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Itamaraty rejeita sanções ao Irã

Por Miguel do Rosário

02 de fevereiro de 2012 : 07h07

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Informar-se sobre a política externa brasileira requer um cuidado muito grande para não se deixar ludibriar pela imprensa. Jamais se limite a ler apenas uma manchete ou subtítulo. Leia as matérias na íntegra e procure mais de uma fonte. Às vezes, descobrimos uma novidade importante sobre um tema apenas semanas ou meses depois do acontecido.

Por exemplo, em matéria no Estadão de hoje (reproduzida abaixo), em que menciona a vinda da “chanceler” da União Européia ao Brasil, leio pela primeira vez a seguinte informação:

O Itamaraty, porém, indicou ontem mesmo que rejeitará o apelo da diplomata europeia e manterá a linha atual de sua política externa – contrária à imposição de sanções econômicas fora do âmbito das Nações Unidas. Há menos de um mês, em Genebra, o chanceler Antonio Patriota reuniu-se com uma delegação iraniana e deu garantias de que o Brasil “nunca” apoiaria sanções unilaterais. Na avaliação do Brasil, só o diálogo poderá levar a um acordo sobre o programa nuclear do Irã.

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Quando a Folha fez todo aquele barulho para anunciar uma guerra iminente entre Brasil e Irã, omitiu que os dois países haviam se encontrado “há menos de um mês”, e quais foram os termos do encontro. O jornal queria forçar a sua tese de que a política externa de Dilma representava “uma ruptura” e por isso publicou uma opinião, parcial e distorcida, de um funcionário já caído em descrédito, como opinião oficial do governo iraniano. Agora, com as declarações de Dilma em Cuba, as teses midiáticas escorreram pelo ralo.

A política externa brasileira continua a mesma. Independente e sensata.

E na minha opinião, o Brasil também está certo em não se meter com a Síria, nem apoiar sanções contra o país. É trágico e monstruoso o que o governo de Assad vem fazendo com os manifestantes, mas a história recente já mostrou que uma intervenção externa piora ainda mais o cenário, prolongando por décadas o que poderia ser resolvido em alguns anos, se ao país fosse permitido resolver o problema por si mesmo.

 

No Estadão:

‘Chanceler’ europeia vem ao Brasil para pressionar por sanções ao Irã e à Síria

Catherine Ashton quer convencer o governo a aderir ao esforço da comunidade internacional para frear o programa nuclear iraniano

Jamil Chade – CORRESPONDENTE / GENEBRA

GENEBRA – A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, desembarca no Brasil neste fim de semana para cobrar do governo da presidente Dilma Rousseff a adoção de uma posição mais firme contra a repressão na Síria e pressionar o País a aliar-se aos esforços da comunidade internacional para conter o programa nuclear do Irã.

O governo brasileiro confirmou ao Estado que os temas estarão na agenda da visita. Ashton é uma das principais defensoras das sanções contra o Irã e insiste que a situação na Síria já não pode ser resolvida com Bashar Assad no poder. Nas últimas semanas, ela vem liderando uma ofensiva diplomática que, ao lado dos EUA, busca mobilizar os principais centros de poder no mundo para asfixiar financeiramente os dois regimes.

Em discurso ao Parlamento Europeu, Ashton reiterou que espera convencer o Brasil a caminhar ao lado das sanções promovidas pela comunidade internacional em ambos os casos (mais informações na página A12). “Vou ao Brasil no fim de semana”, disse. “Um dos tópicos da agenda é explicar o que estamos fazendo (em relação ao Irã). Queremos uma ampla aliança nessa questão e um entendimento de que as sanções são vitais para forçar o governo de Teerã a voltar a negociar uma solução. Precisamos que a comunidade internacional atue de forma coordenada”, declarou, referindo-se a Brasília. “Vou concentrar minha agenda no Brasil no tema iraniano”, disse Ashton, que também destacou a necessidade de coordenar com o governo brasileiro posições em assuntos de direitos humanos. Ashton sabe que as sanções que se limitam a europeus e americanos terão pouco impacto e espera mais apoio internacional. Para isso, tenta conseguir a adesão de outros parceiros, como China, Coreia do Sul, Rússia e Japão.

O Itamaraty, porém, indicou ontem mesmo que rejeitará o apelo da diplomata europeia e manterá a linha atual de sua política externa – contrária à imposição de sanções econômicas fora do âmbito das Nações Unidas. Há menos de um mês, em Genebra, o chanceler Antonio Patriota reuniu-se com uma delegação iraniana e deu garantias de que o Brasil “nunca” apoiaria sanções unilaterais. Na avaliação do Brasil, só o diálogo poderá levar a um acordo sobre o programa nuclear do Irã.

Ashton indicou, no entanto, que não esperará indefinidamente por uma resposta iraniana. “O tempo está se esgotando e o Conselho de Segurança vai querer em algum momento avaliar se o Irã está cumprindo as determinações”, disse.

