Boulos no programa de Maurício Meirelles

Se Lula for impedido, será péssimo para o Brasil, péssimo para a democracia e ótimo para a imagem de Lula

Por Mariana T Noviello

25 de janeiro de 2018 : 09h17

Se a tendência jurídica de condenar Lula se confirmar, o ex-presidente nunca mais poderá se candidatar e participar ativamente da política do país.

E como muito de nós acreditamos, este é o verdadeiro objetivo de um judiciário viciado que julga Lula na velocidade da luz e leva à prescrição o julgamento de outros políticos cujos casos são arquivados sem nenhuma cerimônia.

Fora aqueles que fazem batalha ideológica e torcem para que Lula esteja fora do páreo, ou os que não têm nenhuma compreensão do que significa ‘justiça’ e ‘imparcialidade’, no Brasil, mesmo os cidadãos mais conservadores, se dão conta do tratamento injusto e parcial recebido pelo ex-presidente e o tamanho do golpe contra o nosso país.

Se Lula não puder ser presidente de novo, ele será, simplesmente, o melhor presidente que o Brasil já teve. Ponto.

E sua imagem só crescerá na história.

Quando os historiadores futuros puderem se debruçar minuciosamente sobre todos os documentos que estarão disponíveis sobre lava jatos, mensalões e demais achaques da nossa história recente, quando eles puderem quebrar os sigilos impostos por políticos contemporâneos a Lula (como Alckmin) e descobrir o porquê destes sigilos, a figura do Lula se revelará ainda maior do que é hoje.

Se a estupidez daqueles que governam o país no momento – nos três poderes: executivo, legislativo e judiciário – não fosse tamanha, eles entenderiam que Lula não é simplesmente um símbolo da esquerda. Ele é também um ser humano.

Uma segunda presidência significaria a possibilidade de errar, de cair, de não conseguir fazer o que é esperado dele.

Isto é, se ele for eleito.

Vale lembrar os usurpadores, que numa democracia, existe sempre esta possibilidade.

E não nos iludamos, a tarefa que está, ou estaria, na frente de Lula é extremamente árdua.

Principalmente, porque não vejo a possibilidade de elegermos um parlamento com a dignidade e decência necessária para reverter todos os danos causados durante estes dois anos de lambança.

Não vejo a possibilidade de eleger um parlamento, que mesmo sob a liderança de um Lula, estaria interessado não só em “reverter danos”, mas ir além, fazendo tudo aquilo que seria necessário ter sido feito lá trás, em 2002, como a reforma das leis da mídia e do judiciário.

Retirar Lula da política, não significa somente retirar o maior empecilho para o projeto de poder da direita e seus aliados corruptos. Significa também retirar o ser humano, Luís Inácio Lula da Silva.

Já fui acusada muitas vezes de ser ‘lulista’.

E, sinceramente falando, como ‘lulista’ – pessoa mais fiel à figura do ex-presidente do que às ideologias de esquerda – temo pelo ex-presidente.

Temo a possibilidade de Lula chegar lá e não conseguir lidar com as enormes expectativas que, cada vez mais, o PT, os movimentos sociais, a população em geral e até mesmo a esquerda inteira, depositam (como já depositaram) sobre os ombros de um só homem.

Como me dói também pensar no quanto ele já sofreu e continuará a sofrer (na sua vida privada) por causa desta cruzada inútil e injusta.

Mas como pessoa de esquerda e engajada na luta pela democracia e justiça social no meu país continuo e continuarei a defender o direito de poder eleger Lula.

Isso porque, considerando a atual conjuntura política, Lula continua e continuará a ser o grande símbolo aglutinador, capaz de atingir massas, ouvir demandas, conciliar partes e – apesar de tanto ódio – talvez seja o único que seria capaz de manter o diálogo necessário com aqueles que destruíram o nosso país.

Nossa democracia já foi manipulada demais.

O golpe, e a decapitação precoce de líderes em potencial, fez com que não tivéssemos o tempo para o amadurecimento necessário para formar novas lideranças.

A interferência forçada do judiciário na política fez com que não possamos ver o crescimento orgânico de novos personagens.

E não só de esquerda – a direita está aí, correndo como galinhas sem cabeça num quintal, sangrando…

Mas não por muito tempo – a direita que se cuide.

Porque toda essa ebulição está trazendo de volta jovens, que doutra maneira poderiam continuar apáticos, à política.

Está mostrando à população que existe sim uma diferença entre esquerda e direita no governo.

E longe do que diz a elite, do que quis o judiciário e a mídia, o que eles fizeram foi mostrar ao povo que o engajamento político é necessário.

O futuro será fruto deste episódio macabre pelo qual estamos passando.

Isso no futuro.

Por ora é importante fazer tudo o que for possível para que a corja que está aí não destrua completamente o país a curto prazo.

Arruinando vidas que não verão este futuro mais longínquo.

E para isso, precisamos de Lula, o símbolo.

Por isso, precisamos ter a coragem de continuar a defender e estar do lado de Lula.

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