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Washington Post: 45% da produção americana de petróleo é subsidiada

Por Miguel do Rosário

26 de maio de 2018 : 11h37

Sobre a greve dos caminheiros, entendo que é preciso muito cuidado para lidar com o assunto. Não devemos criminalizar nem os trabalhadores e nem as empresas do setor.

E não importa, francamente, que posicionamento caminhoneiros ou empresas tenham assumido no processo de impeachment. O que está em jogo aqui é a segurança econômica do país, com todas as consequências disso para a sobrevivência física de milhões de pessoas.

Não vamos corroborar as atitudes irresponsáveis da Lava Jato, que parece não se importar com as consequências sociais e econômicas de nenhuma de suas ações.

O que precisamos entender é o seguinte: a política de preços implementada pelo governo Temer, via presidente da Petrobras, Pedro Parente, é criminosa e irresponsável.

Dilma pode ter exagerado um pouco na contenção dos preços finais da gasolina, mas a sua política estava fundamentalmente correta. A Petrobras precisa servir como anteparo à louca volatilidade das cotações internacionais. Para que descobrir pré-sal, maior reserva descoberta em muitos anos, em todo o mundo, e sofrer aumentos sucessivos, frenéticos, diários, dos preços do diesel e da gasolina?

Entretanto, mais uma vez, vemo-nos completamente ilhados em termos de informação. Os grandes meios de comunicação nacionais não informam aos brasileiros que, em todo mundo, a energia sempre foi um setor fortemente subsidiado pelo Estado.

Em outubro do ano passado, o Washinton Post, um jornalão conservador dos EUA, publicava que “sem subsídios federais ou estaduais, quase metade da produção americana de petróleo – cerca de 45% – seria insustentável financeiramente aos preços correntes”.

A reportagem, assinada por Tim McDonnell, informava que os subsídios estatais à indústria americana de petróleo tinham alcançado quase US$ 5 bilhões ao ano (R$ 18 bilhões).

Uma outra matéria, mais antiga, de maio de 2015, no Guardian, também informa sobre massivos subsídios à indústria americana de petróleo, a todos os elos da cadeia de produção, desde a exploração até o refino.

A reportagem descobriu que os subsídios estatais à construção e expansão de refinarias eram generosos, e eram “pagos” antecipadamente por contribuições milionárias às campanhas políticas dos candidatos comprometidos com a indústria de petróleo.

Esse é o país para o qual a Petrobras se comprometeu a pagar quase R$ 10 bilhões, como “multa” por ter “enganado” investidores norte-americanos acerca das relações entre a nossa petroleira e o mundo político…

Trecho da matéria do Guardian:

Uma refinaria da Shell na Pennsylvania está para receber US$ 1,6 bilhão em subsídio estatal, segundo uma acordo fechado em 2012, quando a empresa registrou um lucro anual de US$ 26,8 bilhões.

Reformas da refinaria da ExxonMobil, em Baton Rouge, Lousiana, estão se beneficiando de um subsídio de US$ 119 milhões, com a ajuda começando em 2011, quando a companhia obteve um lucro de US$ 41 bilhões.

A matéria, publicada pela editoria de meio-ambiente, e que tinha como principal entrevistado o senador Bernie Sanders, dizia ainda o político tinha uma proposta de cortar US$ 135 bilhões em subsídios estatais para a indústria do petróleo ao longo da próxima década.

“Entre 2010 e 2014, petróleo, carvão, gasolina, e as indústrias de extração, gastaram US$ 1,8 bilhão em lobbying político”, diz Sanders.

O que os EUA chamam de “lobby”, nós chamaríamos aqui de “corrupção” ou “propina”, porque nada mais é do que dinheiro doado pelas empresas para políticos e partidos.

Essas informações confirmam que o tal “mercado livre”, que os neoliberais tentam estabelecer no Brasil, é uma falácia. Não existe sequer na sede do imperialismo, de onde nascem essas ideias.

Enquanto o Estado americano subsidia sua indústria de petroleo, ao mesmo tempo em que essa indústria financia a sua classe política (não esquecer que o primeiro secretário de Estado nomeado por Trump foi Rex Tillerson, presidente da ExxonMobil), o Estado brasileiro, através da Lava Jato, promoveu o maior ataque já visto na história contra a nossa própria indústria de petróleo, e criminalizou de maneira sordidamente sensacionalista as relações entre empresas ligadas ao setor e a nossa classe política.

A Lava Jato fez isso tudo ao mesmo tempo em que nossos procuradores fechavam acordos informais com o governo americano, fornecendo informações secretas/estratégicas de nossas empresas a um país notoriamente imperialista, conhecido por suas intervenções no mundo inteiro visando ampliar seu controle sobre o mercado mundial de petróleo.

