Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Exerce o mandato com dignidade o parlamentar que agride fisicamente adversário que lhe dirige críticas?

Por Redação

18 de julho de 2016 : 21h37

conflito entre o senador José Aníbal (PSDB-SP) e o advogado Br…

PRECISAMOS DE MAIS HERÓIS! PARABÉNS BRUNO!O conflito entre o senador José Aníbal (PSDB-SP) e o advogado Bruno Rodrigues de Lima, que o chamou de "golpista" e "traidor do Brasil" na manhã de ontem, na área próxima do desembarque de passageiros do Aeroporto JK, em Brasília, é um retrato atualizado do momento político brasileiro.(via Brasil247: http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/239787/Briga-de-aeroporto-mostra-nova-temperatura-pol%C3%ADtica.htm)

Publicado por O Cafezinho em Segunda, 18 de julho de 2016

 

PRECISAMOS DE MAIS HERÓIS! PARABÉNS BRUNO!

O conflito entre o senador José Aníbal (PSDB-SP) e o advogado Bruno Rodrigues de Lima, que o chamou de “golpista” e “traidor do Brasil” na manhã de ontem, na área próxima do desembarque de passageiros do Aeroporto JK, em Brasília, é um retrato atualizado do momento político brasileiro.

Por Bruno Rodrigues de Lima, no Crítica Constitucional

Na manhã da terça-feira, 21 de junho do corrente ano, estava no aeroporto JK em razão de viagem que realizaria para a cidade de Salvador, onde naquele mesmo dia haveria uma comemoração pelos 186 anos de nascimento do poeta e advogado Luiz Gama, mártir da República, a quem dedico minha pesquisa de mestrado na Universidade Estadual de Campinas  – UNICAMP. Cheguei no saguão do aeroporto às 9h30 e o voo decolaria às 10h25, portanto, com uma boa e tranquila antecedência para o embarque. Mas, inesperadamente e para minha inteira surpresa, encontrei na área comum do aeroporto uma conhecida figura da vida pública brasileira, que, repentina e sub-repticiamente foi alçado à condição de senador da República, em um processo político frágil, ardil e fraudulento que depôs, ainda que provisoriamente, a legítima presidente da República Dilma Rousseff.

Assim que o reconheci, resolvi, em fração de segundos, “com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” – pra lembrar o saudoso poeta -, abordá-lo criticamente, como pessoa pública que é e pelo local público em que estávamos. Não haveria o menor problema se a normalidade democrática vigorasse e se a garantia da livre manifestação do pensamento, dentro dos limites da lei, fosse, no mínimo, respeitada por homens públicos cientes do decoro inerente ao mandato outorgado pela população.

Mas não. Com a escusa da anormalidade democrática, o senador José Aníbal, ao ser interpelado, a um só tempo incisiva e inofensivamente, sem gesto agressivo ou ameaçador de minha parte, sentiu-se poderoso na absoluta e irrestrita imunidade senatorial para desferir-me um soco, com um jornal na mão, sem que antes, sequer, redarguisse às críticas lhe dirigidas.

Tal qual se nota e é nítido nos vídeos que circulam nas redes sociais, ao ser criticado – e não mais do que isso -, o mencionado senador apelou, desde o primeiríssimo instante, à bruteza física e ao linchamento moral. Minha reação não poderia ser outra diante da fúria embriagada do senador: denunciei aos presentes o que ocorria naquele momento sem – em nenhum instante – intentar, sugerir, ameaçar, ou mesmo praticar qualquer gesto que devolvesse a agressão sofrida anteriormente. Apenas respondi, verbalmente, algumas das ofensas que foram desnecessariamente lançadas sobre mim; como ele antecipadamente chamou de ladrão e bandido, devolvi os mesmos dizeres.

Como se o senador não tolerasse nenhum tipo de crítica ou exposição política, ainda mais de um jovem estudante, ele mais uma vez avançou transtornadamente – enquanto eu recuava – para agredir com chutes e socos, desta vez, sem jornal na mão e mais descontrolado ainda. Ele próprio, sem vergonha no semblante, admitiu no plenário do Senado Federal: “fui em cima dele, e ele foi correndo, muito covarde. Caiu até! Chutei a maleta dele (…)”. 

Ora, será que eu cairia por um chute na maleta? Francamente. Ou por vários chutes e socos na carne? Será que ter me afastado dele – o que ele soberbamente classificou de covardia – não foi uma decisão responsável? Em declarações a meios de comunicação, porém, ele se embaralhou e contou outras versões, todas inúteis em disfarçar o fato da agressão física que praticou e que depois, por lapso, admitiu. Na sessão em que ele se prestou a esclarecer sua versão sobre o ocorrido, fica evidente que sua narrativa se resume a um elenco de sofismas de mau gosto que não se sustenta comparada às imagens registradas e aos relatos testemunhais.

