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Lula bota a cabeça fora d’água em nova pesquisa BTG/Nexus

12 Comentários🗣️🔥   O levantamento BTG/Nexus de junho é favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em quase todas as tabelas. Nenhum recorte aponta movimento estrutural a favor do senador Flávio Bolsonaro, do PL. No primeiro turno do cenário estimulado, Lula vai a 42% contra 33% do adversário, e a vantagem que era de […]

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15.06.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Reunião bilateral com o Presidente da França, Emmanuel Macron, em Évian-les-Bains - França. Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

O levantamento BTG/Nexus de junho é favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em quase todas as tabelas. Nenhum recorte aponta movimento estrutural a favor do senador Flávio Bolsonaro, do PL.

No primeiro turno do cenário estimulado, Lula vai a 42% contra 33% do adversário, e a vantagem que era de cinco pontos em abril e maio salta para nove em junho.

O interesse declarado pela eleição subiu a 77%, o maior patamar da série, e 94% dizem que pretendem comparecer às urnas. A disposição para votar não sinaliza abstenção fora do comum neste ciclo.

Esse número contraria uma tese cara à oposição, a de que a abstenção castigaria o petista. Flávio Bolsonaro prospera no ambiente da despolitização, e quando o brasileiro se interessa pela política o voto antissistema perde força e migra para Lula.

A qualidade do voto acompanha a quantidade. Entre os que já escolheram um nome, 81% do eleitorado de Lula diz ter a decisão tomada, contra 77% do de Flávio, uma base menos volátil.

A escala de polarização exibe simetria quase perfeita, com 26% de lulistas convictos e 26% de bolsonaristas convictos. Os não polarizados somam 21%, mas apenas 8% rejeitam os dois polos ao mesmo tempo, o que explica por que a terceira via segue inviável no país.

Esse centro, porém, não é equidistante. Entre os não polarizados, Lula tem 35% no primeiro turno contra 26% de Flávio, e recuperou o espaço que havia perdido nos meses anteriores.

Há um dado que desmonta a narrativa do voto refém. Setenta e nove por cento do eleitorado de Lula diz votar nele por considerá-lo o melhor candidato, e só 16% o fazem apenas para derrotar o adversário.

Do outro lado, a convicção encolhe. Entre os eleitores de Flávio, os que o veem como melhor candidato caíram de 65% em maio para 61%, enquanto 31% admitem votar nele apenas para barrar Lula.

No segundo turno o quadro fica mais nítido. Lula sobe a 49% e Flávio recua a 43%, a maior distância já registrada na série da BTG/Nexus nessa simulação.

O voto que se desloca não vem da indecisão, vem do próprio campo bolsonarista. São eleitores que apoiavam Flávio e agora optam por Lula, um trânsito mais firme do que a oscilação típica do indeciso.

A migração inclui quem normalmente escaparia ao petismo. Entre os não beneficiários do Bolsa Família, Lula passou de 42% no fim de março para 46%, à frente dos 45% de Flávio, o que enfraquece o argumento de que sua vantagem dependeria só da transferência de renda.

Os estratos do segundo turno confirmam as bases tradicionais do petista e acrescentam novidades. Lula vence entre mulheres por 55% a 37%, entre eleitores de 60 anos ou mais por 56% a 39%, no Nordeste por 66% a 28% e entre quem não tem religião por 60% a 26%.

A recuperação mais expressiva está nas grandes cidades. Lula lidera nas capitais por 50% a 40% e nas regiões metropolitanas por 52% a 38%, números que apontam vantagem no Rio, em São Paulo, em Belo Horizonte e em Porto Alegre, e que mostram um avanço que já não se explica só pelo Nordeste.

Mesmo no terreno mais hostil há erosão bolsonarista. Lula mantém 34% entre evangélicos no segundo turno, perto de 16 milhões de eleitores, o suficiente para obrigar pastores alinhados à direita a moderar o discurso sob risco de perder fiéis.

O resultado, no entanto, não autoriza triunfalismo, e os pontos frágeis estão à vista. Flávio lidera entre homens, no Sul, entre evangélicos e na faixa de 25 a 40 anos, e mantém vantagem entre quem ganha mais de cinco salários mínimos.

Dois recortes preocupam mais do que os demais. Lula perde entre o ensino médio por 41% a 49% e na faixa de dois a cinco salários por 43% a 46%, eleitorado de classe média com peso de influência e onde o petista precisa crescer.

O Sudeste aparece empatado em 45% a 45%, o que faz da região o grande termômetro da disputa.

A aprovação do governo trouxe o dado mais simbólico da rodada. Pela primeira vez em meses Lula coloca a cabeça fora d’água, com 48% de aprovação, cerca de 76 milhões de eleitores, contra 47% de reprovação, índice que recuou de 51% em março.

