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O desmanche do governo golpista: cai terceiro ministro de Temer

Por Miguel do Rosário

16 de junho de 2016 : 18h39

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Ministro do Turismo pede demissão após ser citado na Lava Jato

Henrique Eduardo Alves aparece como recebedor de R$ 1,55 milhão

Do R7, com Estadão Conteúdo

Citado na delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu demissão na tarde desta quinta-feira (16). Segundo o documento, divulgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o peemedebista aparece como recebedor de R$ 1,55 milhão no esquema de corrupção na Petrobras. O Planalto confirmou a saída dele.

Sérgio Machado já derrubou três ministros de Temer, incluindo Alves. O primeiro foi Romero Jucá (Planejamento), flagrado em gravações feitas pelo próprio ex-presidente da Transpetro, falando sobre um “pacto” com intenção de barrar a Lava Jato. Dias depois, outra conversa gravada mostrou o ministro da Transparência, Fabiano Silveira, criticando as investigações e orientando o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Ambos pediram demissão após as notícias repercutirem negativamente.

Alves já estava na mira do governo por conta do acúmulo de notícias negativas contra o peemedebista e interlocutores do presidente em exercício já pressionavam pela sua saída, alegando que a permanência dele no cargo, contrariava a fala de Temer de que, surgindo denúncias, a autoridade atingida deveria pedir demissão do cargo.

As denúncias de Sérgio Machado, no entanto, atingem grande parte da cúpula do PMDB e até o presidente Temer que, mais cedo, convocou a imprensa para rebater as denúncias e acusá-las de criminosas, mentirosas e irresponsáveis. Temer, que está “muito irritado” com as acusações, chegou a dizer que “alguém que teria cometido aquele delito irresponsável que o cidadão Machado apontou não teria até condições de presidir o País”.

A saída de Henrique Alves serve como uma espécie de válvula de escape para Temer, que estava sendo alvo de críticas por manter o ministro do Turismo no cargo. Com isso, seria uma espécie de “vão-se os anéis e ficam os dedos”.

Leia a carta de demissão do ministro:

“Excelentíssimo Senhor Presidente Michel Temer,

O momento nacional exige atitudes pessoais em prol do bem maior. O PMDB, meu partido há 46 anos, foi chamado a tirar o Brasil de uma crise profunda. Não quero criar constrangimentos ou qualquer dificuldade para o governo, nas suas próprias palavras, de salvação nacional. Assim, com esta carta entrego o honroso cargo de Ministro do Turismo.

Estou seguro de que todas as ilações envolvendo o meu nome serão esclarecidas. Confio nas nossas instituições e no nosso Estado Democrático de Direito. Por isso, vou me dedicar a enfrentar as denúncias com serenidade e transparência nas instâncias devidas. Pensei muito antes de tomar esta difícil decisão, porque acredito que o Turismo reúne as melhores condições para ajudar o Brasil a enfrentar o momento difícil que vive. Esta foi a motivação que me levou a voltar ao comando do Ministério depois de tê-lo deixado por uma questão política, de coerência partidária.

Acredito ter honrado os desafios do setor no pouco mais de um ano que estive no Ministério do Turismo. Registramos conquistas importantes como a isenção de vistos para países estratégicos durante a Olimpíada e Paralimpíada, a redução do imposto de renda para o turismo internacional e a execução de obras de infraestrutura turística em todas as regiões, para citar alguns exemplos.

Presidente Michel, agradeço à sua sempre lealdade, amizade e compromisso de uma longa vida política e partidária, sabendo que sempre estaremos juntos nessa trincheira democrática em busca de uma nação melhor. A sua, a minha, a nossa luta continuam. Pelo meu Rio Grande Norte e pelo nosso Brasil.

Respeitosamente,

Henrique Eduardo Alves”

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Biana

16 de junho de 2016 às 21h44

A bagunça está tão grande que a notícia da queda de um ministro por envolvimento em corrupção não chama mais a atenção dos leitores, não tem mais impacto , virou coisa do cotidiano, comum no dia-a-dia que já não causa borborinho… E o descarado do provisório rasga a seda em elogios. O pedido de demissão do ministro devia ser acompanhado do pedido de renúncia de quem o colocou no cargo. Foi mais uma oportunidade perdida pelo provisório de sair acompanhado.

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renato andretti

16 de junho de 2016 às 18h44

Nota:
Não podemos escrever coisas que não existem.
o CERTO..
GOVERNO INTERINO NO EXERCÌCIO.

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