Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que a Rússia ofereceu abrigar o urânio enriquecido produzido pelo Irã como parte de uma solução para as tensões nucleares.
A proposta foi apresentada em fevereiro e Teerã a acolheu na ocasião, segundo o representante russo.
Peskov classificou a iniciativa como «uma solução muito boa» e reforçou que Moscou segue disposta a retomar o diálogo caso Washington altere sua posição.
Os EUA rejeitaram formalmente a oferta russa e apresentaram exigências máximas que incluem o desmantelamento dos principais centros nucleares iranianos.
Washington cobra ainda a entrega integral dos estoques existentes de urânio enriquecido e a imposição de uma moratória de 20 anos sobre qualquer nova atividade de enriquecimento.
O Irã defende que o enriquecimento de urânio constitui direito soberano legítimo destinado a fins civis e que o material integra sua infraestrutura nuclear pacífica.
Em rodadas de negociação realizadas no Paquistão, os EUA insistiram na suspensão total por duas décadas e na remoção de 440 quilos de urânio altamente enriquecido.
A delegação iraniana ofereceu contrapartida de cinco anos de interrupção, mas rejeitou a transferência completa do estoque acumulado.
Como detalhou o Le Monde, o desacordo sobre enriquecimento futuro e o destino dos estoques atuais provocou o fracasso das conversas.
Peskov declarou que a Rússia apoia supervisão plena da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o programa iraniano.
Ele observou que o Irã figura entre os países mais rigorosamente fiscalizados do mundo e que o organismo não identificou desvio de material para fins bélicos.
Os principais obstáculos ao acordo permanecem a recusa americana em permitir qualquer nível futuro de enriquecimento e o impasse sobre os estoques já existentes.
Para Teerã, aceitar tais condições equivaleria a abrir mão de autonomia estratégica nos campos energético e científico, além de expor o país a pressões políticas externas que poderiam se intensificar no futuro.
A Rússia sustenta que sua oferta permanece válida como via diplomática capaz de aliviar sanções sem violar a soberania iraniana.
A exigência americana de rendição completa do programa revela abordagem maximalista de Washington, que prioriza pressão em detrimento de compromisso real.
O Irã manifestou disposição para diluir a pureza do material, mas rejeita exportar o urânio altamente enriquecido.
Moscou mantém a proposta sobre a mesa como alternativa pragmática diante do atual impasse nas negociações nucleares.
O fracasso das discussões no Paquistão expõe a profundidade das divisões entre as posições de Washington e Teerã.
A rigidez dos EUA contrasta com a busca russa por soluções que preservem os direitos soberanos iranianos sem comprometer objetivos de não proliferação.
Com informações de rt.com.


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