A imagem vem da gíria das pesquisas americanas, em que um governante fica embaixo d’água quando a desaprovação supera a aprovação e emerge quando o sinal se inverte. Por essa régua, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afunda perto de dezenove pontos no agregador de junho, enquanto Lula aparece um ponto acima da superfície.

O saldo positivo se concentra onde o lulismo é mais denso, com 65% de aprovação no Nordeste, 61% no ensino fundamental, 61% entre quem ganha até um salário mínimo e 55% acima dos 60 anos. A maior força está entre os sem religião, um contingente de cerca de 22 milhões de eleitores, em que a aprovação alcança 58%.

A reprovação domina nos mesmos segmentos em que Flávio é competitivo. O governo fica em desvantagem entre evangélicos, com 61% de desaprovação, no Sul, com 59%, e entre o trabalhador formal, com 57%, além do ensino médio e da faixa de dois a cinco salários, a classe média que Lula ainda precisa reconquistar.

O cientista político Antônio Lavareda, ao comentar o agregador da CNN, fez a ressalva necessária. A tendência de fechamento da boca da curva é boa notícia para o governo, mas uma desaprovação ainda próxima de 50% continua a alimentar as pretensões da oposição.

Lavareda também resume o que distingue este momento dos anteriores. Há poucos meses Flávio vivia um viés de alta, e agora, depois de uma forte crise de reputação, atravessa uma fase de declínio no primeiro e no segundo turnos, a ponto de a permanência de sua candidatura poder ser questionada antes das convenções de julho.

A pauta internacional entrou de vez na disputa, e aqui o petista joga no campo que domina. Lavareda observa que o fator Trump veio para ficar, ao lado da economia, e a sondagem mostra 42% atribuindo o tarifaço a Flávio contra 39% a Lula.

A classificação das facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos, que a direita imaginava ser um gol, não funcionou assim. Trinta e sete por cento dos brasileiros enxergam na medida uma ameaça à segurança e à soberania nacional, percepção que sobe para 44% entre os não polarizados.

O contraponto está no tema que mais cresce. Segurança pública e violência lideram a lista de preocupações com 33% das menções, à frente da saúde e da corrupção, e avançaram inclusive desde maio.

Esse é o terreno em que a esquerda não pode ceder. A direita se vendeu por anos como especialista em segurança, e cabe ao governo disputar essa bandeira em vez de deixá-la livre para o adversário.

Lula lidera, melhora e ganha estabilidade, enquanto Flávio mantém base expressiva mas recua e acumula mais rejeição, 52% ante os 47% do presidente. Lula também aparece como único nome possível para 38% do eleitorado, contra 25% do adversário.

Nada está decidido, e a eleição segue incerta para ambos os lados, mas a corrente de junho corre a favor de Lula.

Clique aqui para baixar a íntegra da pesquisa.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Mariana Alves

15/06/2026

O recente levantamento BTG/Nexus, ao indicar uma vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, deve ser lido com a cautela que a conjuntura exige – não como uma vitória definitiva das forças progressistas, mas como um sintoma das contradições do capitalismo dependente brasileiro. O que vemos é uma disputa intraoligárquica travestida de bipolaridade política: Lula representa, no máximo, uma frente ampla que acomoda frações da burguesia nacional e setores do chamado “desenvolvimentismo”, sem jamais tocar nas estruturas de propriedade e acumulação que perpetuam a desigualdade. A porcentagem de 42% no primeiro turno, embora numericamente superior à de seu adversário, não reflete uma adesão orgânica a um projeto de transformação radical, mas sim o medo de amplos setores da classe trabalhadora em relação ao retrocesso bolsonarista – um sentimento que, se não for canalizado para a organização autônoma, rapidamente se dissolve em apatia eleitoral.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, personifica o que Poulantzas chamaria de “bonapartismo às avessas”: a tentativa de unificar os interesses do capital financeiro, do agronegócio e do fundamentalismo religioso sob uma liderança que, mesmo desgastada, ainda detém o monopólio da violência simbólica no campo da direita. Que ele não tenha conseguido capitalizar movimentos estruturais a seu favor é menos um mérito de Lula e mais um sinal da fragmentação tática da extrema direita, que oscila entre a estratégia de ruptura institucional e a acomodação parlamentar. A manutenção de uma vantagem de nove pontos no cenário estimulado não deve, portanto, ser celebrada como “recuperação”, mas interpretada como a resiliência de um pacto social-democrata que, na América Latina, historicamente se revelou incapaz de conter os avanços neoliberais.

