Alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo concretizaram um avanço inédito na engenharia universitária ao lançar o Elara II, primeiro foguete impulsionado por motor de propulsão híbrida desenvolvido integralmente em ambiente acadêmico.
O Projeto Jupiter, grupo de extensão da Poli-USP, assumiu todas as etapas do desafio, desde a concepção até a construção completa do veículo e da infraestrutura necessária, mesmo sem a existência de um curso específico de engenharia aeroespacial na instituição.
Conforme detalhou o portal Olhar Digital, o motor Nêmesis demandou quase uma década de estudos intensivos até se tornar operacional.
Os trabalhos ocorreram principalmente no campus de Pirassununga, com apoio da Academia da Força Aérea. Diferente dos motores sólidos tradicionais, o propulsor híbrido combina combustível sólido com oxidante líquido, solução que proporciona maior segurança operacional e permite controle efetivo do empuxo durante o voo.
No lançamento do Elara II, a equipe avaliou simultaneamente múltiplos sistemas críticos, como o paraquedas de recuperação, o mecanismo de frenagem aerodinâmica e a resistência estrutural da fuselagem.
A operação completa ficou a cargo exclusivo dos estudantes, que gerenciaram toda a campanha durante o feriado de Páscoa, com atividades que se estenderam por dois dias consecutivos. O Projeto Jupiter existe desde 2015 e acumula experiência em competições nacionais e internacionais com foguetes de propulsão sólida convencional.
A transição para a tecnologia híbrida começou em meados de 2016 com o motor Nelore, que passou por teste estático bem-sucedido em Pirassununga em agosto de 2023.
O Elara II representa a integração final de todo esse conhecimento acumulado, marcando o primeiro voo real de um veículo completo equipado com o propulsor desenvolvido pelo grupo. Os estudantes dominaram todas as competências técnicas por meio de aprendizado autodidata, colaboração entre diferentes cursos da universidade e parcerias institucionais estratégicas.
Apesar do êxito na recuperação, o voo não atingiu a altitude inicialmente projetada em razão de falha no procedimento de abastecimento, que resultou em nível de oxidante inferior ao ideal no momento do lançamento.
Mesmo com essa limitação, o sistema de paraquedas funcionou conforme previsto e o foguete retornou ao solo com danos mínimos, permitindo análise detalhada de todos os componentes e subsistemas. Essa experiência fornece dados valiosos para os próximos ciclos de desenvolvimento da equipe.
O caso do Projeto Jupiter demonstra que a capacidade de inovação tecnológica pode prosperar em universidades mesmo diante de limitações estruturais ou curriculares tradicionais.
Ao dominar o ciclo completo de projeto, fabricação, teste e operação de um foguete híbrido, os alunos reforçam o papel da USP como polo de excelência em pesquisa aplicada. O grupo agora intensifica os preparativos para representar o país na IREC, a International Rocket Engineering Competition prevista para junho no Texas, onde pretende apresentar veículos ainda mais sofisticados baseados na tecnologia híbrida.
Esse marco consolida o progresso da engenharia aeroespacial universitária nacional e abre perspectivas para o aprimoramento contínuo de competências em controle de propulsão, integração de sistemas complexos e protocolos de segurança operacional. A trajetória do Elara II serve como referência concreta de como iniciativas estudantis podem contribuir de forma relevante para o desenvolvimento tecnológico.
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