Dois dias após o início de uma trégua entre o Líbano e Israel, milhares de famílias começaram a regressar ao sul do país mesmo diante do medo de novos ataques.
Em Nabatiyeh, uma das cidades mais atingidas pelos bombardeios israelenses, o retorno ocorre em meio à destruição generalizada e à incerteza sobre a durabilidade do acordo.
As estradas que ligam Saïda ao interior voltaram a registrar intenso tráfego de veículos carregados. Zainab e seu marido seguiram para a casa natal sem saber o que encontrariam ao final do caminho.
O andar térreo da residência resistiu ao impacto. O segundo pavimento foi totalmente destruído por uma explosão que removeu o telhado e danificou as cisternas de água.
“Aqui embaixo ainda dá para ficar, mas lá em cima tudo acabou”, contou Zainab enquanto observava os escombros. Ela evita tocar em qualquer objeto por temer a presença de artefatos explosivos.
A mulher carrega ainda o luto pela perda de duas parentes. Rayann e Rahma foram mortas em uma ofensiva israelense em Saïda poucos dias antes da trégua.
“Elas eram anjos na Terra. É difícil acreditar que não estão mais aqui”, desabafou emocionada. “Eles não poupam nem as pedras nem os homens.”
O cessar-fogo entrou em vigor na sexta-feira. Violações foram registradas desde então em diferentes pontos do sul libanês.
Mesmo com os riscos, muitos deslocados optaram pelo regresso movidos pela necessidade de retomar suas rotinas. Em Nabatiyeh, o som de marteladas se mistura ao trabalho de remoção de destroços nas ruas.
Segundo a RFI, com imagens de Mohammed Zaatari para a agência AP, a tensão persiste a cada ruído distante e interrompe os esforços de limpeza.
“A gente não sabe o que vai acontecer amanhã”, afirma Zainab. A família deixou roupas de frio na casa e carregou as de verão no carro para o caso de nova evacuação.
O Líbano enfrenta grave crise econômica e política há anos. A reconstrução das áreas atingidas torna-se ainda mais difícil sob a ameaça constante de novos bombardeios israelenses.
O retorno dos moradores a Nabatiyeh revela determinação diante das perdas acumuladas. Eles exigem estabilidade duradoura para que a recuperação das cidades possa avançar de fato.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Rick Ancap
19/04/2026
Mais uma prova de que depender de governo e fronteira é receita pra tragédia. Se cada um pudesse se defender e produzir livremente, não teria gente voltando pra escombro esperando que político resolva. O Estado cria o problema e depois posa de salvador.
Maura Santos
19/04/2026
Rick, fácil falar em “cada um se defender” quando se mora longe de bombardeio, né? Lá, quem tem tanque e míssil é exército — não o cidadão comum. Sem Estado, sobra é o caos de quem tem mais bala.
Celio Fazendeiro
19/04/2026
Esse povo volta pra cidade destruída achando que o cessar-fogo vai durar. Ingenuidade pura. Enquanto esses conflitos sem fim continuam, quem paga o preço são os agricultores e o comércio — e depois querem culpar o agronegócio por tudo.
Augusto Silva
19/04/2026
Celio, ingenuidade é achar que a culpa de tudo é sempre “do outro”. O povo volta porque precisa viver, não porque acredita em milagres — e o agronegócio, quando não se esconde atrás de discursos, também depende da paz para vender seu grão.
Fernando O.
19/04/2026
Triste ver que a reconstrução começa sempre entre escombros e medo. A trégua pode até soar como alívio, mas sem compromisso real das partes, vira só pausa entre tragédias. Enquanto isso, quem paga a conta são sempre os civis tentando reerguer o básico.
Evelyn Olavo
19/04/2026
É doloroso ver famílias tentando reconstruir a vida em meio aos escombros, sem saber se a paz vai durar. Essas pausas na violência mostram o quanto a guerra é absurda e frágil. Que o cessar-fogo não seja só um intervalo, mas o começo de algo realmente novo.
Rubens O Pescador
19/04/2026
Pois é, Evelyn, a guerra sempre sobra pros pobres, enquanto os donos das armas contam lucro. Aqui no interior a gente sabe bem o que é tentar reerguer a vida com as próprias mãos — tomara que lá consigam um pouco da dignidade que tanto nos tiram.
Sgt Bruno 🇧🇷
19/04/2026
Selva! Isso aí é o que dá quando comunistas e terroristas mandam no pedaço, vira tudo em ruína. Se tivesse uma força militar de verdade, com pulso firme, ninguém precisava fugir da própria casa. Comunista tem que ir pra lata de lixo da história!
Alice T.
19/04/2026
Sgt Bruno, curioso como sempre tem alguém pra culpar “comunistas” até quando o assunto é bombardeio feito por potências militares, né? Força de verdade seria garantir que civis não virem alvo, não transformar cidade em cinzas.
Miriam
19/04/2026
É triste ver como tudo acaba nas costas da população, enquanto os governos fazem pose de heróis. Que bom que a trégua veio, mas reconstrução de verdade exige mais do que discursos — precisa de gestão séria e gente trabalhando, não só bandeira tremulando.
Jeferson da Silva
19/04/2026
É triste ver gente voltando pra casa no meio dos escombros, tentando reconstruir o que sobrou. A guerra sempre sobra pro povo trabalhador, nunca pros que mandam. Enquanto os poderosos negociam trégua, é o povo que carrega o peso e a esperança nas costas.
Pedro
19/04/2026
Triste ver como a guerra deixa tudo em ruínas e o povo é quem paga a conta. A gente aqui reclama do preço da gasolina, mas lá o pessoal volta pra casa sem saber se vai ter casa amanhã. É duro demais, mas o ser humano parece ter um talento pra recomeçar mesmo no meio do caos.
Clarice Historiadora
19/04/2026
É devastador ver gente voltando pra casa entre ruínas, tentando reconstruir o que a política da guerra insiste em destruir. O Oriente Médio segue pagando o preço da arrogância de líderes que tratam vidas como peças num tabuleiro geopolítico. Que essa trégua dure — e que o mundo finalmente entenda que não há vitória possível sobre escombros.
Karina Libertária
19/04/2026
Gente, é triste ver esse tipo de destruição, mas também fico pensando como esses países vivem em guerra eterna e dependem de ajuda internacional o tempo todo. Se o povo investisse melhor, guardasse em dólar e pensasse no futuro, talvez não ficassem sempre nessa situação de recomeçar do zero. Aqui em Miami a vida é dura, mas pelo menos tem estabilidade e segurança.
Francisco de Assis
19/04/2026
Karina, minha filha, falar em guardar em dólar pra quem vê a casa virar pó é fácil do ar-condicionado de Miami. O que falta ali não é planilha financeira, é soberania e paz — coisa que o povo libanês luta pra reconstruir há décadas, mesmo com o mundo virando as costas.