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Brasil Debate discute peso dos impostos

Por Miguel do Rosário

01 de agosto de 2014 : 11h24

Reproduzo abaixo um artigo publicado há pouco no Brasil Debate. Ele traz uma informação que contradiz o clichê martelado por nossa mídia sobre a questão dos impostos. O texto revela que o Brasil tem uma das menores alíquotas máximas de imposto de renda no mundo.

Estados Unidos, todos os países europeus, China, Israel, Coréia do Sul, Japão, todos tem alíquotas máximas maiores do que as praticadas no Brasil, país onde, portanto, os ricos pagam pouco imposto (e ainda reclamam).

*

O brasileiro paga muitos impostos?

Depende de qual brasileiro se está falando. O brasileiro pobre paga, sim, muitos impostos. O rico? Não. Explica-se. Há diversos tipos de impostos, mas pode-se resumi-los em dois grupos: impostos indiretos, cobrados sobre mercadorias e serviços, e impostos diretos, cobrados sobre a renda e patrimônio.

A estrutura tributária brasileira, herdada do período de ditadura militar, caracteriza-se por tributar mais mercadorias e serviços do que a renda e o patrimônio. A implicação disso é que pobre paga mais impostos proporcionalmente à sua renda do que o rico.

Um grande exemplo disso é o imposto de renda. Um levantamento da consultoria KPMG mostra a alíquota máxima de imposto de renda para diversos países. A partir do levantamento, o gráfico abaixo foi elaborado contando com os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e de países-chave nos demais continentes.

Pode-se verificar que, na verdade, o Brasil (marcado em verde no gráfico) tem uma das menores alíquotas máximas de imposto de renda dentre os países selecionados. A alíquota máxima de imposto de renda que aqui se pode pagar corresponde a menos da metade da alíquota máxima campeã, a da Suécia.

Este é o principal motivo pelo qual o Brasil precisa de uma reforma tributária: tornar sua estrutura tributária mais progressiva, contribuindo positivamente para uma melhor distribuição de renda. E é contra isso que os conservadores lutarão.

gráfico-reforma-tributaria2

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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15 comentários

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Leo K

04 de agosto de 2014 às 12h15

Me incomoda muito uma falácia que é repetida à exaustão: a de que o Brasil pela enorme arrecadação de impostos deveria ter serviços de primeiro mundo. Nada é mais mentiroso, pois não se leva em conta a arrecadação per capita, visto que os serviços pagos por estes impostos devem atender à toda a população. O problema é que ouço este chavão diariamente na mídia, mesmo de pessoas que se dizem ser esclarecidas.
Acho que é uma obrigação moral a de divulgar a verdade, para que as pessoas não sigam fazendo papel de idiotas.

Abaixo um texto ente muitos que esclarecem a questão, que foi publicado no site do estadão em agosto de 2012:

Os impostos pagos no Brasil precisariam triplicar para que o Estado tivesse condições de oferecer à população um serviço público equivalente ao de países ricos, mostram dados da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).

Isso significa que a arrecadação de tributos deveria atingir 106% do PIB (produto interno bruto) – o que é impossível.

Juntos, os governos dos países do G-7 arrecadaram US$ 8,729 trilhões em 2010 em cima de uma economia que produziu conjuntamente US$ 29,320 trilhões. O resultado é uma carga tributária de 29,77% do PIB. Já no Brasil, os tributos equivaleram a 33,56% da economia, segundo a Receita Federal.

No entanto, no grupo dos sete países ricos, o PIB por habitante é de US$ 39.675, enquanto no Brasil é de apenas US$ 11.314. Considerando a carga tributária citada acima, o Estado brasileiro arrecadou naquele ano US$ 3.797 em impostos por habitante. Já os governos dos países do G-7 obtiveram US$ 11.811 para gastar com cada morador, mais que o triplo do verificado no Brasil.

Em outras palavras, para tentar oferecer serviço público equivalente ao dos países do G-7 sem mexer na arrecadação, o Estado brasileiro deveria ser pelo menos três vezes mais eficiente – por exemplo, deveria ser capaz de construir três hospitais com o dinheiro que as nações ricas erguem apenas um.

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Antonio

02 de agosto de 2014 às 19h24

Peçam a algum industrial ou comerciante que use o valor de um produto hipotético para demonstrar o custo, o valor dos impostos em cada fase da produção para chegar ao preço final ao consumidor.
Se fizerem de forma correta, vamos chegar a uma margem de lucro muito maior do que os impostos incidentes no produto.
Margens de lucro que chegam a ser pornográficas quando comparadas as praticadas em outros países.
Exemplo direto e fácil: Bancos! Vivem alardeando sobre inadimplência e dificuldades para receber dos clientes e o lucro que apresentam.
Nossos impostos não são maiores do que os praticados em outros países.
O erro é na distribuição deles, quem tem mais paga proporcionalmente muito menos.
O resto é conversa de Chicago Boy.

