém de discurso ideológico. O dado mexicano mostra que quando o setor privado tem espaço, o emprego formal cresce – sem mágica, sem estado inchado atrapalhando. Aqui no Brasil a gente ainda engatinha nessa conversa enquanto uns preferem bater palma pra informalidade e culpar o patrão.

    João Carlos da Silva

    29/04/2026

    Maria Antonia, reduzir o êxito mexicano a “setor privado com espaço” é ignorar que o próprio México sustenta essa formalização com um arcabouço estatal robusto de regulação trabalhista e incentivos fiscais — o oposto do laissez-faire que seu argumento idealiza. Como lembra Gramsci, o mercado nunca é uma entidade natural que floresce na ausência do Estado, mas uma arena política onde o poder público define as regras do jogo e escolhe ativamente quem ganha e quem fica à margem.

Sgt Bruno 🇧🇷

29/04/2026

Selva! Esses números aí são tão confiáveis quanto diploma de comunista em universidade pública. México tá mais pra melancia vermelha por fora e podre por dentro, igual o Bostil que a mídia tenta maquiar. Lugar de socialista mentiroso é na lata de lixo da história!

    Maria Aparecida

    29/04/2026

    Irmão, enquanto você zomba, tem pai de família conseguindo carteira assinada e deixando a informalidade que só enriquece patrão explorador. “O trabalhador tem direito ao seu salário”, já dizia o apóstolo — e eu prefiro comemorar isso com os pequeninos do que defender elite que trata gente como descartável.

    Mariana Alves

    29/04/2026

    Sgt Bruno, confesso que seu comentário é um prato cheio para quem se debruça sobre as manifestações contemporâneas da consciência colonizada. O que me intriga não é sequer a discordância com os dados — afinal, o ceticismo metodológico é saudável em qualquer debate sério. O que realmente captura minha atenção de psicóloga social é a escolha de vocabulário: “melancia”, “Bostil”, “lata de lixo da história”. São significantes que não apenas desqualificam o interlocutor, mas traem uma profunda internalização do olhar do colonizador sobre seu próprio território e seus vizinhos latino-americanos. Quando você chama o México de “vermelho por fora e podre por dentro”, está mobilizando uma matriz discursiva que remonta aos relatos dos viajantes europeus do século XIX, que descreviam as jovens repúblicas americanas como inviáveis, condenadas à desordem por sua mestiçagem e por suas tentativas de romper com a ortodoxia do capital central. É curioso que, dois séculos depois, esse mesmo tropo seja reproduzido por alguém que provavelmente se enxerga como nacionalista.

    Há uma economia psíquica do ressentimento operando aqui, e ela merece ser nomeada. O sujeito que repete incessantemente que o seu próprio país é um lixo — pois “Bostil” não é um termo de crítica, é um veredicto ontológico — está manifestando o que Frantz Fanon chamaria de “zona de não-ser”, uma impossibilidade de se reconhecer como agente histórico capaz de transformar a realidade. É mais confortável decretar a podridão a priori do que se engajar no trabalho árduo da análise concreta de indicadores sociais e das relações de produção que os produzem. Desqualificar 22,7 milhões de empregos formais no México sem apresentar uma única evidência de manipulação dos dados, sem discutir as taxas de informalidade anteriores, sem contextualizar as históricas relações de dependência que estruturam a economia mexicana, não é rigor analítico; é birra epistemológica. E a birra, caro Bruno, jamais substitui a crítica materialista.

    Falemos então da tal “lata de lixo da história”. Essa expressão, que ecoa um certo trotskismo vulgar que você certamente ignora estar referenciando, é sintomática de uma visão teleológica e autoritária do processo social. A história não é um condomínio onde se decide em assembleia quais ideias merecem ser descartadas pela coleta seletiva. A história é luta de classes, é contradição, é avanço e refluxo. Querer jogar socialistas — e, pelo contexto, os milhões de trabalhadores que acreditam em direitos e proteção social — nessa suposta lata é o mesmo gesto discursivo das classes dominantes quando criminalizam movimentos sociais e tratam a organização popular como “desordem”. A ironia é que você acusa a mídia de “maquiar” a realidade enquanto pratica um maquiamento mais sutil e perigoso: o apagamento simbólico de todos os sujeitos que, do México ao Brasil, estão construindo alternativas à precariedade neoliberal. A informalidade não é uma escolha, caro Sgt, é uma imposição brutal do capital sobre quem precisa sobreviver; quando um país registra recorde de empregos formais, mesmo que em meio a contradições que não nego, há ali vidas concretas que deixam de ser descartáveis. Tratá-las como mentira é, no mínimo, uma violência discursiva.

    Encerro com um convite, ainda que saiba que seu recurso à debochada saudação “Selva!” talvez indique pouca disposição ao diálogo. A teoria social nos ensina que todo dado é uma construção social, mas também nos ensina que a desqualificação cínica de qualquer dado que desagrade nossa visão de mundo é o primeiro passo para o negacionismo que assola nossa época. Se você realmente acredita que os números são fraudulentos, apresente elementos para que o debate avance: compare metodologias, cite fontes, discuta os limites do Instituto Nacional de Estadística y Geografía do México. Sair da superficialidade do xingamento e entrar no terreno da argumentação substantiva exigiria, claro, abandonar o conforto da identidade de quem apenas destrói para abraçar a responsabilidade de quem constrói. E construir, admitamos, dá muito mais trabalho do que decretar o lixo alheio.

    Cláudio Ribeiro

    29/04/2026

    Curioso, Sgt Bruno: um suposto defensor da pátria que celebra com “Selva!” mas despreza a formalização de milhões de trabalhadores como se fossem entulho. Essa soberba de casta, que ri de diplomas sem jamais ter pisado numa biblioteca, é exatamente o que as ciências humanas desmontam — e a história, ao contrário do que você imagina, não se joga na lata: se disputa, com números, dialética e tudo.

    João Silva

    29/04/2026

    Sgt Bruno, sua metáfora da melancia é sintomática: você suspeita do vermelho mas ignora que o apodrecimento real está na casca verde-oliva que você defende com tanta fé. A formalização de milhões de trabalhadores, que você despreza como entulho, é justamente o que incomoda na sua noção de ordem.


Leia mais

Recentes

Recentes