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Em Barcelona, Sheinbaum anuncia o novo Sul Global que nasce das cinzas do imperialismo

24 Comentários🗣️🔥 “Sou uma mulher de paz e represento uma nação que ama a liberdade, a justiça, a fraternidade.” Foi com essas palavras que a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, encerrou um dos discursos mais emocionantes que se ouviram em uma reunião internacional nos últimos anos. Antes, ela havia dito algo que ecoará por muito […]

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Claudia Sheinbaum discursa em Barcelona, na cúpula progressista, em abril de 2026. Divulgação

“Sou uma mulher de paz e represento uma nação que ama a liberdade, a justiça, a fraternidade.”

Foi com essas palavras que a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, encerrou um dos discursos mais emocionantes que se ouviram em uma reunião internacional nos últimos anos.

Antes, ela havia dito algo que ecoará por muito tempo. “A liberdade é palavra vazia se não a acompanham a justiça social, a soberania e a dignidade dos povos.” E ainda. “A democracia significa que a vida não se compra, como tampouco se compram a liberdade e a dignidade dos povos.”

O discurso foi proferido no sábado, dia 18 de abril, em Barcelona, na IV Cúpula em Defesa da Democracia, convocada pelo primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. Estavam presentes presidentes e primeiros-ministros de cerca de vinte países, entre eles o nosso Luiz Inácio Lula da Silva, que também fez uma intervenção histórica, o ex-presidente chileno Gabriel Boric, além de representantes da Alemanha, da África do Sul, do Uruguai, da Colômbia, da Irlanda, da Suécia, de Gana e de outras nações.

A cúpula foi convocada sob o signo de uma urgência civilizacional. Fazer frente ao unilateralismo belicista e predatório de Donald Trump, à escalada fascista que avança em dezenas de países, e ao colapso moral das instituições do centro do mundo.

O que se viu em Barcelona foi algo mais profundo do que uma reunião de governos progressistas. Foi o primeiro contorno nítido de um novo Sul Global que começa a emergir das cinzas, com uma clareza política e uma altivez moral que há décadas não se viam no cenário internacional.

Porque é das cinzas, sim, que esse novo mundo está nascendo. Das cinzas de Gaza, onde o genocídio transmitido ao vivo, hora após hora, por dois longos anos, envergonhou para sempre a pretensão ocidental de falar em nome dos direitos humanos.

Das cinzas do Líbano pulverizado pela aviação israelense sob o silêncio cúmplice das chancelarias europeias. Das cinzas do Irã atacado e ameaçado cotidianamente, da Venezuela sufocada por bloqueios e pela tensão militar nas Caraíbas, de Cuba punida há mais de seis décadas por ousar existir.

Foi justamente sobre Cuba que Sheinbaum fez uma das três propostas concretas do seu discurso. Uma declaração coletiva contra qualquer intervenção militar na ilha. As outras duas foram destinar dez por cento do gasto mundial em armamento a um programa global de reflorestamento, e sediar a próxima cúpula no México.

Enquanto o Sul se organiza, o centro do mundo patina numa covardia histórica. A União Europeia de Ursula von der Leyen, que deveria ser a herdeira moral de tudo aquilo que se prometeu depois de 1945, entregou-se a uma submissão criminosa, incapaz de pronunciar a palavra genocídio diante de Gaza, incapaz de impor uma sanção sequer simbólica ao governo de Benjamin Netanyahu, incapaz de conter a escalada militarista dos Estados Unidos contra qualquer país do Sul que ouse manter soberania sobre seus recursos.

Essa covardia europeia não é apenas moral. É também política e estratégica, porque abre espaço para que o extremismo fascista avance em todos os continentes com a certeza de que ninguém mais o conterá por princípios.

No Brasil, a extrema direita golpista sobrevive ao enfraquecimento eleitoral de seu líder e continua operando como facção armada e midiática, disposta a qualquer aventura. Na Argentina, o ultraliberalismo violento de Javier Milei destrói o Estado, a ciência, a universidade e a classe média argentina com uma selvageria que só se explica pela combinação entre ideologia de seita e obediência confessa ao Departamento do Tesouro norte-americano.

Contra essa maré, o que se viu em Barcelona foi o ensaio de uma resposta. E essa resposta tem nomes e rostos.

Lula é um deles. Aos oitenta anos, ele voltou ao palco internacional com a autoridade de quem foi preso, perseguido e voltou pelas urnas, e hoje fala pelo Brasil e por muito mais que o Brasil, com aquela naturalidade popular que desconcerta os cínicos e agrada os povos.