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Rodrigo Toledo

02 de agosto de 2014 às 03h34

Basta ver que estamos sempre tirando do fundo soberamos para cobrirmos estes gastos..http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1064/noticias/deixa-no-cdb-arno?page=1

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Francisco Milton Da Silva Neto

02 de agosto de 2014 às 02h09

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Ricardo Araujo

01 de agosto de 2014 às 22h51

O artigo da carga tributaria está correto, mas está incompleto!
Observe que os impostos progressivos têm pouco peso na carga tributária brasileira.
Rápida pesquisa no Google sobre a distribuição da carga tributária indica:
Impostos sobre consumo: 58,7%
Impostos sobre renda: 25,2%
Impostos sobre o patrimônio: 3,4%
Outros: 12,6.
Assim, a situação é muito mais dramática: o rico paga poucos impostos progressivos e o pobre paga muitos impostos regressivos. Uma comparação da carga tributária, levando-se em conta apenas o percentual de PIB é inadequada, pois no Brasil “trabalhadores pagam mais impostos que os bancos.”
Uma das explicações da grande quantidade de americanos que deixam suas heranças para uma Fundação é, justamente, a grande alíquota sobre este patrimônio. Para fugir de alíquotas que podem chegar a 60%, ele cria uma Fundação, em seu nome, que vai fazer o que ele deixou escrito, como alternativa para não deixar para o Estado. Pelo seu desprendimento, Rockefeller continua um grande defensor do livre mercado.

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Rodrigo Toledo

02 de agosto de 2014 às 01h47

O imposto sobre a renda, no Brasil, precisa realmente ser revisto. Existem várias discussões na políltica sobre projetos aderentes a esta conceito. até hoje não sairam do papel. Mas ainda mais importante é revisarmos os impostos indiretos. Não temos as mais altas taxas de impostos do mundo, como alguns pensam, mas temos um dos piores retornos dos impostos pagos. Além disso, considerando que nossa dívida publica vem aumentando exponencialmente nos últimos anos, saíndo de 35% do PIB em 2007 para 58% hoje, significa que nosso governo, além de cobras muitos impostos, eles ainda não são suficientes para equilibrar os gastos do governo. Resumindo: o governo gasta muito e mal, e retorna muito pouco…com esse aumento de divida pública logo teremos mais aumentos de impostos no país.

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Rodrigo Toledo

02 de agosto de 2014 às 01h47

O imposto sobre a renda, no Brasil, precisa realmente ser revisto. Existem várias discussões na políltica sobre projetos aderentes a esta conceito. até hoje não sairam do papel. Mas ainda mais importante é revisarmos os impostos indiretos. Não temos as mais altas taxas de impostos do mundo, como alguns pensam, mas temos um dos piores retornos dos impostos pagos. Além disso, considerando que nossa dívida publica vem aumentando exponencialmente nos últimos anos, saíndo de 35% do PIB em 2007 para 58% hoje, significa que nosso governo, além de cobras muitos impostos, eles ainda não são suficientes para equilibrar os gastos do governo. Resumindo: o governo gasta muito e mal, e retorna muito pouco…com esse aumento de divida pública logo teremos mais aumentos de impostos no país.

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Rodrigo Toledo

02 de agosto de 2014 às 01h47

O imposto sobre a renda, no Brasil, precisa realmente ser revisto. Existem várias discussões na políltica sobre projetos aderentes a esta conceito. até hoje não sairam do papel. Mas ainda mais importante é revisarmos os impostos indiretos. Não temos as mais altas taxas de impostos do mundo, como alguns pensam, mas temos um dos piores retornos dos impostos pagos. Além disso, considerando que nossa dívida publica vem aumentando exponencialmente nos últimos anos, saíndo de 35% do PIB em 2007 para 58% hoje, significa que nosso governo, além de cobras muitos impostos, eles ainda não são suficientes para equilibrar os gastos do governo. Resumindo: o governo gasta muito e mal, e retorna muito pouco…com esse aumento de divida pública logo teremos mais aumentos de impostos no país.

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Edson Luís de Souza

01 de agosto de 2014 às 23h34

Onde 50% do PIB?

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Ninguém

01 de agosto de 2014 às 20h25

Oi, Miguel. Tudo azul?

Outra coisa que é preciso coibir, por lei, é a usura escorchante do spread bancário, que abaca com qualquer planejamento financeiro.

[ ]s,
Ninguém

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Pedro Gomes Brasil

01 de agosto de 2014 às 22h47

olhem que vergonha: https://www.youtube.com/watch?v=or6H6aCZt7I

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Alexandre Gerhardt

01 de agosto de 2014 às 21h20

a tah… 50% do PIB é baixo … entendi.

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Brasil Debate

01 de agosto de 2014 às 20h46

Obrigado por compartilhar O Cafezinho !

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Vitor

01 de agosto de 2014 às 17h41

Boa! Tem que tornar a estrutura tributária mais simples também!

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