Do ponto de vista da psicologia social, essa pesquisa revela um fenômeno de “identificação negativa”: o eleitorado de Lula se une mais pela rejeição ao bolsonarismo do que por um projeto de futuro. Isso é uma armadilha perigosa, porque transforma a política em mero termômetro de humores conjunturais, em vez de um campo de construção de hegemonia. A vantagem de Lula, nesse quadro, não passa de uma “cabeça fora d’água” – uma pausa na asfixia neoliberal, mas jamais a oxigenação de que a classe trabalhadora necessita para respirar autonomamente. Enquanto o programa de Lula seguir atrelado ao teto de gastos, à reforma trabalhista e às concessões ao agro e ao rentismo, a vantagem nas pesquisas será apenas a máscara de um consenso administrado.

Por fim, é imperativo que a esquerda marxista não se deixe capturar pelo falso dilema entre Lula e Bolsonaro. A verdadeira batalha é contra a financeirização da vida, a precarização do trabalho e a destruição ambiental que ambos os campos, em diferentes graus, perpetuam. Que as pesquisas sirvam de alerta para que a militância invista na politização cotidiana das bases, na construção de conselhos populares e na disputa da superestrutura cultural – e não na mera torcida por índices de aprovação. Uma vantagem numérica que não se traduz em poder de classe é, no fundo, a mais cruel das ilusões.

    João Carvalho

    15/06/2026

    Pô, Mariana, tu escreveu um textão bonito, mas parece que nunca pegou um ônibus lotado pra sentir na pele o peso da conta no fim do mês. Esse papo de “capitalismo dependente” e “bonapartismo” é conversa de quem nunca suou pra pagar o leite das crianças. No fim das contas, Lula ou Bolsonaro, o que me interessa é saber se vou ter dinheiro pra encher o tanque e botar o pão na mesa — e, pelo andar da carruagem, prefiro quem pelo menos finge que se importa com o povo.

    Marina Costa

    15/06/2026

    Mariana, seu discurso complicado tenta esconder a verdade simples: o povo brasileiro está rejeitando o caos moral da esquerda. Lula e o PT representam a destruição da família tradicional e a apologia ao aborto, enquanto qualquer vantagem nas pesquisas é fruto da enganação e não de virtude cristã. A Palavra de Deus nos alerta: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas” (Jeremias 17:9) – não troque a verdade bíblica por teorias vazias que só afastam o Brasil de Deus.

    Cecília Silva

    15/06/2026

    Mariana, com todo respeito, essa análise é de quem nunca precisou escolher entre arroz e feijão no fim do mês. Lá na favela, a gente não tem o luxo de esperar o “projeto de transformação radical” enquanto a fila do osso cresce. Seu “bonapartismo às avessas” não paga o aluguel de ninguém. Enquanto a esquerda universitária teoriza a pureza revolucionária, o povo preto e pobre sabe que entre o bolsonarismo e um Lula que pelo menos abaixa pra ouvir a gente, a escolha é de sobrevivência, não de ilusão. Teu discurso bonito não constrói creche nem enterra com dignidade.

Lucas Andrade

15/06/2026

Que conforto duvidoso esse de “pôr a cabeça fora d’água” numa piscina de índices gerenciais. O realejo já está tocando a mesmíssima melodia: a disputa pela gerência da crise, nunca pela superação dela.

    Marta Souza

    15/06/2026

    Concordo plenamente, Lucas. Enquanto ficam brincando de gerenciar crise com números maquiados, o mercado real sufoca com impostos e burocracia. Superação mesmo só vem com liberdade econômica, não com esse teatro estatal.

      Mariana Lopes

      15/06/2026

      Marta, concordo que a carga tributária sufoca o empreendedor, mas liberdade econômica sem regulação básica é receita para concentração de renda. Conheço poucos empresários que, na prática, realmente amam o Estado mínimo quando precisam de crédito ou infraestrutura.

      Carlos Mendes

      15/06/2026

      Exatamente, Marta. Enquanto eles inflam dados com storytelling, o empreendedor que gera emprego sangra com carga tributária e regulação. Liberdade econômica não é discurso, é a única saída desse teatro.

Luisa Teens

15/06/2026

Lula mostrando que o povo cansa de golpista! #LulaGigante #ForaBolsonaro

    Cíntia Alves

    15/06/2026

    Poxa, Luisa, boa torcida, mas acho que o povo cansa é de promessa furada de todo lado, não só de golpista. Vamo ver se essa água não seca antes da próxima pesquisa, né?

      Adriana Silva

      15/06/2026

      Faz o L, Cíntia! Comunista só promete, mas o povo que paga. Vai pra Cuba!

      Luan Silva

      15/06/2026

      Água seca? Só a do Lula na lava jato mesmo.


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