Pedro Sánchez é outro. Dentro de um contexto europeu de primeiro mundo, onde quase todas as lideranças se entregaram à submissão atlântica e à retórica da guerra, o espanhol tem sido uma exceção corajosa, reconhecendo o Estado palestino, pressionando por sanções a Israel e agora convocando esta cúpula como um ato de afirmação política.

E agora Claudia Sheinbaum. O México vive um momento delicadíssimo, sob ameaça constante e explícita de Donald Trump, que já fala em enviar tropas, em intervenções unilaterais, em tarifas punitivas, em uma retórica de subjugação que não se via desde os tempos mais sombrios da doutrina Monroe. Diante disso, Sheinbaum tem conduzido seu país com uma combinação rara de cautela diplomática, dignidade nacional e coragem política, sem jamais ceder um milímetro de soberania, mas também sem dar ao agressor o pretexto que ele procura.

O discurso em Barcelona mostrou que ela é muito mais do que uma gestora competente. É uma das grandes vozes políticas do nosso tempo. Falou do México a partir de Huitzilopochtli e Tláloc, das culturas originárias que foram silenciadas mas nunca derrotadas, de Hidalgo que aboliu a escravidão em 1810, de Morelos que escreveu que a soberania emana do povo, de Juárez que ensinou que entre os indivíduos, como entre as nações, o respeito ao direito alheio é a paz.

Falou de Lázaro Cárdenas, que quando o mundo fechava as portas aos republicanos espanhóis, abriu as do México para acolher quem fugia da guerra. Falou de Frida Kahlo, de Leona Vicario, de Hermila Galindo, de Adelita.

Esse é o ponto que precisa ser sublinhado. O novo Sul Global que emerge não é apenas uma reconfiguração geopolítica. É, sobretudo, o retorno triunfal de uma narrativa civilizatória que fora dada como derrotada.

É o orgulho de ser povo, de ter raízes, de ter memória, de recusar o desprezo por si mesmo que o colonialismo moderno tentou instalar em cada um de nós. É a afirmação de que se pode amar a liberdade sem abraçar o mercado, defender a democracia sem venerar o Ocidente, crer na paz sem rezar pelos exércitos ocupantes.

Sheinbaum terminou citando outra vez Juárez. “Com o povo tudo, sem o povo nada. Com os povos tudo, sem os povos nada.” A frase pode parecer simples. É a condensação exata do novo mundo que começa a nascer, enquanto o antigo, o da hegemonia atlântica cúmplice do genocídio, afunda na própria vergonha.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Luciana

21/04/2026

Bonito discurso, mas aqui no Brasil a gente precisa é de ação prática. Esse papo de “novo Sul Global” parece distante pra quem tá contando as moedas pra pagar o gás e o cartão. Tomara que essas ideias todas virem algo que chegue no prato do povo.

    Rubens O Pescador

    21/04/2026

    Ô Luciana, entendo teu aperto — mas lembra que foi com essa tal de integração do Sul que o Brasil botou feijão e carne na mesa do povo lá nos tempos do Lula. Quando a gente se junta com os vizinhos e enfrenta os gringos, o gás e o prato ficam mais cheios, pode acreditar.

Rick Ancap

21/04/2026

Mais um discurso cheio de palavras bonitas pra enganar trouxa. Esse papo de “novo Sul Global” é só marketing estatal pra justificar mais gasto público e controle. Enquanto isso, quem realmente produz riqueza continua sendo demonizado.

Jeferson da Silva

21/04/2026

Bonito ver uma liderança falando em liberdade e justiça de verdade, sem ajoelhar pros gringos. Enquanto isso, aqui o povo rala 12 horas por dia e ainda escuta patrão e político falando em “empreender”. Que o tal Sul Global seja também um levante dos trabalhadores, não só discurso bonito em conferência.

    Evelyn Olavo

    21/04/2026

    Perfeito, Jeferson — sem trabalhadores conscientes e organizados, o tal “Sul Global” vira só retórica diplomática. A verdadeira descolonização começa no chão de fábrica e nas ruas, não nos palcos internacionais.

Jhonny

21/04/2026

Como fica aquela conversa fiada de imbecis para idiotas sobre soberania, anti americanismo, sul global e asneiras afins diante aos fatos ?

https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/empresa-dos-eua-compra-mineradora-brasileira-de-terras-raras

O porco da republica deu o que em troca aos EUA pela retirada das sançoes ao Mussolini do Ipiranga do STF ?

Natailia

21/04/2026

O que essa tal de Sheinbaum diz ou nada sao a mesma coisa.

Beto Engenheiro

21/04/2026

Bonito discurso, mas quero ver é obra concreta. Falar em novo Sul Global é fácil, difícil é transformar isso em integração real — ferrovia, energia, porto funcionando. Enquanto ficar só na retórica, o imperialismo continua rindo.

