Pesquisadores do MIT desenvolveram células solares ultrafinas flexíveis e autoadesivas que superam os painéis convencionais em peso, instalação e versatilidade.
Esses dispositivos utilizam tintas semicondutoras impressas sobre substratos robustos com espessura muito inferior à de um fio de cabelo humano e geram energia limpa com praticidade inédita em superfícies diversas.
A startup Active Surfaces, criada a partir de pesquisa do MIT, produz filmes solares leves de perovskita com espessura aproximada de 15 micrômetros.
Esses módulos se aplicam em telhados, fachadas e superfícies curvas metálicas ou plásticas por meio de processo roll-to-roll que deposita camadas eletrônicas de forma contínua.
O método favorece produção em larga escala com custos reduzidos e entrega durabilidade superior a dez anos em condições reais de temperatura e umidade, conforme detalhou o portal de notícias do MIT.
Em estudo complementar do instituto, células fotovoltaicas com espessura em torno de 15 micrômetros foram depositadas sobre tecido Dyneema, fibra ultrarresistente usada em cabos de ancoragem e coletes à prova de balas.
A fixação ocorreu com cola curável por luz ultravioleta. Essa estrutura ultraleve entrega eficiência de geração de energia cerca de 18 vezes maior por quilograma do que painéis de silício convencionais quando suspensa.
Integrada ao tecido, a célula gera cerca de 370 watts por quilo e mantém integridade após mais de 500 ciclos de enrolar e desenrolar, com perda inferior a 10% de desempenho.
A tecnologia permite aplicações antes inacessíveis à energia solar tradicional: barcos, tendas, velas de drones, superfícies curvas ou irregulares, fachadas espelhadas e até tecidos ou vestimentas.
A instalação se compara à colocação de papel de parede, com fixação por contato via adesivos especiais que elimina perfurações e reduz drasticamente custos de mão de obra.
Essa característica torna viável o uso em emergências ou regiões remotas sem infraestrutura consolidada.
Apesar dos avanços, persistem desafios técnicos. O material ativo, especialmente em filmes finos orgânicos ou de perovskita, sofre degradação quando exposto a umidade, oxigênio ou raios ultravioleta sem proteção adequada.
Equipes do MIT desenvolvem revestimentos transparentes ultrafinos e flexíveis para proteger as células sem comprometer leveza ou transparência.
Outro obstáculo envolve alcançar eficiência comparável aos painéis de silício a custo competitivo e escalar a produção sem perda de qualidade.
Essa linha de pesquisa carrega potencial para modificar a forma como a energia solar é adotada em escala global. A flexibilidade extrema, a leveza e a adesividade permitem que rolos de filme solar sejam aplicados em contextos variados, desde estruturas existentes até soluções temporárias.
A abordagem reduz dependência de cadeias produtivas concentradas e facilita a geração descentralizada de energia limpa.
A Active Surfaces já opera instalações piloto e busca espaço no mercado consumidor. O avanço marca a transição da tecnologia do laboratório para aplicações práticas, e investimentos em cadeia produtiva, proteção dos materiais e regulação de qualidade determinarão o ritmo de adoção nos próximos anos.
Com informações de olhardigital.com.br.
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