Bate papo com Joana Mortágua, deputada portuguesa!

Em defesa de Marcelo Freixo

Por Miguel do Rosário

12 de Fevereiro de 2014 : 17h52

Eu tenho inúmeras críticas à Marcelo Freixo, deputado estadual pelo PSOL do Rio de Janeiro, e sempre as expressei de maneira transparente e democrática.

Mas o ataque que vem sofrendo da Globo é vil, por isso volto a me solidarizar com o parlamentar, que, repito, é um dos mais competentes e honestos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. É evidente que ele jamais incentivaria nenhum tipo de “terrorismo” ou “quebra-quebra” na cidade, quanto mais  colaboraria para que alguém explodisse rojões contra outras pessoas.  E a ONG de seu assessor é uma instituição muito boa, que dá assistência jurídica a pessoas pobres de comunidades. O fato da ONG ter dado assistência à manifestantes presos não tira seu mérito. Se entre eles havia algum vândalo que mereceria ter ficado preso, a culpa não é da ONG, e sim da polícia e da Justiça. O Judiciário fluminense, este sim, pode ser sido estranhamente conivente com alguns protagonistas de quebra-quebra.

Reproduzo abaixo o artigo de Luiz Eduardo Soares, que já foi assessor de Garotinho, do PT e hoje está próximo de Freixo. Mas antes queria fazer alguns comentários.

Soares fala que “Freixo foi um dos únicos que mantiveram a reputação intocada, durante e depois do maremoto de junho. As manifestações decretaram o colapso da representação, tal como praticada no Brasil”.

É claro que se trata de um exagero falar que manifestações “decretaram o colapso da representação”. É autoritário, antidemocrático e uma tolice falar em decreto e colapso da representação. Só quem pode decretar qualquer coisa numa democracia é o voto, após eleições limpas e onde as diferentes partes tenham tempo de TV para explicar suas posições. Crise, tudo bem. Colapso, não. É por causa desse tipo de discurso que não tenho muitas afinidades com Freixo e os freixistas.

É curioso também ouvir Soares falar que Freixo foi “um dos únicos que mantiveram reputação intocada”. Por que isso, Soares? Por que Freixo é o único político honesto e bom do Brasil? Ou será porque a mesma Globo contra a qual você se insurge agora promoveu o assassinato de reputações da maior parte dos políticos brasileiros, inclusive muitos também que tinham “reputação intocada”? Você se manifestou em solidariedade a José Genoíno? O que a Globo faz com Freixo é um beliscãozinho no braço em comparação ao que fizeram com Genoíno e sua família.  A Globo praticou tortura midiática com Genoíno até mesmo quando ele estava doente. Fez chacota com sua doença.

Torturou-o por longos oito anos.

Dito isso, vamos ao texto de Soares.

*

Globo e milícias contra Marcelo Freixo (PSOL)

A artilharia pesada do sistema Globo quer fazer com Marcelo, no plano moral e político, o que as milícias não conseguiram, no plano físico

Por Luiz Eduardo Soares

[email protected], são inacreditavelmente frágeis as bases para as reiteradas notícias veiculadas pelo Globo, especulando sobre os mais esdrúxulos vínculos entre Marcelo Freixo e a trágica morte do cinegrafista, Santiago. Detesto teorias da conspiração, mesmo depois das revelações de Snowden. Tampouco tenho tendências paranoicas. Por isso, me sinto no dever de alertar para a inominável manobra política que está sendo promovida pelo sistema Globo (certamente com outros atores políticos), onde trabalham muitos profissionais sérios, que merecem todo meu respeito –por isso, me recuso a generalizar críticas e estigmatizar profissionais honrados. O objetivo é aproveitar o momento de comoção e confusão para arruinar um dos últimos grandes patrimônios da cidade do Rio de Janeiro: a credibilidade de um cidadão digno, de um político respeitável e, nesse caso, a credibilidade da própria Política, com P maiúsculo, no campo da esquerda democrática.

O propósito é escandalosamente evidente: Freixo foi um dos únicos que mantiveram a reputação intocada, durante e depois do maremoto de junho. As manifestações decretaram o colapso da representação, tal como praticada no Brasil. Poucas lideranças resistiram ao terremoto. Freixo é uma dessas raríssimas exceções no Rio, e mesmo no país. Tornou-se um personagem público com autonomia e lastro para transcender partidos, ceticismos, acusações generalizantes. Freixo é um dos poucos deputados que atravessam as ruas de cabeça erguida e, sem qualquer veleidade messiânica ou discursos dogmáticos, têm potencial para salvar a política do pântano em que a meteram.