Zizi

21/04/2026

Ah, que alegria ver uma mulher latino-americana falando com tanta firmeza sobre liberdade e justiça! Enquanto os meninos mal-educados do norte insistem em impor suas vontades, o Sul Global se levanta com dignidade. É o mesmo espírito que moveu Lula e tantos outros: amor ao povo e soberania verdadeira.

Silvia D.

21/04/2026

É inspirador ver uma liderança feminina falando de paz, justiça e fraternidade num cenário global tão marcado por desigualdades. O Sul Global precisa mesmo se fortalecer com base em cooperação e ciência, não em imposições econômicas. Que esse novo ciclo traga mais saúde, equidade e respeito entre os povos.

Marcos Conservador

21/04/2026

Mais um discurso bonito pra plateia globalista bater palma. Esse papo de “novo Sul Global” é só o comunismo de sempre com roupa nova. Enquanto isso, o povo continua na miséria e o Estado cresce, controlando tudo — até o pensamento.

    Maura Santos

    21/04/2026

    Marcos, comunismo é o novo espantalho preferido da turma que esqueceu quem privatizou tudo e deixou o país no apagão. O Sul Global que Sheinbaum fala é sobre soberania e cooperação — dois conceitos que assustam quem só sabe bater continência pros gringos.

    Pedro

    21/04/2026

    Marcos, se o Estado controlasse mesmo tudo, a gasolina não custava o que custa e o IPVA não vinha desse tamanho. Esse tal “comunismo” aí parece que só serve pra pobre continuar pagando a conta.

Augusto Silva

21/04/2026

Sheinbaum fala o que muitos líderes do Sul Global ainda sussurram: chega de ser quintal dos outros. O mundo multipolar é inevitável, e o Brasil precisa se colocar como protagonista, não coadjuvante. Quando América Latina e África se olham de igual pra igual, o velho imperialismo treme nas bases.

    Renato Professor

    21/04/2026

    Perfeito, Augusto — mas para isso o Brasil precisa abandonar a ilusão de que protagonismo se conquista com commodities e selfies diplomáticas. Multipolaridade sem soberania produtiva é só retórica de salão.

      Vanessa Silva

      21/04/2026

      Concordo, Renato — sem base produtiva e tecnológica, a diplomacia vira performance. Mas dá pra usar o protagonismo simbólico pra abrir caminho a essa soberania real, desde que a gente pare de achar que o resto do mundo vai esperar o Brasil se organizar.

        Miriam

        21/04/2026

        Vanessa, perfeito — o problema é que aqui a gente adora confundir símbolo com estrutura. Enquanto isso, o resto do mundo não espera mesmo: assina contrato, investe e segue o baile.

Alice T.

21/04/2026

Sheinbaum tá mostrando que liderança no Sul Global não precisa vir travestida de poder militar ou lobby corporativo. Enquanto os bilionários do Norte falam de “liberdade” pra justificar exploração, ela fala de justiça e fraternidade com base real. Que sirva de exemplo pra quem ainda acha que desenvolvimento é seguir receita neoliberal.

    Lurdinha Deus Acima de Todos

    21/04/2026

    Alice, minha filha, isso aí é bonito no discurso, mas no fim quem manda é o dinheiro 💸🙏. Já vi muito político falar em fraternidade e acabar viajando de jatinho pra reunião com os mesmos bilionários do Norte 🇧🇷🇺🇸.

      Tadeu

      21/04/2026

      Lurdinha, no fim das contas é isso mesmo: quem dita o jogo é o capital. O resto é narrativa pra disfarçar que o dinheiro continua mandando em tudo, inclusive nas utopias.

      Zé Trovãozinho

      21/04/2026

      Lurdinha, ninguém aqui acha que o poder do dinheiro sumiu — a questão é justamente quem vai controlá-lo: os mesmos de sempre ou os que até agora só pagaram a conta.

Francisco de Assis

21/04/2026

Rapaz, é bonito de ver uma liderança como a Sheinbaum falando em nome do povo e não dos banqueiros. Esse novo Sul Global é o que assusta os impérios decadentes: soberania, solidariedade e dignidade. O Brasil, com Lula, tá junto nessa virada histórica — e quem não enxerga isso é porque anda alienado da cabeça.

    Karina Libertária

    21/04/2026

    Francisco, fala sério… esse papo de “Sul Global” é só cortina de fumaça pra justificar governo gastador. Enquanto isso, quem pode já tá investindo lá fora e garantindo o future, entende?

      Clarice Historiadora

      21/04/2026

      Karina, investir “lá fora” enquanto o planeta ferve e o eixo econômico se desloca é tipo comprar passagem de navio quando o porto já virou museu. O Sul Global não é gasto — é sobrevivência estratégica num mundo que cansou de ser quintal.


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