Integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) no Tocantins, ligados à ala minoritária Articulação de Esquerda, manifestaram-se contra a filiação da ex-ministra e ex-senadora Kátia Abreu à legenda. No dia 4 de abril de 2026, o grupo encaminhou um pedido formal à Executiva Nacional do partido solicitando a invalidação da adesão da política, argumentando que seu histórico contraria os princípios fundamentais da agremiação.
O documento apresentado à direção nacional aponta que Kátia Abreu, ao longo de sua trajetória política, teria apoiado candidatos de direita em detrimento de nomes do PT, além de não demonstrar alinhamento com movimentos em defesa da classe trabalhadora. Os signatários acusam a ex-senadora de representar os interesses de latifundiários e multinacionais do agronegócio, posicionando-se contra a reforma agrária, uma bandeira histórica do partido. Para o grupo, tais posturas são incompatíveis com os valores de igualdade e justiça social defendidos pela legenda.
Um dos episódios destacados no recurso é a atuação de Kátia Abreu em dezembro de 2007, quando ela se posicionou como uma das principais vozes contrárias à renovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Segundo os autores do pedido, essa postura teria gerado impactos negativos para o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfraquecendo iniciativas da gestão na época. Eles reforçam que o PT deve manter seu compromisso com a luta pelos direitos dos trabalhadores, rejeitando filiações que não reflitam essa missão.
Kátia Abreu, que deixou o Partido Progressista (PP) após sete anos de filiação, anunciou sua entrada no PT também no dia 4 de abril de 2026, por meio de um vídeo divulgado em suas redes sociais. Na gravação, ela declarou seu interesse em contribuir para a luta pela democracia e para a reeleição do presidente Lula.
Até o momento, não houve posicionamento oficial da ex-senadora ou de representantes da Executiva Nacional do PT sobre o pedido de invalidação apresentado pelo grupo dissidente, mas a controvérsia já desperta debates internos na legenda. De acordo com informações publicadas pelo portal Metrópoles, a filiação de Kátia Abreu tem gerado questionamentos sobre a coerência entre o histórico político de novos integrantes e os ideais defendidos pelo PT.
A análise do pedido de invalidação pela direção nacional, cuja data ainda não foi divulgada, será um teste para os critérios de admissão de filiados e para a unidade interna do partido, que busca equilibrar diferentes correntes em sua estrutura.


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