Hoje me parece claro que os Estados Unidos, após o impressionante crescimento de sua produção de petróleo e derivados nos últimos anos, precisavam garantir novos mercados consumidores. E o Brasil é hoje, junto com México, o principal comprador dos derivados de petróleo produzidos nos EUA. Os EUA precisavam ainda que este mercado tivesse “preços livres”, para permitir que as refinarias norte-americanas, entre elas as dos famigerados Irmãos Koch, maximizassem seus lucros por aqui.

A Petrobras anunciou, há pouco tempo, que pretende privatizar suas principais refinarias.

Isso significa menos soberania e mais entrega de nossos recursos, empregos e renda, para o grande capital internacional.

Para isso, deram o golpe.

Sugerimos aos internautas que acompanhem a nossa série de reportagens organizada sob a categoria “Quem ganhou com o golpe“.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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24 comentários

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Buddy Shefte

08 de fevereiro de 2019 às 22h55

eu precisava para escrever você que pouco palavra finalmente dar agradecimentos again com o amazing conhecimento você tem documentado nesta página . Isto tem sido completamente chocante generoso de você para dar sem contenção tudo muitas pessoas {poderiam ter | poderiam possivelmente ter | poderiam ter | teriam | fornecido para um e livro para terminar fazendo alguma massa sozinhos, precisamente dado que you poderia ter done it se você nunca decidiu . These dicas adicionalmente servido como a maioria das pessoas tenha o mesmo sonhos semelhante a my own para descobrir significativamente mais concernente este problema . Eu acredito há muitas mais agradáveis ​​ períodos up front para pessoas que analisou seu site

https://doity.com.br/quais-bandeiras-a-sumup-aceita

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Daniel Dantes

26 de maio de 2018 às 23h52

The magistrate Sérgio Moro has committed a crime against national security. Moro tapped a phone call between President Dilma and former President Lula without the High Court authorization. This is a crime in any democratic and civilized society. It’s a crime against fundamental law of the state, therefore, Moro should be in jail for committed crime against Brazil’s national security.

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leandro

26 de maio de 2018 às 21h27

E alguns insanos achando que o governo brasileiro não deve subsidiar nada, deixar o mercado de combustível totalmente livre. Não considero burrice. Acho que beira loucura mesmo.

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Getulio Evangelista Neto

26 de maio de 2018 às 21h04

Os neoliberalistas direitões mocotós sempre defenderam um estado mínimo para os pobres e trabalhadores e um Estado Máximo financiando e subsidiando empresas, perdoando dívidas do agronegócio, privatizando lucros e socializando imensos prejuízos …

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    Lourdes

    27 de maio de 2018 às 08h27

    Concordo com você, Getúlio!

    Responder

José Ferreira

26 de maio de 2018 às 19h03

Sobre a greve, os caminhoneiros estão totalmente corretos.

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    Jurandir

    26 de maio de 2018 às 19h33

    Oi? Você é bipolar, cara?

    Responder

José Ferreira

26 de maio de 2018 às 19h02

Que matéria insana, sem sentido e sem lógica.
Coisa de porra louca que não btem o que escrever.

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    Jurandir

    26 de maio de 2018 às 19h30

    Vai ler os artigos e comentários no site “antagonista” ou “poder naval” (da “trilogia de defesa” – o paraíso dos bolsominions) que você vai entender esta situação da maneira que consegue e o que querem que você entenda. Depois fique macaqueando o que leu por ai, com a boca escancarada e babando de ódio, como um bom zumbi midiático.

    Responder

JoAS

26 de maio de 2018 às 18h43

O QUARTO PODER (caminhoneiros) ARRASOU com os OUTROS 3 (Executivo, Legislativo e Judiciário) em menos de 1 semana”..!

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Lucas Prado

26 de maio de 2018 às 17h24

Não é a classe média que sempre valorizou ter carro. Não é a classe média que sempre deu nenhuma importância aos trens, a malha ferroviária. Tá aí o resultado de se investir só na indústria automobilística.
Vejam outros países com dimensão continental se sucatearam sua malha ferroviária e investiram só no automóvel.
Brasileiro é igual papagaio só sabe repetir o que analistas e jornalistas dizem na TV ou escrevem no jornal.
Mesmo que essa greve acabe logo e vai acabar, o Brasil não tem plano B. Por que a indústria automobilista sempre fez e faz um grande loby junto ao congresso nacional e aos políticos. Por isso que a malha ferroviária só encolheu no decorrer dos anos.
Quer gostem ou não o pt tinha e tem um projeto para a indústria nacional. Mas muitos preferem pensar só no seu carro e em privatizar tudo.
Então, o jeito é acreditar nos formadores de opinião com seus bons empregos e nada de sufoco, é só furar o olho da boiada.
Tem um monte de briga na OMC por causa de subsídios e protecionismos de países ricos às suas industriais e a Petrobrás não pode proteger os brasileiros. Então, paga 5 reais no litro de gasosa e não reclama. Acredita igual patinho da fiesp que a gasolina vai baixar aqui qdo o dólar e o barril petróleo baixar. Isso já aconteceu no governo Temer e a gasolina não baixou no Brasil.
Se a política de combustíveis da Dilma era ruim para alguns, a do Pedro Parente é excelente para os países dessas petroleiros. E ainda o pior está por vir qdo todo o combustível da petrobras for refinado no exterior.
Segundo os formadores de opinião tá certo o Brasil só vende óleo cru e não refinar nada aqui, deixa para quem sabe fazer.
Qual política de energia é mais desastrosa para o Brasil a anterior ou a atual ?