Apesar da pressão, Ashton insiste que fez chegar aos iranianos, por intermédio da Turquia, a mensagem de que está disposta a negociar. A mesma mensagem será passada ao Brasil, para que o País use os canais que Brasília dispõe em Teerã. “Nossa posição é a de apoiar o diálogo. Mas temos de fazer com que o Irã entenda suas responsabilidades”, disse.

A chefe da diplomacia europeia também disse que a situação da Síria é tratada como “prioridade”. “É alarmante o que ocorre na Síria”, afirmou. Segundo ela, a UE está pressionando “todos os dias e a cada hora” seus principais parceiros para que cheguem a uma posição conjunta. O principal desafio é convencer Rússia e China, países que têm poder de veto no Conselho de Segurança.

Bruxelas, porém, acredita que o apoio do Brasil, mesmo fora do âmbito da ONU, seria um sinal forte em razão da influência da diplomacia brasileira nos países emergentes. Segundo disseram diplomatas brasileiros ao Estado, o recado à UE será o de que o País rejeita qualquer ação, mesmo diplomática, que conduza a uma mudança forçada de regime.

Foto na capa de Olivier Polet/Efe.

Uma outra matéria (abaixo) publicada no Estadão, revela bem o papel subalterno, colonizado, a que a imprensa brasileira se presta. No site, ainda consta a fonte original do texto, o jornal conservador Washington Post, notoriamente ligado aos interesses da indústria bélica. Na edição impressa do Estadão, nem isso. O texto é apresentado como um peça jornalística própria.

A estratégia é velha. Os títulos dizem uma cosia. O conteúdo diz outra. Quem lê apressadamente, entenderá que o Irã está envolvido em ações terroristas nos EUA. Entretanto, confira esse trecho da matéria:

Não há informações concretas sobre possíveis ataques do Irã nos EUA, mas o diretor da Inteligência Nacional, James Clapper, disse que complôs frustrados “mostram que algumas autoridades iranianas estão mais propensas a conduzir ataques dentro do país em resposta a ações americanas que estariam ameaçando o regime”.

Hã? Quer dizer que não há informações concretas? O máximo que a CIA consegue é afirmar que algumas autoridades estão “mais propensas a conduzir ataques dentro do país”? O que isso quer dizer? Os EUA patrocinam sanções brutais contra o Irã, daí flagram alguma autoridade xingando – com razão – os EUA, e concluem que “autoridades iranianas estão mais propensar”? É muita manipulação.

O que me entristece é saber que o Washington Post ao menos está defendendo um lobby de indústrias bélicas norte-americanas, sedentas por mais uma guerra que lhes dê a oportunidade de tungar o contribuinte em mais alguns trilhões. E o Estadão, qual o interesse nisso tudo? O Brasil não tem indústria bélica.

O interesse do Estadão é só puxar o saco dos EUA, o que lhe garante alguns caraminguás das agências publicitárias norte-americanas… Com isso, porém, o Estadão não apenas prejudica o Brasil (e o mundo inteiro), a quem não interessa uma nova guerra no oriente médio, como se torna cúmplice de setores mafiosos e corruptos da imprensa ianque.

Inteligência dos EUA detecta possibilidade de ação do Irã no país

Agentes dizem no Congresso que pressão americana por sanções contra Teerã aumenta o risco de um ataque
02 de fevereiro de 2012 | 3h 03

WASHINGTON – O Estado de S.Paulo

De acordo com avaliação das agências de espionagem dos EUA, o Irã está pronto para lançar ataques terroristas em território americano, o que aumenta o risco de Washington pressionar para que Teerã desista de seu programa nuclear.

Em depoimento ao Congresso, na terça-feira, funcionários de inteligência afirmaram que o Irã já passou do limite em sua relação com os EUA. Teerã sempre costuma estar ligado a ataques contra alvos americanos no exterior e os agentes afirmam que os iranianos tiveram um papel importante no complô para assassinar o embaixador saudita em Washington.

Não há informações concretas sobre possíveis ataques do Irã nos EUA, mas o diretor da Inteligência Nacional, James Clapper, disse que complôs frustrados “mostram que algumas autoridades iranianas estão mais propensas a conduzir ataques dentro do país em resposta a ações americanas que estariam ameaçando o regime”. O alerta foi incluído no depoimento escrito que ele apresentou ao Congresso, que integra a avaliação anual das agências de inteligência sobre as ameaças mais graves ao país.

Em outras frentes, os agentes disseram que a Al-Qaeda está enfraquecida, mas há uma preocupação crescente com uma suposta espionagem na China, com a transição na Coreia do Norte e as incertezas no Afeganistão após a saída das forças americanas.

No entanto, além de Clapper, David Petraeus, diretor da CIA, e outros funcionários da inteligência, passaram a maior parte do tempo da audiência respondendo a perguntas sobre o Irã. Em seu discurso sobre o Estado da União, na semana passada, o presidente Barack Obama acenou com a possibilidade de uma intervenção militar para conter o programa nuclear iraniano, dizendo que “todas as opções estão sobre a mesa para alcançarmos esse objetivo”. / WASHINGTON POST

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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