Não tivesse sido o bastante – e as câmeras do aeroporto são provas irrefutáveis disto – o senador José Aníbal voltou mais uma, mais duas vezes em minha direção! Na primeira volta, agrediu-me novamente sem que eu esboçasse, mais uma vez, qualquer sinal de revide; na segunda vez – e não menos grave – dirigiu-me, entre outras, essas palavras que populares testemunharam: “Vou te achar e não vai ficar barato”. Procurei a autoridade policial no ato e registrei a ocorrência cabível; busquei, em seguida, atendimento médico. Realizei exame de corpo de delito e ingressarei, se necessário, com ações judiciais. Em função do ocorrido, perdi o voo e ainda pago, em suadas prestações, as parcelas do bilhete aéreo.

A partir dessa experiência lastimável e nada agradável, pergunto à comunidade política e à Mesa do Senado, solidária na sessão de 22 de junho ao acesso de raiva e descontrole do senador José Aníbal: exerce com dignidade o mandato de senador – na forma do inc. III do art. 2º do Código de Ética e Decoro do Senado Federal -, aquele que agride o cidadão que lhe critica? Quais os limites da imunidade parlamentar no debate público? Quanto ao senador José Aníbal, com a devida licença da palavra do mestre Luiz Gama, “direi apenas que é um pobre de espírito, para quem Deus aparelhou o reino do céu”.

Bruno Rodrigues de Lima é Mestrando em Direito, Estado e Constituição pela Faculdade de Direito da Universidade de Brasília – UnB e mestrando em História Social da Cultura pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Advogado – OAB-BA nº 42.319 

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10 comentários

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Eliane Barroso

19 de julho de 2016 às 20h48

#JoséAnibalTucanoAgressorCorrupto

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Will

19 de julho de 2016 às 15h18

E temos é que ter a foto de todos os congressistas ladrões golpistas na mão, para reconhecer, porque tem muitos deles se escondendo do povo! Vamos sempre repassar em nossos comentários as fotos desses nojentos, para que possam ser identificados e xingados de ladrões golpistas!

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Will

19 de julho de 2016 às 15h15

Putz, eu não tenho uma oportunidade dessas! Se eu tiver de encontrar quem seja for o congressista, vou berrar o tempo todo chamando ele de ladrão! Golpista! Só isso sairia da minha boca! Ladrão! Ladrão! ´É isso que o povo tem de fazer o tempo todo! Eles sabem que são ladrões, mas pensa que o povo não sabe nada da vida de bandidos que esses congressistas tem! Vamos sempre xingar! Tem de barrar a globo ou qualquer mídia golpista de trabalhar! Tem de gritar e chamar todo político dos partidos golpistas de ladrão mesmo! Façamos uma campanha! Adote um político golpista para chamá-lo de ladrão!

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Pedro Pedro

19 de julho de 2016 às 13h33

Se houvesse vergonha entre esses criminosos-ditos-parlamentares e o tal subsenador já teria sido afastado do seu cargo por quebra de decoro parlamentar. Como são todos associados em acunhadisses, o rapaz corre o risco de ser processado pelo impróprio senado e subsenador sob a ótica de que subsenadores são inatacáveis. Pobre país.

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Maria Aparecida Lacerda Jubé

19 de julho de 2016 às 13h32

Com o total apoio dado ao golpe pela mídia e pelo judiciário, os golpistas estão se achando os donos do país.

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Fontele

19 de julho de 2016 às 09h31

Mais um político corrupto que se utiliza da máquina pública em benefício próprio…
Pela reação da autoridade, deveria ter o mandato cassado e ser expulso do Senado a bem do serviço público do país!

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    Doris Gibson

    19 de julho de 2016 às 12h05

    Mandato que aliás, não lhe pertence, para o qual o nomeado não recebeu nem um mísero voto, pois não passa do suplente do suplente do suplente da cota do partido.

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Antonio Passos

19 de julho de 2016 às 01h12

Sinceramente, deixar que um excremento caquético como esse golpista vagabundo, tire essa onda de valente, infelizmente pra mim não é honra não. Sou mais o que Brizola fez com David Nasser.

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Denize Sampaio

19 de julho de 2016 às 00h15

Parabéns por sua atitude, Bruno! Vi o vídeo e nele o descontrole do senador.

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Pafúncio Brasileiro

18 de julho de 2016 às 23h55

Paulistas, pensem muito em quem votar nas próximas eleições. Esta “tiurma”, que está aí no poder do Estado de SP, diz que estão aí há 20 anos. Na verdade, é o mesmo grupo político que começou no governo Montoro, em 1983, portanto há 33 anos. Eles, na cara-dura, falam em 20 anos, mas, na real são 33 anos. Pensem bem paulistas, eliminem tucanos pelos seus votos, as coisas estão em suas mãos.

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