Não é só a esquerda democrática que, hoje, precisa dele. É a democracia brasileira. Atingir de forma grotesca esse potencial de revitalização da vida política, capaz de articular as ruas e as instituições, é um verdadeiro ataque à República. Não me cabe especular sobre motivações, mas cumpre compartilhar o que me parece óbvio: a artilharia pesada do sistema Globo quer fazer com Marcelo, no plano moral e político, o que as milícias não conseguiram, no plano físico. Há no ar uma tentativa de assassinato moral absolutamente irresponsável. E nós? E os que concordamos com essa análise e aprendemos a respeitar Marcelo Freixo? Vamos deixá-lo sozinho? Ele não deixou a sociedade entregue à própria sorte quando decidiu arriscar a vida para combater as máfias milicianas. Até hoje não pode dar um passo sem a cobertura da segurança armada. É nossa vez de retribuir. Marcelo Freixo não vai ficar sozinho. Vamos promover um ato supra-partidário de desagravo? Quem concorda comigo, por favor, diga sim, presente, ou cante o hino nacional de pé e se emocione, mas não se esqueça de digitar aqui, SIM.

Luiz Eduardo Soares é antropólogo, cientista político e escritor. Já foi secretário de estado de segurança pública do Rio de Janeiro. Atualmente leciona na UERJ.

luizeduardosoares

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Otrebor Roberto

12 de Fevereiro de 2014 às 20h59

Sobre o Freixo e o PSOL, esse partido estava fomentando protestos fabricados pra Globo usar as imagens pra atacar o governo federal, pra azar dele houve uma morte provocada pelos BBs que o partido dele está ligado, então acho imprudente essa defesa do Freixo por conta da Globo, esse cidadão e o partido dele estavam ajudando a Globo atacar o governo federal, só não contava que a Globo iria cair fora da coisa como fez com Collor em 92 e depois das Diretas Já! que passou a dizer (mentindo) que não foi contra as Diretas Já! Freixo e o PSOL solapam a esquerda no Rio com esses BBs desmoralizando a esquerda e protestos nas ruas.

O PSOL, partido do Freixo, tem como meta a destruição do PT, então nesse momento que o PSOL e a Globo se comam, ambos fazem mal ao Brasil, esse comportamento pueril do PSOL deu força à extrema-direita no congresso pedir lei anti-terrorismo, que de forma infeliz senadores do PT endossaram (não todos).

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Celso Orrico

12 de Fevereiro de 2014 às 18h47

um contraponto ou outro ponto de vista sobre o PSOL, Partido do Deputado Marcelo Freixo..

http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/A-conivencia-do-Psol-com-os-Black-Blocs/30230

Antonio Lassance
Carta Capital
A conivência do Psol com os Black Blocs

Ao contrário do que pretendia, não é o Psol que parece estar influenciando os Black Blocs. São os Black Blocs que estão dando a linha do Psol.

O Psol cometeu o grave erro de se associar aos Black Blocs. Das duas, uma: ou o partido assume o equívoco publicamente, revê sua aliança explícita com os mascarados e se afasta desse grupo de uma vez por todas, ou ele que se prepare para ser duramente rejeitado na política pelos setores democráticos.

Se o Psol tem uma convicção a defender, que o faça. O que se viu desde a morte do cinegrafista Santiago Andrade é um partido que finge que não tem responsabilidade sobre o ocorrido e, tal qual um Black Bloc, mascara suas posições na hora de enfrentar a sociedade.

Após as manifestações de junho de 2013, quando foi expulso dos protestos como tantos outros partidos, o Psol estreitou sua relação com os Black Blocs. Mas continua posando de bom moço na hora de dar entrevistas.

Membros de sua Executiva defendem as táticas de violência de rua dos Black Blocs, enquanto seus deputados citam candidamente a não-violência de Gandhi e lamentam a morte do cinegrafista.

Ao contrário do que pretendia, não é o Psol que parece estar influenciando os Black Blocs. São os Black Blocs que estão dando a linha do Psol.

Pouco importa se o sujeito que disparou o rojão que vitimou Santiago Andrade é ou não do gabinete de Marcelo Freixo (Psol-RJ), se é ou não filiado ao Psol, se votou ou não no Psol, se receberá ou não assistência jurídica de algum parlamentar do Psol.

O que importa é a posição política, oficial ou oficiosa, que o Psol tem empunhado nas ruas, não apenas ao lado, mas de mãos dadas com os mascarados.

Por mais que tente tapar o sol com a peneira, está evidente que o Partido flertou com os Black Blocs. Brincou com fogo e se queimou, mas ainda não se arrependeu.

O cinegrafista da Band era, antes de tudo, uma pessoa comum, um cidadão brasileiro, um trabalhador.

O criminoso que tirou a vida dessa pessoa e que irá provavelmente reclamar da criminalização dos protestos não atacou ícone algum da imprensa burguesa.

Não fez sequer cócegas em qualquer corporação midiática.

Não chegou nem perto de atacar qualquer rede de comunicação.