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    Mauro Doria

    26 de maio de 2018 às 21h07

    100% correto.
    Ontem a malha ferroviária, hoje o plano de álcool combustível. Não existe política de longo prazo, os partidos não tem reflexões sobre o país a longo termo, tudo é definido a curto prazo ao sabor da corrupção. Na China o partido comunista faz este viés ideológico no país que é buscar definir seus objetivos como país que vem mesclado com interesses de curto prazo comerciais.

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      Ultra Mario

      26 de maio de 2018 às 22h57

      Somos um país rodoviário a décadas. Não adianta ficar sonhando com o que podíamos ter enquanto deixamos o que já temos ser sucateado e vendido.

      Responder

    Lucas Candido

    27 de maio de 2018 às 13h44

    O trumpf já mandou uma bela Banana pra esse negócio de globalização. O negócio dos Estados Unidos hoje é proteger as suas empresas a todo custo. Tanto que, já há relatos que em muitos países latinos, que o governo americano interferiu/interfere diretamente nos governos. Ou alguém acha que a Venezuela e a própria queda do governo anterior no Brasil foi por acaso?

    Responder

leonardo-pe

26 de maio de 2018 às 17h14

Pena que esse artigo seja discriminado. vão muitos dizer que isso é coisa de esquerdista imbecil. JÁ QUEBRARAM O BRASIL caros Amigos. para agradar os Estados Unidos. nosso destino será mesmo a falência e depois, a uma humilhação histórica.

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euclides de oliveira pinto neto

26 de maio de 2018 às 16h49

O Brasil está ajudando a fazer a “América Grande Outra Vez”, entregando suas reservas, refinarias e o lucro líquido para as multinacionais… crime de lesa-pátria… pena de morte…

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Reginaldo Vieira Nascimento

26 de maio de 2018 às 16h24

Já quê a merda tafeita senta encima

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Jurandir

26 de maio de 2018 às 15h30

Parabéns, Miguel! Finalmente, um artigo sensato e matador.

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Vicente

26 de maio de 2018 às 15h23

Estamos colhendo o estrago de 50 anos de manipulação da globo.
Um povo politicamente desorientado.
Espero que blogs como este consigam reparar um pouco desse estrago.

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    Stephan Deutsch

    28 de maio de 2018 às 15h40

    Kkkkklkkkkk Globo aquela que recebia a maior verba de todas do PT kkkk

    Responder

Nelson

26 de maio de 2018 às 15h07

Com a palavra os liberais – pero no mucho -, adoradores empedernidos do capitalismo estadunidense, que sonham com o liberalismo lá praticado.

Conforme nos informa Noam Chomsky, boa parte do orçamento militar é direcionado para subsídios a mega corporações dos EUA, para garantir assim que elas sigam ponteando o mundo em termos tecnológicos.

Então, amigos liberais, o tão incensado liberalismo estadunidense é, sempre foi, bancado com muito subsídio estatal. Grande parte do retumbante sucesso de megacorporações como Microsoft, IBM e outras gigantes dos EUA nada tem a ver com dinamismo capitalista, mas, é alcançado graças aos impostos que o povo estadunidense paga e ao “esfolamento” de outros povos mundo afora.

Acordem, liberais, desses seus sonhos irrealizáveis. Sem um Estado forte não há nação, não há capitalismo nacional. O que significa – para que existe? – um orçamento militar de US$ 1 bilhão anuais, se não para justamente negar o tal livre mercado, sustentando a farsa de que ele existe?

O eminente economista estadunidense, que a que eu saiba não era de esquerda, John Kenneth Galbraith, já dizia: “tire-se o Estado da economia e o capitalismo não dura um dia sequer”.

Liberal? Sim, liberal, mas sempre botando a boquinha, mamando na “vaca de divinas tetas” do orçamento público.

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    Érigobsb

    31 de maio de 2018 às 22h46

    Não sou tabelião, mas assino e dou fé.

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Silva

26 de maio de 2018 às 12h34

Lula Livre !

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Almir Bispo

26 de maio de 2018 às 12h02

Comente aqui contra isso general lacaio

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