A pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quinta-feira (16) confirma um cenário animador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado mais populoso do Brasil. Os três principais nomes ligados ao governo federal, Marina Silva e Simone Tebet na disputa pelo Senado, e Fernando Haddad no páreo pelo Palácio dos Bandeirantes, aparecem competitivos e em curva ascendente.
Marina lidera a corrida ao Senado com 37,8% das intenções de voto. Tebet vem logo atrás, com 32,9%, no cenário estimulado de múltipla resposta, em que cada eleitor pode citar até dois nomes.
Haddad, por sua vez, aparece com 37,3% na disputa pelo governo, contra 53,4% de Tarcísio de Freitas. O detalhe relevante está na comparação com fevereiro: o ministro da Fazenda, recém-desincompatibilizado do cargo, subiu 4,9 pontos percentuais em dois meses, enquanto Tarcísio perdeu 5,3 pontos.
Haddad: o maior cabo eleitoral do PT em São Paulo
A trajetória eleitoral de Fernando Haddad no estado é, por si só, uma credencial pesada. Em 2012, ainda pouco conhecido do grande público, venceu José Serra no segundo turno da eleição para a prefeitura de São Paulo, com 55,57% dos votos válidos.
Sua gestão à frente da maior metrópole da América Latina entrou para a história como uma das mais premiadas internacionalmente. Entre os feitos, destaca-se a obtenção inédita do grau de investimento pela agência Fitch, transformando a cidade mais endividada do país em credora líquida.
Em 2018, Haddad assumiu a candidatura presidencial do PT no lugar de Lula, preso injustamente pela operação Lava Jato. Mesmo entrando na disputa a menos de um mês do primeiro turno, chegou ao segundo turno e obteve 47 milhões de votos, o equivalente a 44,87% do eleitorado.
Em 2022, disputou o governo de São Paulo e foi ao segundo turno, encerrando a eleição com 44,73% contra 55,27% de Tarcísio. Foi o melhor desempenho histórico do PT em um segundo turno estadual paulista.
Como ministro da Fazenda de Lula, de janeiro de 2023 a março de 2026, Haddad conduziu o novo arcabouço fiscal e a primeira fase da reforma tributária, dois marcos que destravaram investimentos e recolocaram o Brasil no radar internacional. O saldo é de estabilidade cambial, inflação sob controle e crescimento econômico consistente, trunfos que ele leva agora para a arena eleitoral paulista.
Marina Silva: quatro mandatos eletivos, três campanhas presidenciais e mais de 40 milhões de votos na bagagem
A trajetória de Marina Silva talvez seja a mais singular entre todos os candidatos ao Senado brasileiro em 2026. Filha de seringueiros acreanos, analfabeta até os 16 anos, ela foi eleita vereadora em Rio Branco em 1988, deputada estadual em 1990 e, em 1994, senadora pelo Acre, tornando-se a mais jovem senadora da história do Brasil, aos 36 anos.
Foi reeleita em 2002, com mais de 70% dos votos acreanos, e, no ano seguinte, assumiu o Ministério do Meio Ambiente de Lula, cargo que ocupou até 2008. Sua gestão é reconhecida pela drástica redução do desmatamento na Amazônia, que alcançou o menor patamar em décadas.
Como candidata à Presidência da República, Marina concorreu três vezes, com dois desempenhos de grande expressão. Em 2010, pelo PV, obteve 19,33% dos votos (19,6 milhões); em 2014, pelo PSB, após a morte de Eduardo Campos, ficou em terceiro lugar com 21,32% (22,1 milhões).
Somadas as três disputas presidenciais, Marina acumula mais de 40 milhões de votos em eleições nacionais. Nenhum outro candidato ao Senado por São Paulo em 2026 chega perto desse capital eleitoral.
De volta ao comando da pasta ambiental no terceiro mandato de Lula, Marina protagonizou a COP30 em Belém e consolidou o Brasil como voz de liderança global na agenda climática. Sua candidatura por São Paulo já conta com apoio oficial do PSOL e mobiliza adesões em outras legendas do campo progressista.
Simone Tebet: a ministra que ajudou a eleger Lula
Simone Tebet construiu sua trajetória política em Mato Grosso do Sul antes de chegar ao palco nacional. Filiada ao MDB à época, foi eleita deputada estadual em 2002, prefeita de Três Lagoas em 2004 (a primeira mulher a comandar a cidade) e reeleita em 2008.
Em 2010, chegou à vice-governadoria de Mato Grosso do Sul. Quatro anos depois, elegeu-se senadora, e ali consolidou sua reputação como uma das vozes mais preparadas do Senado, sobretudo em temas fiscais e de direitos humanos.
Em 2022, foi candidata à Presidência pelo MDB e surpreendeu o país ao ficar em terceiro lugar, com 4,9 milhões de votos. No segundo turno, apoiou Lula de forma aberta e foi considerada peça decisiva na migração de eleitores de centro para a chapa petista, em uma disputa acirradíssima contra Jair Bolsonaro.
À frente do Ministério do Planejamento, Tebet trabalhou lado a lado com Haddad na construção do novo arcabouço fiscal e na coordenação do Plano Plurianual. Recentemente filiada ao PSB, aposta agora sua trajetória em São Paulo, onde conquistou forte capilaridade durante a campanha presidencial de 2022.
Um recado claro de São Paulo ao presidente Lula
Os números da Paraná Pesquisas dão a Lula uma leitura animadora sobre o maior colégio eleitoral do país, responsável por cerca de 22% do eleitorado nacional. Com Marina e Tebet liderando a disputa ao Senado e Haddad em curva ascendente na corrida ao governo, o presidente se aproxima de 2026 com a chance real de inverter uma lógica eleitoral que se repete no estado desde os anos 1990: a hegemonia da direita no Palácio dos Bandeirantes e na bancada paulista no Senado.
Se o trio confirmar o desempenho nas urnas, Lula elege o governador da maior economia do país e leva dois reforços decisivos ao Senado, instância onde o governo ainda patina para aprovar pautas estruturantes. Em política paulista, cinco meses antes da eleição, a largada importa, e neste abril quem largou melhor veste a camisa do governo federal.
Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.




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