Continua debate sobre prisão em 2ª instância

Putin e seus golpes em Trump

Por Tulio Ribeiro

09 de março de 2019 : 17h23

Em que pese o aprofundamento da política de sanções pelos Estados Unidos contra Venezuela, planejada e operada pelo governo Trump, Putin e Maduro desenvolvem um relacionamento cada vez mais próximo. Segundo Moscou, a Venezuela é o segundo maior parceiro comercial da Rússia na América Latina. Especificamente, a Rússia em breve investirá US $ 5 bilhões no setor petrolífero venezuelano para garantir o crescimento da produção. Outros 1 bilhão serão destinados à produção mineral, principalmente de ouro.

A maior demonstração desta aliança militar que que se amplia ao campo econômico, foi a chegada de uma das armas mais poderosas da Rússia.Em 11 de dezembro, o ministro da Defesa da Venezuela Vladimir Padrino, recebeu em Caracas o Tupolev 160 (TU-160) ou “White Swan”, um modelo de avião supersônico bombardeiro pesado de concepção soviética. Naquele momento Padrino Lopez registrou os objetivos da cooperação militar. “Estamos nos preparando para defender a Venezuela até a última mão, quando necessário”. Em 2019 seguiu-se bélico e tecnológico.

Mas se é no campo militar a visão mais clara desta aliança, vem da seara econômica as principais garantias e dividendos para chegar ao caráter de uma parceria estratégica e duradoura entre estes gigantes do setor de energia. Depois chegar aos aviltantes 26 dólares(2/2016) o barril, concerne numa análise mais aprofundada que o acordo de preços que renovou o setor. Pela parte da OPEP deveu-se o protagonismo da Venezuela em gestionar junto a Arábia Saudita e Irã para homologar o acordo com países não alinhados a OPEP ,coordenados pela Rússia. Deve-se o acerto de outubro de 2016, a valorização do barril até o confortável patamar de 60 dólares.

Tomado este aspecto como exemplo de confiança entre Putin e Maduro, o apoio da Rússia à Venezuela tem decidido a principal questão geopolítica dos nossos dias. O cerne da questão para o país sul-americano está em em enfrentar o bloqueio financeiro-econômico ordenado pelos EUA e União Europeia para derrocar o governos atual,para colocar no Palácio Miraflores um presidente submisso a Washington, como seria o de John Guaidó, chefe da Assembleia Nacional (AN ) da Venezuela.

No horizonte visto a partir de Moscou, o objetivo é aprofundar o protagonismo como uma das três potências mundias,junto com rival EUA e a aliada China. Entretanto para estar neste degrau, não basta o o axioma militar e político, mas sobre tudo o desenvolvimento econômico dentro e fora de suas fronteiras.

Os investimentos russos na Venezuela, sendo menores que os da China, buscaram controlar setores importantes que os asiáticos vêm abandonando. Rússia aumentou significativamente suas ações na faixa petroleira do “Orinoco”, onde estão maiores reservas de petróleo do mundo. Esta ação é administrada pela máquina estatal Rosneft , presidida Igor Sechin que é um dos principais conselheiros de Putin, vindo também de uma leva de ex-funcionários do ESTADO ligado a segurança. Em Moscou, Sechin é reverenciado como ‘real’ vice de Putin.

A Rosneft obrigou o governo da Venezuela a ceder como garantia, 49,9 por cento da Citgo, uma companhia venezuelana que atua nos EUA com ativos em refinarias e uma rede de postos atuando no varejo de combustível, lubrificantes e petroquímicos. Tendo capital totalmente venezuelano nos Estados Unidos, a Rússia usou como garantia de empréstimos inicialmente no montante de 1,5 bilhão de dólares.

Além disso, Rosneft ganhou a extração de licença de gás natural para as próximas três décadas e completamente removido para exportação. De acordo com documentos, o governo atuou nesta engenharia transnacional. Desta forma a Rússia se posiciona para ‘Petróleo de Venezuela’, PDVSA, como a principal fonte financiadora, garantindo fluxo para pagar os fornecedores e os vencimentos da dívida.

Um relatório do ‘Conselho Mundial de Ouro’ publicou em novembro passado confirmando que nos últimos meses a Rússia comprou mais do metal precioso do que qualquer outro país do mundo e ficou na frente da Turquia, que comprou 18,5 mil toneladas. A Rússia tem 17% das reservas mundiais. O ouro, no final, serve para os russos no intuito de cobrir suas costas no mercado financeiro internacional. O primeiro Vice-Presidente do Banco Central da Rússia, Dmitri Tulin, atestou que o metal é “uma garantia de 100% dos riscos jurídicos e políticos” do mundo.

O ouro é o principal caminho a seguir no momento histórico de desconfiança ao dólar como reserva de Valor. Países como Rússia, China, Índia dentre outros, tem construído uma cesta de moedas para quando chegar a derrocada do dólar, preso no ao crescente déficit fiscal e cambial estadunidense. A expectativa é que o Yuan assuma a liderança mundial monetária no médio prazo, o ouro é caminho ideal para fazer a transição e guardar entesourando riquezas até se completar este cambio.

É neste conjunto de ideias que a Rússia aloca sua ajustada estratégica. Desta forma as negociações próximas à Caracas garantem ganhos de mão dupla, lucro e investimento. O país asiático conseguiu negociar a sua participação no ‘Arco Minero’, uma área de 114.000 quilômetros quadrados, com riqueza mineral, localizado a sudeste do Estado Bolívar, onde estima-se que existam 7.000 toneladas de reservas de ouro, cobre, diamantes, coltan, ferro, bauxita e outros minerais

Uma das áreas que tem sido destinados a ser explorado pelos russos é a de ‘Cuchivero’ em Guaniamo, mais conhecida como a zona número um no arco. Estudos preliminares estimam a existência de 40 milhões de toneladas de depósitos de diamantes.

Desconstruindo noções simplistas de hegemonia, é interessante notar como a política retrógrada estadunidense constrói forças adversárias que somente apressam a derrocada de sua liderança mundial. Globalizar o mundo, para utilizar em larga escalas sanções pelas mais diversas razões aclaram sua incapacidade de liderar. Inclusive por ineficiência econômica. A história merece destacar que a China e a Rússia colocam em prática políticas vencedoras para seus países respeitando a soberania das nações, e que de forma igualitária gera dividendos para ambos os lados.

As tratativas empregadas por Donald Trump em relação a Venezuela são o campo aberto para oportunidades. Nela é possível perceber a forma ultrapassada de observar o mundo. Em verdade, Putin aproveita os rompantes de Trump, para desenvolver uma relação promissora chegando a ser estratégica com a Venezuela. Permite ao país caribenho gerir seu desenvolvimento, afinal parafraseando os mexicanos, os herdeiros de Bolívar não tem culpa de possuir tantas riquezas demasiadamente próximas dos americanos do norte

Tulio Ribeiro

Túlio Ribeiro é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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