Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

“Crescimento” de 0,2% baseado exclusivamente no consumo de famílias esconde processo brutal de concentração de renda

Por Miguel do Rosário

01 de setembro de 2017 : 11h27

O crescimento do PIB no segundo trimestre do ano foi de 0.2%, um valor absolutamente medíocre e instável, sobretudo porque baseado exclusivamente no consumo das famílias, que cresceu modestos 1,4%. Indústria, investimentos, consumo do governo caíram. A agricultura ficou no zero.

Mesmo assim, a imprensa divulga o “crescimento” sem adversativos. Não tem mais “PIB cresce mas…”
A relação orgânica entre imprensa e o novo regime neoliberal instalado pelo golpe se revela nesses momentos.

Os números também servem de lição: se o Brasil quiser crescer de verdade, precisa apostar no consumo interno. É o único fator que, contra tudo e contra todos, resiste bravamente à política de caos e destruição promovida por governo e mídia.

Seria interessante, porém, estudar esses números a fundo, porque eles estão escondendo um processo brutal de concentração de renda, com poucas famílias mais ricas consumindo mais e a maioria consumindo menos, até porque o desemprego atinge de maneira muito mais dura as faixas sociais mais humildes e as regiões geográficas mais pobres do país.

É emblemático de um Estado historicamente sem preocupação com a questão da desigualdade, onde seu Banco Central aumenta ou reduz juros sem levar em conta o impacto no emprego, que o IBGE não acompanhe de perto, ou pelo menos não divulgue de maneira mais explícita, a evolução das taxas de concentração de renda.

O gráfico acima, com a evolução dos investimentos, é um raio-x de como o golpe foi construído. Logo no início da nova gestão de Dilma, a economia foi deliberadamente paralisada pela Lava Jato, de um lado, e por Eduardo Cunha, de outro, ambos chancelados e apoiados pela Globo e seus satélites na mídia.

[Esse texto foi divulgado mais cedo pelo Cafezinho Spoiler, nossa newsletter enviada por email ou whatsapp. Assine gratuitamente clicando aqui]

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

7 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Luiz Carlos P. Oliveira

02 de setembro de 2017 às 20h41

Já tem jornalista coxinha dizendo que a crise ficou para trás. É o caso do jornal ZH deste sábado. Claro que os coxinhas acreditaram nessa falácia. Provavelmente pensam que aumento de cobsumo familiar vai salvar o Brasil do buraco. Como são ingênuos. Ou burros?

Responder

Ruy Mauricio de Lima e Silva Neto

02 de setembro de 2017 às 11h14

Imagine! Devemos estar loucos mesmo, para aceitarmos calados uma aberração destas. O calhorda-“presidente” desembarca na China, cumprimenta Xi Jin Ping, Hu Jin Tao e Lin Yu Tang efusivamente, e alardeia que o Brasil vai de vento em popa com os seus recém-apurados 0,2% de crescimento!!!!!!!!! 0,2%!!!!!!!!!! Na Terra dos 15, 12% de crescimento do PIB, até há pouco tempo, e que hoje amarga um “vergonhoso” e “humilhante” crescimento de 7%, vai o nosso anfitrião das madrugadas do Jaburu festejar, com ampla ressonância das Grobos, Bands,Vejas, Estadões e Folhas de sempre, o seu vertiginoso 0,2%! E que é enorme o interesse por nós da parte dos chineses (como há poucos dias havia sido dos “soviéticos”…) Pudera! Com panacas assim para negociar, só podem resultar Negócios da China!

Responder

Prof. Iso

02 de setembro de 2017 às 00h22

O consumo das famílias em época de recessão resulta do “abre mão” das pessoas de bens e poupanças acumulados nos últimos anos. Compramos e agora estamos vendendo. A volta ao passado. E pior, como estamos em recessão, para vender temos que abrir mão de parte da valorização do patrimônio.
Contrariando a expectativa da classe média, a recessão leva de volta aos tempos em que as pessoas queriam comprar estes bens.
Estamos abrindo mão de nossos bens recentemente adquiridos para podermos ter uma vida menos complicada. E estes recursos para onde vão? São concentrados nas mãos de quem detêm capital e desfrutam com barganha as consequências da conjuntura. O bolo não aumentou porem seus fatiamento mudou drasticamente. Migalhas para muitos, finas fatias para alguns e pedaços polpudos para poucos.
Plantou..colheu!

Responder

Paulo L Maia

02 de setembro de 2017 às 00h27

3o trimestre não haverá resgate de FGTS.

Responder

Dom Gentil Brito

01 de setembro de 2017 às 17h47

Trabalho informal e bico e viracao! ! Não arrecada e ainda tem a bolha das contas inativas! ! Esse índice é caótico! !

Responder

Gustavo Horta

01 de setembro de 2017 às 12h33

“De qual nova ordem mundial estamos falando?”
> https://gustavohorta.wordpress.com/2017/06/11/de-qual-nova-ordem-mundial-estamos-falando/

“UM POUCO MAIS SOBRE ESTA PRETENSA E GALOPANTE “NOVA ORDEM MUNDIAL” CAPITANEADA PELOS MAÇÔNICOS, SIONISTAS E, INCRIVELMENTE, PELOS FASCISTAS POLICIALESCOS.

DE QUAL NOVA ORDEM MUNDIAL ESTAMOS FALANDO?”

Responder

Mário Alves Ferreira Jr.

01 de setembro de 2017 às 14h58

e ainda bem que não tem Margem de Erro… neh rsrsrs

Responder

Deixe um comentário