Estudo com 56 países coloca a Argentina atrás apenas da Hungria em destruição industrial , mas, ao contrário dos europeus, a crise tem causa interna e identificável.
A indústria argentina registrou o segundo pior desempenho industrial do mundo nos últimos dois anos, com queda de 7,9% no setor manufatureiro.
O país só foi superado pela Hungria, que recuou 8,2% no mesmo período.
Os dados são de um estudo da consultoria Audemus, baseado em informações da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, com cobertura de 56 países.
O relatório é direto: o contexto global não explica o caso argentino. Enquanto a Europa sofreu com choque energético e concorrência chinesa, a crise argentina tem causas identificáveis na política econômica interna.
O contraste com os vizinhos reforça o diagnóstico. No mesmo período, o Brasil expandiu sua indústria em média 3,5%, e Chile, Peru e Uruguai também registraram crescimento.
Desde a posse de Javier Milei, o setor manufatureiro enfrenta a combinação de liberalização das importações e colapso da demanda interna. Mais de 2.400 empresas fecharam e 73.000 empregos foram eliminados.
As fábricas operam hoje com 53,8% da capacidade instalada, segundo o instituto nacional de estatísticas. Milei tem respondido às críticas acusando empresários de inflar preços e usar demissões como instrumento de pressão política.
A União Industrial Argentina pede um plano de redução de custos e impostos para reequilibrar a competitividade do setor frente a Brasil e México. Um senador do partido governista defende que o país abandone a aposta industrial e se concentre em agricultura, pecuária, mineração e petróleo.


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