Ele simplesmente atacou e destruiu um trabalhador. Alguém que era feito da mesma substância que as crianças, jovens, idosos, trabalhadores e estudantes da estação de trem onde também foi explodido um rojão desse mesmo tipo, horas antes.

As pessoas da estação tiveram a sorte que faltou ao cinegrafista.

Na página do Psol, até romper o dia da morte de Santiago Andrade, não havia sequer uma única nota do Partido sobre o episódio.

Até mesmo os Black Blocs do Rio de Janeiro divulgaram um comunicado lamentado a “infelicidade” pela morte do cinegrafista. O Psol não chegou a tanto.

Seus parlamentares juram que são adeptos da não violência, mas esperaram o cinegrafista estar em coma para dar as primeiras declarações.

Marcelo Freixo demorou ainda mais. Só abriu o bico para esboçar alguma explicação quando alguém lançou contra ele a acusação de ter relações diretas com o agressor.

Ou seja, resolveu romper o silêncio com intuito de defender a si próprio. Já não se fazem mais revolucionários como antigamente.

Enquanto aguardamos a nota oficial do Partido sobre o incidente, é possível entender qual é a do Psol com os Black Blocs com a leitura do esclarecedor texto “Tática Black Bloc: condenar, conviver ou se aliar?”. (P.S. No decorrer do dia de ontem (11), o texto desapareceu da página do Psol, mas ainda aparece linkado na página do partido no Facebook)

O texto é assinado por ninguém menos que o Secretário de Organização da Executiva Nacional do PSOL, Edilson Silva.

A resposta do membro da Executiva é a de que o Psol deve conviver e aliar-se para tentar ganhar adeptos entre os Black Blocs.

O Secretário Nacional do Psol é um verdadeiro apaixonado pelos mascarados. Certamente contagiou muitos outros de sua organização.

Diz que os Black Blocs têm como “diferencial mais saliente, e porque não dizer sedutor” “a coragem e o desprendimento com que se lançam diante da repressão estatal.”

Acrescenta: “não nos parece que o conceito da tática Black Bloc seja algo retrógrado ou mesmo indesejável em essência e propósitos originais. É algo progressivo, politicamente moderno, trazido pelas mãos da dialética na história”.

Vale grifar o “progressivo” e o “moderno”. O “trazido pelas mãos da dialética na história” bem poderia ter sido abreviado com um “inexorável”.

“A tática existe e veio pra ficar, gostem ou não a direita, a esquerda e quem mais quiser dar palpites”, diz Edilson Silva.

Tendo citado a direita, a esquerda e os palpiteiros, ao Psol só sobrou mesmo o centro. Ou seja, sobrou espaço suficiente para tocar fogo em rojões, mirando a cabeça das pessoas, e lançar coquetéis molotovs sobre policiais, durante a noite; e de dia fazer acordos com o PSDB, o PPS e o DEM nas votações do Congresso, como tem sido a praxe do partido.

O Secretário do Psol enaltece os Black Blocs e denuncia “as escaramuças de falsos representantes em uma esfarelada democracia de faz de conta”.

Acho que Randolfe Rodrigues, Chico Alencar, Marcelo Freixo e tantos representantes esfarelados do Psol precisam dizer alguma coisa para se defender. De preferência, algo que não seja faz de conta, como quer o entusiasta dos fogos de artifício.

A recomendação expressa, até que apareça alguém que diga algo em contrário, é a de colocar “os movimentos e partidos da esquerda coerentes, como o PSOL, dialogando com a tática Black Bloc, respeitando todas as táticas e o máximo possível as sensibilidades mais positivas da opinião pública e da consciência das massas”, “disputando a hegemonia”.

Interessante o texto falar em coerência, sensibilidade e consciência, três coisas que andam em falta no Psol.

“Talvez esteja aí o nosso desafio nesta questão da tática Black Bloc”, conclui a bula psólica.

“Quem mais deve estar preocupado com isto são os governos que já estavam acostumados com conflitos de resultados previsíveis”.

Engraçado; por um momento, imaginamos que quem deveria estar preocupado com esses resultados previsíveis deveria ser o Psol.

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Celso Orrico

12 de Fevereiro de 2014 às 18h41

é , mas ele precisa explicar a sua ligação com a tal da Sininho e o PSOL tem de decidir e explicitar se ainda apoia os blacks blocs e seus métodos..

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Regina Salomão

12 de Fevereiro de 2014 às 20h04

Bom mesmo são os parágrafos que antecedem o texto do Soares.”Você se manifestou em solidariedade a José Genoíno? O que a Globo faz com Freixo é um beliscãozinho no braço em comparação ao que fizeram com Genoíno e sua família.” Isso. Fica mais fácil respeitar quem é regularmente coerente. Não acho espetacular quem grita só quando invadem o seu quintal ou o quintal do seu amigo.

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